terça-feira, 10 de outubro de 2017

Romaria : a canção das nossas vidas caipiras


Nessa reportagem emocionante, sentimos muito de perto o que seria a  história das nossas vidas e da nossa fé no Brasil. Na música Romaria, de Renato Teixeira encontramos uma síntese daquilo que o professor  Ivan Vilela chamou de cultura caipira e que é, também, a cultura onde eu fui criada, a dos meus pais, a da minha infância toda. Na infância, menos por influência direta dos meus pais do que por uma fé própria e incentivada por outras pessoas ao redor, tinha um pequeno altar com mini imagens de  Nossa Senhora Aparecida de metal, que nunca mais achei para vender depois, não daquele jeito, mas que ainda ficaram gravadas na minha memória e no meu sentimento.
De vez em quando, durante toda minha vida, nós viajávamos  ao santuário de  Aparecida, mas foi só quando eu fiquei muito doente e  nem conseguia ficar de pé, que meus pais me levaram para lá e eu prometi que, depois que eu ficasse bem, iria todos os anos, acender vela e agradecer. Nem todos os anos consegui ir, porque meu pai ficou doente e não podíamos nos afastar dele, mas nos últimos anos tenho voltado ao santuário e sinto cada vez mais forte a presença e a proteção de Aparecida, que é também Oxum, rodeada de dourado e ouro.  
Essa é minha história, é a minha cultura brasileira mesclada. 
Foto da Imagem no Santuário Nacional de Aparecida. Autor desconhecido


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Um espaço democrático para as crianças

Imagem do site do SESC SP
Todo mundo sabe que eu amo o Sesc Pompéia, não é ? Ontem relembrei algo que me encantava tanto quando eu fazia a tese e precisava de silêncio para estudar, então ia diariamente a Biblioteca Mário Schenberg, mas nos sábados ela fechava as 16:00 e eu ia para o SESC com meu notebook aproveitar o restinho do dia, assim como nos domingos, e então observava as crianças de verdade, interagindo entre si e brincando nesse verdadeiro espaço democrático para as crianças. Ontem,uma tarde domingo ensolarada, tinha tanta gente e, além das exposições de arte, o ESPAÇO BRINCAR estava aberto e cheio de crianças brincando, crianças diferentes, brincando juntas, na maior diversão. Esse espaço também vi (mas muito menos vezes) funcionando no Sesc Vila Mariana, e só de saber que eles existem me dá uma esperança na vida, apesar das tantas decepções <3 font="">

sábado, 7 de outubro de 2017

PENSANDO EM UMA HISTÓRIA DA CRIANÇA


Pensando em uma História da criança, que levem em conta suas vivências, narrativas, experiências e valores, achei essa citação da contracapa desse livro sublime (destaques meus) :

"Brincadeiras, bordados, avós e netos se encontram no caminho construído pela dimensão criativa, expressiva e lúdica que ultrapassa o enredamento da vida comum. Os encontros entre gerações para brincar CRIAM UM TEMPO DE SUSPENSÃO DAS AMARRAS SOCIAIS VOLTADAS PARA O UTILITARISMO E ABREM ESPAÇOS PARA A REITERAÇÃO E O EXTRAORDINÁRIO ENVOLTOS NO MISTÉRIO DO DOMÍNIO DO CONHECIMENTO E NO FASCÍNIO DO IMPROVÁVEL, NUMA TRAMA DE DIVERTIMENTO, COMICIDADE E IMAGINAÇÃO. Entre gerações, as brincadeiras preservadas na memória permitem realizar o desejo de estar juntos, explorando tessituras que confrontam o certo e o incerto, ordem e a desordem na busca do belo, mas também e muitas vezes a prazerosa repetição do mesmo. Benjamin nos ensina que as crianças (próximas aos mágicos e aos loucos), refazem a história de cada peça, pedra, toco, retalho e resto. Bordadeiras também. Brincadeiras oferecem aos avós, chances redobradas de rebordar a vida nos encontros com seus netos."

(Eloisa Acires Candal Rocha.Contracapa de EVANGELISTA, Olinda; DURAN, Olga (org). Netos e avós, memórias de brincadeiras. UEM: Maringá. 2015. Netos e avós, memórias de brincadeiras. UEM: Maringá. 2015)

Vejamos, quando netos e avós criam um tempo próprio de convivência e diversão, estão modelando o tempo, criando suas próprias Histórias, a partir do compartilhamento cultural. Para mim, que sou uma historiadora da área de Teoria, isso é precioso.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Jongo é Cultura do Brasil

"Jongo", Pedro Correia de Araújo, sem data.
Quem postou esse quadro sem data (mas que suponho ser século XX)  no Facebook foi minha amiga Rosane Pavan. Coisa mais linda! Ai quando vou ao samba na Casa das Caldeiras e me emociono ao ver o pessoal super jovem cantando e dançando Caxambu, um jongo moderno do Almir Guineto
Deve ser  porque eu sou velha e ou porque sou historiadora, mas tem muito significado para mim!
Jongo é cultura do Brasil!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O Africano, de Le Clézio

No sábado eu voltei a Biblioteca Mário Schenberg na lapa para emprestar o romance O Africano, de J M G Le Clezio e me deliciar. Foi muita emoção voltar àquele lugar onde praticamente morei para escrever minha tese em 2013 e 2014. Continua sendo um lugar mágico.
Entrada da biblioteca 

Muro ao lado da entrada da  biblioteca
O livro é uma daquelas publicações lindas da Cosac Nayf que transformam o livro em uma pequena jóia, Sei também que a cada edição a aparência se transformava,então ele tem várias capas, mas a que estava disponível na biblioteca era essa:


Em relação a narrativa, ela é muito curta, pouco mais de 100 páginas, então vai dar para eu me deliciar palavra por palavra, como eu gosto e começa com essa introdução :


Sim, estava  defronte a um livro de memórias da infância, muito bem escrito. Como eu já tenho um repertório sobre esse tema, ainda nas primeiras páginas acessei as memórias de tudo que li sobre o tema, antes de mergulhar propriamente no delicioso texto de Clézio... mas de início ainda migrei nas comparações com as histórias de infância de dois personagens  meninos que eu amo: a do menino Momik, de Ver: Amor, de David Grossman e a do Menino do conto Nenhum, Nenhuma, de Guimarães Rosa.


Clézio começa falando do corpo, sua percepção nebulosa na primeira infância na Europa e a vivência mais bruta, quente e fundamental  na África, onde não era errad mostrar e tocar os corpos. 



Em um dos momentos mais poéticos ele fala do processo de esquecimento do seu corpo na Europa para que viesse a ser o corpo infantil na África. A quem interessa a temática infância, esse tipo de temática é fundamental. Tão bem escrito então, é brilhante. 



Devo voltar a comentar essa breve narrativa, como costumo fazer sempre, mas por hora acho que é só isso.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Exposição História da Leitura infantil

Organizada pelas pesquisadoras de História da Leitura Patricia Rafaini e Gabriela Pelegrino. Super recomendo aos interessados pelo tema.