quarta-feira, 25 de março de 2026

"O museu da inocência " (série): a história do "Que mal" 😕

 




MUSEU DA INOCÊNCIA (romance: 2008; série: 2024)

Inspirada no romance homônimo do autor turco, Nobel de Literatura, Orhan Pamuk, que eu não li, a série da Netflix me desencorajou totalmente a ler. Não porque esteja mal feita, muito ao contrário: a exuberância estética da recriação de uma Istambul dos anos 1970, com imagens que contam a história de forma belíssima, foi o que me manteve até o último episódio, enquanto Geraldo largou logo no começo.

A trama conta a história do rico Kemal, que vou chamar de “Que Mal” (combina mais com o personagem), que, mesmo noivo da rica Sibel, se envolve de maneira doentia com a bela Füsun, uma prima pobre distante a quem manipula e tenta dominar o tempo todo. “Que Mal” é um vacilão e, mesmo tentando considerar as diferenças culturais entre Oriente e Ocidente e o período em que a história se passa, nada me empolgou ou envolveu.

Para esse tipo de narrativa, prefiro Dom Casmurro, que é do século retrasado. O livro eu não sei, mas a série eu não recomendo.

segunda-feira, 23 de março de 2026

O jovem- Annie Ernaux


 ​"Se não escrevo as coisas,

elas não encontram seu termo,

são apenas vividas."

​O Jovem (2022), de Annie Ernaux, é um relato autobiográfico que narra a memória de um amor intenso entre uma mulher de mais de 50 anos e um rapaz décadas mais jovem. Sendo meu primeiro livro da autora, gostei muito da experiência. É um texto curto e poético.

​Para mim, aos 46 anos, foi salutar ingressar nas questões colocadas sobre mudança do corpo, sexualidade e o preconceito contra casais nesse modelo. Mas o principal aspecto foi perceber que a experiência do encontro ganhou os tons pastéis da memória e serviu de estímulo para a criação literária. Que belezinha de livro.

Belo trecho 


Frases...

"...produzia em mim a sensação, durante minutos, de que eu estava vagando pelo tempo inominável de um sonho." P. 19


"Certo verão,  em Chioggia, aguardando o vaporetto para voltar a Veneza, ele me disse: 'Eu queria estar dentro de você e sair de lá para me parecer  com  você." P.33


"...o papel desempenhado por ele - o de alguém que abria as portas do tempo na minha vida - tenha chegado ao fim..."p. 36




sexta-feira, 20 de março de 2026

"Silêncio dos inocentes": melhor filme da vida?

          

Durante muito tempo, até pré adolescência, quando me perguntavam qual era meu filme favorito, eu respondia este sem hesitar, embora já quase não me lembrasse dos detalhes do filme que assisti aos 11 anos. Ainda assim, sabia que era bom. Esses dias, encontrei no Prime Video e resolvi assistir novamente.

Que filmaço. Uma verdadeira aula de suspense e tensão. As cenas com Hopkins e Foster, então, são impressionantes.

Ao final só comentei: caramba, que filme é esse?😱

Pedi à IA um resumo das informações e deixo aqui a indicação para todos: assistam.

"O Silêncio dos Inocentes" (1991), de Jonathan Demme, é um dos thrillers psicológicos mais marcantes do cinema. Conta a história da agente do FBI Clarice Starling, interpretada por Jodie Foster, que busca a ajuda do brilhante e perturbador psiquiatra canibal Dr. Hannibal Lecter, vivido por Anthony Hopkins, para capturar o assassino em série Buffalo Bill, interpretado por Ted Levine. À medida que Clarice se aprofunda nesse jogo psicológico intenso, ela precisa enfrentar não apenas o criminoso que procura, mas também seus próprios medos e traumas.

Beleza Americana: eterna crises do American way of lifecrises

 

         


Assistir "Beleza Americana" (1999), de Sam Mendes, em 2026 é divertido e interessante, pois nos deparamos com uma narrativa que debocha do American way of life de diversas formas, mas se mantém atual ao sublinhar questões ainda em destaque.
Isso faz sentido, já que a virada do século XX para o XXI trouxe um olhar mais atento ao declínio do império americano, processo que continuamos a acompanhar.
O filme explora a crise existencial de um homem de meia-idade que, ao se ver no limite, tenta reagir, causando desconforto nas pessoas ao seu redor, que passam então a encarar e revelar seus próprios vazios por trás de vidas aparentemente estáveis.
O impacto da obra vem menos de reviravoltas e mais de transformações internas, mostrando como qualquer reação pessoal, por mínima que pareça, pode conduzir a mudanças que se tornam decisivas.

Mercado play e o envelhecimento


 Gosto de usar a plataforma Mercado Play, que é gratuita e tem um catálogo muito interessante para quem tem mais de 40 anos. São filmes considerados bons ou ótimos quando foram lançados, há pelo menos 20 anos, ali na virada do século. Revisitar essas obras vale, no mínimo, para perceber se envelheceram bem ou não. O mais bacana é que todos os que assisti até agora, ainda poucos (Eu, Robô; Beleza Americana; Controle Total), continuam ótimos, mostrando que filme bom não tem idade.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Livros rESTANTEs

 

LIVROS RESTANTES (2023), disponível no Amazon Prime, dirigido por Rebeca Diniz, o filme  conta a história de Ana, interpretada por Denise Fraga,uma professora,que prestes a se mudar para o exterior, desmonta sua vida entre objetos e afetos em Florianópolis. 

A parte mais difícil é esvaziar sua estante de livros, por todo o simbolismo que carrega. Ela decide, então, devolver aos remetentes cinco obras que ganhou com dedicatórias. Ana pede que essas pessoas guardem os livros rESTANTEs, cheios de significado, como forma de preservar o afeto construído ao longo dos anos.

Um detalhe no filme é a mesma canção em forma de samba e de fado, representando a vida de Ana Catarina, catarinense de ascendência portuguesa, que viaja de Florianópolis a Portugal . Quantos livros nessa viagem?

Um filme lindo e super significativo para quem se formou como pessoa na cultura do livro. Super recomendo!



domingo, 15 de março de 2026

"Contos de Nova York", um passeio pelo bom cinema

 


"Contos de Nova York" (1989) é um filme dividido em três partes, cada uma dirigida por um renomado cineasta. 


Em "Lições de Vida", Martin Scorsese conta a história do pintor Lionel Dobie, vivido por Nick Nolte, um homem de meia-idade que sofre por ter criado uma dependência emocional de sua jovem assistente Paulette, interpretada por Rosanna Arquette. Marcadamente ambientada na década de 1980, com uma trilha sonora de excelente seleção, a trama é puro charme ao abordar medo, rejeição e criação artística.


No delicioso "Vida sem Zoe", de Francis Ford Coppola, conhecemos a história da precoce Zoe, interpretada por Heather McComb, que vive sozinha em um hotel de luxo em Nova York, cercada de conforto, mas carente da presença dos pais. Sua mãe, Charlotte, é vivida por Talia Shire, e seu pai, Claudio, um músico constantemente ausente, é interpretado por Giancarlo Giannini. Em meio às tentativas de reconciliação dos pais, Zoe é levada a lidar com a solidão e o amadurecimento. Com a colaboração de sua filha Sofia Coppola, Francis cria uma história leve e divertida sobre pequenos milionários.



Na hilária "Édipo Arrasado", Woody Allen interpreta Sheldon Mills, um advogado nova-iorquino atormentado por sua mãe superprotetora, vivida por Mae Questel. Após desaparecer durante um número de mágica, ela retorna de forma surreal no céu da cidade, visível a todos, passando a comentar publicamente a vida do filho e convidando toda a população a opinar sobre o que ele deve fazer.

Que experiência fantástica assistir a essa película tão marcante em suas três excelentes partes, relembrando o que há de melhor na experiência que o cinema pode oferecer.