Mostrando postagens com marcador Pinóquio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pinóquio. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Revi "Inteligência artificial " (2001)

 


AI Artificial Inteligence : Eu tinha assistido a "AI" quando foi lançado e lembrava pouco, só do Pinóquio (amo) e de que chorei muito no final (como sempre quando envolve Spielberg e crianças). Desta vez, quase trinta anos depois, chorei novamente.

São muitas questões levantadas sobre robôs, amor e humanidade, pertencimento, direito à existência, temas caros à ficção científica, que nos relembram tantos outros filmes, como Blade Runner. Desde o início, o filme nos liga ao robô David (Harley Joel Osment, esse ator mirim excepcional que nem pisca nesse filme, o mesmo de O Sexto Sentido!), que foi projetado com amor incondicional e para todo o sempre e, depois, configurado para amar especialmente sua mãe, Mônica. Não consegue fazer outra coisa: mesmo depois de séculos, da morte e até do fim da humanidade, segue buscando ouvir dela "eu amo você, David", quase como se fosse um humano movido pelo desejo.

Cabe lembrar que o filme começa com uma cena em que os cientistas discutem as questões éticas envolvidas na criação de um autômato feito para amar. Qual seria a real responsabilidade do objeto desse amor incondivional? A trama nos coloca justamente no olho desse furacão. 

Gostei muito de reencontrar esse filme complexo e salientar que foi, sobretudo, uma grande homenagem póstuma de Spielberg ao seu amigo Stanley Kubrick, idealizador do projeto!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Crianças resenhistas


No site da Editora Cosac Naify, que puplicou um edição capichadíssima do Pinóquio - A história de um boneco no final de 2010, agora podemos ler pelo menos duas resenhas do livro escritas por crianças .

Como já dei a referência, vou copiar os textos aqui porque  vale  muito:

Era uma vez um pedaço de pau que um dia foi parar na oficina do senhor ANTÔNIO que tinha o apelido de Cerejo mas que não gostava desse apelido. Um dia o mestre Cerejo foi trabalhar e pegou um pedaço de pau que falou não me golpei com tanta força e o mestre cerejo virou e viu que não tinha ninguem na rua e falou deve ser coisa da minha imaginação então entrou um carpinteiro que cujo nome era GEPPETTO procurando um pedaço de madeira para fazer um boneco o cerejo deu a madeira que falava, sem saber GEPPPETO foi para casa fazer o boneco pouco antes de ser terminado o boneco ja foi malcriado.GEPPETTO pegou pelas pernas de PINÓQUIO e o botou no chão para ver se ele andava mas ele não conseguio então GEPPETTO o segurou pela mão e tentou fazer que ele andasse e não que ele conseguio mas ele começou a corre para lá e para cá até que saiu de casa e GEPPETTO foi atras dele até que um guarda que estava por lá prendeu GEPPETTO. E PINÓQUIO votou para casa e encontrou o grilo falante só que PINÓQIO não gostava deescutar o grilo falar atirou um pedaço de madeira no grilo que o matou. Eu gostei muito do livro acho que as crianças vão adorar porque alem de ser uma historia classica e boa prende muito a atenção.Gabriel Jeneci, 10 anos  Postada  em 13/12/2011 

“O livro foi uma surpresa, é bem diferente do filme de Walt Disney, mas além de ser diferente, ele é muito divertido, mostra que se você não ouvir as pessoas que te amam, você vai se dar mal na sua vida e estragar a vida de outras pessoas. A personagem que eu mais gostei foi a Fada dos Cabelos Turquesa, porque ela é uma grande mãe de coração e esta sempre ajudando os outros, principalmente o boneco Pinóquio. Pinóquio, no começo um menino bobo e irresponsavél, fácil de se enganar. Mas no final ele se tornou um menino de bem, trabalhador, obediente e amável. Recomendo este livro para crianças maiores de dez anos. Porque em algumas partes o vocabulário se torna complicado. As ilustrações do livro são bem bonitas, são estilo antigo, quando a gente fala do Pinóquio lembra do desenho animado, as do livro são diferentes.”Luiza Pereira, 10 anos Postada em 13/12/2011
Legal que tenha chamado a atenção para a diferença em relação à versão Disney e o cuidado em lembrar perspectivas de época: "desenhos antigos", vocabulário difícil para crianças com menos de 10 anos (rs)...Claro que todo texto escrito por crianças, especialmente os que são bem escritos como esses, levantam muitos questionamentos sobre quanto da opinião da própria criança (sem intervenção de adultos, que costumam ser intrusos) há ali. Mas não acho MESMO que as crianças não podem construir e expressar suas próprias opiniões, que são sempre peculiares e irreverentes. MNem toda criança precisa escrever resenhas assim como essas, mas todas deveriam ter o DIREITO AO ACESSO À VERSÃO ORIGINAL DE COLLODI, com o pau que lamentava e tudo, antes de terem seu imaginário dominado pelo desenho dos anos 1940, que é lindo, claro, mas o original é bem melhor! 

domingo, 18 de novembro de 2012

Comecinho de "Pinóquio - A história de um boneco", de Carlo Collodi



"Era uma vez...
-Um rei - dirão logo os meus leitores.
Não, meninos, vocês se enganaram. Era uma vez um pedaço de pau.
Não de madeira de lei, mas um simples pedaço de lenha, desses que no inverno atiramos nos fogões e nas lareiras para ascender o fogo e aquecer os aposentos.
Não sei como a coisa aconteceu, mas a verdade é que um belo dia esse pedaço de pau foi parar na oficina de um velho carpinteiro, que tinha o nome Antonio, embora todos os chamassem de Cerejo, por causa da ponta de seu nariz - sempre roxa e lustrosa, como uma cereja madura.
Assim que mestre Cerejo viu aquele pedaço de pau ficou todo alegre e, esfregando as mãos de contente, resmungou a meia-voz:
- Esta madeira veio bem na hora: vou usá-la para fazer uma perna de mesa.
Dito e feito, logo pegou a enxó afiada para começar a retirar a casca e desbastá-la, mas, quando ia dar o primeiro corte, ficou com o braço suspenso no ar, pois ouviu ua voz muito débil, que lhe pedia suplicante:
- Não me golpeie com força!
Imaginem como ficou o bom e velho mestre Cerejo!
Girou os olhos perturbados pelo cômodo para ver de onde podia ter saído aquela vozinha, mas não viu ninguém! Olhou embaixo da banqueta, mas ninguém;olhou dentro de um armário que estava sempre fechado, e não viu ninguém; olhou a porta da oficina para dar uma olhada até a rua, e ninguém! Ou então?
-Já sei! - disse rindo e coçando a peruca - é claro que essa voz foi imaginação minha. Voltemos ao trabalho.
E tomando de novo a enxó na mão, desferiu um soleníssimo golpe no pedaço de madeira.
-Ai! Você me machucou! gritou lastimando-se aquela vozinha.
Desta vez mestre Cerejo ficou pasmado, com olhos arregalados de medo, a boca escancarada e  a língua balançando à altura do queijo, como uma carranca de chafariz. Mal recobrou o uso da palavra, começou a falar trêmulo e balbuciando de temor:
- Mas de onde será que vem esta vozinha que disse ai? ... E olha que não há ninguém aqui. Seria por acaso este pedaço de pau quee aprendeu a choramingarncomo criança? Não posso acreditar. Aqui está este pedaço de pau; uma racha para queimar como todas as outras que, quando se põe no fogo, serve uma panela de feijão...
Ou então? Será que alguém se escondeu dentro dela? Se foi isto, pior para ele... Então ele não vai ver!
E, dito isto, agarrou com ambas as mãos o pobre pedaço de pau e começou a batê-lo sem piedade contra as paredes da oficina.
Depois ficou escutando para ver se alguma vozinha se lamentava. Esperou dois minutos, e nada; cinco minutos, e nada; dez minutos, e nada!
- Já entendi - disse esforçando-se para rir e desagrenhando a peruca -, está claro que a vozinha que disse ai não passa da minha imaginação! Voltemos ao trabalho.
Mas, como se sentiu inadir por um grande medo, começou a cantarolar para adquirir um pouco de coragem.
Então deixou de lado a enxó e apanhou a plaina para desbastar e polir o pedaço de pau; mas, no momento em que o aplainava para cima e para baixo, ouviu aquela mesma vozinha que lhe disse entre risos:
- Pare com isso! Está me fazendo cosquinhas no corpo!
Desta vez o pobre mestre Cerejo caiu fulminado. Quando reabriu os olhos, viu que estava sentado no chão.
Seu rosto parecia transfigurado, e além disso a ponta do seu nariz, que habitualmente era roxa, tornou-se azul de tanto medo..."    


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Linda exposição sobre Pinóquio


No fim de outubro, no dia do meu aniversário, eu recebi  um grande presente no Sesc Belezinho, vi a exposição 9 cenas de Pinóquio  e, claro, amei:

Ai, aqui estaria a própria alegorização do o fim da infância construída por Carlo Collodi... Eu acho que todas as crianças deveriam ler Pinóquio algum dia. A criança que ainda vive em mim só leu o original de Collodi um pouco "madura" já (depois de ter lido inúmeras adaptações e ter assistido ao filme da Disney), mas ainda assim foi delicioso e me deu muita vontade de presentear todas as crianças com o livro...
Esta exposição no Sesc Belenzinzinho (como quase tudo relacionado ao Pinóquio) me emocionou demais, mas também me divertiu!
Adorei tudo, especialmente a própria sombra do bonequinho presente no ambiente que eu jurava que não ia sair nunca nas fotos, mas saíu...



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

As aventuras de Pinóquio: História de um boneco - Carlo Collodi

Vocês souberam da edição especial da história original do Pinóquio, escrita por Carlo Collodi que a editora Cosac Naify preparou em dezembro de 2011? Pois é tudo de bom!!!!
Vale muito ver, especialmente aos historiadores, afinal começamos a aprender a importância do tal bonequinho para a história ao lermos o texto "O país dos brinquedos - Reflexão sobre a história e sobre o jogo" que está no livro "Infância e História"de Giorgio Agamben?
Ali ficamos sabendo que até as coisas mais prosaícas e triviais podem ser um tesouro para análise de um bom historiador...
Nesta edição, segundo lemos no site da editora: "as ilustrações exclusivas de Alex Cerveny são uma atração à parte: o artista brasileiro utilizou a técnica cliché verre, do final do século XIX (contemporânea ao livro), na qual se chamusca uma placa de vidro com uma vela e desenha-se rapidamente sobre esta superfície com um objeto pontiagudo. O resultado são imagens oníricas de um Pinóquio nunca antes imaginado." Além disso também temos um prefácio do Italo Calvino, "só isso"... mal posso esperar para comprar e ler tudo!
Se quiserem saber mais sobre o livro clique aqui.
Se quiserem ler uma enterevista com o tradutor Ivo Barroso, clique aqui.

domingo, 8 de agosto de 2010

1o. ENCONTRO DE DE PRODUÇÕES LITERÁRIAS E CULTURAIS PARA CRIANÇAS E JOVENS- PINÓQUIO E ALICE

Nas tardes entre 03 e 05 de agosto de 2010 eu assisti ao envento promovido por um grupo de estudos sobre Literatura infanto juvenil aqui na USP. Assisti quase tudo ( só não via os filmes), porque queria mesmo era ouvir de que falavam os pesquisadores e me surpreendi para o bem com a densidade das pesquisas sobre os livros clássicos "Alice no país das maravilhas" de Lewis Carroll e "As aventuras de Pinóquio" de Carlo Collodi .

Vou escrever sobre momentos que eu pensei serem os mais reveladores do evento :

No dia 03/08 me encantei com a exposição de edições desses livros, muitas delas, de todos os tamanhos, formas, cores... fotografei tudo o que eu pude! Também Me encantou um livro enorme de pano, em forma de colchoado, onde vimos Alice e Pinóqui juntos! Depois começaram as palestras... a pioneira no tema na USP- Professora Nelly Novaes Coelho - falou um discurso lindo, apaixonado da literatura, como um fazer 'de ser humano' para 'ser humano', que não está submetido a tempos determinados e que isso também pode - e deve- tocar a sensibilidade das crianças. Foi a professora Nelly quem começou introduzindo o significado de abordarmos conjuntamente essas duas obras: ambas falavam eram releituras de um arquétipo literário - a viagm do herói - e por isso sobrevivem e se multiplicam em diversas linguagens. No caso de Alice, estamos diante de um forte questionamento da razão vitoriana, a partir da consideração da perspectiva de crianças, mais tarde um questionamento semelhante - mas para adultos - será apresentado por Kafka. No caso de Pinóquio essa viagem seria "iniciática", pois a personagem se transforma até fisicamente, e sua história foi escrita em um momento alegre da Itália - final das guerras - e a necesidade era produzir histórias didáticas e moralizantes.Neste dia eles exibiram o filme "Pinóquio", de Roberto Benigni -que é considerado como um dos piores filmes italianos. Será mesmo? Não assisti! Mas à tarde tivemos uma mesa redonda interessantíssima entre João Gomes de Sá (um escritor que adaptou Alice para o cordel) e o ilustrador Odilon Moraes.

Sobre João Gomes de Sá eu pensei ser uma das participações menos ricas do evento, porque ele começou sendo bem deselegante - dizendo que não gostava de ilustradores, mas elestava ao lado de um!- e apresentou uma leitura bem rasa de Alie, quando disse, mais de uma vez, que ela nunca sofria pelo indeterminado da história (não acho mesmo que isso seja verdade! Alice sofre, sim, ela chora várias vezes, mas o que ela não faz é drama!). Essa leitura dele é ligada à idéia da "criança sempre alegre", da "criança fofinha", que já sabemos não ser verdadeira (vide Freud) e muito menos a noção da criança como uma página em branco a ser preenchida, que partir de um pré positivação da educação formal, desconsiderando tudo que a criança já é antes disso!

Já Odilon Moraes apresentou leituras bem mais interessantes das obras! Para ele, talvez, a tradução do nome Wonderland como "país das maravilhas" é uma das possibilidades, mas significa iluminar apenas um lado da infância e escurecer outro sentido da palavra "wonder", que é inquietação (até o fim do evento vamos ver outras traduções para wonder, diferentes de maravilha). Pensar na criança como o ser que vive no mundo das inquietações é muito interessante para mim! Mas ele lembrou que não só as crianças são inquietas, todos os que tocam o espaço de potência poética da estranheza são banhados de inquitação.Eis uma belíssima conceituação de infância. Mas o mais interessante da fala dele para mim foi a leitura que ele apresentou de Pinóquio, como a alegoria da "morte da infância", isso porque todo o conteúdo moralizante da obra (o processo de aquisição da "roupagem ocidental") apresenta como iminente a morte do que é "criança". O interessante é que ele falou de uma leitura imagética onde o boneco -que está na vivência errática da criança- não se transforma em menino e deixa de ser boneco, ele aparece e o boneco fica de lado, esquecido. Acho isso lindo e verdadeiro. Se considerarmos isso, sempre é possível resgatar o boneco esquecido. Lindo!


No dia 04/08 tivemos uma palestra de Mauricio de Sousa sobre adaptação de clássicos. Na

verdade ele falou bem pouco de adaptação, falou muito mais da história de sua produção. Em um momento alguém pergunto sobre a opinião de uma mãe- que dizia que essa infância da qual ele tratava já não existe mais- ele disse que existem, sim, crianças, mesmo essas que estão usando as "cascas" urbanas e os seus questinamentos permanecem, pois são humanos.

Uma questão que reapareceu várias vezes neste dia foi sobre o que significa "ser boneco", porque pensamos na Emília, que por ser boneca, podia falar o que queria falar e a criança é um ser em processo de modelagem social, que está "aprendendo" os valores morais. Será que os reais 'bonecos' não somos nós, os que nunca tem sua voz ouvidas?

No dia 05/08 O mais legal que eu vi neste dia foi a palestra de Andréa Simão sobre adaptação de literatura para o cinema, ela explicou que para o cinema o que importa é a dinâmica 'ação/consequência" e que uma história como "Alice no país das maravilhas" tem o seu melhor justamente na ideterminação dessa dinâmica, então seria um tanto quanto violento adaptá-la, como fez Tim Burton. Ela falou, também, que essa racionalidade cinematogáfica de "causa e consequência" eliminava a reflexão e etava cada vez mais produzindo gente estranha.Uma pena é eu não estar na sala dela (estava assistindo por vídeo conferência), se não eu teria perguntado o que ela pensava da adaptação do livro Lavoura Arcaica de Raduan Nassar, que é muito criticada, mas que eu adoro, porque é levantar a bandeira do leitor do livro escrito.Ainda sobr cinema, ouvimos uma moça falar da relação entre o Pinóquio e o robô do filme A.I.,um filme idealizado por Stanley Kubrick e dirigido por Steven Spielberg, que é completamente inspirado na história de Pinóquio. O interessante foi que todo mundo teve que admitir ter CHORADO MUITO NO FILME DO ROBÔ PROGRAMADO PARA AMAR, MAS QUE NÃO CONTOU O AMOR DE NINGUÉM! (RS)

Mais adiante tivemos algumas das falas mais interessantes do evento: Alice apareceu não mais no "pais das maravilhas", mas sim no "pais do querer saber" (isso não é muito infância?) e por isso põe à revelia a lógica tradicional.

Outras pesquisadoras trataram da escritura de Alice - a linguagem labiríntica- onde atuam o Nonsense (que é trazido pela potencialização do ritmo, do som, que acabam por instituir novos sentidos através de uma outra ordem, a da brincadeira, do lúdico que produz estranhamento) - e do paradoxo que aposta na existência de dois sentidos ao mesmo tempo (o que é uma leitura da vivência infantil, que é grande para algumas coisas e ao mesmo tempo pequenas para outras, e o campo da brincadeira está exposto nos jogos sintáticos de Carroll, onde expressões aparentemente opostas podem ter o mesmo significado. Ainda sobre o texto de Carroll foram apresentados os chamados "Pequenos labirintos" 1o. CAMINHOS DIFERENTES E MESMA SAÍDA; 2o. CAMINHOS DIFERENTES E SAÍDAS DIFERENTES e 3o. PERDER-SE NA TRAJETÓRIA. No fim do dia, que também era o fim do evento todo, eu fui sorteada e ganhei o livro "As caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato e eu fiquei querendo MUITO MAIS!

Parabéns aos organizadores do evento e a todos os participantes!