Mostrando postagens com marcador humanidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador humanidade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O homem bicentenário (1999) : se puder, não assista!



O HOMEM BICENTENÁRIO (1999). Pense num filme ruim em diversas camadas! É, sem dúvida, o pior filme de robôs que já vi. Uma pena ser uma adaptação de Asimov, mas certamente muito mal feita. Quando Asimov colocaria uma questão interessante sobre humanos e tecnologia e nunca a desenvolveria? Não imagino! Nesse filme, é só o que acontece. 😔

Eu até poderia elencar vários problemas desse longa, mas, sinceramente, depois de passar mais de duas horas acompanhando a maravilhosa trajetória de Andrew, um robô hiperdesenvolvido, único, capaz de ser criativo e sensível mesmo sem ter sido programado para isso, mas que nunca é estudado pela corporação que o criou, que prefere simplesmente deixá-lo na casa do cliente que o comprou! Que tempo é esse?

E o que ele quer, com toda essa superioridade? Dominar a humanidade? Não! Virar humano e se casar! Ai, que preguiça!

Esse eu não recomendo. Se puderem, pulem!

segunda-feira, 29 de junho de 2026

EU LI "EU, robô", de Isaac Assimov

 


​Confesso que a iniciativa partiu do filme de 2004, de mesmo título, dirigido por Alex Proyas e estrelado por Will Smith, e gostei mais do que imaginava. Meu interesse era observar como os anos 2000 imaginavam a interação do ser humano com a tecnologia, e me surpreendi ao notar que muita coisa já é realidade para nós.

​Então, peguei emprestado na biblioteca do SESC Pompeia um belo exemplar de 2014, da editora Aleph, desta obra de 1950, que reúne contos publicados por Asimov em revistas científicas na década de 1940! Para amarrá-los em formato de livro, o autor traz a personagem Susan Calvin, psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men, Inc., que comanda os trabalhos na virada do século XX para o XXI.

​Esses interessantes textos apresentam robôs muito desenvolvidos, dotados de "cérebros positrônicos", que devem seguir as Três Leis da Robótica:

​"1ª. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido. 2ª. Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei. 3ª. Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei." (p. 65)

​Tudo parece muito bom e seguro, mas o autor escreve essas histórias mostrando o quanto a aplicação dessas regras pode causar conflitos.

​Como exemplo, destaco duas narrativas:

​Em "Razão", o robô Cutie não sabe quem ou o que o criou, mas sabe que existe, já que é capaz de pensar e concluir que é muito melhor que um humano e, portanto, deve substituí-lo na liderança.

​Em "Mentiroso", Herbie é capaz de ler mentes. A partir disso, conclui que elas são muito mais complexas do que qualquer levantamento de dados e, por isso, prefere ler romances a relatórios científicos. O impasse começa quando, sabendo o que as pessoas pensam, para obedecer à Primeira Lei ele decide nunca dizer coisas que possam ferir seus sentimentos, mesmo que precise mentir. Muito parecido com o modo como interagimos com as IAs sempre agradáveis da atualidade!

​Claramente, a intenção da literatura de Asimov não é simplesmente louvar o avanço tecnológico. Pelo contrário, é justamente apontar o quanto essa tecnologia pode questionar a existência das máquinas e do próprio ser humano, tornando a obra um material profundamente filosófico.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

BLADE RUNNER : caçador de androides

 


BLADE RUNNER (1982), direção Ridley Scott: mergulhando no meu momento “ficção científica”, fase robótica, assisti a esse clássico noir do qual só tinha ouvido falar. Na trama, uma corporação desenvolve clones humanos, chamados replicantes, para serem usados como escravos em colônias fora da Terra e, em 2019, um ex-policial interpretado por Harrison Ford é convocado para caçar androides disfarçados em Los Angeles.
É o tipo de trama que me interessa em ficção científica, pois  nos leva a questionamentos existenciais: o que nos faz humanos, diferentes de máquinas ou robôs? Sentimentos, memória, registros de nossa passagem? 🤔

Um trechos mais bonitos e existênciais é essa fala de um replicante antes de morrer, na qual ele se questionar se o que vou, viveu, merece ser descartado como lágrimas na chuva só porque ele não é humano:



sexta-feira, 3 de abril de 2026

Emergência radioativa, NETFLIX



​EMERGÊNCIA RADIOATIVA (2016)

​Assisti à nova minissérie da Netflix sobre a tragédia real ocorrida em Goiânia, em 1987. Na ocasião, catadores de lixo encontraram uma cápsula de chumbo nos destroços de uma clínica de radioterapia desativada e a venderam para um ferro-velho. Lá, o chumbo foi cortado e encontraram o altamente radioativo Césio-137. Aquele pó azul e brilhante da morte contaminou uma família inteira, além de muitos outros moradores.

​Pode ser uma memória inventada, já que eu tinha apenas 6 ou 7 anos, mas acho que me lembro de ter visto o caso na TV. Depois  eu não conhecia os detalhes, e a série os explicou muito bem. A produção é muito fiel aos acontecimentos e mostra um Brasil completamente despreparado para uma situação assim, até porque ela foi sem precedentes, algo nunca visto antes na história, envolvendo pessoas tão simples e vulneráveis.

​Me emocionei em vários momentos. Só achei que poderiam ter estendido a obra por mais alguns episódios e explorado uma história ficcional dentro desse contexto. Como sugeriu Isabela Boscov, o encantamento daquelas pessoas simples ao verem um pó azul tão bonito : o "pó das estrelas" que parecia mágico ,  e o desejo de compartilhá-lo com quem amavam seria um gancho poderoso para retratar o que há de profundamente humano, mesmo em meio à tragédia.

​De qualquer forma, recomendo a obra.

​

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Será o fim da História? Ou porque Francis Fukuyama é um idiota...

Com vocês mais um trechinho da minha dissertação:

"O fim da história esteve na base da discussão epistemológica desde o século XIX e ganhou força renovada quando serviu de tônica para legitimar uma crise da historiografia no final do século XX. Depois do declínio do socialismo, da queda do Muro de Berlim em 1989, a história - como uma sequência de processos de mudanças contínua – pôde ser amplamente questionada.

Em fins dos anos 80, o estadunidense Francis Fukuyama escreveu um artigo sobre esta temática, (Fukuyama, Francis. Fim da historia e o ultimo homem. Rio de Janeiro : Rocco, 1992) no qual desenvolve uma análise panorâmica das abordagens históricas desde a Antigüidade para concluir que, após a destruição de projetos políticos como o socialismo, a humanidade teria atingido o ponto máximo de seu desenvolvimento com a democracia liberal decretando, assim, o fim da história.

Parece-nos claro, entretanto, que a história - como relação dos homens e o tempo em que vivem - não acabou, porque seu objeto legitimador - a humanidade - ainda persiste no mundo, e para nós não só é possível, como é fundamental articular, lembrar, reconstruir narrativas das nossas experiências no tempo, mesmo que os cenários – reais, políticos ou epistemológicos – possam nos parecer insustentáveis."

Camila Rodrigues "Mãos vazias e pássaros voando: Memória, invenção e história em Tutaméia de Guimarãe Rosa". P. 122