sábado, 22 de agosto de 2026

"O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim", Ruy Castro

 


Li O Ouvidor do Brasil – 99 Vezes Tom Jobim, de Ruy Castro. A leitura foi mais demorada do que eu previa porque tive que pausá-la por causa da FLIN, mas nesta manhã a concluí. Mesmo sendo de Castro, desta vez não se trata de uma biografia: é uma coletânea de textos sobre Jobim publicados no jornal  ao longo de muitos anos, o que trouxe para a obra uma veracidade incomparável. Claro que fui ler para incensar Jobim e consegui, mas, além disso, entrei no ambiente em que ele viveu e produziu .

Através dessas croniquetas, que não foram originalmente escritas como livro, mas que nele foram divididas em quatro capítulos, vamos passeando por vários temas que se entrecruzam para contar quem era Antonio Carlos Jobim, suas incontáveis genialidades e carioquices, além de outros assuntos: o Rio e sua maravilhosidade, o piano, os pássaros, o Brasil, a ecologia etc.


 Vou tentar fazer um comentário sobre cada um.

1. O ouvidor do Brasil

É o capítulo no qual mais se enfatiza a figura pública de Tom Jobim, alguém que ultrapassou a música e foi se tornando um legítimo intérprete do Brasil. Ruy Castro sublinha como, na segunda metade do século XX, sua voz era ouvida em debates culturais, ambientais e até políticos, transformando-o em um símbolo respeitado nacional e internacionalmente.

2. As boas histórias

É um capítulo sobre memória, fama e legado, no qual o foco está na construção do mito. Nesses textos leves e engraçados, revisitamos histórias que circundam Tom Jobim, separando as verdadeiras das que se tornaram lendas e até desmentindo algumas delas.

3. Anos dourados

Nesta parte, o foco é o ambiente musical que formou Tom e sua obra. É o capítulo mais informativo e longo do livro. Entramos nos bastidores, o que é importante, mas que, para leitores menos familiarizados com aquele universo, pode parecer pouco envolvente do ponto de vista narrativo.

4. Vou te contar

Nesta seção final, voltamos às histórias, desta vez acontecidas com mais frequência após a morte de Tom. Algumas curiosidades me agradaram, como saber que o compositor, sempre interessado na natureza e  na lingua portuguesa, como  filho de poeta e leitor de poesia quase se candidatou à Academia Brasileira de Letras meses antes de morrer.

Sou historiadora e amo a história da MPB, mas, nesta leitura, meu foco foi Jobim como um dos artistas brasileiros mais importantes do século XX. Quando nasci, em 1979, ele era o "maestro soberano Antonio Brasileiro Jobim", um músico consagrado, embora seu auge já estivesse distante. Ainda assim, chegou até mim de duas formas: como esse mito construído nos dois primeiros capítulos do livro e, sobretudo, como o Jobim ecologista. Foi por causa dele que ouvi pela primeira vez essa palavra, tão fundamental para o mundo de hoje. Esse tema permeia, musical e sonoramente, seus últimos álbuns, justamente os que eu mais gosto.

Agradeço a sorte de ter conhecido Tom Jobim e  à biblioteca do Sesc Pompeia pela  oportunidade de ler este livro incrível.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Espíritos: a morte está ao seu lado

 


ESPÍRITOS: A MORTE ESTÁ AO SEU LADO (2004), de Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom
Esse clássico do terror oriental conta a história do fotógrafo Tun e sua namorada Jane, que, numa noite, atropelam uma mulher e não prestam socorro. A conta chega em seguida, justamente por meio das fotos estranhas que Tun começa a revelar e que acabam mostrando uma história que ele tentava esconder.
Aqui, o peso psicológico é o grande mote da trama, e o sobrenatural surge como metáfora bem direta de problemas muito reais. Para nós em 2026, alguns elementos podem soar até um pouco clichês, mas faço uma ressalva à idade do filme. Mesmo sabendo que existe um remake americano de 2008 (sempre isso), ele não me interessa em nada. Até porque  é na versão original que temos os AGRADECIMENTOS A PESSOAS QUE DISPONIBILIZARAMFOTOS REAIS DE ESPÍRITOS!  ADOREI 😝
Destaco a personagem Jane no papel  namorada sensata, que ama sem se comprometer a carregar os pesos do namorado. Muito diva! 😜
Para momentos de diversão, super funciona!


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

CORINA (2005), México, dir. Urzula Barba Hopfner

 


CORINA (2025), México, direção de Urzula Barba Hopfner. O filme conta a história de uma revisora de livros de 28 anos que sofre de agorafobia (pânico de sair de casa) e é obrigada a circular pela cidade para tentar corrigir um erro que cometeu, contando com a ajuda de alguns amigos nessa jornada de superação.

Assisti no Prime, por indicação de uma querida que divulga filmes latino-americanos, e achei bem ok. Para mim, o maior impacto foi visual. Embora Corina recuse estar na rua e em contato com as pessoas, tudo ao seu redor é muito iluminado, quente e bonito. Os lugares e personagens são alegres, cheios de cores harmoniosas que não costumo ver com frequência no cinema disponível nos streamings, especialmente nos filmes norte-americanos. Ponto positivo.

Embora a premissa seja interessante, ela se desenvolve de forma um tanto truncada, talvez refletindo a própria limitação imposta pela fobia de Corina. O fato é que o roteiro abre vários caminhos narrativos, mas não desenvolve nenhum deles plenamente. Os amigos da lanchonete que a ajudam, por exemplo, encontram maneiras comoventes de se comunicar com ela, mas simplesmente passam por sua vida e logo são descartados. Não sabemos quem são nem por que se dedicam tanto a ajudá-la. É possível que a diretora esteja tentando reproduzir a experiência fragmentada de quem sofre de agorafobia, mas, para mim, isso não funcionou muito bem.

Mesmo sendo simpática a trama da revisora que é, no fundo, uma escritora frustrada e reescreve os finais dos romances que revisa, geralmente melhorando-os, no conjunto achei um filme apenas ok.

Revi "Inteligência artificial " (2001)

 


AI Artificial Inteligence : Eu tinha assistido a "AI" quando foi lançado e lembrava pouco, só do Pinóquio (amo) e de que chorei muito no final (como sempre quando envolve Spielberg e crianças). Desta vez, quase trinta anos depois, chorei novamente.

São muitas questões levantadas sobre robôs, amor e humanidade, pertencimento, direito à existência, temas caros à ficção científica, que nos relembram tantos outros filmes, como Blade Runner. Desde o início, o filme nos liga ao robô David (Harley Joel Osment, esse ator mirim excepcional que nem pisca nesse filme, o mesmo de O Sexto Sentido!), que foi projetado com amor incondicional e para todo o sempre e, depois, configurado para amar especialmente sua mãe, Mônica. Não consegue fazer outra coisa: mesmo depois de séculos, da morte e até do fim da humanidade, segue buscando ouvir dela "eu amo você, David", quase como se fosse um humano movido pelo desejo.

Cabe lembrar que o filme começa com uma cena em que os cientistas discutem as questões éticas envolvidas na criação de um autômato feito para amar. Qual seria a real responsabilidade do objeto desse amor incondivional? A trama nos coloca justamente no olho desse furacão. 

Gostei muito de reencontrar esse filme complexo e salientar que foi, sobretudo, uma grande homenagem póstuma de Spielberg ao seu amigo Stanley Kubrick, idealizador do projeto!

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

BALANÇO DA FLIN 2O26

 

 

BALANÇO DA FLIN 2026: Como sabem, acompanhei a Feira Literária Internacional de Niterói, a FLIN. Eu estava em Niterói, mas apenas para isso, então não deu para acompanhar o evento o tempo todo. Mesmo assim, fiz questão de ir um pouco todos os dias.

Logo descobri que não conseguiria escolher as falas. Tudo muito concorrido, ingressos esgotados, especialmente os mais disputados, como Jefferson Tenório. Mas eu ainda tentei. Consegui assistir a Ana Maria Machado e Luiz Antonio Simas, e não me arrependi. Não consegui ver Ondjaki. Mas acompanhei mesas muito interessantes sobre arquivos de escritores, com o Fabrício Carpinejar, histórias para crianças e Guimarães Rosa, meu amor!

De tudo, destaco o autógrafo da Machado, que a menina leitora Camila esperou tantos anos e mereceu! 


Viva Camila!


Assisti Fabrício Carpinejar numa fala mais motivacional e menos poética do que eu gostaria, mas fez sucesso. 



Depois, a fala emocionante de Luiz Antonio Simas. Bateu uma saudade da História, de gostar de História,  da cultura popular, do Brasil! Chorei mesmo!


No último dia, Dunker e os questionamentos sobre sermos humanos: problemas do nosso século. De todos os séculos. 


E, no final, a leitura de trechos de Grande Sertão: Veredas, incluindo a morte de Diadorim: "não escrevo, não falo, para assim não ser". E tocou "Na Primeira Manhã", do Alceu Valença. Chorei mesmo!



Que maravilha de festa, FLIN! Já me inspirou a comprar dois livros no sebo: A Audácia Dessa Mulher, da Ana Maria Machado (só 10 reais!), e A Reinvenção da Intimidade, do Dunker, para aprofundar questionamentos sobre nossa humanidade nestes tempos que vivemos.

Melhor que isso, impossível!

Algumas reflexões posteriores 









terça-feira, 4 de agosto de 2026

DEAR EX

 



Dear Ex (2018) é um drama taiwanês disponível na Netflix que aborda, com sensibilidade e certo humor, as tensões provocadas pela morte de um ator que deixa o seguro de vida para o seu amante, excluindo a esposa e o filho, o que acaba exigindo uma intensa reorganização familiar.

​É um filme muito legal sobre a temática gay e como ela ainda pode ser percebida de forma conservadora na sociedade de Taiwan. Contado a partir do ponto de vista do filho adolescente, é todo desenhado (literalmente) e insere o teatro na trama de forma  inteligente.  O mais interessante é ver cores diferentes na tela e, especialmente, ouvir outro idioma (o filme tem legenda, mas o áudio original é em mandarim!). Gostei muito e recomendo.

domingo, 2 de agosto de 2026

GRAVURAS DE REMBRANDT E PASSEIO NO CENTRO

 



Ontem eu e minha amiga Vera inauguramos o mês de agosto com um passeio delicioso pelo centro, para visitar a exposição de gravuras de Rembrandt do século XVII. E ver o espetáculo do centro de São Paulo.  A vida presta! 




Catedral da Sé