quarta-feira, 19 de agosto de 2026

CORINA (2005), México, dir. Urzula Barba Hopfner

 


CORINA (2025), México, direção de Urzula Barba Hopfner. O filme conta a história de uma revisora de livros de 28 anos que sofre de agorafobia (pânico de sair de casa) e é obrigada a circular pela cidade para tentar corrigir um erro que cometeu, contando com a ajuda de alguns amigos nessa jornada de superação.

Assisti no Prime, por indicação de uma querida que divulga filmes latino-americanos, e achei bem ok. Para mim, o maior impacto foi visual. Embora Corina recuse estar na rua e em contato com as pessoas, tudo ao seu redor é muito iluminado, quente e bonito. Os lugares e personagens são alegres, cheios de cores harmoniosas que não costumo ver com frequência no cinema disponível nos streamings, especialmente nos filmes norte-americanos. Ponto positivo.

Embora a premissa seja interessante, ela se desenvolve de forma um tanto truncada, talvez refletindo a própria limitação imposta pela fobia de Corina. O fato é que o roteiro abre vários caminhos narrativos, mas não desenvolve nenhum deles plenamente. Os amigos da lanchonete que a ajudam, por exemplo, encontram maneiras comoventes de se comunicar com ela, mas simplesmente passam por sua vida e logo são descartados. Não sabemos quem são nem por que se dedicam tanto a ajudá-la. É possível que a diretora esteja tentando reproduzir a experiência fragmentada de quem sofre de agorafobia, mas, para mim, isso não funcionou muito bem.

Mesmo sendo simpática a trama da revisora que é, no fundo, uma escritora frustrada e reescreve os finais dos romances que revisa, geralmente melhorando-os, no conjunto achei um filme apenas ok.

Revi "Inteligência artificial " (2001)

 


AI Artificial Inteligence : Eu tinha assistido a "AI" quando foi lançado e lembrava pouco, só do Pinóquio (amo) e de que chorei muito no final (como sempre quando envolve Spielberg e crianças). Desta vez, quase trinta anos depois, chorei novamente.

São muitas questões levantadas sobre robôs, amor e humanidade, pertencimento, direito à existência, temas caros à ficção científica, que nos relembram tantos outros filmes, como Blade Runner. Desde o início, o filme nos liga ao robô David (Harley Joel Osment, esse ator mirim excepcional que nem pisca nesse filme, o mesmo de O Sexto Sentido!), que foi projetado com amor incondicional e para todo o sempre e, depois, configurado para amar especialmente sua mãe, Mônica. Não consegue fazer outra coisa: mesmo depois de séculos, da morte e até do fim da humanidade, segue buscando ouvir dela "eu amo você, David", quase como se fosse um humano movido pelo desejo.

Gostei muito de reencontrar esse filme complexo e salientar que foi, sobretudo, uma grande homenagem póstuma de Spielberg ao seu amigo Stanley Kubrick, idealizador do projeto!

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

BALANÇO DA FLIN 2O26

 

 

BALANÇO DA FLIN 2026: Como sabem, acompanhei a Feira Literária Internacional de Niterói, a FLIN. Eu estava em Niterói, mas apenas para isso, então não deu para acompanhar o evento o tempo todo. Mesmo assim, fiz questão de ir um pouco todos os dias.

Logo descobri que não conseguiria escolher as falas. Tudo muito concorrido, ingressos esgotados, especialmente os mais disputados, como Jefferson Tenório. Mas eu ainda tentei. Consegui assistir a Ana Maria Machado e Luiz Antonio Simas, e não me arrependi. Não consegui ver Ondjaki. Mas acompanhei mesas muito interessantes sobre arquivos de escritores, com o Fabrício Carpinejar, histórias para crianças e Guimarães Rosa, meu amor!

De tudo, destaco o autógrafo da Machado, que a menina leitora Camila esperou tantos anos e mereceu! 


Viva Camila!


Assisti Fabrício Carpinejar numa fala mais motivacional e menos poética do que eu gostaria, mas fez sucesso. 



Depois, a fala emocionante de Luiz Antonio Simas. Bateu uma saudade da História, de gostar de História,  da cultura popular, do Brasil! Chorei mesmo!


No último dia, Dunker e os questionamentos sobre sermos humanos: problemas do nosso século. De todos os séculos. 


E, no final, a leitura de trechos de Grande Sertão: Veredas, incluindo a morte de Diadorim: "não escrevo, não falo, para assim não ser". E tocou "Na Primeira Manhã", do Alceu Valença. Chorei mesmo!



Que maravilha de festa, FLIN! Já me inspirou a comprar dois livros no sebo: A Audácia Dessa Mulher, da Ana Maria Machado (só 10 reais!), e A Reinvenção da Intimidade, do Dunker, para aprofundar questionamentos sobre nossa humanidade nestes tempos que vivemos.

Melhor que isso, impossível!

Algumas reflexões posteriores 









terça-feira, 4 de agosto de 2026

DEAR EX

 



Dear Ex (2018) é um drama taiwanês disponível na Netflix que aborda, com sensibilidade e certo humor, as tensões provocadas pela morte de um ator que deixa o seguro de vida para o seu amante, excluindo a esposa e o filho, o que acaba exigindo uma intensa reorganização familiar.

​É um filme muito legal sobre a temática gay e como ela ainda pode ser percebida de forma conservadora na sociedade de Taiwan. Contado a partir do ponto de vista do filho adolescente, é todo desenhado (literalmente) e insere o teatro na trama de forma  inteligente.  O mais interessante é ver cores diferentes na tela e, especialmente, ouvir outro idioma (o filme tem legenda, mas o áudio original é em mandarim!). Gostei muito e recomendo.

domingo, 2 de agosto de 2026

GRAVURAS DE REMBRANDT E PASSEIO NO CENTRO

 



Ontem eu e minha amiga Vera inauguramos o mês de agosto com um passeio delicioso pelo centro, para visitar a exposição de gravuras de Rembrandt do século XVII. E ver o espetáculo do centro de São Paulo.  A vida presta! 




Catedral da Sé 














quarta-feira, 29 de julho de 2026

Comecei a ler "Memorias de Adriano"

 

DIFICIL COMEÇAR 


ADRIANO : Leitura difícil de engrenar, mas  não vou desistir porque surgem trechos assim: 

 "Confesso que a razão  permanece confusa em presença do prodígio do amor, da estranha obsessão que faz com que essa mesma carne, que tão pouco nos preocupa quando  nosso corpo, limitando-nos somente a lavá-la, nutri-la e, se possível,  impedi-la de sofrer,  possa inspirar-nos  uma tal paixão de carícias porque é animada por uma personalidade diferente da nossa e porque representa certos traços de beleza sobre os quais, aliás,  os melhores juízes não estariam de acordo.  Aqui, como nas revelações dos , tudo se passa além do alcance da lógica humana. A tradição popular não se enganou ao ver no amor  forma de iniciação e um ponto onde o secreto e o sagrado se tocam. A experiência sensual equipara-se aos Mistérios quando a primeira aproximação provoca nos não iniciados o efeito de um rito mais ou menos assustador, escandalosamente desligado de todas as funções até então familiares,  como comer, beber e dormir, parecendo antes motivo de gracejo,vergonha, ou terror. Da mesma  que a dança das Mênades ou o delírio dis Coribantes, nosso amor arrasta-nos para um universo diferente,  onde, em situação normal, nos é  vedada a entrada e onde cessamos de nos orientar,  uma vez apagado o ardor e extinto o prazer. Cravado no corpo amado como um crucificado à sua cruz, penetrei certos segredos da vida que começam a desvanecer-se da minha lembrança por efeito da mesma lei que faz com que o convalescente, depois de curado , cesse de encontear-se nas misteriosas verdades do seu mal, e que o prisioneiro posto em liberdade esqueça a tortura, e o triunfador a embriagues da glória. " (Marguerite Yourcenar. Memórias de Adriano, p.21/2)

segunda-feira, 27 de julho de 2026

TOUCH (2024), Baltasar Kormákur

 


TOUCH (2024), dirigido por Baltasar Kormákur, é uma coprodução entre Islândia, Reino Unido e Estados Unidos. Baseado no  homônimo de Ólafur Jóhann Ólafsson. Na trama, Kristofer, um homem idoso que, ao perceber os sinais do avanço de uma doença  que ameaça sua memória, decide interromper a rotina e partir em busca de uma pessoa importante de seu passado, mesmo em plena pandemia de covid19. 

Assisti na Netflix esse filme calmo, lindo de viver, ou como chamam, um filme conforto. Mais perto do final da vida e procurando apenas resgatar uma memória,  Kristofer volta a Londres onde cursou a universidade e isso o leva a outro país,  onde descobre algo surpreendente sobre seu próprio passado.