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domingo, 2 de outubro de 2016

Um concerto de João Omar tocando as peças de Elomar Figueira Melo


VIOLÃO DE JOÃO OMAR - Na sexta feira dia 30 de setembro eu assisti a um concerto do João Omar no lançamento do álbum "Ao Sertano", e como eu tive a oportunidade de dizer ao próprio João , esse álbum só de composições de Elomar Figueira Melo para violão, é hipnotizante, não consigo parar de ouvir. Adoro especialmente a faixa 9, "Prelúdio No. Sexto" (pena que não achei no Youtube para mostrar pra vocês, mas ele está inteiro para ouvir no Spotify), que é muito impressionante, que achei (quase com certeza) que tinha outros sons embutidos nela,para além do som do violão, porém EU VI ELE TOCAR SÓ COM O VIOLÃO BEM NA MINHA FRENTE, reproduzindo inclusive esses sons...E eu chorei de emoção pensando : esse é um artista de verdade, que honra poder ouvi-lo!
Agora volto a ouvir o álbum sem parar, porque a vida não é só um pedaço duro e amargo, também tem muitas belezas sublimes! 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Campo Branco - Elomar



O que é essa música? Só a memória de que esta foi a primeira música do único show de Elomar que assisti ... já comecei chorando muito! Lembro também que ele perguntou se a platéia não achava que esse som nos levava até um lugar longe, longe... e eu pensei "sim, longe no espaço e especialmente no tempo ... séculos e séculos, volta ao medievo (re) surgindo na caatinga (campo branco) do sertão! Muito obrigada Elomar! 

CAMPO BRANCO :

Campo branco minhas penas que pena secou
Todo o bem qui nóis tinha era a chuva era o amor
Num tem nda não nóis dois vai penano assim
Campo lindo ai qui tempo ruim
Tu sem chuva e a tristeza em mim
Peço a Deus a meu Deus grande Deus de Abrãao
Prá arrancar as pena do meu coração
Dessa terra sêca in ança e aflição
Todo bem é de Deus qui vem
Quem tem bem lôva a Deus seu bem
Quem não tem pede a Deus qui vem
Pela sombra do vale do ri Gavião
Os rebanhos esperam a trovoada chover
Num tem nada não tembém no meu coração
Vô ter relampo e trovão
Minh'alma vai florescer
Quando a amada a esperada trovoada chegá
Iantes da quadra as marrã vão tê
Sei qui inda vô vê marrã parí sem querer
Amanhã no amanhecer
Tardã mais sei qui vô ter
Meu dia inda vai nascer
E esse tempo da vinda tá perto de vin
Sete casca aruêra cantaram prá mim
Tatarena vai rodá vai botá fulô
Marela de u'a veis só
Prá ela de u'a veis só

terça-feira, 5 de abril de 2011

NOVIDADES DA COMUNIDADE CURVAS DO GAVIÃO (coisas do Elomar)

Recebi um texto deles por e-mail:

“Esperamos que a imagem traga a informação complementar que torne o Auto mais compreensível. É uma obra difícil e tem de ser acompanhada com libreto, pois é quase um dialeto, um ‘sertanês", completa.

Os bonecos são todos manipulados por técnicas com as quais o grupo já está habituado: de balcão (os menores), habitáveis (como são chamados os gigantes) e pantins (bidimensionais). Nessa área, a novidade ficará por conta do sistema de iluminação móvel que está sendo testado para alguns bonecos. “Como a cena dos bonecos convive com a cena musical, é preciso ter cuidado com os equipamentos. O espaço fica mais limitado e um descuido dos marionetistas pode desplugar um cabo, por exemplo. Por outro lado, os bonecos não podem ficar expostos à luz, o que desvenda a presença do marionetista”, observa Marcos. Os bonecos gigantes são os que mais se locomovem e, por isso, deverão ter sistema próprio de iluminação.

Amor e morte
A história de Auto da Catingueira

Composta de prólogo (“Bespa”) e cinco atos (“Da catingueira”, “Dos labutos”, “Das visage e das latunia”, “Do pidido” e “Das violas da morte”) a obra, com 790 versos, é construída em linguagem dialetal, com regionalismos nordestinos que se fundem com a forma de origens clássicas da composição. Narra a saga da bela pastora de cabras Dassanta e as paixões que inspirou. Depois da apresentação dos personagens, com seus modos de vida, angústias e desejos, o auto chega ao duelo pelo amor de Dassanta: em vez de armas, o espectador presencia uma disputa de violas, num desfile de mais de uma dúzia de estilos musicais diferentes, como a parcela, o coco voltado e a tirana, todos eles quase extintos.

Uma das mais importantes obras do compositor baiano Elomar, a ópera Auto da Catingueira foi lançada num álbum duplo em 1983 e teve várias de suas faixas gravadas separadamente em outros discos do artista – anteriores e posteriores. Além disso, várias delas foram interpretadas (avulsas) por ele em seus concertos e cantorias. No entanto, dias 16 e 17 deste mês ela será apresentada pela primeira vez e de forma integral no palco, permitindo que suas intenções originais – cênicas, poéticas e musicais – sejam agora percebidas de maneira completa. A estreia será no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

No momento, parte das atenções se voltam para a oficina do grupo de teatro de bonecos Giramundo, na capital mineira. Lá estão sendo finalizados os 16 bonecos que fazem parte do elenco e que darão vida a personagens como Dassanta, Lobisomem, Cantador do Nordeste, o tropeiro Chico das Chagas e o Cego cantador. Os trabalhos começaram há cerca de dois meses, envolvendo isopor, madeira e papel craft, entre outros itens. Metade dos bonecos ficará com cor e textura dos materiais empregados. “A intenção é valorizar mais a forma do que a cor, colorindo os bonecos com a luz. O Auto não é o mundo do ornamento”, explica Marcos Malafaia, diretor da companhia, criador dos bonecos e preparador de cena.

O espetáculo, que conta com direção geral do próprio Elomar, tem direção de cena de João das Neves e direção musical de João Omar, filho do compositor. O elenco musical conta com nomes que participaram das gravações originais: Xangai (Cantador do Nordeste), Dércio Marques (Chico das Chagas) e Marcelo Bernardes (flauta). A escolha do personagem-chave, Dassanta, foi feita pelo próprio Elomar em audição, sendo que duas cantoras dividirão o papel: Luciana Monteiro e a argentina Cecilia Stanzione. Completam o time Ocelo Mendonça (violoncelo), João Omar (violão) e Saulo Laranjeira (narração). Na ocasião, será gravado um DVD. O produtor Mário de Aratanha e o cantor Xangai são os patronos da ideia.

Nova equipe
Esta é a primeira vez que o Giramundo trabalha em parceria com grupo formado por ex-integrantes da companhia. Neste caso, trata-se do Terno Teatro (Camila Polatsheck, Paulo Emílio Rocha Luz, Márcio Antonio de Miranda e Fabíola Rosa), responsável pela construção e manipulação dos bonecos – a criação e supervisão estão a cargo de Marcos Malafaia. “Vamos investir nisso para compor equipes diferentes, cada uma para um perfil de projeto. Isso aumenta a possibilidade de participarmos de mais produções e de maneira controlada”, afirma o diretor do Giramundo. Por questão de custo, a equipe do grupo, antes composta por 50 pessoas, hoje foi reduzida para 10.

Sertanês
Por enquanto, marionetistas, instrumentistas, cantores, iluminadores, cenógrafos e narrador trabalham separadamente. Somente no dia 6 é que todos os envolvidos se encontrarão para série de oito ensaios coletivos no Teatro Dom Silvério. “Conhecia as músicas mais famosas do Elomar, do rádio e da época da faculdade. Foi uma surpresa grande estudar a fundo o Auto. É daquele tipo de obra que quanto mais conhecemos, mais lados e virtudes descobrimos. É como uma caixa que se desdobra. Traduziremos isso de maneira visual. Além disso, é um privilégio poder trabalhar com o autor”, conta Marcos Malafaia.

Elomar, que recebeu a equipe na Casa dos Carneiros, propriedade rural onde mora, na caatinga baiana, promoveu lá uma audição comentada do Auto da catingueira. Assim, expôs suas intenções em relação à montagem e eliminou quaisquer dúvidas em relação à linguagem, baseada no português rústico falado no sertão, recriado poeticamente. “Ele fez pedidos de personagens dos quais faz questão e percebemos que o que ele queria era traduzir em imagens o aspecto fantástico da obra, com arquétipos. Daí o interesse dele pelos nossos bonecos. Ficaria incompleto se fossem humanos atuando”, esclarece o diretor do Giramundo.


Essa não é a primeira vez que o grupo trabalha lado a lado com músicos, o que já ocorreu diversas vezes, como em A flauta mágica e O carnaval dos animais. “Agora, estamos mais próximos da música popular, como em nosso trabalho com o Pato Fu, em Música de brinquedo”, acrescenta ele. De toda forma, a música de Elomar não é o que se pode chamar exatamente de popular, marcada por elementos da música medieval e erudita, por exemplo.

Nossa! Não digo sempre que o disco "Música de Brinquedo" é uma coisa muito mais sensacional do que muita gente acha (até mesmo do que ele aparenta ser?). Essa turma do Elomar manja MUITO DE MÚSICA, assim como ele próprio...
Que bonito! Que emocionante!

terça-feira, 1 de março de 2011

CANTIGA DE AMIGO : 100a. melhor canção da MPB

Na edição especial da Bravo "100 canções essenciais da música brasileira", que saiu em 2008, a 100a. canão citada foi "Cantiga de Amigo" do Elomar, justamente a que eu já usava em minhas aulas ... ficou muito pequena a imagem e talvez não dê para ler, mas vale tentar clicar e tentar ampliar um pouco a imagem para ler ...

Gosto bastante deste textinho, apesar de eu não concordar com a separação violenta que ele faz entre músicas como "Cantiga de Amigo" - inspiradas nas canções trovadorescas - e outras canções de Elomar - que no texto chamam de canções no d...ialeto 'sertanês' (que eu ADORO) - é que para mim cantiga medieval e sertanês são dois momentos de um mesmo processo de contato com o ESTRANHAMENTO, pelo contato com outro tempo passado, ou com outra geografia mais interiorana, o que acaba resultando no que hoje eu chamo de OUTROS ESPAÇOS DE LINGUAGENS. Isso foi o que sempre me atraiu no Elomar e até hoje continua chamando minha atenção. O que Elomar faz é puro poema.

Elomar tirou todas as gravações dele cantando suas música da internet, mas eu achei esse vídeo com Campo Branco, que é uma cantiga ao mesmo tempo medieval e em "sertanês":

No show, depois de cantar essa linda música, com aquela voz tropeira, ao ouvir o silêncio sagrado da emoção da platéia ele perguntou: "Vocês também acham que Campo Branco nos leva para muito longe...?"
Todo mundo respondeu que sim.. eu pensei: Claro que sim, trovador, muito longe no tempo e no espaço! O que é revertido também para a linguagem!
Na letra de Campo Branco ele cita tartarena:


A letra diz : "...Tatarena vai rodá, vai botá fulô/Marela de u'a veis só/Prá ela de u'a veis só..."
Elomar parece tanto o Rosa de vez em quando!
Assistir a um show do Elomar e ouvir ele falar usando aquele puro vocabulário sertanjeto me dá orgulho de ser brasileira e de estar estudando algo puramente brasileiro, direto do coração do Brasil isso sim!

Elomar


Faz tempo que eu não escrevo aqui, né? É que tive uma fortíssima experiência (estética, sentimental e no tempo) que está durando até agora e não pude representá-la em palavras ainda... mas vou tentar!
Eu mesma nunca achei que fosse assistir a um show do Elomar! E L O M AR (meu medo de menina)... em 2010 ele veio à Virada Cultural e eu não fui assiti-lo, não sei bem por qual motivo, afinal talvez só se eu o visse cantando ao vivo eu pudesse tentar resgatar aquele estrnhamento de linguagem que eu sentia aos 13 anos, qwuando ouvia Arrumaçao...
Pois agora eu o assisti, deu tudo certo e a emoção foi muito grande, especialmente porque estava muito bem acompanhada, com meu amor!

Me emocionei DEMAIS, claro! Ali estava entrando em contato simultâneo com algumas escolhas que eu acabei fazendo na vida ... e que continuo a fazer!
Tudo estava muito bom, muito agradável e o cenário do SESC BELENZINHO parecia estar preparado para ser o de uma das minhas maiores emoções estéticas a vida!

Elomar não gosta de fotos, pede, implora, ordena que não seja foptografado então eu só tenho uma "foto de divulgação" dele que, evidentemente, não é o que ele é ao vivo!

Esse senhor alegre não se parece com o tropeito rústico e original que ele é...mas ele aceita dar autógrafos e pedi um:

Ainda não sei falar de Elomar, mas tenho medo de perder mais rapidamente aquilo tudo!
Acho que é isso, camaradas!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ENTRANDO NO CLIMA DO ELOMAR

Na edição especial da Bravo "100 canções essenciais da música brasileira", que saiu em 2008, a 100a. canção citada foi "Cantiga de Amigo" do Elomar, justamente a que eu já usava em minhas aulas ... Tô entrando no clima do show do Elomar(que verei com o Caio no dia 09 de fevereiro)! Que medo!
Clique na imagem para ler o texto:


Gosto bastante deste textinho, apesar de eu não concordar com a separação violenta que ele faz entre músicas como "Cantiga de Amigo" - inspiradas nas canções trovadorescas - e outras canções de Elomar - que no texto chamam de canções no dialeto 'sertanês' (que eu ADORO) - é que para mim cantiga medieval e em sertanês são dois momentos de um mesmo processo de contato com o ESTRANHAMENTO, pelo contato com outro tempo passado, ou com outra geografia mais interiorana, o que acaba resultando no que hoje eu chamo de OUTROS ESPAÇOS DE LINGUAGENS. Isso foi o que sempre me atraiu no Elomar e até hoje continua chamando minha atenção. O que Elomar faz é puro poema. EU ADORO!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

UAKTI : Arrumação de Elomar Figueira de Melo



Arrumação sempre me emocionou e, claro, me arrepiou de novo... ainda mais com essa sonoridade encantadora e encantatória do Uakti me fez acreditar que a vida vale a pena mesmo!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ELOMAR POR VINICIUS DE MORAES

"(...)Pois assim é Elomar Figueira de Melo: um princípe da caatinga, que o mantém desidratado como um couro bem curtido, em seus 34 anos de vida e muitos séculos de cultura musical, nisso que suas composições são uma sábia mistura do romanceiro medieval, tal como era praticado pelos reis-cavalheiros e menestréis errantes e que culminou na época de Elizabeth, da Inglaterra; e do cancioneiro do Nordeste, com suas toadas em terças plangentes e suas canções de cordel, que trazem logo à mente os brancos e planos caminhos desolados do sertão, no fim extremo dos quais reponta de repente um cego cantador com os olhos comidos de glaucoma e guiado por um menino - anjo, a cantar façanhas de antigos cangaceiros ou "causos" escabrosos de paixões espúrias sob o sol assassino do agreste.(...)."

Vinicius de Moraes - Abril de 1973.
Vejam um exemplo: