Na semana entre os dias 20 e 27 de julho de 2025 eu tirei umas férias salvadoras em Niterói RJ ,na casa do meu anfitrião, também negro ,Geraldo. Qual não foi minha grata surpresa ao descobrir que a cidade estava em clima de "mês da mulher negra" e a comunidade afro desenvolvendo eventos lindos e gratuítos no "Reserva Cultural Niterói", aquele espaço projetado por Niemayer e que ocupa o centro da cidade. pudemos aproveitar bastante e foi muito bom.
Primeiro assistimos a um lindo desfile de Moda Afro do Projeto Emilia Brown,na quarta dia 23 de julho.
Como os negros estão em todos os lugares e acabam de conhecendo, foi uma grata surpresa saber que Emília e toda sua equipe, é ligada a minha queria Mama Nossa cultura, até conheço aqui da Casa das Cadeiras.
Com Mama Nossa Cultura nas Caldeiras Em 2018
Foi muito bom ver que a beleza negra também vive em Niterói,não só no palco, mas também na plateia do desfile: negro é lindo ♥️
Algumas fotos
No dia seguinte, quinta feira, no mesmo lugar, fomos prestigiar a peça CINDERELA NEGRA
Foi uma adaptação da história de Cinderela para a população negra , divertida e consciente!
Para ver esse espetáculo o teatro lotou, teve muitas crianças e todo mundo se divertiu.
Dias depois, na sexta feira, para reforçar o tema da negritude em Niterói, fomos conhecer um centro de umbanda e foi muito mágico. Era um dia de batismo (nem sabia que tem isso na umbanda), ficamos um pouco, vimos as incorporações e eu até tomei um passe do meu pai Oxóssi 🏹💚💙
Fiquei muito contente em conhecer um pouco da comunidade negra de Niterói. Agora só falta um samba 😍
Passando o meio de dezembro, já dá para contar as melhores coisas que experimentei nesses meses de abertura pós quarentena, num ano bem difícil, mas também cheio de coisas legais, com gosto de vida real. Depois de dois anos de adaptações ou alterações nos quesitos, dessa vez deu pra fazer completo. Vambora :
1 Rolê: Samba do Sol Pagode 90
Como num sonho que nem ousava sonhar durante a quarentena, esse ano voltei aos rolês quase toda semana. Muito dificil escolher um melhor, gostei de todos, mas mantendo a tradição, no pagodão me divirto mais. Nesse ano fui em dois, ambos no Mural da Casa de Cultura. Em 2023 tem mais! Vou rememorar os rolês um pouquinho:
Muito Samba do Sol: Casa das Caldeiras; Casa Rockambole (antigo Espaço Rio Verde); Mural Casa de Cultura da Vila Madalena e, claro, foi o primeiro rolê que fui no ano, também o último! Inclusive, pela primeira vez, meu réveillon vai ser lá!
Com a Eta nas Caldeiras Maio
Pati e Amanda Pagode 90 no Mural julho
Com Andressa Caldeiras Fevereiro: beijo de máscaras
Volta ao Rio Verde
Consciência Negra nas Caldeiras
Ensopada de chuva Pagode 90 no Mural
Ultimo do ano em dezembro
Pagodão em abril
No Maria Zélia fui no Quintal dos Prettos todos os meses, de maio a dezembro e foi tudo sempre ótimo
Agosto
Dezembro
Julho
Junho
Maio
Novembro
Outubro
Setembro
Também lá curti os Partideiros Maria Zélia , em julho com amigos, em dezembro com o Berço do Samba de São Matheus
Julho
Dezembro
Explorando os sambas da ZL, conheci o Samba do Fabiano Sorriso, na Fielzone, no Itaquerão
Amigos agradáveis
Teve um rolê Boteco Prato do dia no Tendal da Lapa em abril e fui com amigos que não via desde a quarentena e dancei muito
Ligia e Vitor
E em Maio, realizando meu sonho, teve uma Caleifação Tropicaos Brass Brew na Casa das Caldeiras, pena que estava frio e eu estava tão triste
Era dia das mães e eu queria chorar
2 Música :One way ticket (to the blues) Eruption
Apesar das festas, esse foi um ano triste, não foi um ano muito musical. Não queria que nenhuma música que gosto, sambas, ficasse associada a esse ano. Então escolhi essa que conheci nas dancinhas do Instagram que amava, mas depois ouvia só ouvia a música mesmo. É contagiante
3 Livro e autor do ano: Literário "O beijo na parede", de Jeferson Tenório, o autor do ano, autor da vida! Não literário "Racismo estrutural", Silvio Almeida
Feliz com esse livrinho lindo
Um romance de estreia, dou alguns descontos, especialmente porque sei que depois Tenório vai resolver melhor tudo isso, mas essa história é muito bonita, muito apaixonante, eu me emocionei demais e ainda quero tomar sorvete com o menino João, para conversarmos sobre nossas leituras! Durante a leitura eu escrevi:
E depois...
E além do mais, é a estreia do grande Jeferson, Tenório, autor mais impactante que leio faz tempo. Sobre ele venho refletindo sempre e devo continuar
No campo da não ficção o livro do ano que, enfim, eu li foi esse que mudou meu olhar para o mundo onde vivo. Silvio, erudito e objetivo, tira algumas vendas de nossos olhos e passamos a ver a realidade mais nua e crua. Para mim é leitura obrigatória a todos.
4 Filme: Pantera Negra II Wakanda Forever
O Wakanda forever
Não porque tenha sido o melhor filme ever, o filme é bem emocionante, chorei muito pelo clima do luto, mas em geral ele foi até bem decepcionante em relação ao primeiro, especialmente no campo da representatividade negra, mesmo assim vesti a camisa e mantive o gesto de wakandiana. Escolhi esse simplesmente porque foi o único filme que eu vi nesse ano (no cinema e fora). Sem concorrente é fácil ganhar !
5 Foto do ano: A super banana nanica
Fui descascar a babanana nanica, pensando que era nanica Mas era um bananão de mais de 25 cm! Adorei ! kkkk
Não tivemos fotos marcantes nesse ano. Escolhi esta que foi um meme recente e rimos muito com o tamanho desse bananão!
6 Bebida ou comida do ano: Claras
Fiquei craque em separar gema e clara
Porque estou na dieta com a nutri, podia escolher aveia, banana, cacau, mas esses já comia antes e sem a menor dúvida o que eu mais comi esse ano foram as claras de ovo. Por causa da dieta com a nutri para não perder massa muscular, todos os dias pelo menos quatro. Tanto que uso albumina (clara em pó) para complementar. Me acostumei ao omelete de claras e me faz super bem! Salve as claras!
8 Roupas ou acessórios: Camiseta Elza Soares samba amor revolução
Em setembro a Chico Rei me lembrou do aniversário da camiseta
Até pensei um colocar um dos acessórios fodas que adquiri esse ano (como óculos Michael Jackson, gargantilha de búzios dourados, brinco e colar pan-africanismo, etc), ou uma das camisetas fodas que comprei (Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Oxóssi Oxum, etc), mas esses usei muito pontualmente. O prêmio é para o que usei mais de uma ou duas vezes no ano, então escolhi a camiseta da Elza Soares, que eu já tinha, mas para homenagear a musa que nos deixou em janeiro, eu e quis que fosse a roupa do ano, e foi! Usei algumas vezes:
Virei o ano com a camiseta
Usei acompanhando minha mãe no ICESP em junho
Usei no Quintal dos Prettos em julho (com a gargantinha dourada)
Usei no Primeiro rolê do ano Samba do Sol Carnaval nas Caldeiras
Veste muito bem em mim, me sinto ligada a grande diva Elza Soares levando ela na camisa : "... mil nações moldaram a minha cara, minha voz uso pra dizer o que se cala" !Gratidão!
9 Conquista do ano : Ter caído feio, levantado e me perdoado
Como nos últimos dois anos, a maior conquista e termos, eu e minha mãe, passado o ano com saúde, a pesar da pandemia e de todo o resto. Também é uma conquista poder escrever esse post completo, porque voltei a viver para escolher os melhores do ano. Mas como 2022 foi um ano de muitos não, facadas pelas costas, negatividade, a maior conquista foi ter sempre me levantado, me perdoado e seguido adiante. Isso é que é viver. Não posso deixar de lado que só consegui isso com a ajuda de muitas pessoas que chegaram ou voltaram para minha vida: gratidão! 2023 vai ser mais leve!
10 Preto do ano : Professor. Silvio Almeida
Nem sempre esse prêmio escolheu o preto do ano, às vezes por falta de candidatos, outras vezes por excesso, mas esse ano encontrei ou reencontrei, pretos muito interessantes, por quem tive um crush, ou não, mas com quem aprendi muito. De todos, o que mais me ensinou, e sou muito grata por isso, foi o professor Silvio, pela erudição, pela clareza, pela generosidade com todos nós brasileiros. Gratidão!
Foi no dia seguinte a essa postagem, horas depois, que ficamos sabendo que Ricardo foi chamado para assumir o Ministério dos Direitos Humanos no novo governo federal. 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾
Mesmo com a multiplicidade das mídias, a telenovela continua sendo um importante filtro da realidade brasileira. Atualmente, a mais famosa é "Amor de mãe", escrita por Manuela Dias e com direção artística de José Luiz Villamarim.
Nesta semana, uma cena da novela se destacou e muitos dos meus contatos a publicaram no status do Whatsapp e o crítico de televisão Mauricio Stycer comentou no Twitter como um momento de desabafo dizendo que "a gente não é gente não, a gente é sobrevivente". Na cena, a personagem Camila, interpretada por Jéssica Ellen, que é uma professora de História negra em uma escola da periferia do Rio de Janeiro, desabafa com sua mãe Lurdes, interpretada por Regina Casé . Vejamos do que se trata:
Quando vi a cena só lembrei da cena final da novela "Clara dos Anjos", escrita por Lima Barreto (1922), que reli em 2019, contando a história das dificuldades para uma moça negra e periférica no Rio de Janeiro do início do século XX:
"Num dado momento, Clara ergueu-se da cadeira em que se sentara e abraçou muito fortemente sua mãe, dizendo, com grande acento de desespero
-Mamãe!Mamãe!
-Que é minha filha?
-Nós não somos nada nesta vida." (Lima Barreto "Clara dos Anjos", 1922)
Desde a novela de Lima Barreto em 1922 até a telenovela global de Manoela Dias em 2020, passou quase um século, mas nas duas cenas as jovens negras e periféricas continuam falando a mesma coisa, como se o tempo não passasse ou a História pudesse atuar na vida de quem é negra e periférica nesse país!
Agradeço à personagem Clara e à personagem Camila por usarem suas vozes para sublinhar que "tão ligadas que não é fácil, né manas".