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quarta-feira, 15 de abril de 2020

Morreu Rubem Fonseca, autor da minha juventude

 Foto: Divulgação in O Globo

Na tarde  15 de abril de 2020 morreu por um infarto aos 94 anos o escritor Rubem Fonseca.
Fonseca foi o grande autor da minha adolescência, li muito Fonseca, ainda muito jovem, depois não li mais, embora continue achando que ele foi um dos grandes autores brasileiros, o nosso maior contista. Por conta disso reservo em minha estante minha pequena coleção de seus livros, que nunca mais reli, mas guardo como tesouro:
Meus velhos livros de Rubem Fonseca
Na minha coleção temos da esquerda para a direita, os seguintes livro "Vastas emoções e pensamentos imperfeitos"; Contos reunidos"; "Agosto"; "Bufo e Spallanzani"; Caso Morel", "Lúcia McCartney", "O Buraco na parede", "E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto"; "História de Amor"; "O Selvagem da ópera"; "A Grande arte". Ou seja, são onze volumes, destacando que no conteúdo de "Contos reunidos" temos outros seis livros de contos  mais famosos de Fonseca ("Os Prisioneiros"; A Coleira do cão"; "Lúcia McCartney"; "Feliz Ano Novo"; "O Cobrador" e "Romance Negro", além de dois contos inéditos "O anão" e "Placebo".
Como podem ver,  li muito Fonseca muito jovem... Amava! Meus favoritos são os contos de O Cobrador, Feliz Ano novo, "Lúcia McCartney"(enquanto conto experimental, tem um sabor especial). Nunca esqueci e mesmo não tendo relido, sempre lembrava quando assistia a algum filme do Tarantino, por exemplo.  Mas as  obras mais recentes não conheço.
Bravo meu contista favorito! Obrigada por tudo! 👏🏾👏🏾

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

RELEMBRANDO 2019: Retrospectiva do blog (2o. semestre)


Continuando a retrospectiva 2019, agora vamos para os seis meses finais.

JULHO – Em julho eu já estava louca de saudades dos rolês na Casa das Caldeiras, ai fui procurar festas domingueiras em outros lugares e nesse período o samba, que pipoca pela cidade, surgiu como ótima opção. Comecei assistindo uma prévia do Samba do Bule no Sesc Bom Retiro

o bule
eu no samba


Reiterando meu flerte com o cinema no mês passado, vi também o histórico documentário de Nanni Moretti Santiago, Itália, comentado aqui. Mas julho teve a Mostra de cinemas africanos no Cinesec
cartaz da mostra

Assisti 8 curta metragens e foi uma experiência ímpar, na qual eu mergulhei de cabeça para tentar me aproximar mais naquele mundo e suas sensações. Sobre os filmes que assisti escrevi este  post e também este. Foi um divisor de águas na minha visão do negro,da negritude e da ANCESTRALIDADE. Julho foi o mês que nos deixou o gênio João Gilberto, descanse em paz.

AGOSTO – Agosto comecei a fazer aulas de Hip Hop no Tendal da Lapa, muito difícil, mas também gostoso por estar com uma juventude bacaninha. Em agosto foi publicado o artigo sobre o meu pós-doc na Revista de História da USP, disponível neste link aqui. Foi muito importante, pois é um dos trabalhos que mais me orgulho de ter feito. Foi o mês de rever Quentin Tarantino, o cineasta da minha geração,  em  Era Uma Vez Em... Hollywood . Muito divertido, 
ótima trilha sonora como sempre e alegria participar dessa geração. 
Também foi o mês de começar a ler Milton Hatoum, o autor do ano, com seu melhor romance, Dois irmãos.Foi uma delícia que comentei aqui.

SETEMBRO Começou com a perda de uma amiga muito amada, uma grande referência na vida, um luto que ainda estou tentando digerir, desde o momento que soube, lembrei do Grande Sertão “Não foi, não é, não fica sendo”, mas acontece que foi. Desde então eu passei a chorar muito, toda hora, por mais alegre que eu parecesse estar, porque é preciso levar a vida, eu estava sempre com os olhos rasos d'água. Dureza. A vida seguia e na entrada da primavera, as Caldeiras abriram para uma festa deliciosa, só que agora paga, mas a saudade era tanta, que nem ligamos. Eu sai na foto oficial, ao lado do DJ, no lado oposto ao balão vermelho 

Festa da Primavera

Também aproveitei bem o Espaço Cultural Rio Verde na Vila Madalena, que é um lugar por onde tenho muito carinho. Lá conheci o DJ Sankofa, que falou tanto sobre a musicalidade da África, foi maravilhoso, novamente o ponto da ancestralidade em minha vida.
DJ Sankofa

Além das festas, continuei indo ao Cinesec, lá assisti
ao premiado filme Sócrates, que me fez pensar na questão dos jovens, negros e homossexuais. Também assisti ao famoso Bacurau, a um filme bem arrastado, mas necessário, uma catarse, tudo o que precisávamos nesse ano pesado.  

OUTUBRO Era o mês do meu aniversário de 40 anos, consequentemente o mês do meu inferno astral. Eu estava tão péssima, tão exausta, tão desconsolada pelo luto da amiga que uma tarde de sábado, mais ou menos do nada, sai e cortei meus cabelos. Foi horrível. Ficou horrível. Quando me dei conta, só queria  chorar, e chorei dias e dias, saudade do cabelão, da minha cara de cabelão, me achando uma monstrinha... sei que aquele mês mal tive forças para escrever no blog. Mas fiz um esforço para sair de casa e aproveitei as presenças VIPs que me dei de presente por causa do meu aniversário, mas sempre me achando horrível...  foi assim que eu conheci a Sociedade do Samba Maria Zélia, no seu mensal Quintal dos Prettos, que comentei aqui. Teve também o Rio Verde
quarentando
e, especialmente, a Casa das Caldeiras, que é sempre especial,
  mesmo eu estando verdadeiramente feia aquele dia. Mas tirei fotos com pessoas muito amadas
Sheila e Carol 

Jade
Gabi

Vitor
Mas no dia mesmo do aniversário, uma surpresa me esperava e as amigas Ana Matos e Karen me levaram para comemorar, com bolo de vela piscando 40 anos e tudo. Como soube na última hora, mal deu para avisar amigos, mas tive a preciosa presença da Aninha e da Helô, foi mágico!
Ana Matos, Karen, Amiga, Aninha e Helo

NOVEMBRO  Foi mais leve que outubro, senti que meus cabelos começaram a crescer um pouco, senti mais confiança de que logo eu ia gostar mais deles. Em uma noite de insônia, talvez pensando no filme Sócrates, assisti ao filme Moonlight sob a luz do luar (2016), de Barry Jenkins, e foi uma forte experiência estética que  comentei aqui. Voltei à Maria Zelia, primeiro no Quintal dos Prettos de Novembro, que estava ainda melhor, eu vestida à  caráter
pessoal da N'thighs

 E depois no aniversário de 12 anos do MZ  e foi muito divertido, senti tão bem o chamado do samba que até sambar, sambei!  


feliz, no samba
 Mas tivemos outros rolês em novembro, um churrasco na casa da Ana Mattos, sempre muito gostoso
No dia seguinte encontrei vários deles no Rio Verde, onde me diverti muito e beijei o boy mais bonito do rolê, viva mamãe Oxum 
Evidentemente, Novembro é o mês da Consciência Negra e eu fui no show do Jorge Ben na praça da República. Não levei celular, mas registrei o look ao sair 
partiu show

foto divulgação 

DEZEMBRO – Começamos com o Quintal dos Prettos, que comentei aqui. Estava toda poderosa, com todo meu meu tecido adiposo
Fiz muito sucesso naquele samba, acho que ainda vou colher o que plantei em 2020.
Afora isso, teve a Feira Preta, a primeira vez que eu fui, mas só passei depressa

pulseira da Feira Preta

E teve o dia que eu usei a roupa da magnifica Iza e divei de vestido de moletom "amarelo yellow" na cidade chuvosa, quando fui assistir a Rosane falar de fotografia no IMS
A realidade
A inspiração 



Em dezembro, assisti ao pesado documentárui Sai branco, preto fica, de 
Adirley Queirós  (2015), mostrando que não é fácil ser negro. Também nesse mês, a bela sulafricana  Zozibini Tunzi foi escolhida miss universo 2019: um reconhecimento da beleza negra muito significativo. 
Dia 23 de dezembro, depois até de eu publicar essa retrospectiva, ganhei de presente um show do Art Popular no largo São Bento .
divulgação do show
Eu , pronta pra chuva


Foi mara! Além das músicas deles que a gente  ama como Bombocado, Pimpolho, Agamamou, etc, tocaram muito pagode 90, como Lá Vem o Negão. Gritei todos pagodes da vida, desde menina. Fiquei na grade, bem na frente e  no fim peguei até na mão do Leandro de Pimpolho   ( em homenagem a Camila de 13 anos q amava ouvir enquanto jogava Alex Kid no Video game ). Presentão de Natal! E como era presente pra mim, eles tocaram Jorge Ben: Mas que nada!
Acho que é isso, agora teremos as festas e 2020 vi ai e que as enrgias se renovem!

sábado, 16 de janeiro de 2016

Qual personagem do Tarantino é você? Eu tirei o Django LINDO


Gostem ou não, o Tarantino é um dos diretores da minha geração... é muito gostoso "reconhecer" meus "pares", que sempre acabam perguntando se vimos o último do Tarantino rsrs Que seu cinema é  assumida e propositalmente violento, é fato, mas ele também é bem mais profundo que isso e apresenta essa que  uma marca do que é esse nosso tempo. Adoro perceber essas coisas, me fazem sentir viva e nem estar tão velha assim. Gosto tanto que eu, que adoro as brincadeiras do  Facebook, fiz essa e simplesmente amei o resultado: Eu tirei Django LINDO! Super  combinou, afinal eu sou mesmo uma princesa negra metida a alemãI!!!!!!!!!!! kkkkkkkkk. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Os oito odiáveis de Tarantino e a violência em close.


Saiu o mais novo filme de Tarantino, "Os oito odiados", e eu fui assistir.


Eu sempre achei o excesso de violência nos filmes tarantianos uma questão estética, afinal ele é um esteta e por isso foi fazer arte ( e isso ele faz bem) . A estética ali é no no sentido de atiçar certa percepção mesmo. Depois que eu passei a estudar o humor, vejo que muitas vezes nos filmes,  Tarantino costumava usar um 'truque' de percepção: mostra tanto a violência, por exemplo, e de formas tão inconcebíveis que você não a perceber como verdade possível e ai acaba achando graça. Naqueles filmes eu vejo acontecer claramente aquilo que é uma das hipóteses da minha pesquisa de pós doc que é observar como nas anedotas infantis do Pedro Bloch, os adultos acham graça nas vivências infantis porque elas lhes jogam na cara, tranquilamente, o absurdo que é a sua forma de viver, dai chegam ao  riso, mas é quase sempre amarelo, porque eles riem de si mesmo antes, não das crianças. Nos filmes de Tarantino, é preciso a super exploração mesmo para que a ficha do absurdo realmente caia.

Sobre este último filme, eu estive aqui pensando... o gosto amargo na boca depois de assistir ao filme do Tarantino deve deve-se muito à falta dos risos (amarelos ou não em meio a tanto exagero) e também a uma pergunta que me surgiu : que futuro violento nos espera, se dá tanto já era assim, continua sendo e enfim? Ai , no Facebook ,eu ainda vejo cenas reais de violência aqui em São Paulo, e não é estilizada, nem gravada de modo artesanal, é a realidade dura e sangrenta. E nem estamos nos EUA antigo ... nem é um filme, mas eu preferia que fosse.Sério, esses dias mesmo um sem noção me falou que a questão racial (abordada -mal ou bem- pelo Taratino em "Django livre" e também em "Os 8 odiados" ) não tem tanta importância ... só não me falou que é porque o racismo não existe porque eu cortei (definitivo)... que preguiça de estar viva me bateu!



Em "Os 8 odiados" (Título que deveria ter sido traduzido como  "Os oito odiáveis", ou então como está no original The Hateful Eight, "os oito odiosos),  porque não há trégua para nenhum deles...  mas acho que a personagem mais interessante do filme é mesmo a Dayse. Ela também é odiada por   odiosa todo o tempo (no cinema ouvi comentários ditos em voz alta apenas sobre ela: "racista dos infernos", "safada" e acredite "coitada" em uma das vezes que sagraram sua cara). E Tarantino não nos conta  quase nada de porque ela havia sido condenada, mas sua presença e atitudes nos fez odiá-la de antemão e para sempre e não apenas pelo que ela fez (ou deixou de fazer) durante o filme,mas também pelo que ela tinha sido condenada (que pensamos que deve ter sido justamente, afinal ela  não seria capaz de nenhuma atitude menos odiosa, né?).... fiquei intrigada pensando nisso. Muitas vezes, no filme, algum dos personagens salienta o fato dela ser uma mulher e estar naquela situação de estar sendo perseguida, mas nem por isso algum deles a trata com maior cuidado, o que também se reflete na reação do público.

Achei que o fato do filme ser muito centrado ali no bar da Minnie - já que o que tinha fora era a belíssima nevasca (se não por outra coisa, vale muito assistir o filme no cinema porcausa das imagens da neve, achei de tirar o fôlego) -, acabou aprofundando  a representação das personagens, parecia meio que um romance policial clássico, com algumas pitadas de violência a la Taratino, claro. Diziam que Tarantino apenas se repetia nesse novo filme, eu não achei,apesar do tema caçadores de recompensa e tal... mas pensando em como terminou "Django Livre" (a explosão da fazenda sulista passando claramente a mensagem de que era isso que deveria acontecer, não? Que os racistas se explodam!), quando o diretor retoma  o mesmo assunto mostra parece mostrar que, na verdade, "Django Livre" foi apenas um filme e que aquela explosão do racismo não aconteceu lá, nem em "Os 8 odiados", nem acontece agora na nossa vida real, por isso  tratar do assunto racismo ou ódio entre brancos e negros não é um assunto desgastado e não pertinente, nem há séculos, nem agora. Enfim, bom ou ruim, um filme de Tarantino chama a atenção e enquanto for preciso sublinhar questões raciais, que ele o faça. Me perdoe o textão, é que o assunto me intriga muito rsrssPode até ser que a própria personagem Dayse seja superficial - não sabemos mais dela do que sabemos das outras, mas não baber DELA me incomodou mais... não foi apenas uma ou duas vezes que algum personagem destacasse ela ser mulher e estar sendo levada à forca, não é?  

E ver um filme de diretor tem essa delícia: despertar conversas kkkkkk
E o mais "importante" foi que, como sempre nos Tarantinos,  sai louca para lavar as mãos que jurava estarem sujas de sangue! kkkkkkkkkkkkkkk