terça-feira, 16 de agosto de 2016

Recomendação para a biblioteca básica de estudos rosianos


Segundo meu levantamento sobre a fortuna crítica do tema infância em Guimarães Rosa, esse livro, escrito na década de 1980,é peculiar. O interesse de Irene nele  livro não é se debruçar sobre a infância em Rosa, nem nada, porém apenas nesse trabalho eu li uma consideração séria sobre as MENINAS das Primeiras Estórias (1962) e de Tutaméia.(1967). Em determinado momento Irene aponta:


"Esses três contos (protagonizados por Nhinhinha, Brejeirinha e Djaiaí) representam facetas composicionais que, vistas no conjunto,marcam etapas evolutivas do processo narrativo de Guimarães Rosa." (Simões, 1988, p. 85). 


Usei muito essa ideia na tese (que não roubei dela, não), porém acrescento ainda outra personagem menina escrita por Rosa, a Fita Verde...
A todos os rosianos, recomendo a leitura desse livrinho

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Aquela cantiga


Esse fim de semana me perguntaram de novo "Mas por que você gosta tanto de 'Sorôco, sua mãe, sua filha'? ", e "sete e setenta" vezes eu não pude explicar o que esse texto provoca em mim ...ai optei por deixar o próprio Rosa responder: é que "a gente, com ele (Sorôco), ia até aonde ia aquela cantiga"...
E que cantiga é aquela:
" ...Agora, mesmo, a gente só escutava era o acorçôo (sic) do canto, das duas, aquela chirimia, que avocava: que era um constado de enormes diversidades desta vida, que podiam doer na gente, sem jurisprudência de motivo nem lugar, nenhum, mas pelo antes,pelo depois.Sorôco. "

domingo, 14 de agosto de 2016

Pedro Bloch no dia dos pais

(Jorge Bloch . In Arnaldo Bloch. 'Irmãos Karamabloch', 2008, p.108)


PEDRO BLOCH NO DIA DOS PAIS - "Muito provavelmente, grande parte do interesse pelo universo infantil manifesto por Pedro foi herança de seu pai Jorge Bloch, (Arnaldo Bloch. 'Irmãos Karamabloch', 2008, p.120-2),que lhe foi uma figura decisiva, afinal ele próprio declarou que o pai “era um ser de um tremendo calor humano. Era gente que gostava de gente. Em seu quase analfabetismo (emigrou para o Brasil ao perder grande fortuna e veio, já maduro, tentar vida nova) (Pedro Bloch, 'Você tem personalidade?', 1974, p.194) ”. Jorge Bloch sempre gostou de crianças, ainda na Rússia, quando os bebês da família nasciam, ele acompanhava tudo “como um número de mágica. O que sairia dali? Ao rebentarem, batia palmas, ria, chorava” (Arnaldo Bloch. 'Irmãos Karamabloch',, 2008,p. 47); no Brasil esse gosto pelos pequenos se manteve e aos finais de semana ele ficava contando histórias aos sobrinhos, “que traziam amigos da escola, meninos da rua e até cachorro para ouvir Jorge falar” (Arnaldo Bloch. 'Irmãos Karamabloch', 2008,p. 119).
Camila Rodrigues. "Anedotas infantis de Pedro Bloch: Narrativas de história cultural do humor e da criança (1952 - 2002)" (Projeto de pesquisa pós-doutorado).

Viola é o instrumento musical do Brasil. Antiqüera - Roberto Corrêa

domingo, 7 de agosto de 2016

sábado, 6 de agosto de 2016

Portinari e crianças sendo crianças (brincando)

Este texto está originalmente aqui.

Infância em Portinari
A paisagem onde a gente brincou pela primeira vez
não sai mais da gente
.
Candido Portinari

O material exposto foi reunido para exposição organizada em 2007, quando do III Seminário Educação, Imaginação e as Linguagens Artístico-culturais, realizado na UNESC. São sete reproduções autorizadas pelo Projeto Portinari de pinturas do artista. As impressões e a colocação das molduras foram conseguidas graças ao patrocínio de Rose Reinaud, Colégio Marista e CMS Gestão. Na exposição atual, Infância na Ibero-américa, as imagens dialogaram com livros sobre o autor pertencentes ao acervo do Museu da Infância.
Diversos artistas dedicam a vida ao registro da cultura de seu povo e de seu país, mas Candido Portinari (1903/1962) jamais conseguiu se desvencilhar de suas memórias da infância, de sua identidade brodosquiana. “Menino de infância pobre que trabalhava como auxiliar de pintura em igrejas e também na elaboração de potes de barro pintado para ajudar na sobrevivência da família” (BARBOSA, 2005, apud REDDIG, 2007, p. 89/90), convivia com adultos e crianças reunindo experiências de vida. O convívio com aquela gente e aquele lugar o acompanhava, e sua obra sofreu/ganhou forte influência de seus primeiros anos de vida. Com apenas 10 anos (1914), fez seu primeiro retrato. Mesmo com grandes dificuldades financeiras, Portinari seguiu seus estudos e aos 20 anos pintou uma tela, reconhecida como sua primeira obra de arte e primeira vendida. Em 1928, o artista foi premiado em um concurso e recebeu uma viagem a Europa.
Quando estava em Paris, coberto de saudade, Portinari declarou em carta: “[...] Daqui fiquei vendo melhor a minha terra – fiquei vendo Brodósqui como ela é. Aqui não tenho vontade de fazer nada. [...]. Vou pintar aquela gente com aquela roupa e com aquela cor [...]” (MOULIN; MATUCK, 1997, apud REDDIG, 2007, p. 89/90).
A obra desse artista é vasta e diversificada. Produziu mais de 4.500 trabalhos, entre pinturas murais, painéis, telas, desenhos e gravuras, passando por tipos regionais, trabalho, retratos e tantos outros temas, porém as crianças tiveram sua predileção. Ele dizia: “Sabem por que é que eu pinto tanto menino em gangorra e balanço? Para botá-los no ar, feito anjos” (ROSA, 1999, apud REDDIG, 2007, p. 89/90). Sua preocupação sempre foi “expressar o homem por meio de diferentes linguagens e formas” (ibidem).

Cambalhota
óleo sobre tela, 1958, 59.5 x 72.5 cm.



Crianças Brincando
óleo sobre tela, 1938, 38 x 46 cm.



Futebol
óleo sobre tela, 1958, 65 x 80 cm.



Pulando Carniçaóleo sobre tela, 1959, 54 x 65 cm.



Meninos Brincando
óleo sobre tela, 1955, 60 x 72.5 cm.



Meninos no Balanço
óleo sobre tela, 1960, 61 x 49 cm.



Meninos Brincando
óleo sobre madeira, 1958, 36.5 x 28.5 cm.