quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Olhar a história pela janelinha

Com meu amarelinho 

Com um prazer inenarrável, fui convidada e participei novamente de um congresso sobre Guimarães Rosa. Dessa vez, fui falar especificamente do artigo “As novas realidades nas fictâncias de Guimarães Rosa”, um texto antigo, publicado em 2018.


Seguindo meus estudos, falei sobre a ficção, ou “fictâncias”, para usar um termo de Rosa, como mediadora e engendradora das relações entre História e Literatura. Filho de sua época, escrito há quase dez anos, meu artigo estava ancorado nas discussões propostas pelo professor Luiz Costa Lima, para quem a ficção é o “como se”, e por Carlo Ginzburg, que a via como uma zona intermediária em que se entrelaçam verdades e possibilidades capazes de iluminar a opacidade do passado.

Desde a publicação do artigo, o tema se desenvolveu e ganhou muitas outras complexidades. Mas, como sou historiadora, acho importante revisitar aquele momento da fortuna crítica rosiana.

Partindo dessa base teórica, propunha uma interpretação do livro Primeiras estórias (1962), que, em 1982, Costa Lima definiu assim:

“São as primeiras estórias de um Brasil novo, no começo do surgir.”

Do livro, abordei o primeiro e o último contos.

Nesse primeiro conto: só alegrias 
Nesse segundo conto, superação e maturidade

 Ambos tratam de duas viagens de um mesmo Menino para visitar o lugar de onde poderia observar o processo histórico da modernidade em curso “da janela do avião”. A narrativa da história de Brasília seria, assim, atravessada pelo olhar infantil, que a ficcionaliza criativamente.

Foi muito legal, uma pena que quase não consegui apresentar o trabalho! Tinha tudo pronto, com os slides feitos, mas nenhum dos meus dois computadores portáteis velhos queria funcionar. Até mesmo o Meet no celular não abriu e, mesmo na hora da apresentação, a conexão caiu mil vezes.

Mas as organizadoras do evento foram umas fofas, especialmente a professora Verônica Daniel Kobs, que recebeu meus slides e me permitiu apresentar pelo celular.

Que delícia passar uma tarde ouvindo falar de Guimarães Rosa!

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Lágrimas de Aomame

 

Foto Google Images 


"Lágrimas escorreram dos olhos de Aomame. Ela chorava por todas as perdas que sofrera até então.  e por tudo que estava para perder. Por fim- após um tempo que não pôde previsar - ,atingiu um ponto em que não conseguia mais chorar. Como se os sentimentos tivessem esbarrado  numa parede invisível,  e as lágrimas secaram."


"IQ84 vol2", Haruki Murakami, p.215




domingo, 18 de outubro de 2026

1Q84 e a cidade dos gatos




Ilustração Google Imagens 

1Q84 E A CIDADE DOS GATOS

Em meio à imensa trilogia de Murakami, no livro 2, Tengo, um dos protagonistas, lê um conto fictício alemão sobre um viajante que chega a uma estação tranquila e agradável, mas logo descobre que ali não há pessoas, apenas gatos gigantes que o veem como um forasteiro inimigo. Sua humanidade se torna um problema naquele lugar ao qual não pertence.

O viajante percebe que os trens continuam circulando, mas nenhum para na estação. Sem conseguir partir, compreende que aquela é a cidade onde se perderá para sempre, deslocado, inadaptado, prisioneiro de um mundo que não é o seu.

Poxa, será que também desembarquei na cidade onde vou me perder para sempre, sem ainda ter percebido? Nenhum trem parou, por enquanto!


 

sábado, 17 de outubro de 2026

LUA E SOLIDÃO em 1Q84, Murakami

 

Foto Google Images 


LUA E SOLIDÃO: "O jeito de Aomame olhar a lua instigava-o a imaginar que havia nesse seu olhar algo de assustadoramente  sincero.

Difícil saber o que Aomame teria pedido à lua. Mas Tengo conseguia imaginar o que a lua teria lhe oferecido . Possivelmente,  a lua teria oferecido  UM SENTIMENTO DE SOLIDÃO E SERENIDADE; era o que podia oferecer de melhor."

Haruki Murakami,  1Q84 v.2, p. 290

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Coração Satânico (1987), Alan Parker

 


CORAÇÃO SATÂNICO (1987), Alan Parker

Assisti pela primeira vez a esse filme tão característico da década de 1980. Nele, o ano é 1955, em Nova York, e Harry Angel (Mickey Rourke) é um detetive particular fracassado contratado por Louis Cyphre (Robert De Niro), cujo nome sugere uma referência a Lúcifer, para encontrar Johnny Favorite, um cantor que desapareceu depois da Segunda Guerra Mundial. Nessa investigação, Angel encontra pessoas estranhas, segredos perturbadores e presencia mortes violentas, numa jornada sombria de autoconhecimento.

A dúvida: você aceitaria uma proposta Louis Cifer? Kkkkk

Como bom exemplo do cinema noir, o filme é melancólico, sombrio, perturbador e surpreendente. Um terror psicológico de alto nível. Gostei de assistir.


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

 


A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO (2026), de Eliza Capai

É LULA 13


Acabei de assistir a esse documentário brasileiro. Adorei! Perfeito para hoje, Dia das Crianças e véspera de eleição para presidente: acompanhar os resultados do Bolsa Família em uma pequena cidade do Piauí, narrados pelas próprias crianças, especialmente meninas, que contam e filmam suas histórias de forma honesta e divertida.


Uma coisa interessante é que, além das políticas públicas,  o filme aborda com delicadeza questões caras às meninas que viram mulher,como a menarca. Uma delas,  perguntada se , caso estivesse na máquina do tempo, queria ir para o passado ou o futuro, responde que queria voltar ao passado para reencontrar quem não brinca mais porque já cresceu!



Às vésperas do pleito que pode abolir o bolsonarismo no Brasil,  mada msus oportuno que documentar a felicidade da infância nos rincões doml país , fruto de política publica que,  sim, midou a vida das pessoss!

Recomendo!


Que delicinha!

domingo, 11 de outubro de 2026

Passeio em Paquetá , 11 de outubro 2026

 


Comemorando meu aniversário antes do dia, fizemos uma deliciosa viagem à ilha de Paquetá, com o romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo em mãos e tudo mais. 

Foi muito maravilhosa a comemoração. 

Amei! 

Algumas fotos