Quando eu digo que pesquiso a coluna sobre falas infantis de Pedro Bloch na revista Manchete, alguns torcem o nariz, dizendo que ela era uma espécie de Revista Caras da época e tal. Pode até ser mesmo, mas além de eu saber que não vou estudar propriamente a revista Manchete toda (pós doutorado é um estudo tópico, né?), eu ainda acho que taxar, de antemão, a revista como ruim é absurdo. Segundo minhas pesquisas para escrever o capítulo final da tese, no final da década de 1950 e começo da de 1960, era na Manchete que se publicava a coluna ‘Poesia é Necessária’ (seleção poética feita por Rubem Braga, coluna na qual foram primeiro publicados alguns dos poemas de Vinicius de Moraes, que depois fariam parte do livro A Arca de Noé, por exemplo). É que o Rio de Janeiro na década de 1960 era culturalmente exuberante e isso também pode ser identificado nas páginas coloridíssimas da revista Manchete...
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
domingo, 8 de novembro de 2015
"A Noite estrelada" e o rememoramento ...
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| A Noite Estrelada- Vincent van Gogh (1889-1890) |
Vocês sabem que eu amo Van Gogh e esse quadro em especial, por causa de tudo, tudo além da beleza, enfim...
Uma coisa importante : "A Noite Estrelada foi pintada de memória e não a partir da vista correspondente de uma paisagem, como de costume." ... de memória, colegas. Benjamin (sempre ele) escreveu "o importante para o autor que rememora, não é o que ele viveu, mas o tecido de sua rememoração..." (In "Imagens de Proust", p.37).
Tecido da rememoração, talvez, seja o que eu tentei (inúmeras vezes, mas sem sucesso em nenhuma delas) explicar ser o que estava chamando de "RELEMBRAMENTO" (que é um neologismo de Rosa), e que não corresponde à simples memória do vivido, bruta, mas a todo um processo de... de... REMEMORAÇÃO.
Van Gogh rememorou e viu coisas que só muito depois remetemos a imagens científicas, disponibilizadas pela NASA:
Como existe beleza no mundo!
Como existe beleza no mundo!
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| Desenho em caneta de Reed, executada depois da pintura (in Wikipédia). |
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sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Sobre "No Mar", de Toine Heijmans
Pela terceira vez comecei a a ler o livro "No mar", de Toine Heijmans, que me dei de presente de aniversário, mas não consigo engrenar na leitura, embora, acreditem, esteja gostando muito. Certamente a irregularidade na leitura deve-se a problemas meus. A escrita é fluída e começa logo levando a gente para dentro de um barco nomeio ao mar ...não me assustou nem me atingiu de cheio, mas é bom de ler. O navegador está em seu barco, apenas na cia de sua filha Maria, de 10 anos, e sabe que precisa manter tudo sob controle por ele por ela:
"Na primeira noite de nossa viagem no mar, Maria apareceu de repente na porta da cabine, um espectro:
'Não estou conseguindo dormir. Tudo estala e range', ela disse.
'Eu também passo por isso na primeira noite no mar', comentei.
'Posso ficar com você?'
'Amanhã. Primeiro vá dormir. No mar é importante que você durma bem.'
'Mas primeiro você precisa tirar aquele morto de lá. Aquela coisa pendurada dá medo.'
'Vou tirar.'
Tirei o macacão do gancho e pendurei em outro lugar. Levei Maria de volta ao camarote de proa, coloquei-a sob as cobertas e entoei canções que cantava quando ela era bebê. Ela pegou no sono.
Naquela noite, ainda acordou mais uma vez. Na segunda noite, não mais.
Maria é uma criança forte. Foram poucas as vezes que a vi com medo. De qualquer forma, ela não conhece o medo adulto, que esmaga os miolos da gente. Medo de criança é diferente. É fácil de espantar. Como uma lâmpada que você acende e apaga: você canta uma musiquinha ou inventa uma história, ai ela ri e logo dorme.
Medo mesmo a gente só sente mais tarde.
Agora ela está dormindo e eu preciso lutar contra meus próprios medos. Tenho que permanecer tranquilo. Se estou tranquilo, Maria se sente tranquila. Funciona assim com as crianças." (P.11-2)
Eu tenho uma amiga que sempre diz que eu sou uma criança grande. Quando eu li esse trecho lembrei del, porque ontem (hoje também) só queria que alguém me fizesse dormir cantando Murucututu ou outro acalanto... como não tem mais isso aqui, eu mesma me acalentei (privilégios de ser grande, talvez), mas o medo (e o frio) continuam...
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quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Sobre "Esse viver ninguém me tira", do Caco Barcellos
Acabo de ver esse documentário e escrever aos amigos pesquisadores de Rosa:
"Oi rosianos e rosianas, Acabo de assistir o emocionante documentário "Esse viver ninguém me tira", do Caco Barcellos sobre a D. Aracy. Achei muito lindo, adorei a parte que aparece o arquivo do IEB, com a Beth Ribas, a Vera Tess (Ooó), a Dona Beatriz ,no apartamento do doutor Eduardo que eu visitei para entrevistar... me chamou a atenção, também, como os parentes dos sobreviventes e especialmente o Eduardo (filho de Aracy) se emocionaram quando algum pesquisador (no caso de Aracy, a pesquisadora Mônica Raisa Schpun) "descobria" e lhes mostrava uma parte da história que eles não conheciam e que só o trabalho do pesquisador lhes permitiu desvendar . Lembro da emoção de Vera Tess quando eu levei até ela (no mesmo apartamento que mostra o documentário de Barcelos) os trechos dos Cadernos de estudos (material de trabalho literário de Rosa) onde ela era carinhosamente citada pelo vovô Joãozinho, coisa que ela nunca imaginou: os olhos verdes, emocionados, dela são para mim inesquecíveis... como historiadora, me toca lembrar, porque mostra que não é só um trabalho intelectual (que se fosse, seria muita coisa já), mas é um resgate de vida, muito emocionante.Um abraço caloroso da Camila"
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sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Infância brincante
Não sei de quem são essas fotos que ilustram a divulgação da exposição "Infância brincante" sobre as brincadeiras de crianças nas favelas de São Paulo, então a única referência que encontrei é a do link do Catraca Livre, mas compartilho uma por uma porque eu as considero muito interessantes, pois elas são representações de infância que mostram crianças sendo crianças na sua atividade prática mais importante: BRINCAR! Acho que até Walter Benjamin ia adorar isso...
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Seminário História da Infância no MASP em 06 de outubro de 2015
Acompanhei o Seminário História da Infância no MASP ...jornada pesada manhã, tarde e começo da noite e eu já conhecia as ideias da maioria dos palestrantes, por isso destaco as falas mais originais para mim, que abordaram mais diretamente a arte : o curador-adjunto da Arte Europeia no museu, que comentou detalhadamente imagens do acervo e, especialmente, a da professora Telma Anita Piacentini,que falou das possíveis primeiras representações de crianças europeias nas esculturas e pinturas do quatrocento italiano! Até do Benjamin ela falou...
Ouvindo hoje a fala gravada, e podendo acompanhar com mais tempo detalhes das imagens pela internet, destaco dois momentos que eu achei fantásticos sobre isso. Telma começou dizendo que ia falar sobre "imagens da infância" no sentido oposto ao que estava sendo falado até então no Seminário, porque seu desejo é o de "abrir as portas do mundo infantil trilhar labirintos" onde o central está no surgimento de representações de um "sentimento de infância" (particularidades de crianças que servem para sensibilizar os adultos) e que a levaram a ter uma preocupação especial na utilização de um forte apoio teórico metodológico para "não cair naquela coisa de esparramar o coração", porque realmente são imagens que representam momentos de onde se criou a ideia de infância na Europa e serviram para moldar a ideia de infância que temos hoje...
Um exemplo interessante são os "putos" (crianças em italiano) que Donatello esculpiu no cetro do bispo San Ludovico di Tolosa, 1422-1425... muita fofura, mostrando que as crianças, que já estavam em toda a parte, passaram a ser também representadas, mesmo que só o olhar de um especialista pudesse atentar para esse detalhe. Outra coisa que muito me interessou: quando Donatello passou a representar, no bronze, as expressões de um "sentimento infantil", segundo Piacentini, isso marcou uma mudança de fase na sua arte e com isso ele teria sido ajudado pelas crianças e suas expressões de ser criança.Telma lembrou, também, que Donatello, e outros artistas da época, não produziam sozinhos, e corporações É preciso considerar mais as crianças pois o contato com elas pode revolucionar o status quo, entendem?
Em outro momento sensacional a professora comenta uma cantoria que está no museu do Duomo em Florença:
"Donatello aqui se esmerou em colocar aquilo que está no brincar, que é o ato de ultrapassar-se a si mesmo, então eles dançam, cantam ... é uma explosão tão grande alegria que você, no minimo, ri e fica simpártico à história e volta à sua própria infância " Telma Anita Piacentini (informação oral em "Seminário História da Infância - MASP 06 de outubro de 2015)
É com essas ideias que eu quero dialogar.
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