segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SUMIR É UMA OPÇÃO?

Todo mundo soube que o Belchior deu uma sumidinha do mapa, não é?
Interessantíssima opção, até o Tom Zé pensou em adotar essa opção radical, como podemos conferir aqui...
Eu não pude deixar de pensar que essa seria uma opção para mim também, porque esse ano as coisa não vão bem, como todo mundo sabe... sem emprego, sem amor, e com um doutorado recém começado e já imóvel...E SE EU TAMBÉM SUMIR?
Tô pensando nessa hipótese... mas ao contrário da escolha de Belchior, não iria para o Uruguai, mas sim para Canoa Quebrada, para saber se ela é tão atraente ao vivo quanto parece nas imagens divulgadas ...
Também poderia ir-me embora pra Pasárgada, mas isso seria literário demais...eca!
Talvez pudesse ficar com a fuga de Gilberto Gil: uma banda de maçã, outra banda de reggae:

terça-feira, 25 de agosto de 2009

PORQUE NÃO GOSTEI DO TWITTER

Sim amigos, eu não gostei do Twitter.
Não me interessou muito desde o início, mas não ia falar nada antes de experimentar direito. Experimentei. E não gostei.
Que linguagem excessivamente sintética é essa que agora faz sucesso? Vamos ter que nos comunicar por manchetes? Que mundo sem graça!
Que a internet causou mudanças sérias na linguagem escrita todos sabemos, mas Twitter é raso demais.Pareceu-me uma forma moderninha de fazer fofoca.. to fora. Para não ficar totalmente no ostracismo virtual, ainda prefiro o Orkut, no qual se pode trocar diversos tipos de informação e o melhor SEM LIMITE DE PALAVRAS.
Para alguém como eu , que trocou deliberadamente a faculdade de comunicação pela de história, porque sempre preferiu conhecimentos aprofundados, o Twitter é uma coisa lamentável... e o valor da duração no comunicar?
Essas modernidades ou pós modernidades... Eu estudo Guimarães Rosa, um super crítico dos processos de esvaziamento trazidos pela modernidade, mas ele não chegou a assistir ao enterro total da linguagem...
Pode ser que nem o “canto de cisne” de Sorôco caberá nos toques restritos do Twitter.
Essa é apenas uma opinião, mas é a minha...que só consegui expressar completamente por aqui,pois lá no Twitter só coube a frase

“EU NÃO GOSTEI DO TWITTER”...

sábado, 22 de agosto de 2009

CAETANEANDO

Eu sei que não escrevo aqui faz tempo,nem confiro os blogs dos meus amados,mas escrevo hoje,não só para dizer que eu estou bem, obrigada, e que, como sempre, ando caetaneando nessa vida...
Ando comendo Caetano, " pela frente, pelo verso"...ando "lambendo a Língua", como diz a música de Adriana Calcanhoto... e se a ANTROPOFAGIA ainda pode ser uma opção válida, eu também "comi" outros "pratos" esses dias...
É que me parece que encontrei um Homem que quer alguma coisa ... mesmo que ele não seja um Caetano (que sentiu a "glória do saber querer...", pelo menos este quis algo .... será que quer mais? Veremos...
Para além deste, mais dois homens destacaram-se em minha vida esses dias ...
Um é meu grande amigo Lucas, que agora é docente de Federal em Minas! Que beleza! Isso me lembra Cajuína "...Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina do menino infeliz não se nos ilumina, tampouco turva-se a lágrima nordestina, apenas a matéria vida era tão fina...." É que Lucas é demais, mesmo, fiquei tão feliz!
Outro é Luiz Tatit, que ouvi falando essa semana... ele é muito bacana, fala as coisas mais complexas e tem comigo algumas simultaneidade de opinião: ele também curte muito Rei, Caetano Veloso e disse que Guimarães Rosa é o auge da literatura brasileira, o mais original, porque como Machado de Assis temos alguns na literatura mundial, mas como Rosa, NINGUÉM!
Agora, para saber qual o sentido de tudo isso, eu sei o que eu desejo:Quero alguém que queira ficar comigo, mas queira mesmo... vamos ver se vou conseguir!
Em homenagem ao meu irmão Lucas, Cajuína
:

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Acabo de entrar no doutorado em História, no qual devo seguir a linha de pesquisa iniciada pelo meu mestrado.
Se no mestrado eu queria descobrir qual a concepção de História realmente adotada por Guimarães Rosa, e como esta aparece em sua obra literária, descobri que esta está mesmo mais voltada para a forma que pensaram o tempo durante a modernidade.
Ok,não muitas novidades até aqui - embora minha leitura seja uma bomba que vai contra a maioria das leituras da posição da História em Guimarães Rosa, porque ela não considera, de forma alguma, relações diretas entre o texto da "verdade do acontecido" e o texto ficcional . No doutorado eu propus uma pesquisa que se especificasse na abordagem de um dos temas caros aos que respiravam os ares da modernidade - como Guimarães Rosa - que é a atenção devotada ao olhar infantil para os processos históricos. Com esta mesma preocupação -delimitando pela época, inclusive - Rosa tem alguns companheiros de peso, como James Joyce, ou mesmo Walter Benjamin.
Interessantíssimo, não? Eu acho!
Porém meu orientador - que também deve ter achado tudo isso muito interessante,porque a proposta dá conta de discutir seriamente temas de TEORIA DA HISTÓRIA PURA, problematizando conceitos de temporalidades,de linguagem lúdica,e especialmente de duração,na forma específica como foram encarados pela modernidade - fez uma exigência prática,que obviamente tornará mais viável a pesquisa complicadíssima que estou propondo (que abarcará leituras em pedagogia,psicologia, história, lingüística, semiótica, etc...), mas é tão terrível atender a tal! Como acrescentar mais um autor a pesquisa?
Que autor brasileiro poderia dar as mãos a Guimarães Rosa nesse movimento todo?
Nenhum na prosa brasileira, eu suponho!
Mas me lembro do que escreveu Oswaldino Marques:

"Não se perturbe o leitor com o enquadramento indistinto de João Guimarães Rosa nas esferas da poesia e da prosa, pois a sua textura verbal cobre a dupla extensão dessas categorias. Não foi por acaso haver a ele cabido a primazia de gerar uma nova forma de expressão literária, onde se
fundem, de modo orgânico, a prosa e o poema. À falta de um termo corrente, fomos forçados a cunhar o vocábulo prosopoema, para nomeá-la."

[MARQUES, Oswaldino. Canto e plumagem das palavras.]

Ora, então posso brincar com poetas também? Parece que sim.
E o mais interessante deles parece ser Manoel de Barros, que sofreu assumida influência da escrita de Rosa - especialmente na relação com a linguagem que estabeleceu (Linguagem e vida são uma coisa só) e isso ambos também parecem ter aprendido com as crianças.


Ótimo, ótimo. então qual é o
problema?
O problema é que eu posso gostar muito de Barros, achar genial e
legal, MAS ELE NÃO É GUIMARÃES ROSA!
Pessoa fiel, é um horror!
Não rolou aquela paixão ainda, nem mesmo ao ler trechos lindíssimos e reveladores como este:


"Quando o rio está começando um peixe,

Ele me coisa

Ele me rã

Ele me árvore.

De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos."
Mundo Pequeno (do livro "O Livro das Ignorãças")

Será que meu doutorado será uma aprendizagem da traição?
Vou começar relendo "Dom Casmurro" (risos)

domingo, 26 de julho de 2009

O LADO B DA ADOÇÃO

A Revista Época publicou,enfim, um texto mais verdadeiro sobre a adoção.
Nada daquele monte de mentiras que a mídia costuma despejar nas pessoas: adoção não é o lindo mundo encantado dos altruistas x dos rejeitados ...
Muitas verdades aparecem na reportagem, especialmente o quão terrível é sofrer abandono desde o começo de vida,e como isso influência a pessoa o resto da vida,o tempo todo.
Eu bem sei disso.