segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

"Coisas", de Moacir Santos

“Coisas” é um álbum do um arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista brasileiro Moacir Santos, lançado em 1965. Foi dica cultural indicada pelo  "Metrópolis" de Natal... ainda que com o alerta de que, em LP, ele estaria custando mais de 3000 reais! Eu não conhecia, mas em tempos de Youtube, pude experimentar  e não consigo parar mais de ouvir! Para quem é fã de música instrumental, como eu, é um verdadeiro presente de Natal!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

DOCUMENTÁRIO: Guimarães Rosa : O mágico das palavras

 
"...então o Guimarães Rosa, através do sertão, entra dentro do coração selvagem da língua, no caso o português, mas é algo a mais do que o português do Brasil, quem já fica enriquecido de elementos de todas as linguagens: é o fenômeno da linguagem humana." Willi Bolle (47'51" - 48'15")
"... Guimarães Rosa incorpora à linguagem culta a pala popular. Um outro recurso técnico é que Guimarães Rosa desenvolve a sensação para a língua, como algo que está ainda se construindo, algo que não está pronto..."Willi Bolle 18:10 - 18'35"
"... aquele elementos todos: biblioteca, cadernetas de viagem, listas de palavras ajudam, são elementos  subsidiários para entendermos o processo de criação. Mas, na câmara íntima da criação de Guimarães Rosa eu acho que ninguém penetrou." Willi Bolle  21'28" - 21'51" 
"... aí está um desafio para a classe culta brasileira, que se acha tão acima do universo da cultura popular, que é tolerado, como uma coisa interessante, mas não realmente admitido. Esta postura é radicalmente questionada pela introdução deste interlocutor (mudo e letrado de Riobaldo em Grande Sertão Veredas) a quem Guimarães Rosa ENSINA A OUVIR"  Willi Bolle 37: 41 -38:10 
  
Será que eu gosto do Willi porque ele tem esta leitura do Rosa, ou eu tenho esta leitura do Rosa porque ele tem? Depois de tantos anos, tudo já se confundiu para mim! rsrsrs
Mas, em minha tese, cada vez mais emerge uma hipótese que se torna cada dia mais sólida: o humano é o estabelecimento de uma relação (sempre complexa) com a linguagem. Isso é história, estória (conta história)... é humano, travessia!

Roland Dyens Trio plays "Rondo" (Paris, 1989 - live recording)

Vamos viajar nesse som?

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Auto descoberta como mulher

Capa de "O tempo, Camila- mini contos", de Elias José (1971)


Estranho,mas esses mini contos de Elias José, que achei certa vez na biblioteca da FFLCH, juntamente com outros  autores (as) como Hilda Hilst, Manuel Bandeira e Clarice Lispector, ajudaram a  formar a Camila mulher ali na passagem do século XX para o XXI!  E outras narrativas que já não me servem mais, naquele momento foram fundamentais, como algumas canções "femininas" de Chico Buarque,
  a paixão de Maria Bethânia, a solidão poética do livro  A Ostra e Vento de Moacir C. Lopes, tal qual sua adaptação para o cinema de Walter Lima Junior. E sobretudo Almodóvar e a solidão crônica de seu Fale com ela, a quem devo a honra de soltar meus cachos sempre, doa a quem doer

A respeito dessas coisas todas, nesse meu momento atual, só me lembro do fim de  Elogio da Sombra, de Jorge Luis Borges :"Agora posso esquecê-las. Chego a meu centro"

Mas antes, vamos ao mini conto de Elias José:


Camilamor
Camila, mande à merda a tristeza. Me possua, me destricha, faça de meu corpo sala e quarto, onde se entra e sai quando quer. E, no ato da posse, esqueça tudo. Vamos resumir o mundo em nossos corpo se em cada movimento nosso o mundo se movimentará; em cada sorriso teremos a certeza de que a vida ficou mais bonita. Vamos singularizar nossos sonhos e você verá como cabem aqui. Não mais distâncias. Seremos gêmeos, nascidos num só corpo. E os homens, vendo nossos corpos unidos, pensarão em fantasmas, bichos anormais, metade peludo, metade sem pelo. Nós vamos rir dos homens. Um riso grande de duas bocas fundidas numa só.Camila? Por que Camila? Porque se for mulher é Camila. Se não for Camila nem é mulher.Os russos vão a Marte. Os americanos voltam à Lua. Eu me desliguei do mundo e faço, calmo, a eterna viagem no que no corpo de Camila.

Elias José