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sexta-feira, 6 de abril de 2018

Diamantina: cidade encantadora!

Ontem eu e minha amiga Rosane Pavan fomos ao Instituto Moreira Salles de São Paulo, ver a exposição do fotógrafo  Chichico Alckmin, que fotografou em Diamantina MG nas décadas de 1920, 30 e 40
Folder da exposição

 São fotos maravilhosas, coisa de artista mesmo, e que mostram faces da minha saudosa Diamantina, com todo seu diferencial, sua arquitetura e a beleza dos que lá vivem e viveram. 
Entrada da sala onde podemos assistir a um filme sobre Diamantina


Reparei muitas coisas, como o fato de que em quase todos os retratos, especialmente os dos anos 20,  as pessoas em geral, homens, mulheres e também crianças, estão enfeitadas com flores... coisa linda!

Nessas fotos vemos faces de Dimantina, carregadas de temporalidade e também de realidade... como nesse belíssimo registro de carnaval:
Carnaval, anos 20
 Ou então fotos que tentam encenar práticas mais cotidianas como essa:
Sem data

Essa foto é uma das mais impressionantes da Exposição do Chichico: rapazes deitados no chão, lendo jornais, muito bem vestidos .. ao fundo pessoas esperando (para tirar as próximas fotos?) . Sensacional!

Como eu havia dito, para além da beleza das imagens de Chichico,  a visita a essa exposição me matou um pouquinho da saudade de Diamantina, cidade tão importante no imaginário das Minas Gerais, cidade onde  o tempo se recusa a passar desde o século XVIII, uma cidade de papel marchê, cidade feminina, cheia de encantos...

Comparadas aos registros artísticos de Chichico, minhas fotos de Diamantina podem ser julgadas vergonhosas, porém elas são tão cheias de significados para mim que as tornam sem preço 
Diamantina em 2003
Telhados de Diamantina 2003 
Centro de Diamantina 2003





 Ainda acho essa a cidade mais especial que já visitei, tem algum tesouro ali. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

CANTIGA DE ARRUMAÇÃO

Em 2003 eu fiz uma viagem a Minas Gerais, passei dias seguido de Belo Horizonte até Diamantina e vivi muitas experiências estéticas, simbólicas, históricas, musicais e emocionais... Uma delas aconteceu em Diamantina, quando um casal que estava em lua de mel se contaminou com o clima seresteiro da cidade e começou a tocar e cantar em praça pública uma música que eu conhecia de muito tempo, e sempre chamou violentamente a minha atenção: era estranha, a letra era incompreensível e a sonoridade era toda nova, me dava medo... Era a cantiga de Arrumação, do cantador Elomar Figueira de Melo.

Recapitulado: Eu estava no norte de Minas- e um casal em lua de mel começou a cantar uma música que eu conhecia e que sempre me causou medo pelo estranhamento das linguagens utilizadas... deu para perceber, né? Estranhamentos lingüísticos sempre me chamaram a atenção. Eu lembro que eu escutava a finada Musical FM, a rádio MPB e foi nela que entrei em contato com a fina flor da música popular brasileira como Clube da Esquina, Chico e Caetano, Bossa Nova, Rita Ribeiro e... Elomar... Quando eu ouvia os acordes iniciais de Arrumação sentia um medo (medo do que eu não compreendia) mas não conseguia trocar de estação...só pensava “xi, de novo a música do feijão”, já que esta era uma das poucas palavras da letra que eu sabia o que era...(naquela época eu nem conhecia Guimarães Rosa ainda...) acabei me esquecendo dela, já que a Musical morreu e quando o casal começou a cantar, avisando que iam tocar uma música um tanto diferente da sonoridade das serestas dimantineiras, mas ainda assim com seu sentido para aquela viagem, já que estávamos a porta de entrada do sertão, quando Minas se aproxima da Bahia... Elomar é do sertão da Bahia, de Vitória da Conquista, cidade que está sempre aparecendo em minha vida, mas que ainda não conheci... Hoje senti saudade de um lugar que não conheço mas que eu sempre desejei, de Vitória da Conquista. Vamos ouvir a assustadoramente diferente canção de Elomar: