domingo, 1 de maio de 2022

Volta ao Maria Zélia no dia mais lindo do ano até agora

Um dos retornos pós pandemia mais aguardados aconteceu no feriado de 1 de maio, voltei à comunidade do Samba do Maria Zélia, para mais um Quintal dos Prettos! 
Como passei mal na semana, resfriado e alergias de outono, estava com o sono atrasado, precisei de muita maquiagem para ficar apresentável.

Mas eu estava de beca nova, a camiseta da linha "Zeca Pagodinho" que comprei na promoção do dia do samba da Chico Rei camisetas, achei muito bonito e apropriado.



Como um presente para mim, o dia estava lindo, iluminado, o  Maria Zélia, pós quarentena, tinha mudado um pouco, como tudo e todos. Agora o quintal ganhou uma cobertura para o palco e o samba continua, faça chuva ou faça sol, no pátio também vi mudanças, alguns expositores permaneceram, mas a maioria era novidade, adorei. O importante é que o publico continua bonito e animado, o partido alto é o melhor. 
Teve até anedotinha pra contar:


Como sempre eu ia sozinha ao samba, mas esse ano Deus ou os orixás, me mandaram o que Caio Fernando Abreu chamaria de "uma possibilidade de amor". Estou curtindo muito, apesar de tantos desencontros, queria (ainda quero) viver esse amor. Eis que ele aceitou ir ao samba comigo, foi muito delicioso estarmos juntos, pegamos a van, mostrei a igrejinha no largo do Belém, apresentamos pessoas: uma prima dele, umas colegas minhas. Ele, que cultua Xangô e Exu, se encontrou numa banca de itens africanos, comprou um colar de Xangô e ainda disse para a vendedora que ia pedir para eu escolher uma cor pra mandar fazer uma roupa africana de casal pra nós! Quase morri de emoção pela primeira vez  nessa hora!💕Depois, já no samba, começou a tocar ÁGUA  DE CHUVA NO MAR , eu sempre me emociono e a gente ouviu abraçadinhos. 
Estava tudo perfeito, até que ele recebeu uma mensagem, a sua mãe havia se acidentado e ele precisava ir embora. Claro que eu apoiei, mas tinha que ficar no Quintal, tão esperado por mais de dois anos! Assim aconteceu, ele me manteve informada, a mãe estava bem e  eu achando que achei meu tão sonhado namorado . Pena que nem deu tempo para tirarmos uma foto juntos. Teremos outras oportunidades, espero,  mas eu só tenho a agradecer por esse dia lindo. 

Como o rolê foi divertido, quase não fotografei ou registrei nada, não tiver tempo, mas ficam aqui alguns breves registros desse meu retorno. 





 

quinta-feira, 28 de abril de 2022

#omelhordoBrasiléJorgeBen

 



Essa coleção é sublime, esse livro é lindo e eu tentei, sem muito sucesso, ler sem me emocionar. Aliás, eu poderia ler vários trechos desse livrinho lindo e me emocionaria igualmente!Obrigada Paulo da Costa e Silva, obrigada Jorge Ben 


quarta-feira, 27 de abril de 2022

Cortei o cabelo pela primeira vez pós pandemia

 


Desde que cortei o cabelo da última vez  em 2019 e foi traumático, não me via naquela imagem, meus cachinhos alisaram, um horror, quase entrei em depressão. 

Desta vez, pós quarentena, foi muito diferente. Só 4 dedinhos e um corte lateral pra movimentar. Por enquanto ainda tá cheio de friz porque veio secando ao vento no caminho, mas deu pra ver como tá mais leve, tirou uma aura pesada daquele cabelão fio reto. 


 Não era propriamente minha intenção, nunca pensei em fazer reflexo e meu cabelo é mais fininho sem tanto volume, mas não é que, guardadas as devidas proporções, o corte ficou parecido com o APLIQUE lindo que a Bruna Linzmeyer usava em Pantanal e eu admirava o movimento dos cachos, o charme... AMEI 💓


domingo, 24 de abril de 2022

Duas festas na rua Guaicurus e o gosto de ser feliz de novo

 Kkkk 

Meu querido amigo Vitor me convidou pra curtir a festa do Boteco Prato do Dia no Tendal da Lapa,no nosso horário habitual das tardes de domingo. esta a única roupa que consegui, a mais confortável e simboora


Na verdade, a festa era em comemoração ao dia do Vinil,com DJ, distecagem e decoração apropriadas naquele lugar incrível que é o  Tendal da Lapa 
Tem circo



Tem murais

Tem imagens poéticas

Não sabíamos se ia ou não ser alguma específica e de carnaval fora de época já que desfiles de escolas de Samba e alguns bloquinhos estavam acontecendo, essa também acabou virando carnaval! Adorei!
Mas do que mais gostei de verdade foi reencontrar amigos queridos que não via desde o início da pandemia, poder abraçar, ficar juntinho de novo , não teve preço!  

Com a querida Ligia em 4 momentos

Com a querida Ligia em 4 momentos

Com o querido Vitor e a amiga no fervo 

Também nesse dia, a algumas quadras, o Bar Anexo 55, colado  à União fraterna, ia ter uma mini festa Caleifação e eu não podia deixar de dar uma espiada 


O detalhe é que quando passei no bar não tinha ninguém dançando ainda, embora estivesse tocando uma maravilhosa versão de Deixa eu te Amar, do Agepê, deliciosa pra dançar. Caleifação, melhor som dos rolês! Mas fiquei pouquinho e voltei ao Tendal, ouvir trabalhos de DJ pesquisadores 


 










Que dia sem preço foi aquele!




segunda-feira, 18 de abril de 2022

As protagonistas de Jorge Amado

 


Esse mês terminei algo a  que me propus: ler os quatro romances com protagonistas mulheres criadas por  Jorge Amado, a saber : Gabriela Cravo e Canela (1958), Dona Flor e seus dois maridos (1966), Tereza Batista cansada de Guerra (1972) e Tieta do Agreste (1977).   Só me faltava o Gabriela Cravo e Canela (1958), justamente o primeiro.

Se não me engano, acho que o primeiro que li o Dona Flor, ainda adolescente, mas depois reli em 2020, nos primeiros tempos da quarentena, e amei! Amo Flor, doce, determinada, apaixonada, é um mulherão. Claro que para sustentar essa personagem grande, Jorge construiu uma das suas melhores narrativas, envolvendo gente, orixás, encantados e muita comida boa! Como mulher, acho a Flor a melhor construção de Jorge, eu a admiro tanto! Lutou, trabalhou , criou sua escola, seu curso, e com isso se pode sustentar, sozinha, a si mesma e a seu amor e desejo por aqueles dois maridos. Palmas para ela!

Depois li Tieta, leitura mais dificultosa, embora ainda muito divertida. Tieta é bem um mulher de Jorge, se sustenta, deu a volta por cima, voltou à cidade atrasada onde nasceu e provocou um escarcéu.

Tereza Batista conheci esse ano, amei! Literariamente é o melhor livro dos quatro. Tereza tem um pouco de todas as outras, sua história é narrada em cordeis e ela própria é definida como uma heroína de cordel, guerreira, bonita, romântica! Que livro, meus amigos, super recomendo , inclusive, recomendo as edições da Martins, com ilustrações belas e edições maravilhosas.

Já Gabriela, de cheiro de  cravo e cor de canela, sempre com flor no cabelo, embora seja a com quem mais me identifique nos detalhes, como mulher eu  achei a mais fraca de todas.  Está certo que as adaptações só a empobreceram, na medida em que enfraqueceram o enredo do romance, que é altamente politico, mas vale lembrar que até a determinada  Malvina, personagem secundária, parece ser mais uma típica mulher criada por Jorge do que Gabi.

Mas, em geral, achei fantástico que temos essas personagens e esse autor na literatura brasileira. Viva Jorge! 



domingo, 17 de abril de 2022

Páscoa 2022



Foi bem tranquila, no meio da minha dieta, dias muito frios e chuvosos, comi alguns bombons que ganhei da minha irmã.  Experimentei os dois,muito bons, mas pra variar prefiro o preto. Os amarelos são muito doces e deixo pra minha mãe... Mas o prazer de cheirar e comer chocolate não tem preço! 💗

A vida voltando ao normal! O ano passa voando !


sábado, 16 de abril de 2022

Inesgotável Gabriela, cravo e canela (1958), de Jorge Amado

Quando chegou, eu toda feliz


Vamos falar um pouco sobre Gabriela!

Não vou colar aqui todos os comentários  que fiz durante a longa leitura, mas terminei de ler há quase uma semana


 Demorou tanto para terminar a leitura de Gabriela, Cravo e canela, que nem queria pensar mais no livro, como comentei esta manhã de 16 de abril! 


Quando comecei a ler, em 01 de março, tinha as seguintes expectativas

Doze dias depois eu estranhava a leitura demorada 

Sobre as ilustrações do Di Cavalcanti, não vou postar aqui, vou postar algumas aqui
DI CAVALCANTI





Queria pensar as representações da personagem , desde o começo

No dia 28 de março eu escrevi bastante sobre Gabriela:
REPRESENTAÇÕES DE GABRIELA I- É verdade que este é o romance de JA que menos gostei até agora, mas não posso nunca dizer que, por isso, ele é ruim. Loge disso, ele está me pirando o cabeção, por vários motivos. Por exemplo, as representações de Gabriela. A alegre menina cobiçada pelos homens de Ilhéus, até agora, me parece uma personagem simples, a complexidade e a malícia está nos olhos de quem a via e vê até hoje, escondida debaixo das tantas representações que adquiriu. Certa vez li e queria reler, um depoimento, provavelmente de Walter Avancini, diretor da primeira novela Gabriela em 1975, onde ele explica que, se o romance de JA a questão central é a luta política no sul da Bahia nos anos 1920, auge da extração do cacau, novela destacaria a sensualidade de Gabriela. Assim foi feito, e como de costume nas adaptações de JA para o áudio visual, as complexas discussões sobre a política ou a crítica social são achatadas ou descartadas. Nesse caso, em especial, deu muito certo, até hoje quando se fala em Gabriela, é dificil não se pensar numa mulher parecida com a Sonia Braga. Tenho tentado pensar em outras imagens para ela, porque ela já existia antes disso, inclusive.

GABRIELA E SUAS REPRESENTAÇÕES II - Procurando o texto de Avancini, cai numa dissertação de mestrado de 2005 sobre a recepção crítica de "Gabriela" . Muito boa, aliás, comentando vários pontos e autores. Dela eu destaco esse trecho:
"o crítico Silvio Castro, em seu ensaio 'Jorge Amado e a recepção crítica'(1992), aborda, justamente, o ponto crucial que rodeia a produção literária amadiana: o constante conflito no exercício da crítica. E vários são os motivos dissonantes : o uso do calão, as constantes repetições, uma linguagem próxima da oralidade, povoamento de suas obras com personagens alcoólatras, prostitutas e homossexuais, além de personagens negras, turcas e árabes. Todos esses elementos fazem parte das contendas da crítica literária que envolve a produção do autor.
Castro evidencia a divergência entre as análises que tomam por base a inserção da produção literária de JA na 'tradição literária brasileira' e a convivência da crítica com esta obra."
"Revisitações a Gabriela: Uma experiência de leitura da recepção crítica do romance", Renata Maria Souza do Nascimento. Dissertação de mestrado em Letras UFBA,2005,p. 63

Em um determinado momento Renata diz que um novo frescor tomou conta dos estudos críticos da obra amadiana, com a entrada de analistas vindos da antropologia ou sociologia, uma vez que a crítica literária tradicional não saia dos seus moldes de avaliação clássico. Já em Jorge Amado era preciso ampliar as perspectiva, imaginem em Torto Arado, por exemplo! 

 GABRIELA - Como é difícil de ler, ela está sempre escondida embaixo de outras leituras e imagens que dela fizeram que nunca sei se ela é mesmo só isso. Espero (e desejo) que não seja! Por enquanto só tenho aprendido mais a ver como funciona a cabeça dos homens (até hoje) sobre a "alegre menina" Gabriela, ou melhor, diante todo esse imaginário em torno de Gabriela. Entendendo tudo isso, em nome de Malvina (talvez minha personagem favorita do romance), não tenho mais com apedrejar Gabriela

Mas e sobre Malvina, o que eu comentei durante a leitura?  Quando reparei nessa personagem, senti nela um protagonismo de mulher amariana,  que falta em Gabriela, e depois, em 25 de março  escrevi :

"GABRIELA": SURGIU A PROTAGONISTA?- O romance se Amado tem uma estrutura simples: quatro capítulos de cerca de 100 páginas e está dividido em duas partes. Na primeira parte, senti falta da protagonista Gabriela (que está no título), pois ela aparece só no final do cap.2, mas surge como uma mocinha de romance romântico, não uma mulher de Jorge. Achei que na segunda parte ela poderia protagonizar, mas logo ao começar o cap. 3 ela deu uma sumida de novo e quem brilha é Malvina, uma filha de coronel que se coloca abertamente contra o pai seu coronelismo e defensora das mulheres em plenos anos 1920... Essa, sim, está à altura das grandes personagens femininas de Jorge , que comandam suas vidas! Estou só no começo do capítulo, mas de cara a Malvina me agrada mais que a Gabriela. Vamos ver se a impressão de confirma.

Dentre tantas coisas incríveis que vemos em Malvina, o que mais me chama a atenção é o fato dela ser uma mulher que lia, que brigava pelo direito de ler , o que comentei em 30 de março 

GABRIELA E AS MULHERES QUE LEEM - Acho que essa ilustração de Di Cavalcanti não representa Gabriela,mas minha personagem favorita, a Malvina, a filha de coronel que tem a OUSADIA DE LER. Recusando o pedido do coronel de não vender mais "livros ruins" para ela, o dono da livraria responde:
"- Tenho livros para vender. Se o freguês quer comprar não deixo de vender. Livro ruim, que é que o senhor entende por isso? Sua filha só comprou os livros bons, dos melhores autores. Aproveito para lhe dizer que é môça inteligente, muito capaz. É preciso compreendê-la, não deve tratá-la como uma qualquer."

Mas Gabriela, o romance e a personagem são bem amadianos, produtos de uma bem imbricada trama com a literatura oral, não é à toa que as adaptações receberam as trilhas sonoras mais belas , com canções que definem bem Gabriela, como essa belezinha, que é um poema que aparece no romance e  foi musicado por Dorival Caymmi para a trilha sonora da novela Gabriela de 1975, que também contava com canções representativas do universo de Ilhés de Gabriela , como esse  samba de roda baiano . Mas a mais bela canção composta para Gabriela é mesmo "Tema de amor para Gabriela", de  Tom Jobim, com a citação de várias cantigas tradicionais da zona cacaueira, coisa mais linda! Sempre me emociono!

Para terminar, uso uma citação bela, que eu acho que também define essa personagem, que é a terra da Bahia, com seus cheiros e temperos, que o árabe nacibe tanto amava e é tão   amada pelos  brasileiros e brasileiras:

"Êle (seu Nacib)  a olhou alucinado, viu a terra molhada de chuva, o chão cavado de enxada, de cacau cultivado, chão onde nasciam árvores e medrava o capim. Chão de vales e montes, de gruta profunda, onde êle estava plantado. Ela estendeu  os braços, puxou-a para si. Quando se deitou a seu lado e tocou seu calor, de súbito então tudo sentiu : a humilhação, a raiva, o ódio, a ausência, a dor das noites mortais, o orgulho ferido e a alegria de nela queimar-se. " (448-9)


Viva Gabriela , do cheiro de cravo e da cor de canela!