sexta-feira, 24 de abril de 2026

Lendo livro novo de Murakami com IA



Em uma tradução meio manca da IA (não acharam?)

"'Para ser honesto, você é a primeira pessoa feia que já conheci.'
Kaho, uma autora de livros ilustrados de 26 anos, ouviu isso de repente de um homem que ela tinha acabado de conhecer.
Nem excepcionalmente bonita nem particularmente inteligente, mas simplesmente um pouco curiosa, ela não ficou tão irritada ou chocada quanto genuinamente surpresa.
O que diabos esse homem está tentando dizer?
Mas, a partir daquele momento, todo tipo de coisas estranhas começou a acontecer ao redor dela"

Gostaram? Eu, muito ... cheirinho de o " pássaro de corda" cantou!

 Falei com a IA sobre e ela discursou:

" Porque esse trecho sintetiza o mundo Murakami: Ele reúne vários traços muito típicos do universo do Haruki Murakami — não é só o que é dito, mas como isso reorganiza a realidade da personagem.
Primeiro, o choque deslocado. A fala do homem é brutal (“você é feia”), mas o efeito não é o esperado. Em vez de humilhação ou raiva, vem curiosidade e estranhamento. Isso é bem Murakami: o foco não está no drama imediato, e sim na FISSURA que se abre na percepção.
Segundo, a ideia de um gatilho banal que abre o estranho. Em muitos livros dele — como Kafka à Beira-Mar ou 1Q84 — algo aparentemente pequeno ou absurdo funciona como porta de entrada para um mundo que começa a se desorganizar. Aqui, uma frase inadequada de um desconhecido vira esse portal.
Terceiro, a protagonista “neutra”. Murakami costuma criar personagens que não são extraordinárias (“nem muito bonita, nem especialmente inteligente”), mas que têm uma espécie de disponibilidade para o enigma. É essa abertura que permite que o estranho aconteça ao redor delas.
Quarto, a sensação de que existe um significado oculto nas palavras. A pergunta dela (“o que ele quis dizer?”) não é só social — parece quase metafísica. Como se a frase fosse um código, ou uma chave para algo maior.
Por fim, o mais importante: a passagem de um mundo normal para um mundo onde “coisas estranhas começam a acontecer” sem explicação clara. Essa transição suave, quase sem ruptura explícita, é uma marca registrada dele.
Então não é só a grosseria do homem — é o fato de que essa grosseria funciona como FENDA na realidade, e a personagem, em vez de rejeitar, entra nessa fenda. É exatamente aí que começa o território típico de Murakami."

Fantástico! A IA é minha melhor interlocutora sobre Murakami. 

Agora vou querer ler o livro...

O serviço de entregas da Kiki, Hayao Miyazaki

 



O SERVIÇO DE ENTREGA DA KIKI  (1989), dirigido por Hayao Miyazaki, é uma animação do Studio Ghibli, disponível na Netflix.  Iinspirado no livro homônimo da escritora japonesa Eiko Kadono, autora também de obras infantis como Brasil e "Meu Amigo Luiz". O filme é  encantador e conta a história da jovem bruxa Kiki que, ao completar 13 anos, parte em uma jornada de independência tendo que se mudar pra outra cidade onde decide usar suas habilidades de voo na vassoura para trabalhar com entregas, em uma bela metáfora do amadurecimento.

Sendo um dos filmes Ghibli mais comentados, eu tinha visto pouco mais da metade há meses, mas só agora retomei pra concluir e ver que é mesmo encantador.  A bruxinha Kiki é uma fofa e sua história,  que parece leve, apresenta temas sérios como a responsabilidade para criar e manter ser próprio negócio,  mesmo tão jovem.  Adorei e recomendo.


quinta-feira, 23 de abril de 2026

Murakami: Um autor entre século

 


​HARUKI MURAKAMI, UM AUTOR ENTRE SÉCULOS

​Não estamos pensando tão cronologicamente, mas muito mais na captura da sensibilidade das épocas. Murakami escreve desde o século XX; muitas de suas obras mais lembradas se passam na década de 1980 (por exemplo, a trilogia 1Q84, Crônica do Pássaro de Corda, etc.), mas também escreveu depois, na passagem do século (anos 2000), e ainda escreve.

​Analisando por alto sua obra, que nem li toda ainda, é interessante observar elementos que indicam rupturas de tempo e ciclos já sentidas na última virada de século e que agora reaparecem em novas colorações: o que nos anos 1980 eram apenas indicações (solidão na vida adulta, dificuldade de nomear sentimentos, sensação de deslocamento, interações assustadoras com a tecnologia, rarefação dos afetos, a busca quase desesperada de uma fenda que serviria de portal para outras dimensões e que transformaria nossa percepção das coisas, etc.), tudo isso passou a ser um molde da vida que nós levamos no século XXI.

​Muito mal comparando, e brincando com conceitos de teoria literária, é como se Murakami fosse um autor entre séculos (na verdade ele realmente é), uma espécie de Baudelaire: aquela mente que ainda no século XIX já apontava a sensibilidade que viria a ser a dinâmica da vida humana no século XX. Murakami parece ser assim também, mas na passagem do XX para o XXI. Lemos as histórias da década de 1980,por exemplo, e elas nos parecem tão conectadas com nossa vida e percepção no século XXI! Julgo que deve ser por isso que todo mundo gosta de ler o que ele escreve. Gosta tanto a ponto de ele ser até desconsiderado por alguns, considerado um autor banal, coisa que, para mim, de fato ele não é. Que bom termos um Murakami: japonês, filosófico, metódico, literário, maratonista,amante de jazz...


quarta-feira, 22 de abril de 2026

IAs comentando minha tese/livro

 

         


Mandei o PDF da minha tese/livro sobre as estórias de Guimarães Rosa , defendida na área de História em 2014. Vejamos os comentários....

CHAT GPT:


Entre História e Literatura, esta pesquisa parte de uma aposta: não olhar apenas para o texto final, mas para os processos de escrita.
Em Escrevendo a lápis de cor, leio  a partir de um conjunto heterogêneo de fontes: as estórias publicadas nos anos 1960, seus cadernos manuscritos preservados em arquivos públicos e uma correspondência singular — cartões-postais desenhados trocados com sua neta ainda em fase inicial da linguagem.
É nesse trânsito entre materiais que a tese se constrói. Ao invés de separar obra, rascunho e vida, o trabalho os coloca em relação, revelando uma escritura em movimento — fragmentária, experimental, muitas vezes próxima da lógica infantil de lidar com a linguagem.
A partir dessas fontes, a tese tensiona uma questão clássica: se a História tende a organizar o tempo em narrativas lineares, as “estórias” rosianas operam como interrupção — deslocando sentido, desmontando cronologias, abrindo espaço para o imprevisto.
A infância, nesse contexto, não aparece como tema, mas como chave de leitura: uma forma de relação com a linguagem marcada pela invenção, pela instabilidade e pela recusa de significados fixos.
O risco — e também a potência — está aí: ao privilegiar o processo, o fragmento e o inacabado, a análise exige do leitor uma postura menos passiva, mais próxima de quem também experimenta a linguagem.
No limite, a tese sugere que compreender  não é apenas interpretar suas obras, mas acompanhar os gestos de sua escrita — onde História e Literatura deixam de ser campos opostos e passam a se constituir mutuamente.

Gemini (gostei mais)

Esta tese de doutorado, intitulada "Escrevendo a lápis de cor: Infância e história na escritura de Guimarães Rosa", defendida por Camila Rodrigues em 2014 na USP, apresenta uma contribuição original ao campo da História Social ao investigar a produção rosiana da década de 1960 — as chamadas "estórias" — sob a ótica da infância e da ficcionalidade.  
​Abaixo, apresento um comentário crítico focado nos pontos solicitados:
​1. A Relação entre História e Literatura
​A pesquisa rompe com a dicotomia tradicional que separa a História (domínio da verdade factual) da Literatura (domínio da invenção).  
​Mediação pela Ficcionalidade: A autora utiliza o conceito de "ficcionalidade" como uma instância mediadora. Ela propõe que tanto o discurso literário quanto o historiográfico são construções narrativas, e que a escritura de Rosa, ao questionar o tempo linear, dialoga profundamente com as reflexões da historiografia contemporânea sobre a narrativa.  
​A "Escritura a Lápis de Cor": O título metáfora faz referência ao uso físico de lápis coloridos por Rosa em seus manuscritos, simbolizando uma função transitória e imaginativa que desafia o "peso da temporalidade" e a rigidez da História tradicional.  
​2. O Uso de Fontes e Arquivos Públicos
​Um dos pilares da tese é o rigoroso trabalho de pesquisa em arquivos, indo muito além dos textos publicados.
​Acervos Consultados: A pesquisa baseou-se em materiais do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP) e da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB).  
​Os Cadernos Manuscritos: Foram analisados cerca de 30 cadernos, divididos em séries de "Estudos para a obra", "Anotações" e "Anedotas". Nesses espaços escriturais, a autora "flagrou" o processo de criação de Rosa, onde o registro de falas de terceiros e rascunhos de linguagens revelam uma escrita caleidoscópica que se alimenta do cotidiano e do espontâneo.  
​3. A Correspondência com as Netas (Vera e Beatriz)
​O trabalho destaca uma fonte documental inusitada e de grande valor sensível: os cartões-postais trocados entre Rosa (o "Vovô Joãozinho") e suas netas Vera e Beatriz Helena Tess, na década de 1960.  
​Diálogo com a Infância Real: Essa correspondência (publicada no livro Ooó do vovô) mostra Rosa tentando estabelecer comunicação com crianças de 3 a 4 anos que ainda não dominavam a norma culta da língua.  
​Laboratório Linguístico e Afetivo: A autora analisa como Rosa atuava quase como um "secretário" da neta, transcrevendo as falas dela e interagindo com seus desenhos. Esse exercício privado de flexibilidade linguística é visto como um reflexo da busca do autor por uma "visada adâmica" — uma relação com a palavra que precede os significados pré-estabelecidos, típica do universo infantil que ele explorou em obras como Primeiras Estórias.  
​4. Conclusão do Comentário
​A tese demonstra que a infância em Guimarães Rosa não é apenas um tema literário, mas uma experiência cultural e de linguagem. Ao utilizar fontes primárias manuscritas e documentos pessoais, a pesquisa prova que o processo criativo de Rosa era um fenômeno histórico em si, onde a "linguagem hermética" do autor se encontrava com a pureza e a ausência de normas da fala infantil.


A conclusão do Gemini é o qyeveu queria destacar: a infância , na escritura (termo de crítica genética) de Guimarães Rosa é um artifício de uso da linguagem, rumo a um resultado mais criativo, de qyem está vendo o mundo pela primeira vez, como uma criança. 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Assisti Depois da cabana


 

DEPOIS DA CABANA Acabei de assistir.  É  uma minissérie alemã de suspense de 2023, disponível na Netflix, baseada no romance de Romy Hausmann , a trama foca em Lena, uma mulher que escapa do cativeiro e enfrenta as consequências do trauma. Reparem que não é propriamente uma história sobre o sequestro em si, mas sobre as marcas que ficam depois dele. No geral, é uma produção enxuta e interessante, embora não seja a melhor série alemã ou a melhor sobre o tema. Com momentos chocantes, especialmente ao focar a questão do sequestro,  serial killer, perseguição, e reviravoltas sobre o sequestrador, o maior brilho está no aprofundamento emocional da protagonista e em sua reação como ex-refém.



domingo, 19 de abril de 2026

Breaking Bad Temporada 2 (2009))

 

​A segunda temporada de Breaking Bad foi lançada em 2009 e conta com 13 episódios. Nesta fase, Walter White e Jesse Pinkman começam a arcar com as consequências de suas decisões. A relação entre eles se torna mais complexa ao envolver questões de família, culpa, pressão e dependência. Ao mesmo tempo, eles expandem o negócio e mergulham ainda mais no mundo do crime, enfrentando a oposição de Tuco Salamanca e sua família.

​Nesta temporada, novos personagens ganham destaque e ampliam o universo da série. Entre eles está Saul Goodman, o advogado picareta que se torna essencial para dar suporte às ações de Walter e Jesse. Também surge Gustavo Fring, um empresário aparentemente respeitável e dono da rede Los Pollos Hermanos, mas que esconde seu envolvimento com o tráfico. Além disso, aparecem Jane Margolis e seu pai, Donald Margolis, cujas presenças evidenciam o peso das escolhas dos protagonistas e como elas afetam diversas pessoas ao redor.


sábado, 18 de abril de 2026

Breaking Bad Temporada 1 (2008)

 

Conhecida como a melhor série de todos os tempos, achei que deveria pelo menos ver do que se trata a primeira temporada de Breaking Bad. A série estreou na TV americana em 2008, criada por Vince Gilligan. A trama acompanha Walter White, um professor de química do ensino médio que, após ser diagnosticado com câncer, decide produzir e vender metanfetamina para garantir o futuro financeiro da família, em parceria com seu ex-aluno Jesse Pinkman.
O que mais me chamou atenção é que não se trata apenas de uma história sobre o narcotráfico e o mundo do crime, mas de uma narrativa envolvente e surpreendente, na qual o que realmente se destaca é a construção da personalidade dos personagens. Assim como na vida, em que os acontecimentos moldam quem somos, é a partir do envolvimento do pacato Walter com a criminalidade que ele vai descobrindo outras camadas de si mesmo, ao mesmo tempo em que dá espaço para que pessoas ao seu redor também se envolvam nessa dinâmica.
Achei muito interessante e observei saídas de roteiro muito originais. De cara achei  melhor que Pluribus (2025),também uma história de de Vince Gilligan que parte de Albuquerque no Novo México e explora questões ficção científica,nas não teve uma primeira temporada tão interessante. Breaking Bad tem cinco temporadas e, como gostei da primeira, devo continuar assistindo aos poucos.