domingo, 23 de novembro de 2025

"Nosso sonho" (2023), Eduardo Albergaria


NOSSO SONHO (2023): Assisti ontem na Netflix. É uma cinebiografia que não é tão esteticamente trabalhada quanto alguns filmes mais recentes; este é bem popular, assim como os homenageados. O enredo é meio bobo, mas ADOREI! É um filme FUNK MELODY, do subúrbio carioca, preto, sem “palmitagem”, muito comunidade, família, “salve simpatia”! Me diverti muito e amei as músicas — quem não canta junto?


Especialmente “Nosso Sonho”, que, além de contar bastante da história de Claudinho e Buchecha, nos leva pelo circuito dos bailes funk nas comunidades:


"Na praça do Playboy, ou em Niterói;No Fazenda, Chumbada ou no COI; Quitumbo, Guaporé, nos locais do Jacaré; Taquara, Furna e Faz Quem Quer;Barata, Cidade de Deus, Borel e a Gambá; Marechal, Urucrânia, Irajá; Cosmorama, Guadalupe, Sangue-Areia e Pombal; Vigário Geral, Rocinha e Vidigal; Coronel, Mutuapira, Itaguaí e Saci; Andaraí, Iriri, Salgueiro, Cariri; Engenho Novo, Gramacho; Méier, Inhaúma, Arará;Vila Aliança, Mineira, Mangueira e a Vintém;Na Posse e Madureira, Nilópolis, Xerém!"


UAU! No final da sessão, pensei: “Quem não quer ter um ‘amigo anjo’ como CLAUDINHO?”



 

sábado, 22 de novembro de 2025

O quarto ao lado, Almodóvar

 


O QUARTO AO LADO: acabei de assistir. É um filme de temática pesada, mas não dramático. Tem a solidão de Hopper, cinema mudo, e é muito colorido, típico de Almodóvar, mas também é sóbrio ao mesmo tempo para tratar da discussão sobre eutanásia e do direito de interromper a vidas. Há verdes, vermelho, cinza e muita luz fria. Tem vida, flores coloridas, e morte, guerras, cinema mudo, canções. E a sugestão do sexo funciona como um filtro entre os dois. É a espugriçadeira da convalescença de Almodóvar. É um belo e triste filme. Foi bom assistir.

domingo, 16 de novembro de 2025

Anos-Luz : ficção científica no Prime

 


Anos luz (night sky) é numa série de ficção  científica e drama norteamericana fofinha que assusti no início de novembro. Como só tem uma temporada disponível no Prime vídeo, foi rápido e tranquilo 

Conta a história do casal de idosos Franklin e Irene que vivem tranquilos em uma casa isolada no interior dos EUA, mas guardam um segredo : mantém um portal para outro paneta em seu quintal. Tudo muda quando surgem outros personagens, a neta Denise, o forasteiro Judi para discutir questões humanas e segredos de família . Um portal semelhante também existe em uma igreja nos Andes argentinos, vigiados por Stela e sua filha Toni.A ligação entre esses dois portais não é explicada, talvez haja nova temporada...


Esteticamente não é nada de encher muitos olhos, o portal e o  "outro planeta" são  bem rudimentares mas também não é feia 

Embora tenha personagens muito ruins ou mal construídas (o vizinho inconveniente, a neta que no começo é uma pequena gênia bem sucedida, depois fica perdida e sem funçao na trama )A narrativa de Irene e Franklin é muito fofa, enterneceu meu coração, mas agora vamos aguardar segunda temporada para rever nossos velhinhos.

Alguns fotos

Essa mensagem Jude, personagem de passado misterioso,encontrou num livro que pertenceu ao seu pai. Segundo a IA, o alfabeto é inventado, mas segue um padrão aparente do hebraico. Talvez Jude seja judeu?

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Essa linda foto é uma imagem do Planalto Andino na Argentina , com seu rebanho de lhamas que aparece na série Anos-luz. Não sei se  é imagem real ,mas é bonita. Também não sei ainda se gosto  da série, mas sei que, pelo menos, a passagem de um escuro porão nos EUA, para a paisagem andina  deslumbrante, com matizes de cor pastel nas montanhas, rendeu um bela foto.



quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Um "portal" no metrô Clínicas

 


Um "portal" na parede da estação Clinicas, do metrô de São Paulo 

Acho que ando lendo muito Murakami

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Caçando carneiros: Murakami em formação?

              

 MURAKAMI EM FORMAÇÃO :​Chegando às páginas finais de "Caçando Carneiros"(1982), confesso que já não aguento mais a a narrativa. Gosto muito  da obra de Haruki Murakami, mas, neste volume, embora a escrita mantenha pontos de luz e já estejam presentes os traços estilisticos que eu mais gosto ,a história é excessivamente longa, fragmentada em um  enredo que caberia em pouco mais de 100 páginas, a exemplo de outros trabalhos seus mais enxutos.

​A sensação que tenho é a de estar diante de um esboço, uma obra em que o autor experimenta, de forma até humorística, a composição de personagens e da estrutura narrativa. É quase um longo manuscrito. Como apontei acima, elementos-chave de seus textos  mais envolventes,e que eu mais amo, já  surgem aqui de maneira bastante crua, quase como rascunhos : o realismo fantástico; o tom onírico e surrealista; a música como marcador de tempo e ambiência; a abertura para outras dimensões da realidade e a reflexão sobre  a solidão do homem moderno. 

 Para o leitor que já conhece seus trabalhos posteriores, esta leitura  funciona como um autêntico documento de formação, pontuando o potencial de evolução  que Murakami, como autor, vai desenvolver  e concretizar plenamente em suas obras maduras.


A música é por este trecho "luz" : 

 " A neve continuou a cair até o fim da tarde, cobrindo toda a campina num único manto branco. Quando a noite chegou, a neve enfim parou e uma espessa névoa de silêncio aproximou-se uma vez mais. Um silêncio que eu não conseguia quebrar. Acertei o toca-discos na repetida automática e ouvi White Christmas, de Bing Crosby, VINTE E SEIS VEZES consecutivas."p. 296

domingo, 9 de novembro de 2025

Cangaço novo

 

  


Depois da deslumbrante " Contos do Loopi",  no meio de tantas opções no Prime que acho que não valem meu tempo, foi a vez de devorar a série"Cangaço novo". E essa super valeu.

Produção nacional da Prime de 2023, é muito bem feita e não à toa fez o sucesso que fez. Depois de ver os primeiros episódios escrevi 

"  CANGAÇO NOVO

Comecei a assistir à série ontem. Gostei muito : historicamente é mesmo assim,nenhum movimento  acaba com a morte de seus membros, sem que os motivos de sua formação tenham se resolvido. Os cangaceiros dos anos 1930, o grupo de Lampião, podem até ter sido exterminados pela polícia, mas o cenário não mudou tanto assim no século XXI, continuamos vendo miséria, o abandono do poder público e a aposta na violência como única reação possível. Só ganharam novas "tecnologias". 

É uma série de ação, mas também  se destaca pela trilha sonora e pela estética: belas cenas no Nordeste, a caatinga, os bravos homens e mulheres!

Um preciosismo: talvez pudessem ter cuidado mais da linguagem. Apesar do visual cru e cruel, como a história pede, desconfio muito de que membros de grupos armados no sertão do Ceará falariam quase sem sotaque,  e que, mesmo nos momentos de maior ira, se limitassem a xingar com simples “caralh*s...”. Isso até os moleques que soltam pipa na minha rua falam! Um certo “adoçamento”, talvez herança da TV aberta, que no streaming acaba por empobrecer a trama.

Afora isso, tô curtindo e pretendo continuar assistindo."

Claro que depois achei algumas controvérsias 

"Há controvérsias: Isabela Boscov gostou de não terem sotaque ... Quem sou eu pra falar algo kkkk mas não é uma coisa que atrapalhou, foi só um comentário"

Mas nada supera a qualidade da produção. A atuação do Allan Souza  como Ubaldo Vaqueiro , e duas irmãs Divania - por Thainá Duarte, a mesma que interpretou Anita em "Se eu fechar os olhos agora" e dá super conta de fazer personagens "mudas" - e Dinorah, pela dona da série toda, a maravilhosa Alice Carvalho 😍

Claro que  lembrou tanto Grande Sertão ! Pelo banditismo, mas no caso sem Diadorim, aqui tem Dinorah, a MARAVILHOSA Alice Carvalho! Foi no delírio dela que Lampião e Maria Bonita (uma figura meio azulada, que parecia Nossa Senhora Aparecida) vieram falar! Ela é mais protagonista que o irmão HAMLET 😍

Gostei tanto  que  tinha certeza que já tinha a segunda temporada, porque é tão comentado... Ainda não tem! Vamos esperar, a produção está em processo... eu  eu quero mais!


terça-feira, 4 de novembro de 2025

Só um parágrafo de Murakami

 

Imagem da cena descrita, criada pelo Gemini

Eis um parágrafo imagético do romance "Caçando carneiros" . Aparece quando o protagonista (sem nome) está hospedado no oitavo andar de um hotel de uma cidade que também não sabemos o nome. Ele espera as 17 horas para se encontrar com uma mulher desconhecida e entregar a ela a carta de Rato,um amigo em comum. Eis o parágrafo:

A CHUVA DISSOLVE A CIDADE 

"A chuva fina continuava caindo às cinco horas da tarde seguinte. Chegou depois de quatro ou cinco dias de sol que prenunciavam um glorioso verão, bem na hora em que todos julgavam enfim terminado o deprimente período chuvoso. DA JANELA DO OITAVO ANDAR, a terra parecia preta e molhada até o último recanto. Na via expressa elevada, carros que se dirigiam do oeste para o leste estavam parados num gigantesco congestionamento de alguns quilômetros. Contemplando-os fixamente, pareceu-me que A CHUVA OS DISSOLVIA AOS POUCOS. Aliás, A CIDADE INTEIRA COMEÇAVA A DISSOLVER-SE. O cais no porto, os guindastes,os prédios enfileirados e,DEBAIXO DOS GUARDA-CHUVAS PRETOS, AS PESSOAS. O verde das montanhas também se dissolvia e escorria silenciosamente rumo à base. Mas, ao FECHAR OS OLHOS por alguns segundos e REABRI-LOS , a cidade tinha se reconstituído misteriosamente. Os seis guindastes continuavam com seus braços erguidos na direção do céu escuro carregados de nuvens cinzentas,a fila de carros despertava de súbito e lembrava de mover-se vez ou outra rumo a leste, os pedestres de guarda-chuva cruzavam o asfalto, o verde das montanhas absorvia com satisfação a copiosa chuva junina." (Haruki Murakami. Caçando carneiros,p.107-8)


Belo trecho.Imagético e mágico. Podia ser o roteiro de um curta-metragem, podia ser uma imagem de Monet, mas é só um parágrafo desse livro de Murakami que nem estou gostando tanto assim!