domingo, 12 de abril de 2009

Onde acho as regências de uma alguma a minha família?

Eu não gosto de festas familiares como a Páscoa, isso porque nessas reuniões fica evidente que nem todos os elementos se encaixam. Eu nunca me encaixo, não me encaixei. Talvez minha busca nesse mundo seja essa: achar o grupo onde eu me encaixe de verdade. Isso nunca provei, só desejei muito e trabalhei (e ainda trabalho) duro para chegar a esse conforto. Eu sei que as pessoas encontram essas coisas, algumas sem mesmo nunca terem buscado... mas eu só me lembro de ter tido esse desejo em toda minha vida, mesmo sem saber que o tinha, busquei isso de todas as formas possíveis e imagináveis, como buscando anulações intensas do que eu sou para ver se me encaixava no que os outros eram, mas ainda eu não achei, apesar de saber que eu caminhei muitos passos dolorosos e reconfortantes nessa busca. Hoje, depois de toda a cena "familiar pascoalina", volto a me perguntar : O problema é meu? Sim, mas não só meu, eu mesma me respondo. Outro dia um amigo me perguntou como eu estava e como eu fui cruelmente honesta e respondi que andava muito azeda, ele retrucou dizendo que então era preciso que eu achasse a minha base, pois bases neutralizam ácidos... Ora, base quer dizer "suporte, raiz" e que é o único elemento capaz de neutralizar os ácidos. Base é família, é algo que deve ser parecido com a descrição que Guimarães Rosa fez do sentimento de Riobaldo quando reencontrou o menino em canoa: "O que entendi em mim: direito como se, no reencontrando aquela hora aquele Menino-Moço, eu tivesse acertado de encontrar, para o todo sempre, as regências de uma alguma a minha família."
Isso eu não sei se um dia já encontrei, nem se encontrarei ainda, mas sigo buscando porque amor -fundamental para abrigar a base - eu tenho até demais... Minha terapeuta diz que eu deveria focar minha atenção em coisas menores - mas não menos importantes ou prazeirosas - como a amizade que ampara, pois também ali podemos encontrar nossa família de alma. Isso eu vou descobrindo, devagar, devagar...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O curioso caso de Benajamin Button : O conto


Sim, esse conto de F. Scott Fitzgerald ficou muito famoso porque foi adaptado para o cinema, resultando em um filme que eu não vi e não vou ver (três horas de Brad Pitt eu não mereço!,) mas então comprei o livrinho do conto, porque a idéia da história de um homem que nasce com 70 anos e vai rejuvenescendo gradativamente me parecia intererssante... então comprei o livro já faz tempo, mas não pude ler antes e quando abri tomei um susto : Aquilo não era o que eu chamaria de livro conto, mas sim uma história em quadrinhos ... pensei que tinha comprado gato por lebre, mas quando comecei a ler... não era! Era algo parecido com o conto original, só que ilustrado em quadrinhos...para ter certeza, procurei o texto original em inglês na internet e BINGO: era isso mesmo! Menos ruim,não ?
O texto é engraçadíssimo, vocês precisam ler... comecem reparando no no sense: Um velho cabeludo divide o berçário com os bebês e segura um chocalho! rsrsrs
Eu gosto muito do trecho final do conto, quando Fitzgerald faz uma belíssima recriação literária de como seria a morte vista do ponto de vista de um bebê:

"Ele não se lembrava. Ele não se lembrava bem se o leite era morno ou era frio na última refeição, ou como os dias se passavam. Havia apenas o berço e a presença familiar da babá Nana. E então ele esqueceu tudo. Ao sentir fome, ele chorava...e isso era tudo. Por dias e noites,ele respirava enquanto sobre ele pairavam sussurros e murmúrios abafados que ele mal ouvia, além de alguns leves odores diferentes e a luz e a escuidão. E então tudo ficou escuro. E seu alvo berço...e o doce aroma morno do leite... se esvaíram por completo de sua mente."


Lindo, não? Duvido muito que uma adaptação cinematográfica (com Brad Pitt ou não) consiga se aproximar dessa delicadeza! É preconceito? Pode ser, mas é o que eu acho e não tô afim de quebrar esse preconceito...

Sem mais adeus

Na tarde segunda-feira, dia 06 de abril de 2009, chovia uma chuva melancólica e constante. Eu fui até a FAPESP pedir a interrupção da minha bolsa de mestrado por conta da minha defesa, o que é, em si ,uma atividade melancólica. Então, depois, eu entrei no Pão de Açucar do Alto da Lapa para tomar um café e estava tocando essa música. Infelizmente eu me identifiquei com ela. Tinha feito, sem muito sucesso, exatamente isso que fala na letra da música no sábado anterior ...

Isso deve significar que as coisas estão tomando rumo do fim, que vão mudar e minha trilha sonora também!
Tomara!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

TRANSA 1972

Essa é de arrepiar! Diretamente do exílio, Caetano grava Transa, talvez seu melhor disco, e louva esse país que tão mal o tinha tratado:

domingo, 5 de abril de 2009

ALGUNS MÚSICOS NÃO ACREDITAM EM DEUS, MAS TODOS ACREDITAM EM BACH

Acabo de chegar de mais um show da série "A VOZ E A VEZ DO INSTRUMENTO" aqui no SESC Pompéia, que são sempre inesquecíveis e maravilhosos.
Hoje tivemos
os virtuoses do violão Paulo Bellinati e Paulo Martelli receberam os excelentíssimos violonistas Weber Lopes e Emeliano Castro... QUE NOITE!
Ouvir Paulo Bellinati- um homem muito simpático, que quando pega o violão dá conta de se colocar no seu devido lugar : um dos maiores violonistas vivos! Bellinati está tocando com palheta, porque está se recuperando de um problema nas mãos, mas com isso ele não deixa de ser maravilhoso. Ele está em gravação com um parceiro mineiro, Weber Lopes, que é um músico emocionante!
Depois daquela apresentação tivemos um solo de
Emiliano Castro, o convidado de Paulo Martelli... Emiliano é um moço muito sedutor, estava um pouco nervoso demais, mas também não era para menos, ele executou Paulinho da Viola e Paco de Lucía, fazendo o seguinte comentário: "estava frio no camarim, mas agora vai esquentar com a música de Paco...
Mas o sublime veio no final: Paulo Martelli, que eu não conhecia...
ele veio falando coisas tipo: "Alguns músicos não acreditam em Deus, mas todos acreditam em Bach" (risos)
E nos apresentou pequenos pedaços do sublime, eu chorei, me arrepiei toda, pensei em Deus: Era Bach, tocado num violoão de doze cordas, adaptado para ter um som muito parecido com o instrumento barroco: COISA FINA É POUCO!
Foi demais! Demais! Demais!
No dia 14 teremos Tom Zé novamente!
EU ADORO O SESC! Enquanto isso, vamos ver um pouco do melhor da noite, Paulo Martelli, em outra interpretação, mas só para sentir a responsa:

METRÔ DE SÃO PAULO : ESTAÇÕES SUPERLOTADAS EM CONTRASTE COM AS FANTASMAS

Hoje vi um link no UOL para a seguinte notícia "Mesmo superlotado, metrô de SP mantém estação 'fantasma'", e eu acessei, pensando que o texto falaria do principal motivo para que isso aconteça, que é o fato do planejamento da malha ser pensado a partir de incentivos da especulação imobiliária, não de necessidades da população.
Claro que a reportagem (retirada da Folha de São Paulo) nem cita esse pequeno "detalhe"...Mas é claro que é isso que acontece! No ano passado, durante a "Bienal do Livro", eu assisti um debate sobre o cotidiano do centro de São Paulo, promovido por três historiadores (Boris Fausto, Elias Thomé Saliba e o também jornalista Heródoto Barbeiro), onde ficou evidente que o centro velho vem perdendo destaque para outras regiões mais valorizadas, e o exemplo é sempre a malha do metrô: qual a função, na vida social da cidade, da existência da Estação Chácara Klabin, tão próxima da Estação Vila Mariana? Querem saber? Nem precisa ir até lá, só pesquisa no Google "Chácara Klabin" e vai dar para entender que esta é, atualmente, um pico de valorização imobiliária... Isso sem falar na nova Linha do metrô a ser inaugurada no ano que vem (Luz-Vila Sônia) que, conhecendo a região da Vila Sonia, no meio do Morumbi, será outra fadada a ser linha fantasma...
E outras regiões que são pólos de utilização de transporte público, mas não oferecem tantos benefícios imobilários, ficam de lado sempre, um exemplo disso é a Lapa, que acolhe todas pessoas que moram em bairros extremos como Perus ou mesmo em cidades-dormitório ao norte da cidade, como Caieiras, para toda essa gente, só é possível usar o Metrô para trabalhar se antes pegarem ônibus interminiciapais ou trens, o que deve acabar resultando em uma viagem de horas...
Isso a Secretaria dos transportes do município não leva em consideração,claro, depois não entendem porque eu estou cada vez mais pendendo ao anarquismo , ou quero muito ir embora dessa cidade! E se tudo for como eu tô achando que vai ser (as portas não vão voltar a se abrir para mim nessa cidade tão cedo) eu vou antes do que se imaginava!

sábado, 4 de abril de 2009

POSSO SER BREGA?

Com licença...
Eu não gosto muito dessa música,acho meio brega, mas ela é muito música do meu tempo, dos meus vinte anos ... e gosto demais do trecho do Eça!