sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Escrevendo a lápis de cor : Infância e história na escritura de Guimarães Rosa


Acaba de se tornar disponível para download a minha tese de doutoramento "Escrevendo a lápis de cor: Infância e história na escritura de Guimarães Rosa.
Para acessá-la, clique AQUI.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A importância da História

Quando foi publicado o último livro do historiador Darnton no Brasil até agora, se não me engano no final de 2013, como sempre eu li com muito prazer, até citei na tese que estava terminando de escrever. Lembro-me de ter estranhado o contexto do livro, achei que só mesmo em uma sociedade bem diferente da nossa (como era a da Europa na época moderna, como Darnton sempre afirma) , que a polícia iria investigar, buscar e prender, cantores de rua que haviam composto CANTIGAS SATÍRICAS CONTRA O REI, isso me pareceu algo tão estranho, na sociedade da Liberdade de Expressão. Mas infelizmente, segundo os últimos acontecimentos com o Charlie Hebdo, minhas impressões estavam um pouco equivocadas.
História é fundamental, entendem?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Reações ao ataque ao Charlie Hebdo

Salman Hushdie sobre o atentado ao Charlie Hebdo:

"A sátira sempre significou uma força para a obtenção de liberdade, contra a tirania, a desonestidade e a estupidez. O totalitarismo religioso causou uma mutação mortal no coração do Islã e hoje vemos em Paris as trágicas consequências deste fenômeno. 'Respeito por religião' se tornou uma frase em código significando 'medo da religião'. Religiões, como outras ideias, merecem crítica, sátira e, sim, nosso desrespeito destemido. Religião, uma forma moderna para a ausência de razão, quando combinada com armamentos modernos, torna-se uma verdadeira ameaça a nossas liberdades. Estou com o Charlie Hebdo, como todos devemos estar, pela defesa da arte da sátira, que sempre significou uma força de libertação."






sábado, 3 de janeiro de 2015

2015 e um ACALANTO PARA ACORDAR!

Para sobreviver em 2014 eu precisei ficar guardada, adormecida como Dornröschen...

Em 2015 eu descobri o que eu realmente precisava : Um acalanto para acordar! 
 Vamos lá Bela Adormecida :  "já pode vir, os olhos abrir ...


Era disso que eu estava precisando em 2015!!!!!!!!!!!!
Vamos lá Dornröschen, "...já pode vir, os olhos abrir ..."

ACALANTO PARA ACORDAR
Arnaldo Antunes
Venha
Que está tudo bem
Pode acordar
Pode voltar
Pra cá
Deixa
O sonho descansar
Pode sair
Pode pousar
Aqui
Venha pra onde está
Deixa o corpo se entregar
O que sentir
Incorporar
Em ti
Não precisa se esconder
Já pode vir
Os olhos abrir
E ver
Para o sol poder nascer

domingo, 21 de dezembro de 2014

O Baile da Betinha

"O Baile da Betinha é o símbolo da liberdade feminista endossada pela voz de Erasto Vasconcelos. O clip utiliza a boneca de Mestre Saúba." (legenda do Youtube)

sábado, 20 de dezembro de 2014

Adeus ao Carlos Vilaró, o dono da "casa que não era"

Lendo a lista de mortes de 2014 soube que em fevereiro o artista plástico uruguaio Carlos Vilaró morreu aos 94 anos. Vocês sabem que a músca "A Casa" foi originalmente composta pelo Vinicius e as filhas do artista na casa dele, que depois virou um hotel. 
A história da música é contada no livro Histórias de canções: Vinicius de Moraes., de Wagner  Homem e & Bruno De La Rosa:

Tudo começou durante o período em que Vinícius de Moraes trabalhou na embaixada brasileira em Montevidéu e tornou-se amigo do artista uruguaio Carlos Vilaró, que, em 1958, havia começado uma construção pouco convencional. Inicialmente era apenas uma casa de lata. Com o tempo foi acrescentando novas partes, todas com formas arredondas e pintadas de branco para contrastar com o azul do céu. O espaço, conhecido como Casapueblo, tornou-se um hotel com mais de setenta quartos, que levam os nomes de seus hóspedes mais ilustres. [....] Nas suas estadias na Casapueblo, Vinícius brincava com as filhas do anfitrião dizendo, “Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada” e terminava com os versos “Mas era feita com pororó [termo indígena que significa palavras ocas; lega-lega]/ Era a casa di Vilaró”. Os versos finais da letra foram substituídos na gravação por “Mas era feita com muito esmero/ na rua dos bobos, número zero”. (HOMEM; ROSA, 2013, p. 172-3)

Está um pouco atrasado, mas deixo meus agradecimentos ao Vilaró por tudo e,em especial, por ter inspirado a melhor definição de infância que eu já ouvi: "não tinha teto, não tinha nada ..".mas era tudo!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Instrucciones para subir una escalera al revés - Julio Cortázar




Instrucciones para subir una escalera al revés 
En un lugar de la bibliografía del que no quiero acordarme, se explicó alguna vez que hay escaleras para subir y escaleras para bajar; lo que no se dijo entonces es que también puede haber escaleras para ir hacia atrás. Los usuarios de estos útiles artefactos comprenderán, sin excesivo esfuerzo, que cualquier escalera va hacia atrás si uno la sube de espaldas, pero lo que en esos casos está por verse es el resultado de tan insólito proceso. Hágase la prueba con cualquier escalera exterior. Vencido el primer sentimiento de incomodidad e incluso de vértigo, se descubrirá a cada peldaño un nuevo ámbito que, si bien forma parte del ámbito del peldaño precedente, al mismo tiempo lo corrige, lo critica y lo ensancha. Piénsese que muy poco antes, la última vez que se había trepado en la forma usual por esa escalera, el mundo de atrás quedaba abolido por la escalera misma, su hipnótica sucesión de peldaños; en cambio, bastará subirla de espaldas para que un horizonte limitado al comienzo por la tapia del jardín, salte ahora hasta el campito de los Peñaloza, abarque luego el molino de la Turca, estalle en los álamos del cementerio y, con un poco de suerte, llegue hasta el horizonte de verdad, el de la definición que nos enseñaba la señorita de tercer grado. ¿Y el cielo? ¿Y las nubes? Cuéntelas cuando esté en lo más alto, bébase el cielo que le cae en plena cara desde su inmenso embudo. A lo mejor después, cuando gire en redondo y entre en el piso alto de su casa, en su vida doméstica y diaria, comprenderá que también allí había que mirar muchas cosas en esa forma, que también en una boca, un amor, una novela, había que subir hacia atrás. Pero tenga cuidado, es fácil tropezar y caerse. Hay cosas que sólo se dejan ver mientras se sube hacia atrás y otras que no quieren, que tienen miedo de ese ascenso que las obliga a desnudarse tanto; obstinadas en su nivel y en su máscara se vengan cruelmente del que sube de espaldas para ver lo otro, el campito de los Peñaloza o los álamos del cementerio. Cuidado con esa silla; cuidado con esa mujer.


Julio Cortázar