terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Novo Buena Vista Social Club?

Fiz uma busca no Emule pelo nome "Buena Vista Social club", procurando- sem sucesso por enquanto- as canções deste disco:
Mas encontrei algumas gravadas pelo que seria uma fase renovada do Buena Vista (lembre-se que dos originais já quase não sobram mais vivos, infelizmente)...
Como são as canções do Novo Buena Vista Social club?
Péssimas!
Sabe o que acontece com a música pop aqui no Brasil, de traduzirem ou inventarem letras em português para musiquinhas mela cueca americanas (procure por repertório de pagodeiros e sertanejos e verão...)
Novo Buena prests coisas como isso:




E não gostei, vocês gostaram? Pensem na música feita pelo grupo original... não tem comparãção!

domingo, 31 de janeiro de 2010

AUSÊNCIA

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo
da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.




MORAES, Vinícius de. ANTOLOGIA POÉTICA.

tenho tudo para ser feliz , mas acontece que eu sou triste...

Sei que eu ando sumida desse espaço...
E como alguns sabem, não é por causa de nenhum grande acontecimento bom ou mal na vida.
Nos últimos dias encontrei algumas das melhores pessoas ótimas deste mundo, e quando isso acontece me "lembro" que eu tenho tudo para ser feliz e o Robinho até voltou...
Só que elas, apesar de eu sempre acreditar de verdade que desta vez pode ser diferente, acabam indo embora. Robinho tem data marcada para ir embora novamente...
Por enquanto estou permanecendo.


Dialética - Vinicius de Moraes



É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

domingo, 24 de janeiro de 2010

PARABÉNS SÃO PAULO


Quando eu morrer quero ficar

Mário de Andrade
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A OSWALD DE ANDRADE POR OCASIÃO DA DESCOBERTA DA LITERATURA BRASILEIRA


É verdade que a "redescoberta" da obra de Oswald de Andrade está modificando muito minha visão de mundo!
Livros que a gente não consegue parar de ler e se deliciar como Poesia Pau Brasil, Perfeito cozinheiro das almas deste mundo e especialmente o Primeiro Caderno do Aluno de poesia Oswald de Andrade estão acendendo luzes coloridas sobre minha vida, minha história (a do Brasil), meu gosto e, enfim, sobre meu doutorado.
Gosto muito de saber que moro em um lugar onde existiu um Oswald de Andrade... Encontramos preciosidades na poesia oswaldiana:

Amor

Humor


3 de maio
Aprendi com meu flho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi

Senhor feudal
Se Pedro Segundo
Vier aqui
Com história
Eu boto ele na cadeia

O gramático
Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou

Relicário
No baile da Corte
Foi o Conde d'Eu quem disse
Pra Dona Benvinda de Suruí
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí

Aqui temos aquele que pode ser considerado o "primeiro esboço de poema concreto brasileiro", feito com carimbo (é, o lirismo está em qualquer lugar!):


Dá para não adorar?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Qual o lugar de Guimarães Rosa?

Augusto de Campos, em 1959, já apontou uma verdade com a qual eu concordo plenamente: Guimarães Rosa deu prosseguimento a uma escola de escritores que se debruçaram sobre experimentações lingüíticas na Literatura Brasileira e que se iniciou com Mario de Andrade e seu Macunaíma, seguiu-se com Oswald de Andrade e seus Serafim Ponte Grande e Memórias sentimentais de João Miramar, até chegarmos no Grande Sertão: Veredas, que se colocou como um marco, já que:

"Ninguém poderá construir qualquer coisa em prosa brasileira, pretetendendo
ignorar Grande Sertão: Veredas. E quando se considera a situação geral
da ficção nacional, onde de um lado pontificam os romances ingenuamente
realistas e carticato-regionais, de outro lado o grupo pretensioso dos
intimistas alienados, a figura de Guimarães Rosa avulta com desmesura grandeza,
isolando-se, muito acima dos demais.
Ao invés do realismo simplista e
simplório, ao invés do subjetivismo delirante e falsamente revolucionário,
dá-nos Guimarães Rosa algo positivo e palp[avel. 'Che si può mangiare', como
diria Ezra Pound. Uma experiência de convívio com as palavras, as coisas e os
seres que reduz a maior parte da prosa de ficção ao estado de subliteratura." (Augusto de Campos.Um lance de dês do Grande Sertão)

Qual é a do Guimarães Rosa ? (ótima pergunta)....
Sempre achei que A "escola de Guimarães Rosa" era a mesma de Rabelais- essa coisa de colher na liguagem popular oral aspectos que nos levaiam ao nascimento das palavras, em um procedimento arqueológico ...
Continuo achando isso, claro, mas outras influências somaram-se a essa...
Como todo mundo já deve ter ouvido falar, Rosa também tem muito de James Joyce (algo que eu, como historiadora, sempre repito), e devo lembrar que Joyce também deve ter bebido na fonte de Rabelais... mas, Guimarães Rosa parece ligado a outras fontes também!
As técnicas rosianas de recriação e utilização do léxico me parecem muito próximas às apresentadas pela personagem Humpty Dumpty, de Lewis Carroll, que explica sua idéia assim:

"Quando eu utilizo uma palavra, ela significa exatamente o que
quero que signifique, nem mais, nem menos"
...

Essas palavras de Carroll me lembram demais o que Wittgeinstein que teorizou :

"o significado das palavras são explicados por seus usos"

Eis uma atitude cara linguagem rosiana e também a contrução e compreensão da linguagem infantil. Faz sentido?
Preciso pensar e organizar tudo isso, mas como vêem, minha cabeça está funcionando à mil por hora! UAU!

domingo, 17 de janeiro de 2010

"e sei que a poesia está para a prosa assim como o amor está para a amizade e quem há de negar que esta lhe é superior?" Caê

Vivemos um tempo sem poesia...
Depois dos anos 1980 e os irmãos Campos não vemos poetas tão conhecidos!
Uma pena, uma pena mesmo... para uma amante das palavras e do lirismo, como eu sou , é triste que estejamos passando por esse momento!
Será que podemos fazer algo? Talvez se relembrássemos Waly Salomão e reabríssemos a FÁBRICA DO POEMA: