sábado, 7 de setembro de 2024

Mostra de Cinemas Africanos 2024: Dois curtas de Sarah Maldotor


 Foi da Sarah Maldoror o primeiro filme da Mostra de cinemas africanos que assisti em 2020, "Sambizanga".  Foi minha primeira paixão cinematográfica africana depois  muitos outros vieram. 

Na iniciativa da Mostra 2024, de trazer diretores pioneiros com filmes poucos conhecidos, vimos dois curtas muito interessantes de Maldoror.

No debate com a pesquisadora Leticia Santinon, mediado pela Morgana e Jusciele Oliveira, do Cine África, ficamos sabendo um pouco mais sobre a trajetória de Maldoror, uma cineasta comunista,  nascida na França, mas que adotou a África como lugar de origem, com mais de 40 filmes que estudou cinema na União Soviética na turma do  Sembène, e tem um olhar interessado na formação do homem africano e especialmente no papel da mulher. Por conta de tudo isso, injustamente, seus filmes não circularam tanto ao redor do mundo e seu nome ainda não consta na grande História do Cinema.

Assisti aos dois curtas, vou comentar brevemente

"Fogo, uma ilha em chamas" (1979)

É o mais longo dos documentários e  fala sobre Fogo, uma ilha de Cabo Verde, um lugar de passagem na história da colonização européia  na África, onde ninguém queria ficar, já que o  local é seco ,sempre ameaçado pela erupção de vulcão, fazendo com que os próprios habitantes saíssem para trabalhar fora, deixando no lugar familiares,mais  velhos e crianças, responsáveis por manter as tradições.

No olhar esquerdista e poético de Maldoror, era fundamental registrar o trabalho cotidiano daquelas pessoas para trazer água para todo mundo e tornar possível a existência naquele lugar inóspito,onde se operou diversos tipos de exploração, mas Maldoror enxerga ali uma oportunidade de filmar a história da África contada pelos africanos,vozes sempre caladas, que no caso, contam outra faceta do processo de independência colonial. Vale muito apena assistir e discutir tantas questões...

"Em Bissau, o carnaval" (1980)

Foi o filme eu gostei mais, fala muito da importância do carnaval para a cultura de Bissau, com a construção rudimentar e criativa de suas máscaras. Nesse filme,novamente,Maldoror destaca a sensibilidade artística , entusiasmo e criatividade do povo africano para valorizar sua cultura. No caso desse filme, ao contrário do anterior,ele  recebeu apoio do governo Luiz Cabral, primeiro presidente do Guiné-Bissau independente, ocupando o cargo entre 1973 e 1980(ano de lançamento do filme), quando foi derrubado por um golpe militar, que dificultou ainda mais a circulação do filme, já que ele mostra uma reação local,tudo o que os militares  queriam derrubar.Cabral aparece no documentário explicando que o carnaval em Bissau é o espírito daquele povo, a consolidação da independência através da capacidade de resistência cultural que deu força na construção das nações Guiné-Bissau e Cabo Verde. Tudo isso estaria sintetizado nas máscaras.

No filme Maldoror não deixava câmera solta, vai guiando nosso olhar para mostrar como se dá a  construção do carnaval,dessas máscaras,quem pode brincar,quando, etc. Outro ponto interessante é que, devido as limitações orçamentárias, era preciso aproveitar ao máximo elementos naturais, como o som dos ensaios e apresentações, como trilha sonora,e essa música também  vai conduzindo o olhar do expectador, realçando muitas mensagens passadas no filme. Grande pequeno filme! Viva Maldoror!

Tirei fotos deles,sabendo da importância daqueles registros de época.Primeiro de "Carnaval", depois de Fogo :


Carnaval

Jovens e crianças: fundamentais no carnaval 
Em Bissau




























Fogo







 








Fogo 












quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Felipe Gomide e a caravana nordeste / oriente

 


Mais uma terça grande , a primeira de setembro 2024. Não consegui reservar o ingresso porque o app bugou,mas foi fácil conseguir quando cheguei e faleu super a pena para ouvir aqueles sons ancestrais orientais tão queridos...

Eu fui a terapia levando novidades boas, estava vestida de forma simples, vestido jeans e colar afro laranja, mas me sentindo um mulherão...


Cheguei e nem deu tempo de curtir os pais dos músicos na comedoria, só a for nova na entrada do teatro 


E o show maravilhoso... Amei a foto do Felipe no cartaz,rodeado de instrumentos 


O show foi Mara,viagem por outros lugares e tempos! Você pode curtir aqui. Abaixo uma das minhas favoritas, baião do sultão 


Eu tirei muitas fotos do show


O palco já anunciava :
 muitos instrumentos 























E no fim, meu comentário rápido, escrito no busão, na volta 

Até o próximo 😍