sexta-feira, 20 de março de 2026

"Silêncio dos inocentes": melhor filme da vida?

          

Durante muito tempo, até pré adolescência, quando me perguntavam qual era meu filme favorito, eu respondia este sem hesitar, embora já quase não me lembrasse dos detalhes do filme que assisti aos 11 anos. Ainda assim, sabia que era bom. Esses dias, encontrei no Prime Video e resolvi assistir novamente.

Que filmaço. Uma verdadeira aula de suspense e tensão. As cenas com Hopkins e Foster, então, são impressionantes.

Ao final só comentei: caramba, que filme é esse?😱

Pedi à IA um resumo das informações e deixo aqui a indicação para todos: assistam.

"O Silêncio dos Inocentes" (1991), de Jonathan Demme, é um dos thrillers psicológicos mais marcantes do cinema. Conta a história da agente do FBI Clarice Starling, interpretada por Jodie Foster, que busca a ajuda do brilhante e perturbador psiquiatra canibal Dr. Hannibal Lecter, vivido por Anthony Hopkins, para capturar o assassino em série Buffalo Bill, interpretado por Ted Levine. À medida que Clarice se aprofunda nesse jogo psicológico intenso, ela precisa enfrentar não apenas o criminoso que procura, mas também seus próprios medos e traumas.

Beleza Americana: eterna crises do American way of lifecrises

 

         


Assistir "Beleza Americana" (1999), de Sam Mendes, em 2026 é divertido e interessante, pois nos deparamos com uma narrativa que debocha do American way of life de diversas formas, mas se mantém atual ao sublinhar questões ainda em destaque.
Isso faz sentido, já que a virada do século XX para o XXI trouxe um olhar mais atento ao declínio do império americano, processo que continuamos a acompanhar.
O filme explora a crise existencial de um homem de meia-idade que, ao se ver no limite, tenta reagir, causando desconforto nas pessoas ao seu redor, que passam então a encarar e revelar seus próprios vazios por trás de vidas aparentemente estáveis.
O impacto da obra vem menos de reviravoltas e mais de transformações internas, mostrando como qualquer reação pessoal, por mínima que pareça, pode conduzir a mudanças que se tornam decisivas.

Mercado play e o envelhecimento


 Gosto de usar a plataforma Mercado Play, que é gratuita e tem um catálogo muito interessante para quem tem mais de 40 anos. São filmes considerados bons ou ótimos quando foram lançados, há pelo menos 20 anos, ali na virada do século. Revisitar essas obras vale, no mínimo, para perceber se envelheceram bem ou não. O mais bacana é que todos os que assisti até agora, ainda poucos (Eu, Robô; Beleza Americana; Controle Total), continuam ótimos, mostrando que filme bom não tem idade.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Livros rESTANTEs

 

LIVROS RESTANTES (2023), disponível no Amazon Prime, dirigido por Rebeca Diniz, o filme  conta a história de Ana, interpretada por Denise Fraga,uma professora,que prestes a se mudar para o exterior, desmonta sua vida entre objetos e afetos em Florianópolis. 

A parte mais difícil é esvaziar sua estante de livros, por todo o simbolismo que carrega. Ela decide, então, devolver aos remetentes cinco obras que ganhou com dedicatórias. Ana pede que essas pessoas guardem os livros rESTANTEs, cheios de significado, como forma de preservar o afeto construído ao longo dos anos.

Um detalhe no filme é a mesma canção em forma de samba e de fado, representando a vida de Ana Catarina, catarinense de ascendência portuguesa, que viaja de Florianópolis a Portugal . Quantos livros nessa viagem?

Um filme lindo e super significativo para quem se formou como pessoa na cultura do livro. Super recomendo!



domingo, 15 de março de 2026

"Contos de Nova York", um passeio pelo bom cinema

 


"Contos de Nova York" (1989) é um filme dividido em três partes, cada uma dirigida por um renomado cineasta. 


Em "Lições de Vida", Martin Scorsese conta a história do pintor Lionel Dobie, vivido por Nick Nolte, um homem de meia-idade que sofre por ter criado uma dependência emocional de sua jovem assistente Paulette, interpretada por Rosanna Arquette. Marcadamente ambientada na década de 1980, com uma trilha sonora de excelente seleção, a trama é puro charme ao abordar medo, rejeição e criação artística.


No delicioso "Vida sem Zoe", de Francis Ford Coppola, conhecemos a história da precoce Zoe, interpretada por Heather McComb, que vive sozinha em um hotel de luxo em Nova York, cercada de conforto, mas carente da presença dos pais. Sua mãe, Charlotte, é vivida por Talia Shire, e seu pai, Claudio, um músico constantemente ausente, é interpretado por Giancarlo Giannini. Em meio às tentativas de reconciliação dos pais, Zoe é levada a lidar com a solidão e o amadurecimento. Com a colaboração de sua filha Sofia Coppola, Francis cria uma história leve e divertida sobre pequenos milionários.



Na hilária "Édipo Arrasado", Woody Allen interpreta Sheldon Mills, um advogado nova-iorquino atormentado por sua mãe superprotetora, vivida por Mae Questel. Após desaparecer durante um número de mágica, ela retorna de forma surreal no céu da cidade, visível a todos, passando a comentar publicamente a vida do filho e convidando toda a população a opinar sobre o que ele deve fazer.

Que experiência fantástica assistir a essa película tão marcante em suas três excelentes partes, relembrando o que há de melhor na experiência que o cinema pode oferecer.

sábado, 14 de março de 2026

"Meu amigo Tororo", O ponto de vista da criança em "Meu amigo Totoru"

 
          

MEU AMIGO TOTORO

Assisti ontem Meu Amigo Totoro (1988), dirigido por Hayao Miyazaki e produzido por Toru Hara. É um filme dos Studio Ghibli. A animação acompanha as irmãs Satsuki e Mei, que ainda na infância se mudam com o pai para uma casa no campo enquanto a mãe está internada em um hospital. As duas meninas gritam muito e se aventuram nesse novo ambiente. Nessa realidade rural, exploram a natureza e acabam fazendo amizade com figuras mágicas protetoras da floresta, como o mais fofo deles, o amigo Totoro.

É um dos filmes mais infantis, no melhor sentido, que já vi. Sobre o que realmente acontece com a família, qual é a doença da mãe ou em que hospital ela está internada, sabemos muito pouco. Apenas o mínimo que uma criança saberia. Sabemos muito mais sobre as figuras mágicas que habitam o entorno e que, na verdade, dão significado à história.

Saber que esse filme foi lançado pelos Studio Ghibli simultaneamente ao lendario filme de animação  sobre o pós guerra japones  O Túmulo dos Vagalumes , s o qual comento aqui obre é uma informação interessante. São duas visões quase opostas da infância e duas animações essenciais. Nunca mais me esquecerei da musiquinha “tuturututuro tututurututu”… muito fofo!

Como outros trabalhos do Studio Ghibli, o filme está disponível na Netflix. Recomendo! 🎬🌿

Imagens de fofoca





segunda-feira, 9 de março de 2026

HISTORIADORAS NO OSCAR 2026




HISTORIADORAS NO OSCAR 2026

​Neste ano assisti a dois concorrentes ao Oscar de Melhor Filme Internacional, Valor Sentimental e O Agente Secreto. Escrevo aqui para observar um “detalhe” que ambos têm em comum: mostram historiadoras trabalhando em nossa profissão, pesquisando.

​Em Valor Sentimental, Agnes Borg Pettersen é a filha mais nova da família Borg e também é historiadora, aquela que realiza a pesquisa nos arquivos sobre o passado da avó, que se suicidou após ter tido vida intensa e ter sido perseguida por sua atuação na luta antinazista no século XX. No filme, quando vemos Agnes pesquisando em um arquivo a história da avó, essa trajetória já havia sido parcialmente apresentada em um dos pequenos filmes contidos nessa bela película. É interessante que, mesmo sendo todas personagens fictícias, a importância real do trabalho de pesquisa histórica, neste caso para dar bases a narrativas artísticas, aparece ressaltada. Afinal, sem o resultado de sua investigação mais técnica, nem ela, nem sua irmã Nora Borg, e talvez nem o próprio pai, o cineasta Gustav Borg, saberiam muito sobre as dores que atingiram a avó das duas. Foi ele quem a encontrou morta em casa, abrindo uma enorme ferida que passa a reverberar na relação com as filhas. O trabalho profissional de Agnes, que consiste em desvelar a trajetória de tantas pessoas que realmente atuaram no passado, aparece aqui como fundamental para se contar a História e para sustentar o próprio roteiro.

​Já em O Agente Secreto, percebemos uma espécie de homenagem de Kleber Mendonça Filho à sua mãe, que foi pesquisadora de História Oral. No filme, duas historiadoras aparecem trabalhando na investigação sobre quem foi Armando e por que ele teve de mudar seu nome para Marcelo no Recife da década de 1970. Ao contrário da primeira obra, nesse caso não ficou claro se essa pesquisa foi encomendada para a realização de filmes, nem mesmo este do qual ela faz parte. No entanto, trata-se também de uma “pesquisa” ficcional sobre personagens ficcionais.

​Seguindo os caminhos da metodologia histórica, a historiadora Flávia chega a procurar Fernando, o filho do protagonista Armando, para lhe mostrar tantas coisas sobre o pai, com quem ele próprio tivera contato intenso apenas na primeira infância, como é mostrado no filme. Já adulto, ele mal se lembra racionalmente de muitos episódios. A historiadora sabia mais sobre Armando do que seu próprio filho. Flávia aparece como agente do resgate racional do passado. Já Fernando nada sabia objetivamente sobre o pai, mas o recordava demais. Recordar é diferente de lembrar, pois passa pelo radical “cor”, que significa trazer de volta ao coração. Quantas vezes, como historiadores, não tivemos nossas pesquisas técnicas preenchidas pelo material humano dos depoimentos orais, em princípio tão fragmentários, até que tudo começa realmente a fazer sentido.

​De duas formas diferentes, nós historiadores fomos presenteados por termos nossa profissão validada em dois filmes concorrentes a prêmio internacional. Seja lá quem ganhe o Oscar, pode até não ser nenhum desses filmes, ainda assim nós, historiadores, já ganhamos o prêmio de ver nossa profissão tão bem representada no cinema em 2026.