quarta-feira, 30 de setembro de 2026

ASSUNTO DE TERAPIA

 

Camilinha tinha um desejo


ASSUNTO DE TERAPIA: Na minha última sessão, dolorosamente,  apareceu uma palavra que representa um dos meus monstros internos mais terríveis... Eu lembrei e citei de cabeça um trecho de uma das obras mais importantes para mim:


"Todas as crianças têm uma fada a quem podem pedir a realização de um desejo. Mas só poucos são capazes de se lembrar do desejo que formularam; e por isso só poucos reconhecem mais tarde, ao longo da vida, que seu desejo foi satisfeito. Eu sei qual foi o meu..." Walter Benjamin, Infância Berlinense.


O desejo da Camilinha era justamente eliminar daminha vida aquela palavra-terror e tudo o que ela representa.

Porém, se ela apareceu na minha sessão agora, às vésperas dos meus 47 anos, só comprova que ou  minha fadinha se atrasou ou se esqueceu. Mas eu não esqueci, e dói cada vez mais, afinal nunca abrimos mão de um desejo! 


terça-feira, 29 de setembro de 2026

INSTRUMENTAL: Irmãos e brothers

 


Sesc Instrumental hoje: irmãos e brothers





Fui de Murakami embaixo do braço 

Eu estava até animada; afinal, era um show de samba-jazz com influências africanas e tal.


No começo foi uma delícia: um jazz bem legal. A plateis não era das melhores, não esperava a música acabar pra aplaudir, parecia família em festa de escola. O pianista contou uma historinha de como foi agraciado por uma ajuda divina... Achei desnecessário! E, com o passar do tempo, o show foi ficando um pouco monótono, com músicas enormes (jazz...). O rapaz ao meu lado até cochilou.


Até que o som ficou um pouco ruim, ou talvez meus ouvidos estivessem meio fechados, e, quando bateu 20h, terminou uma música e eu fui embora.


Não foi o retorno ao Instrumental que eu sonhei, depois de um longo e tenebroso inverno, mas foi bom rever amigas!



"IQ84" de Murakami: primeiras impressões de leitura

 



PRIMEIRAS IMPRESSÕES DE LEITURA DE ​IQ84 volume I 

Lançado no Japão em 2009, o primeiro livro da trilogia só saiu no Brasil em 2012, e nesse volume temos duas histórias contadas em vinte e quatro capítulos alternados: uma é da jovem Aomame; a outra é do professor e escritor Tengo. Passadas entre abril e junho do referencial ano de 1984 (além do título, o livro clássico de George Orwell é citado logo no início desta obra. Lembro que é em 1984 que também acontecem outras histórias de Murakami, como a da obra-prima "Crônica do pássaro de corda").

​Estou na metade e adorando sentir o gostinho do ambiente do autor, mas sei que tem muito a acontecer neste e nos próximos volumes, mas por enquanto as histórias de Tengo e Aomame se tocam muito transversalmente e a única coisa que os une é certo estranhamento em relação à percepção da realidade que ambos sentem, especialmente Aomame, que chega a formular não estar mais em 1984, mas em 1Q84, onde o "q" seria uma dúvida. Será que ainda nesse volume as histórias de Tengo e Aomame se aproximam? A saber.

​Não sei classificar esse romance, afinal ele acontece no passado, entao não sei se posso chamar de distopia, também não é uma ficção científica... talvez uma fantasia beem realista (temos nele uma abertura no tempo cronológico) vamos ver por qual caminho ele vai se desenvolver.

Estou adorando habitar novamente o AMBIENTE  MURAKAMI.

domingo, 27 de setembro de 2026

Vida e morte Madalena, Guto Parente,



 VIDA E MORTE, MADALENA (2025), de Guto Parente

Acabei de assistir a Vida e Morte, Madalena no CineSesc. É um filme bastante experimental, mas achei muito divertido. Dei várias gargalhadas, como já esperava de uma produção vinda do Ceará.

O roteiro é típico de apaixonados por cinema: cita Kubrick e Fellini e retrata pessoas capazes de trabalhar quase sem salário, de dar a vida,  e a morte, pelos filmes. A história começa no velório do pai de Madalena, realizado dentro de um cinema, já que ele foi cineasta. Ao mesmo tempo, descobrimos que ela está grávida e produzindo, ao lado do marido, o último filme escrito pelo pai. Estão ali as três grandes chaves da obra: morte, vida e criação.


O roteiro herdado do pai é uma ficção científica de baixo orçamento,  ambientada nas areias cearenses. Essa combinação rende alguns dos momentos mais engraçados do filme. Como acontece com qualquer filmagem, os perrengues aparecem, smas, para Madalena, concluir aquela obra é uma questão de honra, em memoria de seu pai.

Mesmo tantas vezes sozinha, Madalena segue determinada a parir tanto seu filho quanto seu filme. 

Viva o cinema!


Partideiros pro mês não ficar sem samba




Voltando a esse espaço gostosinho no metrô Penha , original sede de time de futebol



E eu tentando usar roupa azul



 Ainda um pouco enferrujada,  curti um pouquinho de samba com os Partideiros do Maria Zélia,  no Quintal do sambar na Penha,  numa tarde ensolarada. 

Sempre é bom fazer algo que a gente gosta. 



quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Murakami mexendo as peças do meu tabuleiro

 



Murakami mexendo as peças no meu tabuleiro: 


" Sim, estou magoado. Muito, profundamente. Kino disse a si mesmo e chorou."

( Haruki Murakami. KIino, in "Homens sem muheres")


Não há nada muito espetacular, não  mesmo. Na verdade é a história mais banal do mundo, na ficção então,  praticamente um cliché: alguém ferido tranca o coração,  tenta seguir em frente, procura ser forte e maduro. Até  que consegue. 

Mas , certa madrugada, escuta batidas insistentes na porta. Sabe quem bate : É aquilo que tentou reprimir 💔

Abre a porta? Ainda consegue abrir?

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Tecnologia em IQ84, de Murakami

Processador de texto 1984.
Google imagens 


Sorrateiramente, comecei a ler o primeiro livro da trilogia de Murakami. Nele, o personagem Tengo, que faz trabalhos avulsos para uma editora, recebe uma ordem de seu editor: comprar um processador de texto.

Mas o que seria isso em 1984?


Perguntei à IA se era algo equivalente a uma máquina de escrever. A resposta foi que não exatamente. Enquanto, nas máquinas de escrever, o texto era impresso simultaneamente ao processo de escrita, os processadores de texto permitiam que ele fosse armazenado e corrigido antes da impressão final.

Numa época em que os manuscritos começavam a ser digitalizados, esses aparelhos funcionavam como notebooks usados exclusivamente para escrever. Estavam no meio do caminho entre as máquinas de escrever e os computadores mais complexos do século XXI, com Word e outras aplicações.

Bem interessante!