quarta-feira, 17 de abril de 2024

Makamo no Instrumental Sesc Brasil: frevo, valsa e feminismo!

 




Como venho fazendo, fui ao Sesc instrumental saindo de casa, porque me faz muito bem! Era do grupo Mukamo, que o site do programa resume assim: 


  Me interessei muito, peguei o ingresso em casa e a tarde me arrumei  e sai para um dos lugares que mais amo em São Paulo 

Apostei no creme e marrom, mas não gostei da saia
Acho que a validade dela venceu...mas estava fofa

No caminho achei uma obra de arte que me representa no metrô :


                            
Como venho da Barra Funda, no horário de pico, nem deu tempo de jantar, mas passei na comedoria para ver se encontrava algum amigo da aula de música, mas cheguei quase  18:30 e não deu tempo de encontrar com eles, nem de tomar sopinha, comi um docinho sesc, maravilhoso, que me rendeu dois stories


Ai desci para o Teatro Anchieta, reencontrei amigos que vejo sempre e  logo vi que vai ter  show do Elomar Figueira Melo e ,sinto muito,  mas dessa vez não poderei ir, nem que tivesse condições, está tudo esgotado 


Quando vi o palco, me encantei com a iluminação cada vez mais linda desse palco, dessa vez toda  azulada, como no fundo do mar : 
                   
Sobre o show,  foi excelente, como de costume, um grupo de pernambucanos formado por quatro mulheres e um homem apresentaram músicas autorais encantadoras, variando entre choro, frevo, baião e até valsas ... música instrumental brasileira na veia, coisa mais linda de viver!   
Elas, muito assertivas, discursaram mesmo sobre a ausência de mulheres no cenário da música instrumental de fato, na narrativa e na memória.

O som era delicioso desde o inicio, aquele trejeito de música nordestina que a a gente ama, meus ouvidos estavam em paz comtanta harmonia e poesia. Mas  eu, insólita ouvinte, fiquei intrigada com um som de base, logo notei que vinha  da percussão do Junior Telles, o rapaz sentado à direita. 
Que sons criativos, muitos instrumentos, de chocalho a pandeiro, era de uma alegria, era um convite a audição atenta do trabalho primoroso que as moças estavam fazendo.
Eu ia até elogiar no final, mas acabei desistindo, no final deste  post explico melhor.

Para quem quiser conferir, o show na íntegra:
 


Tirei fotos dos músicos e seus instrumentos, especialmente do percussionista :


Agradecimento final

As gêmeas Moema (bandolim) e Maíra (cavaquinho)

Moema (bandolim)  Maíra (cavaquinho) Gabi Carvalho (violão)


Gabi Carvalho (violão)


Maíra (cavaquinho)


Carol Maciel (acordeon)

Moema (bandolim) 

Todos juntos no show

Dessa vez a Patrícia Palumbo não veio, foi substituída por um moço muito preocupado com o horário ( coisa que ela jamais foi), então a discussão final foi muito rápida, mas rendeu uma historinha :

Fotos de Junior Telles 







Junior Telles e os instrumentos
os sons vinham de todos os lados que ele se movimentava

Um último clic


















terça-feira, 16 de abril de 2024

Cangurussu na Casa de Cultura do Butantã


Grupo Cangurussu

No sábado, 13 de abril,  eu me preparei para dar um rolê de fim de semana e fui passear lá no Butantã, perto da USP e de onde eu trabalhei, perto da Av. Eliseu de Almeida. Fazia muito tempo que eu não andava por aquelas paragens, até conheci um boy que se dispôs a me conduzir ao local (homens!), mas ele confundiu o local com o instituto Butantã e eu acabei atrasando um pouco, mas como estava muito adiantada e é pertinho, cheguei cedo mesmo assim!

A casa é maravilhosa, colorida, exala cultura por todos os lados, tirei muitas fotos de detalhes que postei nas redes sociais e mostro no fim desde post um pouquinho. Não todas, mas a maioria das imagens remetiam ao culto e a manifestações para os oriás, a entrada veio para Iemanjá, Yabá com quem mantenho forte relação e com ela "conversei" mentalmente o da todo.

Lugar lindo esse cada de Cultura Butantã 

Eu fui bem arrumadinha, de verde militar, que é uma das cores do outono/inverno 2024, que eu acho muito chique e gosto muito, mas não acho que me valorizou tanto... tem pouca luz, mas fiquei uma milica simpática 

Tinha visto vitrines na semana, só verde militar,creme e preto para outono/inverno... Tentei me adequar, mas para mim a cor 2024 é vermelho, em seus tons

Mas meu rolê tinha um objetivo: prestigiar meu amigo Adriano Bezerra tocando  trombone no Cangurussu, grupo de samba reggae. Eu tentei registrar o quanto pude, gravei, fiz transmissão ao vivo, mas as imagens não ficaram muito boas, porque garoou o tempo todo e isso atrapalhou a tela do celular, uma pena! 





Claro que como todo um grupo centrado em manifestações de origem africana que sustentam a cultura brasileira, como o samba reggae. O Cangurussu apresenta rapidamente  a história do samba reggae, nascido na Bahia na década de 1980, a partir do Olodum . Mas não só isso, o grupo também faz misturas e apresenta resultado de uma vasta pesquisa sobre ritmos afro, que se ouviria na Bahia. Emocionante foi reconhecer, reconhecer e cantar junto algumas  antigas memórias de  sonoridades ouvidas há décadas em visitas a terreiro de candomblé, que agora já fazem parte do meu inconsciente ! 

Sobre o som, destaco de início que tinha uma cantora de voz potente, convocando a memória das ancestrais, de arrepiar... depois a celebração com os instrumentos, como adoro ouvir. E os metais, que foi  a voz de instrumento que  fui lá para ouvir: além do trombone, se não me engano (sou leiga e  erro no nome dos instrumentos), tínhamos trompete e sax ... Essa mistura me agrada tanto, porque é manifestação, é história, uma fineza  só! 

Todos e todas  muito bem vestidos, alegres, carinhosos, me senti abraçada por eles e quero voltar a prestigiá-los com certeza! 

Mas além disso  o samba reggae é uma música para dançar e o grupo trouxe  os bailarinos, coisa muito linda e empolgante de verdade, uma pena foi que tivemos uma convidada indesejada, a virada no tempo, esfriou e garoou, isso espantou o público, uma pena porque o som estava uma delícia para curtir e dançar. De qualquer forma fiz alguns vídeos, além da transmissão ao vivo, para ficar com gostinho de quero mais...

Já disse ao Adriano que tenho muito orgulho em ser amiga de alguém como ele, um músico de conservatório, um pesquisador sensível e, como eu, interessado pela cultura negra, especialmente o samba e suas variações. Quando ele me convida para ouvi-lo me sinto honrada e vou, porque eu sou uma boa ouvinte e isso me nutre tanto, talvez ele nem imagine o quanto. Quanta alegria essa troca  me traz!  

No fim do dia eu , que estava com fome porque cheguei cedo demais no rolê, parei para  lanchar no Subway do shopping lapa na volta, como não fazia há anos...novos ciclos, retomando velhos lugares que ressignifico. 




Algumas imagens da Casa de Cultura Butantã 
















segunda-feira, 15 de abril de 2024

ELABORANDO TANTAS COISAS: O SAMBA É PERTENCIMENTO!


Espirito da intimidade, esse livro lindo sobre sabedoria ancestral africana



Em  "Espírito da intimidade", um livro sobre os ensinamentos ancestrais de tribos africanas, Sobonfu Somé, ensina a ancestral sabedoria da tradição Dagara, tribo do Volta Superior, na África. É muito rico ler sobre aquelas tradições e perceber como fazem , ou não, sentido para a gente atualmente. Para mim, em 2024, um ponto faz muito sentido: no livro eu li :

"A ausência de uma comunidade para receber um recém nascido pode, inadvertidamente, apagar algo na psique. Essa perda, mais tarde, será sentida como um enorme vazio. Embora essa pessoa sinta uma enorme necessidade de se conectar com outros, poderá ter dificuldade em buscar apoio da comunidade, temendo a rejeição. O que essa pessoa buscará, quando entrar em um relacionamento íntimo, senão preencher aquele vazio?
Quando ela perceber que seu parceiro, por si só, não vai conseguir preencher esse vazio, um problema será criado. Embora a pessoa entre em um relacionamento para satisfazer sua necessidade de comunicação, não consegue fazê-lo desse modo. É preciso toda uma comunidade para fazer isso. Uma única pessoa não pode satisfaz todas as necessidades, nem compensar a falta de continuidade experimentada desde o nascimento. (Espírito da intimidade, p. 71/2)


 Pois bem, se aquele que foi abandonado ao nascer carrega um vazio em sua psique e depois pode  vai buscar preencher essa lacuna num relacionamento amoroso, pois qualquer  sensação de identificação afetiva pode confundir com alguma completude. No meu caso, como vim comentando nesse link, o canto da sereia veio sempre com promessas de pertencimento religioso, aproximação aos orixás, ao sagrado e ao especial, que minha carência de órfã e meu desejo misturou com ancestralidade e quando dá erro, dói muito.

Na minha ilusão, Xangô e Oxum simbolizavam
o pertencimento que me foi negado, mas que eu merecia

 Quando enfim despertamos do transe, percebemos que tem algo errado e os  problemas surgem, porque a sensação de completude é falsa e acaba sendo dolorosa frustração , pois aquele vazio não pode ser preenchido por uma só pessoa, mas só pelo ABRAÇO DA COMUNIDADE, que para mim, que sou uma pesquisadora que tem muito interesse nas divindades, sabedorias e mitos, mas não consegue se adequar aos dogmas religiosos, esse abraço  não vem da comunidade religiosa. 

Como adiantei, estou elaborando tudo isso e, nesse momento, esse é o resumo da minha vida nos últimos tempos: frustração amorosa e o acolhimento no samba, o meu abraço de pertencimento a algo maior, à uma ascendência sagrada. 

Gosto de contar assim: Completa pelo samba, talvez eu esteja pronta para viver um amor mais tranquilo, sem depositar nele tão grandes expectativas. Talvez. 

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Brazú Quintê: clássico show de música instrumental

Pequena orquestra de câmara tocando
música instrumental brasileira (autoral e não )


cartaz



Mais uma terça com terapia e Instrumental. Dessa vez foi grande de verdade. Estava um clima bem outono, abafado, mas era preciso carregar blusa. Fui de branco e azul , simples, mas até bonitinha 

Azul, para Iemanjá 😍



Na terapia foi muito especial... Ela me falou de um Simpósio de análise bioenergética raichiana, me passou até um link de uma mesa sobre o corpo negro em análise e foi muito bacana e emocionante. Assim como reencontrar meus amigos da aula de música, me convidaram para assistir também, mas eu não sou capaz ainda, uma pena.

Vi o livro com meu capítulo sobre Lima Barreto em exposição na livraria do Sesc Consolação e tirei 
                                     


Depois fui jantar, sopa de mandioquinha, pedi um doce Sesc e veio bolo Sesc (enorme!),preferia o docinho, mas comi 



Aí teve o show do Brazú Quintê, assim apresentados no site do Instrumetal:

 Eles apresentaram núsica instrumental em estado puro, composições brasileiras, mesclando popular e erudito, muitas do Fábio Leal, organizador do grupo,  mas mantendo sempre uma roupagem de música contemporânea, uma música repleta de imagens (como alguém comentou no debate),fazendo a gente viajar por vários lugares de sonho , de sons e de memória, terminando com Vento de Maio, uma das minhas canções favoritas e lindamente interpretada por eles, como você pode conferir aqui



Tirei algumas fotos do show, até porque a luz, as cores, mudaram durante o espetáculo 
Grande show 


Foi muito emocionante esse dia, né despertou esperanças e depois fiz comentários nos stories




Grande citação 





Muito bom...até a próxima 😍