sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Retrospectiva: 2021 o ano da literatura!

 


Este ano eu "inovei", fazendo um resumo de uma linha do conteúdo do blog (e também fora dele), mês à mês, então a retrospectiva ficou mais fácil. Vou trazer a frase de cada mês e comentá-la!

JANEIRO - Teste de Ancestralidade;
Elza embalava minha vida logo no começo do ano

Acho que tive a ideia de resumir o mais importante do mês por causa de janeiro, quando não teve nada mais importante do que o meu teste de ancestralidade. Para mim, para tantos negros do Brasil, saber qualquer coisa sobre nosso passado, propositalmente apagado, é tão grande, envolve tantas coisas, toda a nossa vida, nossos medos, escolhas. É um olhar para nós mesmos. No caso do meu resultado, fiquei surpresa pelo meu DNA não ter nada de indígenas brasileiros, e eu que achava que era cafuza (mistura de negro com indígena), mas na verdade sou mistura de negro com branco. Mas quais ? Brancos, predominam os ibéricos, portugueses e espanhóis, embora tenha alguns pontos de outros lugares na Europa. E negros, tem de muitos lugares da África, não apenas daqueles que sabemos que vieram pessoas para seres escravizadas ( especialmente Angola, Congo, Moçambique, Nigéria, etc), mas também de vários lugares do norte do continente, a África oriental, árabe, inclusive a minha querida Etiópia! Me senti muito melhor com essas informações, pesquisar ancestralidade era uma das metas para 2021 e eu "entendi" mais tantas coisas e pareceu que um dos sentidos da minha vida tinha sido encontrado. Foi, e isso não é pouca coisa, mas ainda existem mistérios!

FEVEREIRO -Mergulho em Lima Barreto;
Fevereiro : o mês de "Lima Barreto que nos olha"

Foi sem querer, mas acabei tendo que escrever um texto urgente e mergulhei na vida de Lima Barreto e Clara dos Anjos, isso me fez pensar que estava continuando o tema de janeiro, pois estava estudando o maior escritor negro brasileiro (que se reconheceu assim e sofreu as consequências, inclusive de sempre acabar sendo "esquecido". O que ele escreveu, há cem anos, continua sendo atual e incômodo. Escolhi escrever sobre o livro Clara dos Anjos, porque eu li quando era menina, mas demorei muito para entender que a Clara era eu, era todas as mulheres negras periféricas, em 1922. em 2021! Fevereiro foi mês do Lima, a quem agradeço imensamente! Que orgulho ter um escritor desses no meu país!
No final do mês, depois que terminei o trabalho, fui ler outras coisas, ainda sobre negros, li um livro infantil sobre as princesas africanas e um romance ótimo de Chimamanda Ngozi Adichie . uma autora nigeriana, país que agora sei que faz parte da minha ancestralidade.

MARÇO - Mostra de Cinemas Africanos , Congresso de Crítica Genética e
Guimarães Rosa;
Já estava acompanhando congresso pelo celular
 na sala de espera do hospital pros exames pré cirúrgicos da minha mãe,
mas foi uma delicia debater sobre critica genética 

Esse mês já tive mais assuntos para falar, congresso, Mostra de documentários africanos, inclusive um etíope muito bom e expectativa sobre a cirurgia da minha mãe, até que consegui me sair bem em tudo, com uma energia muito 2020, cheia de banho de sol. Acho que a coisa ficou mais difícil mesmo a partir do mês seguinte.

ABRIL- Cirurgia de mamãe e anais do Congresso APCG;
Na Páscoa com minha mão ainda não sabíamos quando ia ser a cirurgia

Em abril começamos bem, eu escrevi o texto para os anais do congresso de março e eu e minha mãe passamos uma páscoa feliz aqui em casa, tiramos fotos felizes, mas dias depois, naquela mesma semana, ela foi chamada para retirar a colostomia, que achávamos que seria mais simples. Como era contexto de pandemia, não pudemos acompanhar, só por telefone. A tensão era enorme, passei os dias aqui em casa, esperando uma ligação do médico, deu tudo certo e ela voltou para casa, muito debilitada. Ela precisava de cuidados todo o tempo, dei uma pausa nas caminhadas pois ela precisava de cuidados dia e noite, alimentação, precisava trocas as fraldas, ela sentia dores, estava ferida, incomodada, irritada, Muito tenso. Ninguém vinha me ajudar porque só ela, que é idosa, tinha se vacinado, então tive que me virar sozinha e acho que consegui me sair até bem, pelo que me lembro, não perdi a doçura e o bom humor ao lidar com ela, mesmo que ela, com toda razão, estivesse sempre uma pilha de nervos. Mas eu cansei muito esse mês. As máscaras caíram.

MAIO - Vacina Pfizer parte 1; Gabo, Acioli, Juan Rulfo e racismo e Jeferson Tenório;
Dei uma passada no posto e tomei a vacina
Estava gorda e descabelada, bem diferente da Camila soar de março.
Eu tinha pressa,  não podia deixar minha mãe sozinha!

Em maio a situação melhorou um pouco, ela deixou as fraldas, podia comer melhor, mas ainda estava fraquinha e continuava precisando de mim todo o tempo, não podia sair por muito tempo, então aproveitei para ler mais, reler realismo fantástico, Gabo e li o maravilhoso Pedro Páramo . No meio daquela situação tão tensa que passava em casa, continuando o tema da ancestralidade que abriu o ano, li o melhor livro contemporâneo de 2021, O avesso da Pele, de Jéferson Tenório que, assim que terminei de ler, soube que era diferente! Mas teve uma coisa ótima esse mês, eu tomei a vacina! Que emoção, quanta esperança!

JUNHO - Boa e má literatura latino americana; Bernardo Brayner; biografias com livros e Prince;
Lendo Bicho Geográfico, do meu amigo Bernardo Brayner

Junho foi parecido com maio, muito ocupada com mamãe, só dava tempo para ler antes de dormir, quis ler outros autores latino americanos, além do Gabo, li um contemporâneo que não gostei. Li um livro lindo , do meu amigo Bernardo Brayner, e fiquei nostálgica sobre como começou nossa amizade há décadas. Comprei a bio da Elza, que só fui ler em dezembro, e me apaixonei pelo Prince!

JULHO - Prince, morte e amor com Gabo; Trianon, capítulo de livro e Nicolai Gogol;
Estava frio, eu queria me esconder atrás dos livros

Nesse mês um capítulo de livro que escrevi no ano passado foi publicado, fiquei contente. Sai pra passear pela primeira vez na Pandemia, fui ao parque Trianon com meu amigo Rafael.
Só em julho as coisas começaram a melhorar em casa, minha mãe mais fortinha, o que me deixou enxergar o quanto eu estava acabada, gorda, sem vaidade, sem alegria, sem conversa, sem contato. Esse período foi de cárcere mesmo, só falava ao vivo com minha mãe e com a terapeuta a cada quinze dias. Um dia fui a farmácia para minha mãe, me pesei e vi que estava muito gorda, tinha descuidado muito de mim, não podia ter feito isso, ainda mais sabendo que nem podia sair para caminhar, chorei muito aquele dia e a sensação de que tinha ficado velha e feia em poucos meses não me abandonou o resto do ano, mesmo assim comecei uma dieta por conta própria. Minha alegria era ouvir Prince, tantos sons e musicalidades!

AGOSTO -Prince; Vacina Pfizer parte 2; voz literária de Odilon Esteves ;Paulo Scott incômodo; Jorge Amado; Stênio Gardel e aulas de Guilherme Arantes;
A palavra que resta de Stênio Gardel e Mar Morto de Jorge Amado
Leituras poéticas e lindas

Agosto ia ser o mês de tomar a segunda dose da vacina, estava com muita expectativa de poder me libertar mais um pouquinho. Foi um mês que eu tive que sair mais, tinha meus exames anuais para fazer e levava sempre um livro para me acompanhar. Podia ser um livro lindo e poético como o Mar Morto, do Jorge Amado ou A Palavra que resta, de Stênio Gardel, ou incômodo como O ano em que vivi de literatura , de Paulo Scott. Me vacinei no dia 20 e só em setembro poderia voltar a academia, tudo o que eu mais queria. Aprendi música com Guilherme Arantes no Facebook.

SETEMBRO -Fabiane Guimarães e os rich people problems; Live Pedro Bloch e humor infantil; academia; Tenda dos Milagres e Prince;
Minha felicidade em voltar a treinar é inenarrável

Muitos assuntos em setembro, o mais importante foi voltar a academia, isso significou que eu estava imunizada e que minha mãe estava melhor, mais independente e eu podendo cuidar um pouco de mim. Voltar a academia significou pegar sol, ver e interagir com pessoas, foi como nascer de novo. Mas também esse recomeço me mostro o quanto esses quase dois anos sem treinar me enfraqueceu! Eu não conseguia fazer muita coisa, pedia ajuda de Deus e dos Orixás pra não desistir, porque eu acreditava que como era antes nunca mais ia ser ser. Mas não desisti. Fiz live para falar da minha pesquisa de pós doc e li o pior livro do ano, Apague a luz se for chorar, da Fabiane Guimarães e também Tenda dos Milagres, outro maravilhoso do Jorge Amado. Nesse ínterim, aprendia cada vez mais sobre música com o Guilherme Arantes pelo Facebook e foi maravlihoso quando ele falo do Prince.
OUTUBRO - Adaptações de Tenda dos Milagres; Mostra de Cinemas Africanos; Artigo sobre Cinemas Africanos, Lygia Fagundes Telles; Encontro Critica Genética; Abraço no Prince;
Abraçando Prince


Teve Mostra de Cinemas Africanos, pena eu estar tão cansada, mas consegui assistir tudo: AMO!
Fui ver adaptações do romance Tenda dos Milagres como minissérie da Globo em 1985 e como filme de Nelson Pereira dos Santos em 1977, gostei muito da trilha sonora e de Nelson Xavier como Ojuobá Pedro Arcanjo na TV , embora a série tenha mudado tudo de lugar, ficou bonita, já o filme é mais fiel ao romance, mas destaco a cena em que Pedro Arcanjo explica porque, sendo um materialista, continuava frequentando o candomblé, é que ai vemos como esse personagem é uma espécie de alter ego do Jorge Amado e como eu, tantas vezes, me identifico com ele. Li o fantástico Antes do baile verde , da Lygia Fagundes Telles, participei de outro congresso de critica genética, mas como estava muito mais exausta do que em março, foi bem light. Foi meu aniversário e eu dei um jeito de, enfim, dar um abraço no Prince, meu crush!

NOVEMBRO -Nutricionista; Hilda Hist e Rosa; Jorge Amado e Saramago; Lima Barreto na Consciência negra; Congresso de Estudos sobre infância;J . Tenório vence Prêmio Jabuti; Marçal Aquino é bom, mas não tudo aquilo, Prince;
No dia da consciência negra, recomendei
a leitura de Lima Barreto

Continuava exausta no treino, procurei uma nutricionista para me ajudar a ter mais disposição, foi a melhor coisa que eu fiz, com orientação profissional, passei a me sentir bem melhor. Li o divertido A Descoberta da América pelos turcos, do Jorge Amado, com prefácio do Saramago. Recomendei que lessem "Clara dos Anjos" ou "Recordações do escrivão Isaías Caminha", de Lima Barreto se quisessem saber o que era "consciência negra". Participei de um congresso sobre estudos de infância na UERJ, falei do Pato Fu, mas senti que podia ter me saído melhor. Como suspeitei, O Avesso da pele começou a ser reconhecido, ganhou prêmio Jabuti de melhor romance literário de 2021 e eu vibrei! Li o recomendadíssimo "Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios", do Marçal Aquino e não achei nada de tudo aquilo que me falaram. Acontece! Continuei com Prince na cabeça e no coração.

DEZEMBRO - Publicação do meu livro, Vacina gripe, Dose de reforço contra covid, biografia da Elza Soares
Na live de lançamento do meu livro 

Em dezembro tomei muitas vacinas, contra gripe e a de reforço da covid, teve o lançamento do meu livro Escrevendo a lápis de cor: Infância e História na escritura de Guimarães Rosa, foi uma grande emoção.


O livro mesmo me chegou na véspera de natal, com um presente e foi lindo só li a biografia da Elza e ouvi muita coisa dela, em várias fases, depois escrevo melhor sobre.

Assim foi meu ano, que se encerra em poucas horas.
Que 2022 seja mais leve e mais alegre!



quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Balaço das metas para 2021


2021 foi um ano atípico, mesmo pensando em 2020, o ano da pandemia! Pra mim não foi nada fácil, especialmente porque tive que lidar com problemas que não eram só meus, foi um ano regido pela Oxum, muitas máscaras caíram e pude ver e sentir quem é quem ao meu redor. Consegui me sair até bem, mesmo tendo sentido minhas forças se esvaírem quase por completo, tive que me reinventar e termino o ano satisfeita porque consegui cuidar de quem precisou de mim e depois cuidar de mim mesma, como pede mamãe Oxum.

Como era o segundo ano da pandemia, as  metas que eu tinha traçado são as de sempre ou então são muito subjetivas, o que eu jamais esperaria é que eu vivesse um ano tão pé no chão, de trabalhos manuais, solidão e preocupações.  Hoje eu olho para 2021 e nem sei onde arrumei forças para atravessá-lo, mas atravessei. Vejamos as metas.

 1 - CONTINUAR VIVA:  META CUMPRIDA

 Essa é a meta da vida e no meio de um ano pandêmico, ela é a meta de todos, sempre. No meu caso, muito mais do que no ano passado, eu pensei muito nela durante o ano, quando me vi, sozinha, tendo que resolver problemas sérios, cuidado de alguém doente, tendo medo e paciência possível, vendo que , sem mim, não sabemos como outra pessoa teria sobrevivido, isso respondeu ao questionamento do ano passado: para que eu estou viva. Agora sei e, como desejei nas metas para esse ano, nem precisei me questionar tanto sobre isso. Cresci muito esse ano!

2 - ACHAR UM MOZÃO : META NÃO CUMPRIDA

Tudo bem que essa meta aparece todo ano e nunca é cumprida, mas esse ano, de verdade, nem procurei nada. Não tive tempo, nem auto estima para isso, embora nunca tenha lamentado tanto estar passando por tudo o que passei tão sozinha, como quase toda a vida, e  mais para o fim do ano, senti como se não soubesse mais o que é me interessar por alguém de novo, pedi ajuda a Hilda Hilst, que sempre manteve acesa a chama da paixão em sua vida e poesia. Não sei se me resolvi. Estou mesmo é cansada! 2021 foi tão desafiador, espero ter feito tudo bem para, quem sabe, merecer dias não tão tristes e solitários em 2022.

 3- TRABALHAR MAIS: META CUMPRIDA

 Faz tempo que tem essa meta nos anos, mas no meio da pandemia, não sabia nunca o que significava essa meta, com tanto desemprego, falências, fome. Precisei estar disponível full time boa parte desse ano, não tive tempo para fazer muita coisa, no começo do ano, ainda acompanhei congresso online pelo celular, da recepção do hospital, mas com o tempo não tive mais cabeça e disposição, fui ficando falida mesmo. Ao mesmo tempo, como consegui produzir muito em 2020, esse ano foi um ano de colheitas: publicações, artigos, palestras, até minha tese foi publicada em livro, meu primeiro livro, meu pai Oxóssi me presenteou com tanta prosperidade, vi meu nome estampado numa estante e pensei muito no meu pai, em como ele se orgulharia, mais do que todo mundo. Essa conquista, dedico a ele!  Que 2022 seja um ano de trabalho, da retomada da vida "mais normal" e recomeço de uma vida que eu quero para mim, depois de ter me anulado tanto tempo, por motivos de força maior.

4- TREINAR O MÁXIMO POSSÍVEL: META CUMPRIDA

Como esse ano foi o tão sonhado ano da vacina, tanto para mim quanto para minha mãe, em algum momento, no caso meu caso, no fim de agosto eu  estava imunizada com duas doses da Pfizer. A primeira coisa que eu fiz foi me matricular na academia. Tinha engordado muito, estava fraca, deprimida, achando que nunca mais voltaria ao que era antes, porque teve um período, um longo período, que nem caminhar eu podia mais. No começo foi muito duro, pessoas novas, horários novos, muita solidão e medo porque meus hormônios deram alterados. Achei que precisava de ajuda médica, procurei uma endocrino e uma nutri, precisava de disposição para continuar. Tem dado tudo certo, emagreci   e logo  me senti mais forte, mas minha auto estima não aumentou, ainda não tenho coragem de sair de casa. Espero que em 2022 eu continue melhorando.

5- BUSCAR OS SENTIDOS DA VIDA : META CUMPRIDA

Como disse acima, nesse ano complicado eu descobri um sentido da vida, um sentido até espiritual: tenho que cuidar da minha mãe, que é minha família. Que eu tenha força para isso, porque muitas vezes temo que não terei. Mas com fé em Deus e nos Orixás, vou levando a vida sa forma menos triste possível, em sintonia com minha ancestralidade em 2022.  




Em 2022 Oxum entrega  a regência do ano para Iemanjá, espero que tenhamos um ano mais amoroso, com mais carinho, estamos tão cansados, tão carentes! Merecemos!
Que venha 2022!

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Tomei a vacina contra Influenza: Viva o SUS!

 


Como alguns sabem, por causa do tratamento para controlar a EM, tenho que ter cuidado em relação a vacinas, porque meu sistema imune já não é normal e tem tendência a mandar inflamações para  atacar tudo e tentar se proteger, com isso ataca até meu próprio organismo!

Então, em geral, a ideia é evitar tomar as vacinas o quanto possível, só tomar em situações de exposição direta, com grande chance de contaminação e torcer pra todo mundo se vacinar.

Por isso nunca tinha tomado a vacina contra gripe, as outras pessoas vacinadas contra Influenza já me protegiam. Só no caso da vacina contra Covid 19 meus médicos foram claros: Tome a vacina , é uma pandemia!

No entanto, até por todo mundo ter estado em reclusão, eu em casa   por praticamente dois anos, sem muito contato com gente e com vírus, meu organismo não conhece o da gripe e estamos presenciando o início de uma outra epidemia no Brasil, a da gripe, com lotação de hospitais, mortes e tudo mais! Uma tristeza. 

Achei por bem vacinar, avisar meu corpo sobre esse vírus porque naturalmente, espero, ele não ia conhecer. 

Sei que essa vacina de 2021 não me protege 100% contra essa cepa da epidemia, isso só a nova vacina da campanha 2022 vai fazer. Mas até lá, meu corpo já vai conhecendo um pouco do vírus inimigos e na próxima campanha de vacinação vai estar preparado e vai dar tudo certo. 

Vacinação é um ato pelo bem coletivo e deve ser feito sempre que possível !

Por um 2022 com epidemias controladas e muita vacinação! Viva o SUS!


sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Presente de Natal: Meu livro chegou

 


Véspera de Natal, eu preparando a ceia com minha mãe e, de repente, chegou meu livro, que esperava só para o ano que vem! Veio grande e parquinho, com prefácio do Elias Thomé Saliba,  de presente de natal! Muitas emoções!

Claro que namorei ele um pouquinho e tirei fotinhas, porque dia 24 de dezembro não "nasceu" só Jesus, mas meu livro, primeiro livro, também!

Se você tem interesse em adquirir um, está à venda nesse link


Eu e Ele!


 

Leitores recebendo



















mais alta publicação do mês 
Divulgação pela Editora





segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

VACINADA : Dose de reforço

 



Hoje tomei a dose de reforço da vacina contra Covid. Viva a ciência, viva o SUS! 
Venceremos essa pandemia!

sábado, 18 de dezembro de 2021

MELHORES 2020 (Foi bem defasado, mas teve pelo menos um bicampeonato!)

 


Como no ano passado, passando  o meio de dezembro, já dá para contar as melhores coisas que, apesar de tudo, experimentei nesses meses pandêmicos. Sim, tem coisas que merecem um prêmio por me ajudarem nesses tempos tão difíceis. A diferença maior está mesmo nos quesitos, que tive que alterar ou anular, porque faltaram candidatos, mas  a maioria segue bem:

1 Rolê - Não teve! 

É verdade que agora, no fim do ano, tivemos festas, até uma festa do Bloco Lua Vai (vencedor de melhor rolê nos últimos três anos!), mas eu não estou saindo ainda e acabei nem indo. A vida não tá fácil, não, mas sigamos agradecendo por estarmos vivos e bem de saúde! Assim que as coisas acalmarem a gente volta a conversar sobre rolês.

Música/ musicista - Disco "Do cóccix até o pescoço", da Elza Soares /PRINCE

Como não foi um ano fácil, a princípio achei que eu, pessoalmente, nem tinha ouvido músicas, mas não é verdade, afinal música é vida! Aprendi muito sobre música acompanhando o perfil do Guilherme Arantes no Facebook, que muito generosamente, dividia com a gente parte do seu vasto conhecimento musical! Porque ganhei uma reforma em um PC velho que eu tinha aqui, com toda memória disponível, consegui baixar muita música, voltar a ouvir discos inteiros como se fossem uma música só, dai veio de tudo:  Discografia completa de Jorge Ben, Caetano Veloso, Roberto Carlos (essa é imensa), Michael Jackson, etc. Se ano passado ouvi muito samba, até porque passava em frente a uma roda quando ia caminhar,  nesse ano fiquei em casa ou academia e preferi os pagodes, muitos deles, como quando eu tinha 12 anos e já amava o Art Popular! Como escolher uma música? Para ser honesta, me lembro de pensar "quero ouvir isso agora" muitas vezes e não foi uma música, mas sim um álbum todo, o primoroso "Do cóccix até o pescoço", disco de 2002 da Elza Soares! Em que pese a maravilhosidade dos  últimos álbuns cheios de atitude da cantora, esse disco é uma delícia insuperável! Quem não se arrepia todo ao ouvir ela cantar "a carne mais barata do mercado é a carne negra"? Para mim é a prova que o grito já estava lá, desde sempre, mas em 2002 veio aveludado, e só se aperfeiçoa! Ouvi tanto que aprendi a cantar todas as músicas, algumas vezes até dancei sozinha em casa! Que sorte termos a Elza Soares! Elza, sua linda, a sua biografia foi o livro que escolhi para terminar o ano e meu 2021 também é seu, vesti sua camisa!

Sobre o musicista do ano, até poderia ser o Guilherme Arantes, pelos motivos que expliquei acima, mas se não foi ele, pelo menos foi alguém  que voltei a ouvir com mais acuidade por causa  de um post do  Guilherme, inclusive. Falo de  Prince Rogers Nelson, meu crush! Quando Prince estava vivo, fez show no Brasil, eu era uma criança que ouvia Ilariê, não fazia ideia do tamanho da genialidade desse cara! Nesse ano, já bem madura, me deliciei não com discos (ainda é difícil ter acesso aos discos de Prince, mesmo com ele morto!), mas assisti zilhões de vezes a todas as apresentações ao vivo disponíveis no Youtube e, juro, me encantaram sempre de novo e de novo! Não só pelo SOM maravilhoso, mas também pelas performances, era SHOW mesmo, na concepção própria da palavra! Em outubro, até a camisa da sua apresentação no Super Bownl em 2007, com aquelas cores que só ele sabia usar, aquela delicadeza, todo o charme! Escolhi essa camisa porque, com ela, eu posso abraça-lo, como na foto, pois ele  foi mesmo minha paixão de 2021.Quanto amor ! 

Visti a camisa deles em 2021 ❤️💜

3 Livros -" Pedro Páramo", de Juan Rulfo e  "O Avesso da Pele", de Jeferson Tenório



Como postei aqui, li muito nesse ano em cárcere e muitos livros ótimos, não deu para escolher somente um, então elegi dois, um clássico e um contemporâneo. O contemporâneo já tinha escolhido assim que terminei de ler, só estava esperando para ver se leria um melhor, o que não aconteceu. Quando ele venceu o Prêmio Jabuti de melhor romance literário 2021, eu só pude dizer "Grande coisa, esse prêmio aqui do Pequenidades ele já tinha levado faz tempo. Que livro lindo e importante, que mensagem significativa : se o racismo mata a alma, a literatura pode ajudar a sobreviver! Que leitura MARAVILHOSA!



Mas achei muito chato botar esse livro lindo de Tenório, tão atual, para concorrer com "clássicos" como Jorge Amado e Gabriel Garcia Márquez, Lygia Fagundes Telles, que foram autores que li e reli mais um volume esse ano, inclusive. Então percebi que tinha encontrado uma obra para a qual eu tinha me preparado toda a minha vida de leitora, que é o excepcional "Pedro Páramo", do mexicano Juan Rulfo. Ele, que influenciou tanta gente que eu amo, precursor do "realismo maravilhoso" na América Latina, de Gabo ao Guimarães Rosa, chegando até a um autor europeu como José Saramago, e ligou os pontos e me fez mais feliz. Que livro importante, todos amantes de literatura deviam conhecer. 


4 Filme - Descobrindo Sally, Canadá/Etiópia, 2020 dir Tamara Dawit

Descobrindo Sally

Esse ano vi poucos filmes, só os da Mostra de Cinemas Africanos mesmo, gostei muito de vários. Posso destacar  o belo sudanês "Você morrerá aos 20" e o intrigante e surpreendente filme ugandês "A garota do moletom amarelo" , que me inspirou até no look que usei no meu aniversário em outubro
Garota do moletom amarelo! 

Mas para explicar o motivo de que um documentário da etiópia tenha sido escolhodo como meu filme favorito do ano devo lembrar de uma conquista, um  grande presente que recebi logo no início de 2021, que  foi o resultado do meu exame de DNA Ancestralidade, que comentei aqui, no qual reconheci minha linhagem muito brasileira: ibérica e africana. A parte africana é traços em vários lugares, mas para minha alegria, está no meu DNA inclusive a África Oriental, minha Etiópia que tanto admiro. Precisava saber mais desse lugar de gente dourada e esse ano li literatura e assisti filmes que me ensinaram muito sobre aquele lugar, sua história tão diferenciada, inclusive se pensarmos na África. Quando assisti esse filme pensei que era o filme africano que eu sempre sonhei assistir. Adorei.

5 Foto - Vacina! 


Desde o início da pandemia essa era a foto que todo mudo queria tirar, ela significa tanta coisa, significa que estamos sobrevivendo à pandemia, com a ajuda da ciência e do SUS! Não importa se eu não estava bonita naquele dia, pois eu vinha de meses de sofrimento e a vacina me deu esperança, força e vontade de viver de novo. Depois até tomei outras doses para reforço, mas essa, a primeira, foi a imagem do ano!  

6 Bebidas/Comidas - Pipoca (Bicampeonato), desta vez com canela 


Nesses anos pandêmicos tudo o que queremos é buscar saúde e isso foi louvado nas pipocas como comida do ano em 2020 e 2021: Atotô Obaluaê! Esse ano descobri temperos possíveis e canela deu a pipoca um sabor diferencial, como se fosse um doce, uma sobremesa, que deu sabor e perfume e garantiu que essa praga ficasse longe desta casa! Gratidão infinita a Deus e aos orixás!

7 Shows/Lives - A do lançamento do meu livro!


Ao contrário do ano passado, quando fiquei grudada nas lives, em 2021 eu estava mais cansada das telas e participei ou acompanhei poucas, mas a mais importante foi que tratou da minha grande conquista do ano: a live do lançamento do meu primeiro livro. Na verdade , é a tese sobre infância nos contos de Guimarães Rosa em forma de livro e foi muito bacana falar um pouco sobre esse trabalho que eu fiz com tanto carinho e , este anos depois da defesa, foi publicado, no mesmo ano em que  o prêmio Jabuti de melhor livro infantil e também de o livro do ano foi dado a a obra "Sagatrisuinorana", de João Luiz Guimarães, que trata sobre as tragédias de Brumadinho e Mariana e a importância de preservar o meio ambiente a partir da fábula dos 3 porquinhos e  é também  uma homenagem ao Guimarães Rosa, ou seja, 2021 foi o ano de destacar a infância na obra do nosso autor mais importante (para mim).

8 Roupas e acessórios - Luvinhas de treino


No segundo ano de confinamento, só ficava em casa e quase só usei roupas ou makes antigas mesmo. A novidade foram essas luvinhas de treino para evitar calinhos nos dedos. Para mim elas simbolizam muita coisa: meu retorno os treinos, minha esperança em um futuro melhor, longe da pandemia. Melhor roupa!

9 Conquista do ano - Meu primeiro livro foi publicado! 

Em anos pandêmicos, a melhor conquista é estar vivo, com saúde, que fique bem claro, porém no meio disso tudo, 2021 foi marcado pela publicação da minha tese em livro, sobre a qual já falei acima e isso é um presente para mim e o encerramento, com chave de ouro, da parceria de estudo e amor que eu firmei com Guimarães Rosa lá em 2005, que me ajudou a suportar a Esclerose Múltipla, o racismo, o isolamento, e tantas amarguras da vida. Muito, muito obrigada a vida e a esse autor sensacional,  mesmo! 

10 Preto do ano - Não teve !


Como esse ano não teve rolê, também não teve teste drive, então passei sem pretos na jogada. Que 2022 me traga de surpresa um gato preto na medida para minha alegria !

Parabéns a todos! Que venha 2023!


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Lendo biografias

 


Como já disse, biografia não é um o tipo de livro que eu mais gosto, mas já li alguns na vida. 
Nesse posto eu destaco algumas que li (ou estou lendo) desde 2017, quando comecei a me interessar mais pelas questões de negritude. Depois comecei a escrever alguns textos sobre a presença (muitas vezes oculta) da herança cultural negra nas canções brasileiras e algumas biografias me interessaram nesse campo. Nesse ano, por conta de um trabalho que em breve será publicado, tive que ler muito sobre Lima Barreto, nosso grande escritor negro, e por isso li as duas biografias dele! 
No total falo aqui de  cinco livros no total, tratando de três personagens brasileiras negras, que se destacaram no campo cultural.

Destes, o primeiro que li  foi a bio do Tim Maia. Mas como não gosto tanto de bio, eu demorei para começar e terminar de ler, como comentei aqui .  Tim é uma figura fascinante e ler sobre sua vida, ouvindo suas canções, foi uma delicia dobrada. O mais importante que levei ela foi o destaque ao Jorge Ben, meu grande amor! Dele, se houvesse uma biografia, eu também leria!

A segunda bio que li foi a do Martinho da Vila, aquele livro lindo, que comentei aqui , aliás esse comentário, comparado ao não comentário sobre a bio de Tim Maia, marca um avanço da minha visão sobre essas questões, mostra de que de tão inicial lá no começo, desabrochava em problemáticas reais, o que me emocionou de verdade. Conclui que Martinho, que tanto fez pela negritude, tinha essa face oculta, desconhecida pela maioria, que o considerava um simples sambista qualquer (como se fosse pouco), mas nesse sentido,  sua  biografia, por si só, é uma apologia a cultura negra do Brasil. 



Sobre o Lima Barreto, também foi uma paixão recente, que as biografias fizeram aumentar muito. Embora a primeira, escrita por Barbosa, seja mais gostosa de ler, a mais recente, pela Lilia, é um estudo mais detalhado,  quase uma enciclopédia e Lima muito mereceu.

Sobre a da Elza, falo dela quando terminar a leitura ... mas já adianto que é muito bom ler essas biografias porque elas, sim, contam histórias que, sem elas, estariam fadadas ao esquecimento, e esses livros são um capítulo importante da história dos negros no Brasil