Printei de um story do Bloco Tarado Nivocê, no Instagram
"E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como de vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu,meu." Clarice Lispector, "Restos de carnaval".
Parecia um sonho brincar o carnaval na rua depois da Pandemia, mas aconteceu! E o pré-carnaval do Acadêmicos do Baixo Augusta veio completinho, lotado, com sol, chuva, calor e muita diversão! Só tenho a agradecer a oportunidade de descer a rua da Consolação da Paulista até o Estadão e ser muito feliz de novo.
Tem esse texto sobre o desfile, se onde tirei essa foto do Olodum, por Thiago Queiroz
Nunca levo celular no carnaval, mas a Patrícia leva, por isso tem imagens !Vamos de fotos?
Fui fantasiada de Baixo Augusta, pena que esqueci de por os óculos, que ganhei em um desfile antigo deles
Pintei as unhas na cor do Carnaval, na improvisação Nem deu tempo de retirar o excesso
Eu sempre alertei
Com a Pati, mostrando os brindes que ganhamos antes de todo mundo
A cara da felicidade, com a fantasia de Baixo Augusta Completa
Negrini, rainha
Antes e depois da chuva
No Instagram
A imagem da felicidade
Todo prazer surge depois de uma luta
O tema do desfile era "Alentos e fortes", em homenagem à Gal Costa, e teve muita música boa, de convidados ou não: Olodum, Marina Sena, Daniel Oliveira (interpretando Cazuza), também foram lembradas mais cantoras: Marilia Mendonça, Tulipa Ruiz, Elza Soares, entre outras.
Como tema do Bloco escolhi "Bloco do Prazer", deste disco da Gal que tinha em casa quando eu era criança: mais carnaval não há!
Como sempre foi muito bom, feliz por retornar ao carnaval!
Na quarta feira de cinzas:
O fotógrafo tinha tirado essa foto nossa no Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, no pré carnaval, eu e a Patricia Ferreira vimos, mas não sabíamos onde sairia, masbeka encontrou e ficou linda 😍 a outra mulher é a Izilda, que conhecemos no dia e curtimos o bloco juntas,mas perdemos contato depois. Amei a foto 😍
Depois de anos sem folia, é inacreditável, mas estou na dúvida se ânimo de brincar o Carnaval amanhã por causa da chuva.Não me irrito porque sei que será exatamente como tem que ser. Exu vai me dizer se tenho caminho aberto pra ir (mesmo com chuva) ou não . Vamos aguardar. Mas sempre quis viver um amor de Carnaval, nunca tive. Por enquanto. Queria um como o da menina com fantasia de flor de papel crepom, em
"restos do carnaval", talvez meu favorito de Clarice, que reconhecida pelo menino de 12 anos ,"quase um rapaz" , se viu e ela "era, sim, uma rosa". É que carnaval sempre foi muito importante pra mim, simboliza exatamente a luta da vida contra a morte que venho travando sempre, como aparece neste conto. Eu que me acostumei a lutar tanto para brincar o carnaval, mesmo nas piores situações, porque foi pra mim sempre uma possibilidade de salvação à qual "agarrei-me porque precisava me salvar". Então, quando eu cogito a possibilidade de não ir brincar o carnaval amanhã , depois de anos de quarentena, é como se eu escolhesse a morte e rejeitasse uma possibilidade de amor. Amor por mim mesma, porque se eu for estarei tão linda, me amando tanto que, tenho certeza, serei uma rosa.🌹
Se quiser, ouça essa bela canção sobre um amor de Carnaval
Foi um dia de verão chuvoso e mal encarado em São Paulo. Fui treinar rapidamente e depois tinha terapia, me arrumei pouco, mas estava bonitinha (cabelo sempre molhado de chuva não ajudava), o caminho percorri todinho debaixo de chuva! Viva o guarda chuva. Não estava lá muito bem emocionalmente, fui pensando no ônibus
Até quando essa solidão chuvosa? Tinha terapia, alguns assuntos tenebrosos para discutir, chorei e no caminho para o Sesc, peguei o metrô mais lotado da vida. Chuva, linha amarela paralisada no sentido Vila Sônia (pessoas tendo que seguir caminho pelo temido sistema de ônibus PAESE. Eu ia apenas da estação Paulista para a Higienólopis, no sentido Luz, mas estava tão cheio, que vi de perto aquelas cenas terríveis, os trens parando a cara dois minutos, abriam lotados e uma ou duas pessoas conseguiam se encaixar dentro da lata de sardinha. Algumas, mais de uma, ficavam presas na porta, ou eram jogadas para fora do trem. Uma funcionária do metrô anunciou uma plataforma "vazia" adiante que, óbvio, logo não ficou tão vazia assim, mas lá achei que talvez conseguisse embarcar. Mesmo assim, tive que esperar no terceiro tremai comentei com uma mulher sobre a desilusão, estava quase voltando para a Paulista e pegando o ônibus terminar lapa para casa, pois não queria ficar presa na porta do metrô. Ai não sei, ela deve ter ficado com pena de mim e quando o trem chegou, como um anjo guiado pelos meus mentores espirituais, me disse: segura na minha mão, vamos entrar juntas, ela entrou primeiro e eu a segui e enfim, o que até há pouco eu achava impossível aconteceu: eu entrei no trem e ia poder ver o instrumental!
Quando cheguei no Sesc Consolação postei este Story no Instagram:
Estava achando que estava com sorte, tomei o creme de milho com queijo na comedoria e quando me sentei no Teatro Anchieta, vi o palco lindo e iluminado, cheio de instrumentos
E ao pegar o celular para silenciá-lo, vi uma resposta ao meu story no Insta:
Nossa, ai foi que o barraco desabou, comecei a chorar de emoção! Como a gente pode não amar o Sesc? Foi o carinho que eu tanto precisava! Amei demais!
Antes do show começar, como sempre, me sento perto de uma criança, pois nossas energias se atraem. No caso era o encantador menino Pedro. Ele devia ter seus 4 ou 5 anos e estava com os pais assistindo. Muito ansioso para ver seu primeiro "show sentado", como gente grande. A mãe explicou a questão dos três sinais antes do espetáculo começar e ele na maior expectativa pra o terceiro. Quando chegou sua tia e comentou que quem ia tocar aquele atabaque ali era o seu tio, ele muito espontaneamente gritou UHUUUUUU (rs). O mesmo grito que deu quando viu seu tipo entrar no palco, estava extasiado. Mas não aguentou muito tempo, o som era alto demais para seus jovens ouvidos, logo saiu levado pelo pai e quando voltou, já estava dormindo. Mas sua alegria e espontaneidade de criança, como sempre, foi um brilho em minha noite.
Mas e o show, enfim? Era de Bufo Borealis, uma banda muito boa, sensacional mesmo. Vejam só :
Um som instrumental muito denso, tantas vezes me remeteu, ainda que levemente, a alguma sonoridade "psicodélica" do Som Imaginário, especialmente no álbum Cabeça do porco (1973). só que com uma roupagem mais atualizada. Eu não sabia de nada, juro, foi uma referência muito aleatória de uma boa ouvinte de música instrumental que me levou a essa associação. Pensava que, provavelmente, ao som Imaginário nem pudesse ser uma referência direta para a Bufo, talvez nem seja, mas percebi certo diálogo com a sonoridade dos anos 1970 e com o Som é uma referência para mim como ouvinte desse período, podia valer a pena. Realmente, no site do Instrumental, não há referências ao Clube da Esquina, mas ao som dos anos 70, sim:
Como sempre no Instrumental os músicos comentam sobre a emoção de estarem se apresentando naquele palco tão importante para a música instrumental brasileira. Nesse caso não foi diferente. O excelente baterista Rodrigo Saldanha falou sobre um papo com a banda sobre a primeira coisa que vinha à cabeça do grupo quando se falava em Instrumental Sesc Brasil. Ai ele disse, para mim, vem Arismar do Espírito Santo (que se apresentou mais de uma vez no programa e que eu assisti nesse inesquecível show em 2018) e também o Pepeu Gomes, que também subiu àquele palco mais de uma vez, mas que infelizmente não vi ai vivo! Para mim foi emocionante, pois sei que era o dia do aniversário do Pepeu, um dos instrumentista brasileiros que eu acho mais foda! Estava o dia todo cantando "a flor do desejo e do maracujá eu também quero beijar", e quando estava voltando para casa, comprei uma trufa de maracujá, para adoçar um dia difícil:
Só posso agradecer a mais esse dia , no qual fiz tantas transmutações de energia de ruim para boa! A vida é mesmo assim!