Mostrando postagens com marcador Afrofuturismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Afrofuturismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

"Sai branco, preto fica" : crime de ser negro e periférico

cartaz do filme

Não consegui comentar na hora. mas há alguns dias eu assisti ao  documentário "Sai branco, preto fica" (2015), de Adirley Queirós ,que está disponível na íntegra nesse link . Partindo do título, que é uma fala policial, o filme trata das consequências de uma investida policial num baile black na periferia de Brasília em 1980, a qual deixou DJ Marquin do Tropa 
paraplégico  
Dj Markin em cena do filme

E deixou 
Sartana (Shokito) usando uma perna mecânica. O documentário começa com depoimentos das vítimas, focando em seu dificultoso  dia a dia,  convivendo com o estado que atigiram, mas em certo momento surge um personagem fictício, Cravalanças, que vem de 2073, pra investigar a responsabilidade do Estado Brasileiro no evento que vitimou os dois rapazes. 
Sendo assim, não se trata de um um documentário tradicional, do tipo é tudo verdade, pois ele  tem uma parte futurista, ou melhor,   afrofuturista, onde se pensa na possibilidade de uma justiça para a perseguição promovida pelo Estado  nas regiões periféricas.
O filme foi bem recebido pela crítica  e premiado, mas alerto que é bastante pesado, ou mesmo um filme de terror verdadeiro, como escreveu Inácio de Araújo no link acima, pois mesmo com essas saídas mais  voltadas para a ficcção científica, a parte real é gritante, especialmente se pensarmos que ainda hoje, quarenta anos depois,  esse tipo de repressão acontece.
Deixo o trailer do filme, se acharem que têm forças, assistam, vale a pena

sábado, 2 de novembro de 2019

Afro futurismos de Ben





Essa música é de 1974, do disco mais afro futurista de Ben, que é "Táboa de Esmeralda". Me lembra tanto o curta "Afronautas", de Nuotama Bodomo ( EUA - 2014), que vi na mostra de cinemas africanos em julho, ele conta que em 1969, enquanto os norte americanos se preparam para lançar a Apollo 11, na Zâmbia um grupo de exilados está tentando passar à frente e chegar primeiro à lua. pois também os africanos tinham o "impulso de sondar o espaço ...e voar sozinho até as estrelas"
Isso é Afro futurismo, isso é dar voz à narrativas de pessoas cujo passado foi negado, e também qualquer chance de futuro , pois suas vozes foram silenciadas! Se isso não for História, o que mais seria?
#OMelhorDoBrasilÉJorgeBen

domingo, 1 de setembro de 2019

Meus discos favoritos de Jorge Ben

Capa do primeiro disco de Jorge Ben, 1963

Neste post eu vou comentar rapidamente os meus discos favoritos de Jorge Ben. Não vou falar de parcerias lindas como a com Gilberto Gil em Ogum Xangô (1975), vou me ater a discos solos. Todo mundo, até ele próprio, diz que o melhor álbum de Jorge Ben é a Tábua de Esmeralda (1974), alguns até contestam lembrando o África Brasil (1976) ou A Banda do Zé Pretinho (1978).

Eu acho todos esses maravilhosos, mas não tenho a menor dúvida em destacar que Samba Esquema Novo (1963) é o primeiro e tão genial que depois nem ele mesmo superou.
Se em A Tábua... temos o afrofuturismo, em África Brasil o reconhecimento político do Brasil africano e A Banda do Zé Pretinho o motivo de não se morrer sem ter visto um show do Jorge com toda aquela banda, no primeiro disco temos a herança africana, em seus detalhes, lida à contrapelo e que se salpica em outras canções na obra toda, está meio que super concentrada ali.