domingo, 25 de outubro de 2026

25 de outubro : Aniversário e eleições

 


Eu sabia que seria um dia tenso, domingo, meu aniversário, segundo turno de uma das eleições  mais complicadas,  tinha que virar contra o fascismo e a campanha pesadíssima... nas vesperas, eu me posicionei nas redes sociais e fiz o L


No dia virou o tempo, fez frio e  choveu o dia todo. 

Nas redes falaram pra não ir de vermelho, que era petigoso. Mas não ouvi: era a ultima vez que votaria em Lula, era o voto pela democracia e um chute na ameaça facista ... fui até de guarda chuva vermelho 


Na hora  de votar, percebi iuma ausência de pessoas e geral na minha sessão.  Pode ser a chuva,  mas entrei e votei. Quase não vi outros votantes.  Nada da overdose de idosos do primeiro turno.  Só  sei que fiquei de frente a urna, reparei bem na foto de Lula sorridente de chapéu Panamá,  me  emocionei e disse: muito obrigada por tudo.  E votei.

Última vez que vi a foto do Lula na urna! Ele sorria de chapéu Panamá.  Depois, em casa, até coloquei o meu pra tirar foto.Obrigada por tudo, Lula !🥰

Mas o medo era real, quando sai da sessão para ir embora,  disse para as mesárias ( só mulheres) : hoje é meu aniversário,  tudo de bom pra nós... e foi lindo qusndo todas responderam PARABÉNS, BOA SORTE! 


Sai sorrindo, mas o clima estava tenso. Lembrei que tinha comprado um Yakisoba de microondas e fiz para experimentar no almoço,  ficou muito gostoso.  Coloquei pijama pra passar a tarde com Murakami.

Ganhei presentinhos emocionantes, mas ainda faltava o presentão pra eu dividir com povo brasileiro: Lula presidente e um chute no fascismo.

Não foi rápido ou fácil,  mas ele também veio.

Lula fez história novamente , ganhou de virada , com um percentual muito maior que na última eleição, uma vitória incontestável: Mais de 4 milhões e 300 mil votos de vantagem!

Claro que só foi possível porque , realmente,  todas as forças se uniram contra a ameaça fascista , então vencemos. 

Parabens pro Lula. Parabéns pra nós. 












O dia mais longo do ano acabou, levou o fascismo,  levou meu inferno asteal.
Um novo ciclo se inicia 47 , lá vamos nós! 

sábado, 24 de outubro de 2026

Trilogia IQ84, Haruki Murakami, Volumes 1 e 2

 


Comentários sintéticos após leituras dos dois volumes. 

​1Q84 | Livro 1 
​A trilogia 1Q84 é frequentemente descrita como o projeto literário mais ambicioso de Murakami. Confesso que esse tipo de elogio costumava me entediar antes mesmo de eu começar a ler. Agora que entrei em seu universo, posso dizer que é realmente audacioso, consistente, fascinante e inconfundivelmente Murakami. Na verdade, eu diria que é Murakami em sua forma mais Murakami. Que romance!
​Uma daquelas obras cuidadosamente construídas para serem saboreadas aos poucos, até você se sentir tão imerso que tudo começa a fazer sentido. Até mesmo seu título reinventado capta o fluxo da narrativa: ABSOLUTAMENTE LITERATURA! 😜
​O Livro 1 é bem introdutório. Conhecemos os personagens principais, Tengo e Aomame, e começamos a entender a história à medida que um novo mundo surge através das frestas do mundo em que habitamos.
​Estou tão feliz por ter começado esta leitura. Eu merecia isso.

​1Q84 | Livro 2
​O Livro 2 mantém a alternância de capítulos entre Tengo e Aomame, mas aprofunda nossa compreensão sobre a conexão entre eles. Descobrimos que eles se conheceram na infância e como suas vidas se cruzaram brevemente na vida adulta, sem que nenhum dos dois percebesse.
​O ponto alto deste volume é a subjetividade dos personagens, explorada por meio do diálogo com outras narrativas, especialmente A Cidade dos Gatos e Crisálida de Ar, o livro fictício lido e recontado por Aomame. Através da criação de Tengo e Fuka-Eri, começamos a nos perguntar se esse universo fictício está realmente se materializando na nova dimensão de 1Q84.
​Os dois últimos capítulos ecoam os capítulos de abertura do Livro 1, revelando a arquitetura narrativa cuidadosamente construída por Murakami. O capítulo de Aomame termina com uma referência a Tengo, enquanto o dele termina com a intenção de procurá-la. Dessa forma, Murakami encerra a primeira etapa da trilogia, composta por dois volumes, ao mesmo tempo em que abre caminho para o Livro 3.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Eu sou de Escorpião!



 Na manhã de 23 de outubro  entramos no signo de Escorpião, que aparece muitas vezes no meu céu . 

Pedi a IA um comentário breve sobre a presença de  Escorpião na minha configuração astral.  A resposta:


"Em 23 de outubro, quase às vésperas do meu aniversário, Escorpião ocupa um lugar especial no meu céu astral: Sol, Lua e Vênus nesse signo. Identidade, emoções e amor atravessados pela mesma busca de profundidade. Há em Escorpião o desejo de ir além das aparências, de investigar o que se esconde sob a superfície e de viver os vínculos com intensidade. Meu Ascendente em Gêmeos acrescenta a curiosidade, a palavra e a necessidade de compreender. Talvez seja essa a combinação que me move: pensar, sentir e amar sem me contentar com o que é superficial. Transformar-se também é uma forma de permanecer fiel a si mesma."

Amo ser escorpiana e estou muito aliviada porque a entrada da temporada do meu signo tende significar que migro pra águas mais calmas. 

Assim seja!

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Olhar a história pela janelinha

Com meu amarelinho 

Com um prazer inenarrável, fui convidada e participei novamente de um congresso sobre Guimarães Rosa. Dessa vez, fui falar especificamente do artigo “As novas realidades nas fictâncias de Guimarães Rosa”, um texto antigo, publicado em 2018.


Seguindo meus estudos, falei sobre a ficção, ou “fictâncias”, para usar um termo de Rosa, como mediadora e engendradora das relações entre História e Literatura. Filho de sua época, escrito há quase dez anos, meu artigo estava ancorado nas discussões propostas pelo professor Luiz Costa Lima, para quem a ficção é o “como se”, e por Carlo Ginzburg, que a via como uma zona intermediária em que se entrelaçam verdades e possibilidades capazes de iluminar a opacidade do passado.

Desde a publicação do artigo, o tema se desenvolveu e ganhou muitas outras complexidades. Mas, como sou historiadora, acho importante revisitar aquele momento da fortuna crítica rosiana.

Partindo dessa base teórica, propunha uma interpretação do livro Primeiras estórias (1962), que, em 1982, Costa Lima definiu assim:

“São as primeiras estórias de um Brasil novo, no começo do surgir.”

Do livro, abordei o primeiro e o último contos.

Nesse primeiro conto: só alegrias 
Nesse segundo conto, superação e maturidade

 Ambos tratam de duas viagens de um mesmo Menino para visitar o lugar de onde poderia observar o processo histórico da modernidade em curso “da janela do avião”. A narrativa da história de Brasília seria, assim, atravessada pelo olhar infantil, que a ficcionaliza criativamente.

Foi muito legal, uma pena que quase não consegui apresentar o trabalho! Tinha tudo pronto, com os slides feitos, mas nenhum dos meus dois computadores portáteis velhos queria funcionar. Até mesmo o Meet no celular não abriu e, mesmo na hora da apresentação, a conexão caiu mil vezes.

Mas as organizadoras do evento foram umas fofas, especialmente a professora Verônica Daniel Kobs, que recebeu meus slides e me permitiu apresentar pelo celular.

Que delícia passar uma tarde ouvindo falar de Guimarães Rosa!

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Lágrimas de Aomame

 

Foto Google Images 


"Lágrimas escorreram dos olhos de Aomame. Ela chorava por todas as perdas que sofrera até então.  e por tudo que estava para perder. Por fim- após um tempo que não pôde previsar - ,atingiu um ponto em que não conseguia mais chorar. Como se os sentimentos tivessem esbarrado  numa parede invisível,  e as lágrimas secaram."


"IQ84 vol2", Haruki Murakami, p.215




domingo, 18 de outubro de 2026

1Q84 e a cidade dos gatos




Ilustração Google Imagens 

1Q84 E A CIDADE DOS GATOS

Em meio à imensa trilogia de Murakami, no livro 2, Tengo, um dos protagonistas, lê um conto fictício alemão sobre um viajante que chega a uma estação tranquila e agradável, mas logo descobre que ali não há pessoas, apenas gatos gigantes que o veem como um forasteiro inimigo. Sua humanidade se torna um problema naquele lugar ao qual não pertence.

O viajante percebe que os trens continuam circulando, mas nenhum para na estação. Sem conseguir partir, compreende que aquela é a cidade onde se perderá para sempre, deslocado, inadaptado, prisioneiro de um mundo que não é o seu.

Poxa, será que também desembarquei na cidade onde vou me perder para sempre, sem ainda ter percebido? Nenhum trem parou, por enquanto!


 

sábado, 17 de outubro de 2026

LUA E SOLIDÃO em 1Q84, Murakami

 

Foto Google Images 


LUA E SOLIDÃO: "O jeito de Aomame olhar a lua instigava-o a imaginar que havia nesse seu olhar algo de assustadoramente  sincero.

Difícil saber o que Aomame teria pedido à lua. Mas Tengo conseguia imaginar o que a lua teria lhe oferecido . Possivelmente,  a lua teria oferecido  UM SENTIMENTO DE SOLIDÃO E SERENIDADE; era o que podia oferecer de melhor."

Haruki Murakami,  1Q84 v.2, p. 290