VIDAS AO VENTO (2013) O filme apresenta uma biografia ficcionalizada de Jiro Horikoshi, engenheiro aeronáutico responsável por aviões extraordinários que, infelizmente, acabaram sendo utilizados para a destruição na guerra. Considerada uma das animações mais adultas de Hayao Miyazaki, a obra chegou a ser vista como seu possível último filme. Felizmente, não foi o caso, pois, embora seja belíssimo é muito real e teria deixado os espectadores famintos por mais imaginação, que é uma das marcas mais fortes do diretor.
Ambientado a partir do início da década de 1930, o filme desenha o contexto pré-Segunda Guerra Mundial sob a ótica do desenvolvimento tecnológico na criação de aeronaves, sublinhando os papéis do Japão e da Alemanha. Contornado por referências literárias universais de peso, traz como epígrafe uma bela frase de Paul Valéry: "O vento se ergue, devemos tentar viver".
O vento se ergue e a História se movimenta de forma violenta. Na trama, a esposa de Jiro sofre de tuberculose, o que dá ao diretor a oportunidade de fazer uma analogia ao romance A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Com isso, Miyazaki traz uma postura irônica e crítica sobre a história, especialmente em uma cena na qual Jiro conversa com um viajante alemão. Este personagem compara o hotel no Japão onde estão ao sanatório Berghof em Davos, presente na obra de Mann, sugerindo ser um lugar elegante e confortável onde o Japão esquece que está lutando contra a China, esquece que estabeleceu um estado fantoche na Manchúria, esquece que abandonou a Liga das Nações e esquece que se tornou inimigo do mundo.
A conclusão é que, assim como ocorreu com a Alemanha, o isolamento e a escalada militarista e colonialista do Japão acabariam em explosão, como de fato aconteceu. Tudo isso torna o filme peculiar e digno de nota, embora não figure entre os meus favoritos de Miyazaki ou do Studio Ghibli.















