terça-feira, 14 de outubro de 2014

Enfim, Xico Sá "explica" o caso da saída da Folha, como sempre de forma sensacional!

NOTA AOS LEITORES E AMIGOS
Caríssimos amigos & leitores, pretendia nem mais falar desse assunto, mas devido à forma como se alastrou –rizomáticos riachos e riachinhos delleuzianos & gonzaguianos em busca do velho Chico em anos de bom inverno no Navio e no Pajeú-, creio que devo alguma satisfação na praça, além dos “pinduras” morais e existenciais de sempre. Valha-me meu bom Deus, viver é dívida, canelada e dividida de bola.
Como só os galãs vencem por nocaute, procurarei, mal-diagramado por natureza que sou, triunfar nessa luta por pontos, minando, nas cordas do ringue ideológico, vosso juízo emprenhado pelas redes sociais. Vamos lá;
1) Não há herói nenhum nesse episódio. O máximo que chego é a anti-herói macunaímico ou ao João Grilo do cordel teatralizado pelo bravo Suassuna. E olhe lá, e olhe lá, amiga Karina Buhr, eu só quero tocar meu tamborzinho cósmico.
2) Como já informaram alguns sites, pedi demissão do meu posto de colunista (do caderno de Esportes) da Folha, jornal com o qual mantenho uma velha relação de duas décadas, entre idas e vindas, furos, erramos assumidos variados, pés-na-bunda de ambas as partes, grandes momentos, crises profissionais e esticadas D.Rs (discussões de relação) gutenberguianas.
3) Eis que na sexta-feira, 10/10, mandei a coluna em cima da hora, só para variar. Nas linhas tortas -o velho Graça me entenderia nessa hora, embora corrigisse a minha escrita adjetivosa-, tratava do Fla-Flu eleitoral, defendia que os jornais saíssem do armário –como as publicações americanas- e tecia queixas à cobertura desequilibrada da Folha e da imprensa no geral. E repare que a Folha, senhoras e senhores, é bem melhor em se comparando aos outros jornalões, vide grande revelação do aeroporto privado de Aécio e o mínimo questionamento do choque de gestão nas Gerais, esse fetiche econômico insustentável até para a Velhinha de Taubaté do meu amigo Veríssimo.
Bem, como eu ia falando, defendia na coluna que os jornais assumissem suas explícitas posições, donde encerrei o desabafo gonzo-lírico-político usando o direito de declarar minha preferência pela Dilma.
4) A direção do jornal entendeu que o texto feria um dos princípios da casa; o de não permitir fazer proselitismo político ou eleitoral em favor de nenhum candidato. Sugeriu, civilizadamente, que alterasse o texto. Prosa vai, prosa vem. Refleti e mantive a escrita. Argumentei que outros colunistas, de alguma forma, feriam o princípio interno, no que me acho prenhe de razão, né não? Ou seriam textos inocentes?
5) Finquei pé, mais honra do que birra, pantins e queixumes. A direção do jornal sugeriu que eu poderia publicar, porém na página 3., na segunda-feira. É a página de “tendências & debates”, na qual convidados, não gente da casa, manifesta livremente suas opiniões, inclusive de voto. Migrar para um espaço de “forasteiros” não me fez a cabeça, não achei que fosse a solução para o impasse. Qual o faroeste dos irmãos Cohen, achei que também teria o direito de ser, pelo menos um dublê, à esquerda, dos caras que botam para quebrar nas suas colunas da Folha. O faroeste moderno se chama “Onde os fracos não têm vez”.
6) Daí o meu pedido de desligamento como colunista do jornal, função que exercia na figura de PJ (pessoa jurídica mediante nota fiscal), não como funcionário contratado pelo grupo Folha.
7) No dia seguinte, não mais na condição de colunista, soltei uma saraivada de posts de escárnio e maldizer nas redes sociais, em um espasmo de ira & lirismo que defini, no twitter, como um manifesto gonzo-político livremente inspirado na minha atual releitura de Hunter Thompson e na memória do genial Nezinho do Jegue, personagem de “O Bem Amado”, do baiano Dias Gomes, que, uma vez alcoolizado, insultava a humanidade. Eis um direito divino, dionisíaco, um direito dos malucos, além muito além de todas as Constituições, como diria o gênio-mor Antonin Artaud e seu duplo.
8) Um dos posts dessa performance dionisíaco-tuiteira-brizolista, meu caro e amado Zé Celso, vociferava também contra os petistas, considerando que não desejava o (inevitável e irrefreável) uso da minha opinião como propaganda oficial. “Phueda-se o PT”, com PH e tudo, dizia este monstruoso cronista. Relembrava que o governo do PT e de todas as siglas da sacanagem alfabética têm que ser investigados sim. Meu reclamo é/era pontual; por que só os caras de um lado são responsabilizados pela história universal da infâmia e ninguém publica, para valer, o “rebuceteio” –para usar um clássico da pornochanchada nacional- do outro lado da suruba pornô-política, querido Reinaldo Moraes?
É muito desequilíbrio. É praticamente jornalismo de campanha. Não cobertura.
9) O pedido de demissão. Finalmente explico. Mais demorado do que a declaração de voto da queridíssima Marina, que infelizmente esqueceu a nova política na qual eu caí feito um patinho de primeiro turno na lagoa Rodrigo de Freitas.
A demissão. Suspense à Hitchcock.
Vixe. Volver a los 17, como cantaria Mercedes Sosa, a quem escuto ao fundo dessa escrita, alternando com Nação Zumbi, óbvio. Volver à minha pobre coluneta do caderno de Esporte da Folha. Defendi meu patrimônio imaterial único e universal, quase um sufrágio, meu direito, daí o finca-pé que resultou no meu pedido de afastamento do universo folhístico.
Ingenuidade achar que, em período de extremada passionalidade e justíssima crítica ao desequilíbrio na cobertura da “imprensa burguesa” (outro termo vintage comuno-anarquista usado e abusado nos meus posts com toda sinceridade desse mundo) neguinho não fosse compartilhar essa bagunça barroca toda, agora falo com meu irmão Wally Salomão, para o que der e viesse. Rede social é como aquela parada bíblica do olhai os lírios do campo, eles não tecem, eles não fiam...
10) Enfim, o resto é barulho, mas creio que narrei, com alguma vantagem pessoal comum aos narradores de primeira pessoa, a onda toda –ai de mim, amigo Walter Benjamin! Donde reafirmo, não há heroísmo algum além de uma refrega dramática de um velho cronista, talvez um pouco ultrapassado e dionisíaco, com la prensa burguesa, reafirmo o clichê da velha bossa, afinal de contas renascemos sempre num Cocoon metafísico de águas imaginárias e milagrosas.
Como diria, agora meu brother Arnaldo Baptista, quero voltar pra Cantareira.
Deus abençoe os velhos e as crianças, eis meu dizer sobre essa confusão toda que eu achei tão normal como falar do seu candidato no boteco da esquina, era assim na vida antigamente.
Por que isso virou tão chato e eu não posso?
Justo num texto tão babaca, defendendo uma candidatura que só consegue ser mil vezes melhor do que Aécio mesmo. Afinal de contas essa peleja é um W.O. da porra. Ou deveria ser para quem tivesse juízo.
Ah, cadê a dialética do esclarecimento das espumas flutuantes dos mares de cerveja, viejo Wander Wildner?
Aliás, por que eu não poderia escrever aquele texto babaca, aliás eu tenho sido um péssimo cronista, tanto de amor como de futebol, preciso me reciclar, reler todo o Machado de Assis, ele me ensina, também relatei isso aos meninos folhais.
Eu careço ouvir todo Jards Macalé, meu ídolo. Esse episódio cá Folha, aliás, não é político, é ridículo se pensamos na grandeza da vida. As folhas das folhas da relva, menino Holden, é o que doravante me interessa como razão de viver debaixo de uma árvore ou sob o guarda-chuva moral dos caras que viram polícia do texto sem saber que uma besteirinha de nada pode virar idiotice e totalitarismo.
Agora voltei de vez para “O Apanhador...”, mas, juro, me perdõe, pela confusão toda com o jornal, com as redes sociais e qualquer coisa. Como dizia Holden, “gosto de Jesus e tudo, os apóstolos é que são uns chatos.”
Beijos, Xico Sá, Copacabana, primavera do ano da graça de 2014

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Pequeno Cidadão apresenta ao Hadad a música em apoio às ciclovias ...

Pequeno Cidadão apresentando ao prefeito a música sobre as ciclovias, lembrando que elas são um espaço onde as crianças também podem estar,participar e se APROPRIAR DA CIDADE (AS CRIANÇAS!), super legítimo esse depoimento... <3 font="">



domingo, 12 de outubro de 2014

Ver:Amor, de novo, de novo ...

Aqui na minha cabeceira eu estou alternando a leitura de dois livros ótimos de literatura, o japonês "A Casa das belas adormecidas" e o final de "Um tal Lucas" do Cortázar... mas hoje não peguei nenhum dos dois para continuar a leitura, precisei voltar ao "Ver:Amor"... não sei o que eu tenho com esse livro, como ele me atrai! E olha que eu comecei a ler com má vontade, "mais um livro sobre o holocausto", e fui totalmente surpreendida, me faz pensar tanto em coisas sobre História, sobre a vida e sobre a necessidade /função de narrá-la. Abri aleatoriamente :

"Durante anos, depois que meu avô Anshel desapareceu, continuei a cantarolar internamente a melodia da história que ele contou para o alemão. Duas ou três vezes antes de eu viajar para a Polônia, sentei-me, escrevi, fracassei. Lentamente acumulou-se em meu interior um punhado complexo de raiva de mim mesmo e saudade dele, do velho que há anos circula numa história trancada, um navio fantasma que é rejeitado em todos os portos, e eu o único que posso salvá-lo e redimir a história, não sei e não ouso.
Comecei a procurar as obras do meu avô. Remexi em arquivos antigos, entoquei-me em bibliotecas empoeiradas de kibutzim remotos, li jornais velhos que se esfarelavam ao contato de minhas mãos; eram aos meus olhos como afrescos antigos nas paredes da cavernas, que se desintegravam assim que o facho das lanternas de pesquisadores pousavam sobre eles." p. 117

'Venho de tempos antigos' Hilda Hilst

Venho de Tempos Antigos
Hilda Hilst

Deus pode ser a grande noite escura
E de sobremesa
O flambante sorvete de cereja.
Deus: Uma superfície de gelo ancorada no riso.


Venho de tempos antigos. Nomes extensos:

Vaz Cardoso, Almeida Prado

Dubayelle Hilst... eventos.

Venho de tuas raízes, sopros de ti.

E amo-te lassa agora, sangue, vinho

Taças irreais corroídas de tempo.

Amo-te como se houvesse o mais e o descaminho.

Como se pisássemos em avencas

E elas gritassem, vítimas de nós dois:

Intemporais, veementes.

Amo-te mínima como quem quer MAIS

Como quem tudo adivinha:

Lobo, lua, raposa e ancestrais.

Dize de mim: És minha.

Texto extraído do encarte à edição de "Cadernos da Literatura Brasileira", editado pelo Instituto Moreira Salles - São Paulo, número 8 - Outubro de 1999.
Retirado deste site

Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito. Hilda Hilst

Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito.
Tenho me fatigado todos os dias
Vestindo, despindo e arrastando amor
Infância, sóis e sombras.
Vou dizer coisas terríveis à gente que passa.
Dizer que não é mais possível comunicar-me.
(Em todos os lugares o mundo se comprime.
Não há mais espaço para sorrir ou bocejar
De tédio).
As casas estão cheias. As mulheres parindo
Sem cessar, os homens amando sem amar
Ah, triste amor desperdiçado
Desesperançado amor, serei eu só
A revelar o escuro das janelas, eu só
Adivinhando a lágrima em pupilas azuis
Morrendo a cada instante, me perdendo ?
Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito.
Preparo-me e aceito-me
Carne e pensamento desfeitos. Intentemos,
Meu pai, o poema desigual e torturado.
E abracemo-nos depois em silêncio. Em segredo.

sábado, 11 de outubro de 2014

Sobre "A casa das belas adormecidas", de Ysunari Kawabata


Me dei de presente de aniversário e ontem  comecei a leitura... estou gostando muito, muito ...
Na sinopse do site da Livraria Cultura eles explicam :
"Imbuída de erotismo, esta obra, escrita em 1961, conta a história de Eguchi, um senhor de 67 anos que frequenta a 'casa das belas adormecidas', uma espécie de bordel onde moças encontram-se em sono profundo, sob efeito de narcóticos. Apesar da idade avançada, o protagonisto parte em busca dos prazeres perdidos e se depara com moças virgens, que os visitantes podem tocar, mas são proibidos de corromper. Kawabata procura desvendar o universo do corpo feminino em um culto ao belo e ao inalcançável, investigando as dores da solidão a partir da sutileza de um erotismo expressivo, atravessado por passagens de ironia e consciência da passagem do tempo, do vazio existencial que permeia as relações humanas."

Na última capa do livro temos um trecho instigante:
"... completamente fora de si, o velho Eguchi esquecera que a garota era a oferenda ao sacrifício, ele procurou com o pé as pontas dos pés dela. Somente ali ele ainda não tinha tocado. Os dedos eram longos e moviam-se graciosos. As articulações, de modo semelhante às dos dedos das mãos, era se dobravam ora se desdobravam, o que já bastava para exercer em Eguchi a forte sedução da mulher misteriosa " Yasunari Kawabata - "A casa das belas adormecidas"

Conforme for lendo,volto a comentar, se for o caso, ok?