Também poderia ir-me embora pra Pasárgada, mas isso seria literário demais...eca!
Talvez pudesse ficar com a fuga de Gilberto Gil: uma banda de maçã, outra banda de reggae:
"Não se perturbe o leitor com o enquadramento indistinto de João Guimarães Rosa nas esferas da poesia e da prosa, pois a sua textura verbal cobre a dupla extensão dessas categorias. Não foi por acaso haver a ele cabido a primazia de gerar uma nova forma de expressão literária, onde se
fundem, de modo orgânico, a prosa e o poema. À falta de um termo corrente, fomos forçados a cunhar o vocábulo prosopoema, para nomeá-la."[MARQUES, Oswaldino. Canto e plumagem das palavras.]
Ora, então posso brincar com poetas também? Parece que sim.
E o mais interessante deles parece ser Manoel de Barros, que sofreu assumida influência da escrita de Rosa - especialmente na relação com a linguagem que estabeleceu (Linguagem e vida são uma coisa só) e isso ambos também parecem ter aprendido com as crianças.
Ótimo, ótimo. então qual é o
problema?
O problema é que eu posso gostar muito de Barros, achar genial e
legal, MAS ELE NÃO É GUIMARÃES ROSA!
Pessoa fiel, é um horror!
Não rolou aquela paixão ainda, nem mesmo ao ler trechos lindíssimos e reveladores como este:
"Quando o rio está começando um peixe,Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter os ocasos."
Mundo Pequeno (do livro "O Livro das Ignorãças")Será que meu doutorado será uma aprendizagem da traição?
Vou começar relendo "Dom Casmurro" (risos)