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Ainda um pouco enferrujada, curti um pouquinho de samba com os Partideiros do Maria Zélia, no Quintal do sambar na Penha, numa tarde ensolarada.
Sempre é bom fazer algo que a gente gosta.
Pequenidade é pequeneza, coisa de pouca elevação intelectual?
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Sempre é bom fazer algo que a gente gosta.
Murakami mexendo as peças no meu tabuleiro:
" Sim, estou magoado. Muito, profundamente. Kino disse a si mesmo e chorou."
( Haruki Murakami. KIino, in "Homens sem muheres")
Não há nada muito espetacular, não mesmo. Na verdade é a história mais banal do mundo, na ficção então, praticamente um cliché: alguém ferido tranca o coração, tenta seguir em frente, procura ser forte e maduro. Até que consegue.
Mas , certa madrugada, escuta batidas insistentes na porta. Sabe quem bate : É aquilo que tentou reprimir 💔
Abre a porta? Ainda consegue abrir?
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| Processador de texto 1984. Google imagens |
Sorrateiramente, comecei a ler o primeiro livro da trilogia de Murakami. Nele, o personagem Tengo, que faz trabalhos avulsos para uma editora, recebe uma ordem de seu editor: comprar um processador de texto.
Mas o que seria isso em 1984?
Perguntei à IA se era algo equivalente a uma máquina de escrever. A resposta foi que não exatamente. Enquanto, nas máquinas de escrever, o texto era impresso simultaneamente ao processo de escrita, os processadores de texto permitiam que ele fosse armazenado e corrigido antes da impressão final.
Numa época em que os manuscritos começavam a ser digitalizados, esses aparelhos funcionavam como notebooks usados exclusivamente para escrever. Estavam no meio do caminho entre as máquinas de escrever e os computadores mais complexos do século XXI, com Word e outras aplicações.
Bem interessante!
A ODISSEIA (2026), de Christopher Nolan
Fui assistir tardiamente e no cinema, pois um filme de Nolan não merece menos, ainda mais este, que é literalmente épico! Só na telona aproveitamos AQUELA AMPLITUDE DA IMAGEM IMAX. Parecia que eu via toda a praia em 180 GRAUS, e nela se desenvolvia a grande trajetória do herói no Ocidente: o longo retorno de Odisseu a Ítaca, a sua casa!
Hollywoodiano até o talo, um blockbuster caro e, desculpe a sinceridade, ESPETACULAR, o filme tem também a deliciosa pegada autoral de Nolan. Identificamos, na travessia de Odisseu, marcas de outros filmes do diretor.
Ciente de que ia assistir a um espetáculo, aproveitei completamente a experiência. De olhos arregalados a cada bela imagem, me assustei com cada monstro do mar ou humano, me admirei com as belezas femininas, de Penélope a Calipso, passando pela deusa Atena, sem esquecer Helena, interpretada por Lupita Nyong'o, dona do mais belo rosto da humanidade, que aqui já aparece profanado pela cicatriz causada na Guerra de Troia!
Me emocionei com as batalhas e com a simbologia. Três horas depois, terminei chorando e aplaudindo este, perdão pela repetição, verdadeiro espetáculo!
SUPER VALEU A PENA!
Ex Machina (2014), de Alex Garland, é um filme de ficção científica que conta a história do jovem Caleb, que passa alguns dias na casa isolada de Nathan, um cientista bilionário que desenvolveu Ava, uma inteligência artificial com corpo humanoide. Cabe a Caleb interagir com Ava e determinar se ela possui ou não consciência semelhante à humana. Nesse processo, a todo momento nos perguntamos quem está testando quem, e os espectadores também acabam envolvidos nesse jogo, enquanto o filme levanta diversas outras questões filosóficas. Até agora, é o melhor filme sobre robôs que assisti.
FREUD é uma série austríaca da Netflix, muito bem produzida, que acompanha os primeiros anos de Sigmund Freud como médico na Viena do final do século XIX, um ambiente marcado pelo ocultismo.
Com ideias inovadoras, muitas vezes vistas como charlatanismo, Freud realiza seus primeiros experimentos com a hipnose, especialmente com uma paciente chamada Frau Salomé. A trama combina elementos da biografia do médico com uma série de mistérios e acontecimentos ficcionais.
Embora recupere alguns aspectos conhecidos da vida de Freud, a série assume livremente a ficção, e isso não chega a ser um problema. Envolvente do início ao fim, destaca-se pela atmosfera gótica da Viena oitocentista e pelo modo como flerta abertamente com o terror.
Adorei assistir e recomendo.
FRANKENSTEIN (2025): Assisti ontem, na Netflix, ao filme mais recente do meu queridinho Guillermo del Toro e gostei, claro, mas confesso que, entre seus trabalhos do diretor que assisti mais recentemente, esse foi o que menos me agradou. Inclusive do ponto de vista visual.
Não posso dizer nada sobre a adaptação, porque nunca li o romance de Mary Shelley. Falando apenas do filme, ele me parece mais um belo épico dramático do que propriamente um filme de terror. Aliás, o elemento de horror foi bastante suavizado.
Começando pela criatura, que, mais do que uma figura gótica composta por pedaços de cadáveres, é um LINDO (como as criaturas dos filmes de DelToro vostumam ser), construído para conquistar nossa simpatia, mesmo sendo algo que, em teoria, jamais deveria existir.
O foco desta adaptação está em outras questões centrais da história: a complexa relação entre criador e criatura, o sentimento de não pertencimento, a solidão e a busca por aceitação.
Muito para além de Frankenstein, o interessante de ter visto essa obra nessa deliciosa jornada de Del Toro que estou atravessando , foi me deparar com uma adaptação que privilegia menos o medo e mais a humanidade dos personagens.