domingo, 5 de julho de 2026

A METAMORFOSE

 

Quando li novembro 2026


METAMORFOSE:Li Kafka na íntegra no fim do ano passado, muito por causa de Murakami. Foi providencial, porque este ano, nos últimos meses, tenho me sentido como o Samsa original de Kafka, transformando-me em outro ser como nunca antes havia sentido. Nem na adolescência!
Parece que a vida está mudando minhas formas e me recolocando em outros lugares do tabuleiro. Mas agora já tenho a leitura de um clássico para me amparar. Por isso é verdade: ler um clássico, ainda que tardiamente, é muito melhor do que não ler um clássico!
Quem sabe, em breve, eu não volte a me sentir como Samsa, mas como o apaixonado de "Homens sem Mulheres" 🤎, de Murakami, que descobriu, ou redescobriu, o motivo pelo qual passou a existir! Veremos.


sábado, 4 de julho de 2026

Comecei a ler "A moreninha", de Joaquim Manuel de Macedo

 


LENDO A MORENINHA (1844) Ousei parar para ler novamente o romance de Joaquim Manuel de Macedo. Não digo reler, porque só tinha feito leituras escolares dele. Agora sou uma leitora mais madura e a dúvida era se um texto de 1844, ícone do romantismo brasileiro, chamaria minha atenção.

Peguei um exemplar de uma coleção de leituras para vestibular que eu tinha em casa e certamente nunca tinha aberto para ler (quando li, na escola, foi um exemplar da biblioteca). Estava limpo de intervenções, mas já estou deixando minhas pegadas de leitora.

Amei fortemente o começo, “Duas palavras”. É uma introdução incrivel e divertida e parece muito "moderna" pra época,  com seu tom de conversa prosaica, um dedo de prosa, dividindo um café com o leitor . Nela , o jovem narrador se apresenta, explica os motivos da escrita e o tipo de texto: “algumas palavras escritas que ele ousou  chamar de romance”. Nesse tom ele se aproxima do leitor, cria uma intimidade para gerar empatia antes de afirmar que o livro é como uma filha, uma criança de seis meses de idade, pedindo tolerância com suas imperfeições. Nessas alturas, como pode o leitor fazer um julgamento duro? Kkkk Que malandrinho esse senhor Augusto! Kkk

Novamente estou lendo um livro e gostando mais do que eu esperava! Que matavilha, 2026!

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Glintch: nada demais na sciecefi!




​Talvez por ser ficção científica, a Netflix me indicou a série Glitch (2015) e eu a maratonei. Não porque ela seja do tipo viciante, mas porque me divertiu mesmo. Trata-se de um produto desenvolvido para a TV australiana (como é bom ver um ambiente diferente dos EUA!) e conta a história de sete defuntos que levantaram do túmulo. Mas não se trata de uma série de zumbis ou terror: a tentativa de explicação, nem sempre desenvolvida com sucesso, vem primeiro da ciência, de um possível erro em experimentos com células-tronco, mas que deu origem a muitos conflitos, afinal, nenhum ressuscitado tinha deixado suas pendências resolvidas quando morreram na pequena cidade de Yoorana  e usam a segunda chance pra se resolverem . No polêmico final, do qual devo ter sido uma das poucas pessoas que até gostou no contexto aerado do roteiro, foi o mais perto de um final feliz possível, onde vida e morte se enfrentam.


​Não é um roteiro robusto, nem mesmo uma execução de encher os olhos. Não se compara às melhores séries de ficção científica, como Dark, mas me distraiu por algumas horas... passou meu tempo divertidamente.

UM PLUS : Assistindo essa série lembrei muito dos "ressurgidos" romance "oração para desaparecer" , de Socorro Acioli... especialmente pela forma como os sujeitos ressurgem da terra e depois ficam como corpos vazios de memória, consciência, significados...no livro a protagonista ressurgindo precisou até encomendar uma história do " vendedor de passados "...


segunda-feira, 29 de junho de 2026

EU LI "EU, robô", de Isaac Assimov

 


​Confesso que a iniciativa partiu do filme de 2004, de mesmo título, dirigido por Alex Proyas e estrelado por Will Smith, e gostei mais do que imaginava. Meu interesse era observar como os anos 2000 imaginavam a interação do ser humano com a tecnologia, e me surpreendi ao notar que muita coisa já é realidade para nós.

​Então, peguei emprestado na biblioteca do SESC Pompeia um belo exemplar de 2014, da editora Aleph, desta obra de 1950, que reúne contos publicados por Asimov em revistas científicas na década de 1940! Para amarrá-los em formato de livro, o autor traz a personagem Susan Calvin, psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc., que comanda os trabalhos na virada do século XX para o XXI.

​Esses interessantes textos apresentam robôs muito desenvolvidos, dotados de "cérebros positrônicos", que devem seguir as Três Leis da Robótica:

​"1ª. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido. 2ª. Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei. 3ª. Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei." (p. 65)

​Tudo parece muito bom e seguro, mas o autor escreve essas histórias mostrando o quanto a aplicação dessas regras pode causar conflitos.

​Como exemplo, destaco duas narrativas:

​Em "Razão", o robô Cutie não sabe quem ou o que o criou, mas sabe que existe, já que é capaz de pensar e concluir que é muito melhor que um humano e, portanto, deve substituí-lo na liderança.

​Em "Mentiroso", Herbie é capaz de ler mentes. A partir disso, conclui que elas são muito mais complexas do que qualquer levantamento de dados e, por isso, prefere ler romances a relatórios científicos. O impasse começa quando, sabendo o que as pessoas pensam, para obedecer à Primeira Lei ele decide nunca dizer coisas que possam ferir seus sentimentos, mesmo que precise mentir. Muito parecido com o modo como interagimos com as IAs sempre agradáveis da atualidade!

​Claramente, a intenção da literatura de Asimov não é simplesmente louvar o avanço tecnológico. Pelo contrário, é justamente apontar o quanto essa tecnologia pode questionar a existência das máquinas e do próprio ser humano, tornando a obra um material profundamente filosófico.

domingo, 28 de junho de 2026

DE VOLTA AO SAMBA 2026

 



Mais da metade do ano já passou, e junho de 2026 marcou o retorno do meu amado samba à minha vida. Para quem não passava uma semana sem ele, a abstinência não foi fácil, mas a pausa terminou e voltei com três sambas no mês mais gelado até agora.
O primeiro foi um churrasco em Niterói, meu primeiro samba no Rio de Janeiro, no dia 12 de junho. Foi do jeito que eu gosto: conduzido por um conjunto de excelentes instrumentistas, com ótimo repertório e muita expertise. Nessa roda, toda sublinhada pelo iluminado som da flauta como nas apresentações ao vivo do Rei Zeca Pagodinho, ouvimos muitos sambinhas do Chico Buarque, que toca pouco ou nada em São Paulo, clássicos como "Poxa", de Gilson de Souza, muitos Cartolas e "O Sol Nascerá", de Nelson Cavaquinho. Foi muito chique!
De volta a São Paulo, tive um fim de semana de Comunidade do Samba no Maria Zélia. No sábado, 27 de junho, mais um Terreiro de Crioulo. Mais um samba carioca, só que nos moldes do Cacique de Ramos. Muita coisa mudou no Terreiro. Já não vi nenhum dos instrumentistas que tanto admirava. Vieram outros. A roda ,de samba,  gira e o samba permanece. Só sei que até sambei e cantei "a alegria de não estarmos sós".
No domingo, 28, foi o aniversário da sambista, cantora e amiga Silvana Truva, e também um tímido retorno do Encontro das Rodas de Samba dos Partideiros MZ. E foi no Maria Zélia. Muito tempo depois, tudo diferente, e eu nem vi nem ouvi os Partideiros. Mas voltei, e o samba me abraçou de novo.
AMO ❤️

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Por trás dos seus olhos , Minissérie NETFLIX

 
         


POR TRÁS DOS SEUS OLHOS : Maratonei a minissérie inglesa da Netflix nesse fim de semana. Tinha expectativa , pois é uma série de suspense psicológico que gira em torno de um psiquiatra, sua bela e perturbada esposa Adele  e sua  secretária descolada Louise.. Achei que ia pirar o cabeção, mas foi bem morna e o final achei muito ruim. Ao invés de abordar a  complexidade da mente humana, preferiu partir pra temas como uso de drogas e experiências sobrenaturais. Não é meu tipo de narrativa. 


Uma coisa de bom trouxe dessa experiência,  os looks usados pela atriz britânica  Simona Brown, que interpreta a protagonista negra Louise. Ela lembra muito a Camila que fui às vésperas dos 30 anos e a paleta de cores de seus looks é minha preferida: Rosa, verdes, amarelo, laranja ... fotografei os melhores looks,  amei!




Muito inspiradora a Louise. É difícil encontrar personagens negras e lindas assim nos streamings. Foi um deleite e uma inspiração. 



A janela indiscreta, Alfred



Acreditam que eu nunca tinha assistido ao famoso filme de Hitchcock? Fui ver esses dias. Já tinha começado a ler o conto "It Had to Be Murder"(traduzido como "A janela indiscreta"), de Cornell Woolrich, mas não quis terminar para não tomar spoiler, porque queria assistir ao filme primeiro. Foi uma decisão acertada, afinal agora posso terminar de ler o texto.

Uma questão que me chamou atenção no conto, mesmo eu só tendo lido as primeiras páginas, é a atenção dada ao ponto de vista do narrador. A história do homem imóvel, preso à janela do seu apartamento e que só pode observar a vida de seus vizinhos se desenvolvendo através daquela janela, é um ótimo recorte visual; quase pediu para ser filme.

Lembro que, no texto, ele começa observando que não conhecia nenhum dos vizinhos, não sabia seus nomes, nunca tinha ouvido suas vozes. No entanto, podia acompanhar, meio que de perto, o desenvolvimento de suas vidas. É como um experimento laboratorial, e os vizinhos, suas cobaias. Tudo isso é, de algum modo, explorado com imagens no filme.

Valeu muito a pena assistir, enfim, a esse clássico dos anos 1950, onde todo mundo bonito tinha os olhos extremamente azuis. Destaque para a exuberância inquestionável de Grace Kelly no papel de Lisa Fremont, noiva do fotógrafo L. B. "Jeff" Jefferies, personagem interpretado por James Stewart. Jeff é um fotógrafo indeciso sobre se deve ou não se casar com uma mulher tão performática, e que vai, aos poucos, se mostrando mais sensível e inteligente do que ele poderia suspeitar. E livre! Decide, por si mesma, dormir em sua casa. Para uma mulher solteira da época, isso deve ter sido um choque.

Agora vou procurar novamente o conto e terminar a leitura para ver se vale uma comparação mais aprofundada. Por hora, foi muito bom assistir a esse clássico de Hitchcock.