domingo, 29 de março de 2026

O amante duplo (2017), François Ozon



O Amante Duplo, dirigido por François Ozon, conta a história de Chloé, uma jovem francesa que procura ajuda psicológica para resolver uma dor abdominal persistente. Ela acaba envolvida em uma trama psicológica complexa sobre gêmeos e segredos muito mais intensos que as dores iniciais.

​Assisti a este filme por recomendação do Prime Video, já que gosto de suspenses psicológicos e obras esteticamente interessantes. Sendo meu primeiro contato com o trabalho de Ozon, foi fácil identificar um cuidado visual meticuloso, característica típica de filmes com assinatura autoral. Diferente de outros títulos do gênero que vi até agora, o longa promete muito e quase entrega o suficiente.

​Achei a obra extremamente "psicanalítica" no sentido tradicional, pois aborda questões de identidade, projeções e o tema do duplo ou dos gêmeos, assunto que estudei brevemente em interpretação literária. Além disso, o filme traz para o centro da trama a força da pulsão sexual, temática central da psicanálise.

​Ainda que o enredo sejar labiríntico, não consegui me envolver ou me projetar na história. Em nenhum momento senti que a loucura da protagonista poderia ser a minha, que é o meu tipo de abordagem favorita no cinema. Por isso, não o considero o melhor filme do gênero, nem o mais sexualmente estimulante. As cenas de sexo não são belas ou instigantes; elas me pareceram mais próximas ao terror, superando até a crueza das imagens de exposição do corpo, seja em exames internos ou em estados de doença.

​No balanço geral, foi uma experiência válida e espero que venham outros filmes e séries sobre o tema.


sábado, 28 de março de 2026

Guida, Rosana Urbes

 
 



GUIDA : O curta-metragem de animação Guida (2014), disponível por completo na plataforma Itaú Cultural Play (plataforma  gratuita),  dirigido por Rosana Urbes, fala de uma idosa que rompe com sua rotina solitária e seu trabalho burocrático ao se tornar modelo vivo, explorando novas formas de liberdade e beleza.

Em cerca de 12 minutos de animação, é lindo perceber a forma fluida e encantadora com que Rosana Urbes nos conduz pela travessia da entrada de uma mulher na velhice. Guida passa a se olhar com mais interesse e gentileza: exibe seu corpo maduro com altivez, pois sabe que ali há uma vida inteira,  e também sensualidade (por que não?). Assim, a vida se reafirma como algo que vale a pena ser vivido até o fim. Mais do que um filme, é um presente delicado para nós, mulheres 40+.



sexta-feira, 27 de março de 2026

Ushikawa : o gato Cheshere de Murakami

 
Caricatura de Ushikawa pela IA

USHIKAWA

"O homem usava uma camisa branca, gravata vermelho-escura e paletó marrom, tudo de baixa qualidade e muito puído. Saltava aos olhos que aquele homem não tinha nenhum interesse nem fascínio por roupas. Simplesmente vestia qualquer coisa por pura necessidade, por não poder se encontrar nu diante das pessoas."(Crônica do pássaro de corda, p. 536)


Pedi a uma IA uma caricatura de Ushikawa usando essa descrição e achei que ficou ótima.

Embora não seja muito comentado, para mim o capanga Ushikawa é o melhor personagem de Murakami que encontrei até agora. É ele quem dá liga à narrativa imensa de Crônica do pássaro de corda, ele é  o que descrevo como intrusivo  e desconfortante. É pegajoso, desagradável, mas revela o que estava escondido, como o gato de Cheshire em Alice no País das Maravilhas.

Passados muitos anos, é dele que vou lembrar,  invadindo os espaços com sua humildade de humilhado.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Filhos de João: o Admirável Mundo Novo Baiano, Henrique Dantas

           

FILHOS DE JOÃO – Acabei de assistir ao documentário Os Filhos de João: o Admirável Mundo Novo Baiano (2009), de Henrique Dantas, na Netflix. Para quem ama João Gilberto e os Novos Baianos, como eu, é uma preciosidade. É o complemento audiovisual do maravilhoso livro Acabou Chorare: o rock'n'roll encontra a batida de João Gilberto (2020), de Márcio Gaspar, só que com sons, depoimentos e imagens de época. É muito emocionante ouvi-los cantando a própria história. Foi um presentinho fofo para o fim deste dia quente e pesado. Super recomendo.


quarta-feira, 25 de março de 2026

"O museu da inocência " (série): a história do "Que mal" 😕

 




MUSEU DA INOCÊNCIA (romance: 2008; série: 2024)

Inspirada no romance homônimo do autor turco, Nobel de Literatura, Orhan Pamuk, que eu não li, a série da Netflix me desencorajou totalmente a ler. Não porque esteja mal feita, muito ao contrário: a exuberância estética da recriação de uma Istambul dos anos 1970, com imagens que contam a história de forma belíssima, foi o que me manteve até o último episódio, enquanto Geraldo largou logo no começo.

A trama conta a história do rico Kemal, que vou chamar de “Que Mal” (combina mais com o personagem), que, mesmo noivo da rica Sibel, se envolve de maneira doentia com a bela Füsun, uma prima pobre distante a quem manipula e tenta dominar o tempo todo. “Que Mal” é um vacilão e, mesmo tentando considerar as diferenças culturais entre Oriente e Ocidente e o período em que a história se passa, nada me empolgou ou envolveu.

Para esse tipo de narrativa, prefiro Dom Casmurro, que é do século retrasado. O livro eu não sei, mas a série eu não recomendo.

segunda-feira, 23 de março de 2026

O jovem- Annie Ernaux


 ​"Se não escrevo as coisas,

elas não encontram seu termo,

são apenas vividas."

​O Jovem (2022), de Annie Ernaux, é um relato autobiográfico que narra a memória de um amor intenso entre uma mulher de mais de 50 anos e um rapaz décadas mais jovem. Sendo meu primeiro livro da autora, gostei muito da experiência. É um texto curto e poético.

​Para mim, aos 46 anos, foi salutar ingressar nas questões colocadas sobre mudança do corpo, sexualidade e o preconceito contra casais nesse modelo. Mas o principal aspecto foi perceber que a experiência do encontro ganhou os tons pastéis da memória e serviu de estímulo para a criação literária. Que belezinha de livro.

Belo trecho 


Frases...

"...produzia em mim a sensação, durante minutos, de que eu estava vagando pelo tempo inominável de um sonho." P. 19


"Certo verão,  em Chioggia, aguardando o vaporetto para voltar a Veneza, ele me disse: 'Eu queria estar dentro de você e sair de lá para me parecer  com  você." P.33


"...o papel desempenhado por ele - o de alguém que abria as portas do tempo na minha vida - tenha chegado ao fim..."p. 36




sexta-feira, 20 de março de 2026

"Silêncio dos inocentes": melhor filme da vida?

          

Durante muito tempo, até pré adolescência, quando me perguntavam qual era meu filme favorito, eu respondia este sem hesitar, embora já quase não me lembrasse dos detalhes do filme que assisti aos 11 anos. Ainda assim, sabia que era bom. Esses dias, encontrei no Prime Video e resolvi assistir novamente.

Que filmaço. Uma verdadeira aula de suspense e tensão. As cenas com Hopkins e Foster, então, são impressionantes.

Ao final só comentei: caramba, que filme é esse?😱

Pedi à IA um resumo das informações e deixo aqui a indicação para todos: assistam.

"O Silêncio dos Inocentes" (1991), de Jonathan Demme, é um dos thrillers psicológicos mais marcantes do cinema. Conta a história da agente do FBI Clarice Starling, interpretada por Jodie Foster, que busca a ajuda do brilhante e perturbador psiquiatra canibal Dr. Hannibal Lecter, vivido por Anthony Hopkins, para capturar o assassino em série Buffalo Bill, interpretado por Ted Levine. À medida que Clarice se aprofunda nesse jogo psicológico intenso, ela precisa enfrentar não apenas o criminoso que procura, mas também seus próprios medos e traumas.