quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Inferninho



No primeiro Samba do Sol nas Caldeiras de 2020, a festa foi absolutamente fenomenal. Curti até quase 23 hrs, sai trançando as pernas com o Samba da Natália Nagê, Grupo Reduto e principalmente os DJs sensacionais como a Renata Corr da festa 'desculpa qualquer coisa". Na semana eu f
ui à página do DJ Tahira
Tahira 
 para dar os parabéns pelo trabalho espetacular domingo , onde ele tocou pela primeira vez no meu querido "porão" e foi aplaudido ao final, porque como sempre arrasou.

 Ai ele respondeu que também "gostou de tocar naquele INFERNINHO" KKKKKKKK
Só melhora! Agora, para mim, o porão já virou "inferninho".
Que bom que não vamos deixar os bailes da Casa das Caldeiras morrerem em 2020! 
Saíram fotos minhas no inferninho no álbum ofinial do Samba do Sol, eu me divertindo muito 


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

O Itan da Oxum guerreira

 Na cultura Iorubá dá-se o nome de Itan ao conjunto de todas as narrativas sobre os Orixás,contadas nas mais diversas formas. Para esta cultura, essas narrações são equivalentes a fatos históricos. 



Essa da rainha Oxum é uma das minhas preferidas, a meu ver fala muito sobre ela:

"A SABEDORIA DE OXUM 


Na época em que Oxum, Oyá e Obá viviam no reino de Xangô, havia uma grande guerra. Xangô convocou as três esposas para irem com ele guerrear. Oyá e Obá disseram a Xangô que Oxum não sabia guerrear, então Xangô disse: "Oxum, tu deverás aprender a guerrear para se proteger caso o palácio seja invadido pelos inimigos". Oxum então respondeu: "Podem ir vocês, eu cuidarei do palácio, Xangô".

Obá enfurecida retrucou: "Como tu, Oxum, cuidarás do reino, se só sabes se embelezar?" E Oyá disse: "Iremos e os escravos tomarão conta dela". Oxum ficou sozinha com as escravas no palácio, e em uma noite, uma escrava lhe avisou assustada: "Oxum, minha rainha, o palácio está sendo invadido!!!" Oxum, calma em seu trono, disse à escrava: "Mandem entrar e sirvam a melhor comida e bebida. Eu os receberei." As escravas fizeram conforme Oxum havia mandado. Os inimigos de Xangô estranharam, mas entraram e se serviram, e Oxum, calmamente, sentada em seu trono, disse: "Xangô fugiu junto às suas duas outras esposas, me abandonando para trás. 

Fiquei sozinha. Vão, se sirvam! Mandei preparar este banquete para vós". No outro dia, Xangô, Obá e Oyá receberam a notícia de que Oxum estava em perigo e voltaram às pressas. Chegando no palácio, estranharam o silêncio e viram todos os soldados dormindo. Oxum explicou: "Está vendo, Xangô? Não precisei levantar a espada e nem usar a força, mandei servir a melhor comida e todos comeram. Coloquei esta poção nos pratos e matei todos, sem levantar a mão. Não se espanta o inimigo, mas se agrada. Com a própria raiva dele, ele cai sozinho". Oxum é calma por fora mas é uma tempestade por dentro." Arriscar minhas unhas?"

domingo, 26 de janeiro de 2020

Cadê a Camila? Tá no samba!


Como já comentei aqui, no  dia 26  de janeiro eu participei do Samba do Sol na Casa das Caldeiras e me diverti muito, apareci até nas fotos. Mas o melhor não cheguei a comentar: pareci sambando até na live da sambista Natália Nagê.
Que fique o registro de um dos momentos mais legais de 2020 até agora! <3 font="" nbsp="">

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

O par de brincos e o amor das irmãs em “A vida invisível”

cartaz do filme no Cina Belas Artes,  onde assisti 


Em 23 de janeiro assisti ao filme brasileiro “A vida invisível”, “melodrama tropical” dirigido pelo cearense Karim Aïnouz. Começando no final da década de 1940, conta a  contando a história das   irmãs Eurídice (Carol Duarte), então com de 18 anos e Guida ( Júlia Stockler), então com 20 anos,  jovens cariocas que carregam seus sonhos , a mais jovem de ser pianista, a mais velha de viver um grande amor. Muito unidas, ainda no começo do filme,  as irmãs acabam sendo separadas pelo pai, fato determinante para que cada uma tente viver sua própria vida sozinha na cidade do Rio de Janeiro.
arte divulgação do filme

Guida, definida pelo diretor aqui como uma "pipoca cheia de alegria", foge de casa  para viver um grande amor no estrangeiro, porém mantém, por quase a vida toda, o hábito de escrever para a irmã longas cartas contando sobre como a sua sobrevivência como mãe solteira no contato público da cidade.
Guida, usando os brincos da avó


 Na noite de fuga para um baile, apressada , Guida perde um dos brincos que tomou “emprestado” de sua falecida avó no jardim de casa. Esse par de brincos dourados é a grande metáfora da relação das duas irmãs, tanto que  e é muito significativo que Guida não deixe de usar apenas um brinco sem par por boa parte do resto do filme. Durante todo o filme, são muitas as cenas memoráveis envolvendo Guida, separei duas das mais bonitas e significativas, quando ela tem que se levantar para cuidar de si mesma após um parto solitário, em um hospital público.
 
pós parto de Guida
A outra é quando, depois de anos de rejeição da família paterna, ela reencontra ocasionalmente o pai, que a expulsou de casa grávida, num restaurante e consegue vê-lo através de um aquário cheio de peixes coloridos
peixes: cores e movimento

Já Euridice (nome da musa das músicas  de Orfeu), que é mais introvertida, é pianista e ,  embora tenha ajudado a irmã a sair de casa para ir ao baile, não entende o motivo dela não ter voltando mais, abandonado-a sozinha com os pais. Naquela noite, porém, ela acaba encontrando no jardim , o brinco perdido pela irmã e dele não se separa, chegando a usá-lo como pingente de um colar por muito tempo. Depois da partida da irmã, Euridice acaba se casando com Antenor (Gregório Duviver), um marido padrão do patriarcado, tomando posse se seu corpo, às vezes violentamente,  controlado-o como queria, interessando -se pouco pelos reais desejos da esposa e, sobretudo, rejeitado com força  o seu desejo de reencontrar a irmã desaparecida.
 Eurídice vê o seu próprio reflexo, com o a imagem do marido ao fundo

Algumas das cenas mais emocionantes do filme são as onde a pianista debruça-se sobre seu instrumento e a música que produz consegue dizer tudo o que as palavras não são capazes a respeito da sua “vida invisível”.
piano : a voz de Euridice

Trata-se de um filme pesado, que fala do amor entre duas irmãs, simbolizado  pelo par de brincos, mas é  também uma história  de tantas mulheres e a invisibilidade de seus desejos e corpos na sociedade patriarcal. Recomendo vivamente que assistam ao filme

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Clara dos Anjos e a novela das nove!


Mesmo com a multiplicidade das mídias, a telenovela continua sendo um importante filtro da realidade brasileira. Atualmente, a mais famosa é "Amor de mãe", escrita por Manuela Dias e com direção artística de José Luiz Villamarim.

Nesta semana, uma cena da novela se destacou e muitos dos meus contatos a publicaram no status do Whatsapp e o crítico de televisão Mauricio Stycer comentou no Twitter como um momento de desabafo dizendo que "a gente não é gente não, a gente é sobrevivente". Na cena, a  personagem Camila, interpretada por Jéssica Ellen, que é uma professora de História negra  em uma escola da periferia do Rio de Janeiro, desabafa com sua mãe Lurdes, interpretada por Regina Casé . Vejamos do que se trata: 



Quando vi a cena só lembrei da cena  final da novela "Clara dos Anjos", escrita por  Lima Barreto (1922), que reli em 2019, contando a história das dificuldades para uma  moça negra e periférica no Rio de Janeiro do início do século XX:

"Num dado momento, Clara ergueu-se da cadeira em que se sentara e abraçou muito fortemente sua mãe, dizendo, com grande acento de desespero  
-Mamãe!Mamãe!   
-Que é minha filha?
         -Nós não somos nada nesta vida." (Lima Barreto "Clara dos Anjos", 1922)


Desde a novela de  Lima Barreto em 1922 até a telenovela global de Manoela Dias em 2020, passou  quase um século, mas nas duas cenas as  jovens negras e periféricas continuam falando a mesma coisa, como se o tempo não passasse ou a História pudesse atuar na vida de quem é  negra e  periférica nesse país! 
Agradeço à personagem Clara e à personagem Camila por usarem suas vozes para sublinhar que "tão ligadas que não é fácil, né manas".

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Sobre a censura ao humor no Brasil em 2019


O Brasil vive um caso de censura explicito em relação ao especial de natal do Porta dos Fundos 2029  .Vejamos o que diz o Henry Bugalho sobre esse contexto 



Acho esse cenário assustador, temo dias muito piores. Não vi o especial porque não sou assinante Netflix, mas até gosto do humor do Porta dos Fundos, nunca me senti ofendida quando abordam as coisas que eu acredito, talvez porque sou uma cientista (pesquisei até humor, inclusive) e saiba que é humor, um discurso múltiplo, totalmente diferente, até oposto à pobre leitura unilateral da Bíblia proposta pelos fundamentalistas. Tomara que possamos reagir agora, tentar cortar o mal maior enquanto inda é possível.