sábado, 12 de setembro de 2026

As palavras, Jean Paul Sartre

 

Na biblioteca do Sesc Pompéia 

Sempre via comentários sobre essa obra , no começo pensei que fosse uma confusão de tradução e na verdade estavam se referindo a um dos meus favoritos da vida,  "Que é literatura?",  onde estão as mais belas reflexões sartrianas sobre as palavras, mas não era, o livro "As palavras" existe mesmo, só eu que não conhecia. 

Estou lendo descompromissadamente, sem muita empolgação e devo terminar logo. Trata-se de um texto de memórias de infância, gênero de meu total  interesse, só que esse livro não  me arrebatou de cara.

Mas tem seus momentos:


"No quarto da minha avô, os livros ficavam deitados; ela tomava-os de empréstimo a uma biblioteca ambulante e nunca cheguei a ver mais do que dois ao mesmo tempo. Tais bagatelas me lembravam os confeitos de Ano-Novo, porque suas folhas flexíveis e brilhantes pareciam cortadas em papel glacê. Vivas, brancas,  quase novas, serviam de pretexto a misterios ligeiros." ( Jean-Paul Sartre, "As palavras", p.31)


Ter visto adultos lendo, também é um jeito de formar-se como leitor. Ainda mais quando enxergava as folhas do livro feitas de "papel glacê "(?) 🤩

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Terra estrangeira (1995), Walter Sales

Reassisti ontem na Netflix  o filme de Walter Sales, do qual eu lembrava apenas da história de brasileiros tentando sobreviver à crise econômica do governo Collor e da belíssima música "Vapor Barato, de Waly Salomão na voz de Gal Costa. O que já seria, por si só, uma excelente lembrança cinematográfica.

Ao rever o filme, porém, me surpreendi positivamente.  Os personagens brasileiros, vulneráveis e quase expulsos de seu próprio país, buscam abrigo em na Península Ibérica, agora  "terra estrangeira", mas encontram ali apenas novas formas de desenraizamento.

Filmado inteiramente em preto e branco, refletindo o estado emocional das personagens, o longa reúne cenas belíssimas e tristes : paisagens vazias,  o mar que, um dia, simbolizou descobertas e travessias. Agora,  serve de cenário para desterrados. Simbolicamente, ainda guarda os restos de um navio naufragado. Seria também uma imagem do próprio Brasil?

Sem deixar de comentar o contexto político da época, o roteiro ganha contornos de thriller quando esses brasileiros que tentam sobreviver na Europa acabam envolvidos com organizações de contrabando. É um filme que envelheceu bem e que gostei de revisitar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O homem bicentenário (1999) : se puder, não assista!



O HOMEM BICENTENÁRIO (1999). Pense num filme ruim em diversas camadas! É, sem dúvida, o pior filme de robôs que já vi. Uma pena ser uma adaptação de Asimov, mas certamente muito mal feita. Quando Asimov colocaria uma questão interessante sobre humanos e tecnologia e nunca a desenvolveria? Não imagino! Nesse filme, é só o que acontece. 😔

Eu até poderia elencar vários problemas desse longa, mas, sinceramente, depois de passar mais de duas horas acompanhando a maravilhosa trajetória de Andrew, um robô hiperdesenvolvido, único, capaz de ser criativo e sensível mesmo sem ter sido programado para isso, mas que nunca é estudado pela corporação que o criou, que prefere simplesmente deixá-lo na casa do cliente que o comprou! Que tempo é esse?

E o que ele quer, com toda essa superioridade? Dominar a humanidade? Não! Virar humano e se casar! Ai, que preguiça!

Esse eu não recomendo. Se puderem, pulem!

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Pinóquio (2022), Guilhermo Del Toro

 
         

Nesta espetacular animação, deliciosamente infantil, realizada em stop motion e vencedora do Oscar de Melhor Animação em 2023, Guillermo del Toro desloca a história tradicional de Carlo Collodi para a Itália fascista dos anos 1930 e apresenta não mais uma marionete de madeira que precisa ser transformada pela Fada Azul em um menino de verdade, obediente, como manda o “Doce” (Duce) Mussolini, para merecer ser amado. 

A fada azul 


A Morte

Apresenta, sim, um boneco cheio de subjetividade e vivacidade que, como uma criança, se arrisca em muitas aventuras para descobrir quem é e qual é o seu lugar no mundo, que é a essência da personagem Pinóquio, e acaba aprendendo com a Morte, irmã da Fada Azul, que vive na floresta do tempo, entre ampulhetas e areia movediça, que talvez ser humano não seja transformar-se em um outro, mas ser o que se é e aprender a viver convivendo com a ideia da finitude.

Eu, assistindo na luz azul
petróleo da Morte

Achei deslumbrante, deslumbrante, deslumbrante!

Obrigada, Guillermo del Toro.


 

sábado, 5 de setembro de 2026

"CEM ANOS DE SOLIDÃO " Série e livro

 


Terminei de assistir/ ler ! Fabulosa série!

​Como assisti com o livro debaixo do braço, também reli o clássico e pude conferir o quanto a série foi fiel ao original. Belíssima.

​A primeira temporada, achei mágica, com a criação de Macondo, alegoria da América Latina católica, com suas famílias conservadoras, revolucionários e guerras. No fim, acabei me divertindo com a confusão dos nomes  e dos perfis repetidos, tropeçando no labirinto de Gabo. Várias vezes recorri à IA: "Fulano é filho de quem, mesmo?"


​A segunda temporada foi mais séria. Aqui, a História entrou em cena e, nos dois penúltimos episódios, senti um gosto amargo, uma angústia diante da História, da memória e do destino se revelando.

​No magistral último episódio, com quase duas horas de duração, voltei a me divertir com os nomes e especialmente porque a literatura virou o centro da trama, com os manuscritos de Melquíades e a entrada de um tal "Gabriel García", que acreditava nas histórias das revoluções do Coronel Aureliano Buendía porque seu bisavô também lutou nelas e, sobretudo, reconheceu Aureliano Babilônia no bordel Menino de Ouro e estava partindo de Macondo para Paris! Autoreferencia total!


​Obrigada Gabo! Parabéns Netflix! 

Amei o retorno a Macondo e, no fim, aplaudi a TV: Bravo! Gabo teria se orgulhado também!

ALGUNS COMENTÁRIOS 











quarta-feira, 26 de agosto de 2026

PRÊMIO GRANDE OTELO 2026

 




Ainda não tinha dado tempo de comentar o quanto fiquei feliz com o Prêmio Grande Otelo 2026, no começo de agosto, a grande premiação do cinema brasileiro.

Minha alegria foi porque percebi que tinha assistido a quase todos os indicados nas principais categorias. Também me alegrou constatar que, em geral, os filmes são muito bons. A safra do cinema brasileiro após o reconhecimento internacional de "Ainda Estou Aqui" é salutar.

E ver que filmes que adorei, como "O Último Azul", "Homem com H" e "O Filho de Mil Homens", foram todos laureados foi uma delícia.

Sobre as atuações, os prêmios foram uma chuva de rosas para mim: meus queridos Rodrigo Santoro, Alice Wegmann, Jesuíta Barbosa, Alice Carvalho etc.

No prêmio de Melhor Filme, deu empate entre "O Agente Secreto" (tinha que ser) e "Manas", que vi depois e gostaria de ter gostado mais, mas está valendo.

Oxalá esse prêmio marque não mais uma nova revitalização do cinema nacional, mas um crescimento real e duradouro dele por muito tempo, como marcou o discurso de agradecimento de Rpdrigo Santoro .

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Pacarrete (2019), Allan Deberton

 



PACARRETE

Assisti ontem a este filme de 2019, dirigindo pelo cearense Allan Deberton, e achei que gostaria mais. Afinal, ele é livremente inspirado na história real de uma bailarina cearense, mas ficou faltando alguma coisa. Talvez essa história pudesse ter sido contada de um jeito mais engraçado, sei lá.

A atuação de Marcélia Cartaxo como Pacarrete é o ponto alto do longa. Nós, espectadores, a achamos uma graça; achamos ranzinza, grosseira e teimosa, uma chata até, como pode ser uma artista idosa fragilizada pelas vulnerabilidades da velhice. Isso a torna uma pessoa ainda mais difícil de lidar e, no fim, nos compadecemos dela, claro. Mas não dei uma risada com ela, o que salvaria a personagem e talvez o filme todo.

A maior parte do elenco de apoio fica no mediano, mas um ou outro ator é bem ruim. Para mim, o maior problema está no roteiro previsível porque, embora haja momentos de pura ternura, belas memórias e a emocionante cena da fita VHS, a belíssima cena final parecia estar praticamente prevista desde o início.

Queria tanto escrever maravilhas sobre este filme, mas desta vez não foi possível. Talvez pelo filme, talvez por mim, talvez pelas expectativas não alcançadas. Para mim, não funcionou tão bem. Seria a minha boca já muito amarga para esse cubo de açúcar cor-de-rosa choque, ou foi pelo riso que nunca veio?