Pequenidades
Pequenidade é pequeneza, coisa de pouca elevação intelectual?
terça-feira, 14 de abril de 2026
ZOOLANDER
DRINKS Sandra e SUMERTIME: nossas "criações"
Em janeiro, fomos a um restaurante afro e provamos o drink degradê azul Rio Nilo. A bartender explicou que a composição é simples, licor Blue Curaçau e H2OH; só era preciso ter a técnica de montar. E tentamos. Até conseguimos mais ou menos, e ficou bom.
Outro dia, passamos por um restaurante. Não experimentamos nada ali, mas havia um drink lindo na mesa, imitando as cores do pôr do sol. Procurei na internet: é um drink famoso com suco de laranja e tequila. Achei pesado demais, então adaptamos para um pouco de vodka com groselha e, realmente, ficou lindíssimo.
A gente se diverte.
segunda-feira, 13 de abril de 2026
Um brinde com Marcos Nasser
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| Na Reservart: Esquerda caneca "na terra de Araribóia é que eu tenho quem me quer", ,trecho de samba "não sou daqui" , década de 1940. Direita placas legais ... |
terça-feira, 7 de abril de 2026
DARK : O inimigo é o tempo
DARK — Terminei de assistir a serie alemã e pirou meu cabeção!. Apesar do tema viagem no tempo ser muito batido, definitivamente ela se destaca. Passando-se em uma cidade alemã fictícia, onde está instalada uma usina nuclear, a história começa em 2019, quando o jovem Jonas tenta se recuperar da morte do pai, que se enforcou, enquanto outros garotos desaparecem, o que dá o mote para investigações nesse e em outros tempos.
Primeiro, um comentário técnico: que fotografia perfeita. Acompanhando o clima de tensão da série, é tudo sempre muito escuro: usina nuclear, bunker, floresta, cavernas... e chove tempestades na maior parte do tempo. Para completar a ambientação, uma atenção uma trilha sonora incidental precisa, que imita discretamente uma sirene, nos fazendo lembrar que estamos perto da usina.
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| Foto da tela :"O homem pode, de fato, fazer o quer, mas não pode querer o que quer" Uma epígrafe |
Sobre a série em si, não esperem que eu faça nenhum comentário “explicativo”: há gente que está vendo há anos e ainda tenta entender. É que a ideia é muito boa, sustentada por teorias da física e da filosofia (alemães, né?), para colocar o Tempo como o vilão da trama. Claro que me lembrei da minha dissertação de mestrado sobre a negação do tempo e da história em Tutameia, de Guimarães Rosa. Muitos símbolos, muitas ideias.
Ele não é citado na série, mas me lembrei muito da Wakter Benjamin assistindo. Especialmente do conceito de Jetztzeit : o passado irrompe no presente como um relâmpago e ilumina presente passado futuro por alguns segundos.
Mais a cara de Dark que isso não há!
A série é boa de assistir? Depende muito do tipo de espectador que você é. Como é labiríntica, digamos que não é só entretenimento: é preciso prestar muita atenção para tentar entender a trama, a árvore genealógica e, mesmo assim, toda hora nos perguntamos, junto com os personagens, muitas vezes tão perdidos quanto nós: “o que é isso?”, “quem é esse?” e, sobretudo, “quando foi isso?”.
Como história bem contada, tem muitas referências, como o teatro, o mito de Ariadne e cientistas, além de inúmeros detalhes. Soma-se a isso o fato de que todo mundo tem a mesma cara (alemães iguais) e cada personagem tem sua versão jovem, adulta, idosa e até em outra dimensão, e a cada momento estão em um tempo diferente. É muito bom para se confundir!
Como eu maratonei as três temporadas seguidas e, mesmo assim, me confundi, imaginei como foi assistir em tempo real, esperando dias, meses ou até um ano para a continuação. Dureza...
Mas é muito boa. Uma das melhores surpresas que o streaming me ofereceu!
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Emergência radioativa, NETFLIX
EMERGÊNCIA RADIOATIVA (2016)
Assisti à nova minissérie da Netflix sobre a tragédia real ocorrida em Goiânia, em 1987. Na ocasião, catadores de lixo encontraram uma cápsula de chumbo nos destroços de uma clínica de radioterapia desativada e a venderam para um ferro-velho. Lá, o chumbo foi cortado e encontraram o altamente radioativo Césio-137. Aquele pó azul e brilhante da morte contaminou uma família inteira, além de muitos outros moradores.
Pode ser uma memória inventada, já que eu tinha apenas 6 ou 7 anos, mas acho que me lembro de ter visto o caso na TV. Depois eu não conhecia os detalhes, e a série os explicou muito bem. A produção é muito fiel aos acontecimentos e mostra um Brasil completamente despreparado para uma situação assim, até porque ela foi sem precedentes, algo nunca visto antes na história, envolvendo pessoas tão simples e vulneráveis.
Me emocionei em vários momentos. Só achei que poderiam ter estendido a obra por mais alguns episódios e explorado uma história ficcional dentro desse contexto. Como sugeriu Isabela Boscov, o encantamento daquelas pessoas simples ao verem um pó azul tão bonito : o "pó das estrelas" que parecia mágico , e o desejo de compartilhá-lo com quem amavam seria um gancho poderoso para retratar o que há de profundamente humano, mesmo em meio à tragédia.
De qualquer forma, recomendo a obra.
segunda-feira, 30 de março de 2026
PAPEL MARCHÊ
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| Lilás, cor do mar... |
PAPEL MARCHÊ
À noite, um casal de jovens namorava na praia quase vazia. Era uma exploração lenta e mútua: carinho, desejo, fascinação por estarem juntos, se descobrindo, fora do tempo.
— Olha que cena de cinema! — disse eu.
— Ah, eles devem não ter onde transar, então ficam na praia, que é de graça.
— Não acho que seja tão cru. Transar, todo mundo transa em algum lugar. O que eles fazem ali é outra coisa, mais rara. É como “voltar a nascer violeta e azul, outro ser…”
— É… “fazer amor” na praia?
— Sim. E ouvindo João Bosco!
domingo, 29 de março de 2026
O amante duplo (2017), François Ozon
O Amante Duplo, dirigido por François Ozon, conta a história de Chloé, uma jovem francesa que procura ajuda psicológica para resolver uma dor abdominal persistente. Ela acaba envolvida em uma trama psicológica complexa sobre gêmeos e segredos muito mais intensos que as dores iniciais.
Assisti a este filme por recomendação do Prime Video, já que gosto de suspenses psicológicos e obras esteticamente interessantes. Sendo meu primeiro contato com o trabalho de Ozon, foi fácil identificar um cuidado visual meticuloso, característica típica de filmes com assinatura autoral. Diferente de outros títulos do gênero que vi até agora, o longa promete muito e quase entrega o suficiente.
Achei a obra extremamente "psicanalítica" no sentido tradicional, pois aborda questões de identidade, projeções e o tema do duplo ou dos gêmeos, assunto que estudei brevemente em interpretação literária. Além disso, o filme traz para o centro da trama a força da pulsão sexual, temática central da psicanálise.
Ainda que o enredo sejar labiríntico, não consegui me envolver ou me projetar na história. Em nenhum momento senti que a loucura da protagonista poderia ser a minha, que é o meu tipo de abordagem favorita no cinema. Por isso, não o considero o melhor filme do gênero, nem o mais sexualmente estimulante. As cenas de sexo não são belas ou instigantes; elas me pareceram mais próximas ao terror, superando até a crueza das imagens de exposição do corpo, seja em exames internos ou em estados de doença.
No balanço geral, foi uma experiência válida e espero que venham outros filmes e séries sobre o tema.













