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| Quando li novembro 2026 |
Pequenidade é pequeneza, coisa de pouca elevação intelectual?
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| Quando li novembro 2026 |
LENDO A MORENINHA (1844) Ousei parar para ler novamente o romance de Joaquim Manuel de Macedo. Não digo reler, porque só tinha feito leituras escolares dele. Agora sou uma leitora mais madura e a dúvida era se um texto de 1844, ícone do romantismo brasileiro, chamaria minha atenção.
Peguei um exemplar de uma coleção de leituras para vestibular que eu tinha em casa e certamente nunca tinha aberto para ler (quando li, na escola, foi um exemplar da biblioteca). Estava limpo de intervenções, mas já estou deixando minhas pegadas de leitora.
Amei fortemente o começo, “Duas palavras”. É uma introdução incrivel e divertida e parece muito "moderna" pra época, com seu tom de conversa prosaica, um dedo de prosa, dividindo um café com o leitor . Nela , o jovem narrador se apresenta, explica os motivos da escrita e o tipo de texto: “algumas palavras escritas que ele ousou chamar de romance”. Nesse tom ele se aproxima do leitor, cria uma intimidade para gerar empatia antes de afirmar que o livro é como uma filha, uma criança de seis meses de idade, pedindo tolerância com suas imperfeições. Nessas alturas, como pode o leitor fazer um julgamento duro? Kkkk Que malandrinho esse senhor Augusto! Kkk
Novamente estou lendo um livro e gostando mais do que eu esperava! Que matavilha, 2026!
Talvez por ser ficção científica, a Netflix me indicou a série Glitch (2015) e eu a maratonei. Não porque ela seja do tipo viciante, mas porque me divertiu mesmo. Trata-se de um produto desenvolvido para a TV australiana (como é bom ver um ambiente diferente dos EUA!) e conta a história de sete defuntos que levantaram do túmulo. Mas não se trata de uma série de zumbis ou terror: a tentativa de explicação, nem sempre desenvolvida com sucesso, vem primeiro da ciência, de um possível erro em experimentos com células-tronco, mas que deu origem a muitos conflitos, afinal, nenhum ressuscitado tinha deixado suas pendências resolvidas quando morreram na pequena cidade de Yoorana e usam a segunda chance pra se resolverem . No polêmico final, do qual devo ter sido uma das poucas pessoas que até gostou no contexto aerado do roteiro, foi o mais perto de um final feliz possível, onde vida e morte se enfrentam.
Não é um roteiro robusto, nem mesmo uma execução de encher os olhos. Não se compara às melhores séries de ficção científica, como Dark, mas me distraiu por algumas horas... passou meu tempo divertidamente.
UM PLUS : Assistindo essa série lembrei muito dos "ressurgidos" romance "oração para desaparecer" , de Socorro Acioli... especialmente pela forma como os sujeitos ressurgem da terra e depois ficam como corpos vazios de memória, consciência, significados...no livro a protagonista ressurgindo precisou até encomendar uma história do " vendedor de passados "...
Confesso que a iniciativa partiu do filme de 2004, de mesmo título, dirigido por Alex Proyas e estrelado por Will Smith, e gostei mais do que imaginava. Meu interesse era observar como os anos 2000 imaginavam a interação do ser humano com a tecnologia, e me surpreendi ao notar que muita coisa já é realidade para nós.
Então, peguei emprestado na biblioteca do SESC Pompeia um belo exemplar de 2014, da editora Aleph, desta obra de 1950, que reúne contos publicados por Asimov em revistas científicas na década de 1940! Para amarrá-los em formato de livro, o autor traz a personagem Susan Calvin, psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc., que comanda os trabalhos na virada do século XX para o XXI.
Esses interessantes textos apresentam robôs muito desenvolvidos, dotados de "cérebros positrônicos", que devem seguir as Três Leis da Robótica:
"1ª. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido. 2ª. Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei. 3ª. Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei." (p. 65)
Tudo parece muito bom e seguro, mas o autor escreve essas histórias mostrando o quanto a aplicação dessas regras pode causar conflitos.
Como exemplo, destaco duas narrativas:
Em "Razão", o robô Cutie não sabe quem ou o que o criou, mas sabe que existe, já que é capaz de pensar e concluir que é muito melhor que um humano e, portanto, deve substituí-lo na liderança.
Em "Mentiroso", Herbie é capaz de ler mentes. A partir disso, conclui que elas são muito mais complexas do que qualquer levantamento de dados e, por isso, prefere ler romances a relatórios científicos. O impasse começa quando, sabendo o que as pessoas pensam, para obedecer à Primeira Lei ele decide nunca dizer coisas que possam ferir seus sentimentos, mesmo que precise mentir. Muito parecido com o modo como interagimos com as IAs sempre agradáveis da atualidade!
Claramente, a intenção da literatura de Asimov não é simplesmente louvar o avanço tecnológico. Pelo contrário, é justamente apontar o quanto essa tecnologia pode questionar a existência das máquinas e do próprio ser humano, tornando a obra um material profundamente filosófico.
POR TRÁS DOS SEUS OLHOS : Maratonei a minissérie inglesa da Netflix nesse fim de semana. Tinha expectativa , pois é uma série de suspense psicológico que gira em torno de um psiquiatra, sua bela e perturbada esposa Adele e sua secretária descolada Louise.. Achei que ia pirar o cabeção, mas foi bem morna e o final achei muito ruim. Ao invés de abordar a complexidade da mente humana, preferiu partir pra temas como uso de drogas e experiências sobrenaturais. Não é meu tipo de narrativa.
Uma coisa de bom trouxe dessa experiência, os looks usados pela atriz britânica Simona Brown, que interpreta a protagonista negra Louise. Ela lembra muito a Camila que fui às vésperas dos 30 anos e a paleta de cores de seus looks é minha preferida: Rosa, verdes, amarelo, laranja ... fotografei os melhores looks, amei!
Muito inspiradora a Louise. É difícil encontrar personagens negras e lindas assim nos streamings. Foi um deleite e uma inspiração.
Acreditam que eu nunca tinha assistido ao famoso filme de Hitchcock? Fui ver esses dias. Já tinha começado a ler o conto "It Had to Be Murder"(traduzido como "A janela indiscreta"), de Cornell Woolrich, mas não quis terminar para não tomar spoiler, porque queria assistir ao filme primeiro. Foi uma decisão acertada, afinal agora posso terminar de ler o texto.
Uma questão que me chamou atenção no conto, mesmo eu só tendo lido as primeiras páginas, é a atenção dada ao ponto de vista do narrador. A história do homem imóvel, preso à janela do seu apartamento e que só pode observar a vida de seus vizinhos se desenvolvendo através daquela janela, é um ótimo recorte visual; quase pediu para ser filme.
Lembro que, no texto, ele começa observando que não conhecia nenhum dos vizinhos, não sabia seus nomes, nunca tinha ouvido suas vozes. No entanto, podia acompanhar, meio que de perto, o desenvolvimento de suas vidas. É como um experimento laboratorial, e os vizinhos, suas cobaias. Tudo isso é, de algum modo, explorado com imagens no filme.
Valeu muito a pena assistir, enfim, a esse clássico dos anos 1950, onde todo mundo bonito tinha os olhos extremamente azuis. Destaque para a exuberância inquestionável de Grace Kelly no papel de Lisa Fremont, noiva do fotógrafo L. B. "Jeff" Jefferies, personagem interpretado por James Stewart. Jeff é um fotógrafo indeciso sobre se deve ou não se casar com uma mulher tão performática, e que vai, aos poucos, se mostrando mais sensível e inteligente do que ele poderia suspeitar. E livre! Decide, por si mesma, dormir em sua casa. Para uma mulher solteira da época, isso deve ter sido um choque.
Agora vou procurar novamente o conto e terminar a leitura para ver se vale uma comparação mais aprofundada. Por hora, foi muito bom assistir a esse clássico de Hitchcock.