sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

"Túmulo dos Vagalumes", Isao Takahata

         

Lançado em 1988 pelo Studio Ghibli, Túmulo dos Vagalumes é dirigido por Isao Takahata e baseado no livro homônimo de Akiyuki Nosaka. A animação acompanha os irmãos Seita e Setsuko tentando sobreviver no Japão durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, em uma narrativa delicada e devastadora sobre amor, perda e a fragilidade da infância em tempos de guerra.

Depois de muito adiar, finalmente terminei de assistir à animação e confesso que a primeira sensação foi de vazio e profunda tristeza, porque é uma história real. Akiyuki Nosaka realmente perdeu a irmã mais nova por desnutrição durante a Segunda Guerra, e é quase intolerável acompanhar a atrocidade destruindo a delicadeza do olhar infantil sobre a vida.

Mas o filme não é só isso. Ao recontar essa história, a animação a preenche com a magia do amor entre os irmãos. Quando Seita percebe que a guerra levou a família inteira, a mãe e o pai, e que restaram apenas ele e Setsuko, sofrendo de fome e desnutrição, o jovem cria pequenos milagres cotidianos para a irmãzinha: brinca na praia, faz malabarismos, mistura balas de fruta como se fossem um tesouro, brinca com os vaga-lumes, arranca risos dela. Tudo porque sabe que podem não sobreviver e que é urgente transformar cada momento em algo único. E consegue encher de encantamento seus últimos momentos de vida.

Essa história, que foi cruel e implacável, nos deixou, ainda assim, essa triste joia do Studio Ghibli. Sei que, por muito tempo, ainda vou ouvir o alegre riso de Setsuko chamando o maninho para brincar com os vaga-lumes, e isso é muita coisa.

 


O DRAMA MENSTRUAL DE JANE AUSTEN (2025): Indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem no Oscar 2026, O Drama Menstrual de Jane Austen (2025), dirigido por Mariana Whitaker, está disponível no YouTube.

Nele acompanhamos a história da srta. Estrogênia Talbot, interpretada por Julia Romano, que menstrua justamente durante um pedido de casamento feito por Edmund Ashford, vivido por Thomas Ellery. Ao perceber o sangue, Edmund acredita que a jovem está gravemente ferida. Estrogênia, então, decide explicar o que realmente está acontecendo, o que dá origem a uma sucessão de situações cômicas impagáveis.

Muito bem produzido, com grande elenco para um curta, figurino impecável e imagens belíssimas da natureza, o filme é uma divertidíssima aula sobre questões femininas, tema sobre o qual ainda se fala pouco, até hoje.

A narrativa é sucinta e não necessariamente precisaria se estender mais. No entanto, caso houvesse alguns minutos adicionais, talvez até mesmo as piadas já incríveis alcançassem um efeito ainda mais potente. Recomendo vivamente que assistam.

Um apontamento interessante: este é um filme sobre questões de mulheres, no qual os homens entram sobretudo para observar e aprender. Já em Cantores (2025), outro curta que assisti recentemente e que concorre ao mesmo prêmio, o tema é exclusivamente o universo masculino.

Eis mais uma disputa entre homens e mulheres na qual ambos saem ganhando, com filmes excelentes.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

RAINHA Charlotte: uma história de Bridgerton


RAINHA CHARLOTTE Uma História de Bridgerton

Depois de terminar a encantadora primeira temporada de Bridgerton lançada em 2020, com seu Duque inesquecível interpretado por Regé-Jean Page, em vez de continuar acompanhando a segunda temporada, decidi pular direto para o spin-off sobre a história de uma mulher forte na História, a Rainha da Coroa inglesa da era georgiana.

Foi uma decisão acertada. A minissérie lançada em 2023 não apenas mantém tudo aquilo de lindo que amamos nos primeiros episódios de Bridgerton, como cenários, figurino, atuações excelentes, como também se destaca especialmente por apresentar uma narrativa mais fechada, centrada no aprofundamento de temas apenas sugeridos na série original, como a possibilidade da entrada de nobres africanos no convívio social da corte inglesa da época.

A partir do foco em Charlotte, acompanhamos excelentes interpretações da personagem em diferentes fases da vida. A jovem Rainha Charlotte é vivida por India Amarteifio, enquanto a versão madura da rainha é interpretada por Golda Rosheuvel, personagem já conhecida de Bridgerton. Essa construção em duas temporalidades fortalece o drama e dá densidade emocional à história.

Destaco também a atuação das atrizes que viveram Lady Danbury. A personagem aparece jovem, interpretada pela LINDÍSSIMA Arsema Thomas, e mais madura, vivida por Adjoa Andoh. Com suas roupas coloridas e elegantes, Lady Danbury não apenas imprime um forte toque africano à série, como se torna um de seus eixos centrais, tanto político quanto emocional.

A aposta na ideia de que a Rainha Charlotte teria, de fato, traços africanos, hipótese levantada por historiadores contemporâneos, funciona muito bem como sustentação para a ficção. Ainda que seja impossível afirmar com certeza o que realmente ocorreu, para os propósitos da minissérie essa escolha foi acertada .

Gostei tanto que cheguei a me sentir  a própria Rainha Charlotte de COROA e roupas coloridas  kkkk.

Essa comparação ficou melhor kkk


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

BRIDGERTON : Primeira temporada

 


ANTES TARDE DO QUE NUNCA Terminando a primeira temporada de Bridgerton (Netflix). Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor) e Simon Basset (Regé-Jean Page): um casal fofo numa Inglaterra georgiana possível. A temporada foi baseada no livro "O duque e eu", de Julia Quinn. A mocinha  é adolescente, tipo “Moça com Brinco de Pérola”, e ele… ah, como é lindo esse Duque! Nem ia  comentar detalhes, mas a carinha dela, (muito boa atriz) de olhos bem abertos na noite de núpcias é impagável 😂 😍




 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

GHIBLI FEST 2026

 


GHIBLI FEST 2026: Estamos em época desse festival de cinema dedicado ao lendário estúdio japonês responsável por animações mundialmente conhecidas como A Viagem de Chihiro. A mostra faz parte da celebração dos 40 anos do estúdio e exibe longas-metragens produzidos pelo Studio Ghibli nas telas grandes do cinema, muitas vezes em versões remasterizadas. Neste ano, entre 19 de fevereiro e 4 de março, em diversas salas de cinema do Brasil, acompanhamos a segunda edição do evento, com mais de 20 filmes preciosos.
Tive a oportunidade de conhecer a mostra e assistir ao filme Nausicaä do Vale do Vento (1984), de Hayao Miyazaki, que acompanha a história da princesa Nausicaä que é  uma pequena heroína e mesmo sem nenhum apelo erótico, vive  voando no vale dos ventos de sainha curta e sem calcinha, mostrando o bumbum eventualmente, em um mundo pós-nuclear, tenta proteger soeu povo de uma floresta tóxica habitada por insetos gigantes. Se pudesse, veria mais filmes.




O CINE UFF perguntou minha opinião e eu respondi :
"Gostei de "Nausicaã do vale do vento"( 1984), primeiro filme de Hayao Miyazaki que assisti. Não é tão sublime quanto outros clássicos do Studio Ghinli como "a viagem de Chiriro", mas interessantíssimo , afinal mostra um futuro possível pós apocalíptico (no caso do Japão, pós ataque nuclear) onde a possibilidade de permanência só se consolida com o combate a elementos tóxicos/ contaminados, o que infelizmente é mais verdade para os anos de 2020 do que gostaríamos."


domingo, 22 de fevereiro de 2026

"Morro dos ventos uivantes" 2026 Emerald Fennell

 

Cartaz ao modo "E o vento levou"


Assistimos ontem a  adaptação dessa história trágica, mais sombria do que romântica, e esteticamente bela. Apesar de ser um filme assumidamente sensual, passa a sensação de  possibilidade erótica o tempo todo, é fato que não há nudez, nem nada muito explícito, tudo sempre muito elegantemente contado. Muito mais do que ventos uivantes, temos chuva /tempestades. A fotografia é belíssima e melancólica, como combina com a história.
Nada como pegar um cineminha 

Os protagonistas estão muito bem em seus papéis e o filme cumpre o que se espera de uma tragédia no desfecho: a sensação de que, seja lá o que for o amor, ele não é essa relação intensa marcada por paixão, dominação e controle.
Um ponto positivo é atuação das duas atrizes principais. 
A pupila Isabella ,de Alison Oliver ,é o respiro cômico e ao mesmo tempo a manutenção da crueldade e domínio de poder. E especialmente a  protagonista Cath, de Margot Robbie, sempre dramática, linda ,perfeita e cruel, especialmente em seus tons de vermelho.
Um ponto negativo é a trilha sonora pop chiclete, que pode distrair e comprometer toda a construção da densidade do filme.




sábado, 21 de fevereiro de 2026

SINGERS: Homens sendo homens e músicas sendo músicas

      

Descumprindo minha promessa de não assistir mais indicados ao Oscar 2026, assisti Singers , na Netflix, que está indicado  na categoria “documentário de ficção”.  É um filme fantástico.

Em 18 minutos, entramos em um bar noturno, onde vários homens fogem de uma nevasca, cada um carregando suas próprias feridas. 

As músicas tocadas no filme 

Em dado momento, decidem fazer uma competição para saber quem canta melhor. Quando as canções tomam a frente, nasce uma comunhão até então inimaginável, e a música passa a cumprir o papel de guia. Que filme sensacional!