sábado, 8 de junho de 2019

Samba e História, por Almir Guineto

Caxambu : na alma do povo brasileiro 

Coisa mais linda essa entrevista. Nela Almir Guineto fala de samba, de História, de Caxambu, etc

terça-feira, 4 de junho de 2019

Gingos reagem ao Pagode anos 90

Como toda situação de encontro entre culturas,  é muito engraçado e interessante. Eles falam zig zig zig ê, não #digdigdigê kkkkk


domingo, 2 de junho de 2019

"A gente combinamos de não morrer" , por Conceição Evaristo

Desde o ano passado, conhecemos o nome de Conceição Evaristo por causa da fala a ela atribuída "Eles combinaram de nós matar, mas nós combinamos de não morrer" e essa foi a voz de reação dos negros ao cenário infernal que se montado no Brasil de 2019. 
Porque a citação é MUITO BOA, acabei usando sempre sem conferir se era fato ou fake. É fato, é uma síntese do livro Olho Dágua (clique aqui para ler em PDF) , especialmente  do conto "A gente combinamos de não morrer"  deste livro.  
Capa do livro de Conceição Evaristo

Pois ontem eu. muito antiquada, imprimi e li com atenção o conto "A gente combinamos de não morrer" e,claro, ele não saiu de mim.
O conto tem aquele movimento do século XX, meio Saramago, no qual a "voz de fala" muda a todo o momento e o que importa é o manter o fluxo da FALA. Sim, estamos falando de oralidade, por isso que é verdade que Conceição Evaristo escreveu aquela frase, mas não como foi divulgado, pois no seu conto não é "nós combinamos de não morrer", e sim "a gente combinamos de não morrer" . Essa diferença, para uma especialista na literatura de Guimarães Rosa, é fundamental.
Mas esse combinado, um " juramento feito em voz uníssona, GRITADO SOB O PIPOCAR DOS TIROS " (como não lembrar dos 200 tiros disparados e 80 acertados no carro da família que só tinha como "crime" ser negra?), pelos meninos do morro, as mães etc... todos os que, sem dúvida, TINHAM COMBINADO DE NÃO MORRER, ainda que morressem, e sabiam que iam morrer e não demoraria, pois sempre foram, são e serão vidas não permitidas de serem vividas. Balanço mais sintético a respeito da situação do negro brasileiro, é muito difícil encontrar
Para sair do título fortíssimo e revisitar o texto, que trata da realidade de pobres negros envolvidos com tráfico de drogas (a tal da nova senzala, saca?), escolhi este trecho ,que não sai da minha memória:
"Dorvi respirou e aspirou fundo. Mas que merda, pó contaminado, até parece talco para pôr na bunda de neném.Pois é, meu filho nasceu. Um pingo de gente. Quando Bica me mostrou, nem tive coragem de olhar direito. Pequeno,tão pequeno! Deveria ter ficado na barriga da mulher, ou melhor, incubado como semente dentro do meu caralho.Quis cutucar o putinho com a ponta de minha escopeta.Bica se afastou como se o filho fosse só dela. Não sei para que o medo."
Não tinha porque ter medo, afinal já tinham jurado e combinado de não morrer, né? E estavam procriando, mesmo achando que o melhor seria ter deixado ele no útero, ou nem mesmo ter saído "de dentro do caralho", porque vivo, teria que combinar de não morrer, mesmo que tenham combinado de matá-lo e faz tempo.
Sem medo, portanto, recomendo vivamente a leitura de Conceição Evaristo!

sábado, 25 de maio de 2019

Um vídeo sensacional sobre "Sobrevivendo no Inferno"


Que vídeo sensacional, falando da obra mais emblemática dos Racionais Mc'S.

Vão dizer que eu canto um samba de uma nota só, mas acho mesmo impressionante como, ouvindo as interpretações sobre o disco, tantas vezes me lembrei do Grande Sertão: pela forma de organização do discurso como linguagem, guerra, ódio, atuação, crítica... 
Assistam:

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Virada Cultural 2019 e Festival Encrespa fim de semana no mundo afro brasileiro


Entre os dias 18 e 19 de maio a cidade de São Paulo viveu sua 15a. edição da Virada Cultural, uma experiência de 24 horas na qual foram apresentadas cerca de 1200 atrações espalhadas pela cidade,sobre a qual, segundo este artigo de  Jonas Carvalho, em 19/05:
"Apesar dos problemas que também contaremos aqui, a sensação é de que o evento deste ano devolveu as ruas para os paulistanos. E não importa gênero, sexualidade, cor, idade ou bairro onde mora: na Virada Cultural, todo mundo se sentiu um pouco mais dono da cidade de São Paulo"
Embora toda a programação tenha sido suculenta, não teria tempo e disposição de aproveitar mais, preferi curtir no Sesc Pompéia mesmo e foi uma grata surpresa porque executaram uma linda celebração à negritude..
Aliás a rede Sesc SP  como sempre, se comportou de maneira diva, com conteúdos especiais, desde as comedorias às atrações cada unidade. No caso da Pompeia, comi a deliciosa Moqueca de Banana da Terra com purê de acaçá, que é uma comida servida em terreiros de Candomblé da Bahia.

 Além disso, assisti ao Essênc'Iyá: lê Aiyê convida Paula Lima e Ellen Oléria", amei demais 

No domingo eu mudei de rolê e não curti as últimas horas da Virada, mas passei pelo Festival Encrespa, na Casa das Caldeiras, era um evento mais voltado ao publico afro brasileiro, pessoas lindas  e eu tentei ficar à caráter

Foi tudo muito bom, que venham mais finais de semana assim.

sábado, 4 de maio de 2019

Sobre relacionamento e o sexo, para uma tribo africana

Segundo Sobonfu Somé
("Os relacionamentos humanos, quando começam a se aprofundar, entram mo cabal do ritual. Os relacionamentos mais íntimos desenvolvem-se constantemente como ritual. Assim, qualquer coisa próxima, qualquer coisa íntima, é impossível sem um espaço ritual. Qualquer coisa que leve as pessoas a expressarem, umas para as outras, algo diferente de sua vida diária, toca no mundo espiritual, no mundo ancestral e é, portanto, um evento ritual". Sobonfu Somé In: O Espírito da intimidade, p.34/63)

Mais sobre relacionamentos afelivos para o pensamento tribal africano :
"O povo Dagana não tem uma palavra específica para se referir ao sexo. Expressamos o conceito de sexo como uma viagem com alguém. A pessoa não quer fazer sexo com a outra, ela quer ir a algum lugar. Normalmente esse lugar é desconhecido para os dois. Conhecem, porém, alguém que o conhece - seja o espírito do avô, seus ancestrais, seu cão, seu gato, ou algum espírito que encontram no curso da vida." 
(Sobonfu Somé. O Espírito da Intimidade, p.92)