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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O luto lento


Não faz nem um mês ainda, mas foram tantos os acontecimentos que parece que só agora eu eu vou realizando a perda definitiva do meu pai e estou entrando nessa realidade ... e sinto o luto como o Miguilim sentiu o de Dito, porque o meu Rosa sabia das coisas:
Quando chegava o poder de chorar, era até bom - enquanto estava chorando, parecia que a alma tôda (sic) se sacudia, misturando ao vivo tôdas (sic) as lembranças, as mais novas e as muito antigas.Mas, no mais das horas, êle (sic) estava cansado. Cansado e como que assustado. Sufocado. Êle (sic) não era êle (sic) mesmo. Diante dêle (sic),as pessoas, as coisa s , perdiam o pêso (sic) de ser. "
 João Guimarães Rosa, Campo Geral, p. 79.

sábado, 11 de fevereiro de 2012



Que lindinhos! Usava esta história na aula sobre Miguilim na oficina sobre Guimarães Rosa para crianças... Miguilim, quando separado da cachorrinha Pingo-de-Ouro, ouvia a história de um
"Menino que achou no mato uma CUCA, cuca cuja depois os outros a tomaram dele e mataram. O Menino Triste cantava, chorando:

Minha Cuca, cadê minha Cuca?
Minha Cuca, cadê minha Cuca?!
Ai, minha Cuca
Que o mato me deu...

Ele nem sabia, ninguém sabia o que era uma cuca. Mas, então, foi que se lembrou mais da Cuca-Pingo-de-Ouro: e chorou tanto, que de repente pôs na Pingo-de-Ouro esse nome também, de Cuca. E desde então dela nunca mais se esqueceu."

João Guimarães Rosa. Manuelzão e Miguilim. p. 11