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quarta-feira, 28 de abril de 2010

II SIMPÓSIO DE ESTUDOS SOBRE CULTURA


Apesar de tudo eu vou apresentar o que estou falando neste resumo:

Guimarães Rosa: Um escrevinhador de narradores

Camila Rodrigues*

Palavras-chave – Guimarães Rosa, oralidade, sertão, infância, modernismos

Resumo

A performance da escrita de João Guimarães Rosa (1908-1967) é a utilização da fala como ingrediente da sua escritura. Isso pode ser percebido a partir do alto grau de estranhamento que apresenta a leitores urbanos, pois aborda o cenário peculiar do sertão de Minas Gerais, que é tomado como emblema e alegoria do primitivo. Foi neste sertão - na cidade de Cordisburgo - que em 1908 nasceu o menino Joãozito, uma criança que ao completar oito anos, mudou-se para Belo Horizonte, onde seguiu seus estudos até tornar-se médico e depois atuar como diplomata.

Na fase adulta, Guimarães Rosa revisitou o sertão para viajar com vaqueiros e registrar, em seus conhecidos cadernos manuscritos, as narrativas e a linguagem tradicional dos sertanejos. Entender sua performance deve partir da existência desses registros, pois eles - tão parecidos com um relatório científico – não são, ainda, a sua obra literária final, mas apontamentos que serviram como sua matéria prima, já que a observação da realidade precisa de filtros ficcionais para tornar-se literatura.

A importância do contato com os sertanejos foi oferecer matéria prima para o artesanato de sua escritura, pois ao escrever sua literatura, Rosa não reproduz exatamente o que ouviu, mas faz escolhas de palavras ou expressões que – a partir de sua força sonora ou semântica – reproduzem não a fala, mas sim o ritmo do que foi ouvido, pois elege este elemento como a força motriz da comunicação, e isso passa a atuar como o corpo da narrativa. Assumindo essa visão, a escrita de Guimarães Rosa articula a linguagem de forma a potencializar a oralidade existente nela.

Se pensarmos na recepção da obra rosiana pela crítica no contexto de seu lançamento (1946-1967), em geral, a utilização desse artesanato que propicia uma escritura ligada a oralidade foi percebida, mas somente relacionada ao espírito do seu tempo (Zeitgeist), que começou a ser expresso na literatura brasileira pelo modernismo desde os anos 1920, especialmente no resgate de aspectos primitivos e orais em nossas manifestações populares. Após 1945, com a chamada 3ª.geração – a de Guimarães Rosa -, percebe-se uma busca ainda maior por experimentações lingüísticas, que refletiam uma ansiedade em inserir o Brasil nas grandes problemáticas da epistemologia do pós guerra, valorizando, entre outros elementos, a linguagem oral. A incorporação da perspectiva infantil a este novo olhar epistemológico também alterou a visão da História. Todos esses temas serão levantados, ainda que de forma sintética, nesta fala.

* Doutoranda em História Social na USP – Ma. Camila Rodrigues

Veremos...


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ONDE ESTÁ ESTE ALGUÉM?

Além de estar na canção de Caetano Veloso, onde estaria este alguém que procuro:

"Se alguém pudesse ser um siboney
Boiando à flor do sol
Se alguém, seu arquipélago, seu rei
Seu golfo e seu farol
Captasse a cor das cores da razão do sal da vida
Talvez chegasse a ler o que este amor tem como lei"

Eu sei onde ele não está: na academia, em baladas, em festas familiares, em shows e rock, em piadas...
Mas ele pode estar no SESC, na USP, no Reveillon da Paulista,nos shows do Tom Zé...
no neu cotidiano, onde existem muitos interditos ... vejam este vídeo :

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sobre a eleição do reitor na USP: EU NÃO ENGOLI!

Como a maioria das pessoas, eu também ainda não engolli essa escolha.
Li um comentário crítico, seguido por uma entrevista com o candidato vencedor pelos votos das congregações, mas ARBITRARIAMENTE PRETERIDO PELO GOVERNADOR JOSÉ SERRA, apesar de indicar a referência aqui, colo-o completo- já que você já está aqui mesmo ... só devo salientar que, ao contrário do que pensa Oliva - o candidato preterido,EU PENSO,SIM QUE A DECISÃO DO SERRA TOCOU PROFUNDAMENTE A AUTONOMIA DA UNIVERSADE DE SÃO PAULO (AFINAL,EMBORA A ELEÇÃO NÃO TENHA MESMO, PROPRIAMENTE, DESREPEITADO O ESTADO DE DIREITO, MAS SE CONSIDERARMOS O CONTEXTO ATUAL DA UNIVERSIDADE, OBSERVAMOS QUE A AUTONOMIA VEM SOFRENDO CONSTANTE ENFRAQUECIMENTO, O QUE FOI MARCADO POR ATOS EXTREMOS COMO A ENTRADA DA PM NO CAMPUS E AGORA POR ESSA ELEIÇÃO AUTORITÁRIA, COMO ATÉ JÁ ESTAVAMOS ...)
Vejamos a reportagem:

" Terça, 17 de novembro de 2009, 08h57
Oliva: Ingerência política é incompatível com a USP
Eliano Jorge


Para um cientista, é sempre útil entender como funcionam mecanismos complexos. No caso de Glaucius Oliva, 49 anos, professor titular e diretor do Instituto de Física de São Carlos, a recente lição foi de meandros político-eleitorais. Talvez lhe seja um tema mais complicado do que a Cristalografia de Proteínas, tema em que virou doutor pela Universidade de Londres.
Embora tenha vencido a eleição para reitor da Universidade de São Paulo (USP), Oliva acabou preterido pelo governador paulista José Serra, do PSDB, a quem coube a escolha a partir da lista de três nomes apontados pelas urnas. Nomeado sexta-feira, 13, João Grandino Rodas alcançou apenas o segundo lugar nas várias etapas do escrutínio.
"É evidente que eu tinha toda a expectativa de que ele me indicaria porque tinha obtido o apoio explícito da comunidade universitária, numa campanha em que pautei exclusivamente - e talvez esta tenha sido minha falha - sobre a construção de um grande projeto e sobre o convencimento da comunidade universitária. Eu não tinha um viés político, grandes nomes secundando com carta de apoio, nenhuma manifestação política, caciques, ex-reitores", comentou Oliva, em conversa com Terra Magazine.
Ele se queixou da falta de análises mais profundas dos projetos por parte de Serra. A opção foi respeitada, mas não foi engolida a justificativa pela comparação de experiência e carreira dos candidatos: "Acho que ele não olhou direito os currículos. Não me pareceu convincente".
Tendo sempre Rodas na sua escolta, Oliva venceu as três votações do segundo turno, com diferença de 46, 56 e depois 57 votos entre eles. Nesta etapa, houve 85% de comparecimento às urnas, correspondentes a 274 membros do Conselho Universitário e dos Conselhos Centrais - de Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa e Cultura e Extensão Universitária.
"O resultado no colegiado menor traçou a mesma vontade da comunidade expandida", concluiu a reitora Suely Vilela, em declaração reproduzida no site oficial da USP.
"Se, de fato, a decisão (do governador) teve uma origem política, é um pouco ruim, né? Porque a universidade deve ser regida por princípios acadêmicos, e não necessariamente ingerências políticas de qualquer sorte, me parecem incompatíveis com o princípio universitário", observou Oliva. "Se você tenta contaminar eleições acadêmicas e técnicas com preferências políticas, isso é terrível", acrescentou.
Atual diretor da Faculdade de Direito da USP, João Grandino Rodas comandou o Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico (Cade) entre 2000 e 2004, nomeado pelos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula. A partir do dia 26, será o 25º reitor de uma das mais conceituadas universidades do País.
Confira a entrevista com Glaucius Oliva.
Terra Magazine - Como o senhor começa a semana depois do processo eleitoral? Já não está mais ligando para isso?Glaucius Oliva - O fato é que terminou, acabou o processo, nós temos um novo reitor. Portanto, eu tenho que retomar minhas atividades normais, de pesquisa, ensino, as atividades administrativas como diretor do Insituto de Física. E continuar trabalhando pela Universidade de São Paulo.
O futuro reitor declarou que deixou recado telefônico, convidando o senhor para a nova diretoria.
Eu vi essa declaração na imprensa, ele havia deixado recado com a minha secretária, na sexta-feira. Ainda não consegui retornar. Mas a minha impressão é que a sintonia entre um reitor e seu vice deve ser integral. Deveria ser uma chapa isso, e não duas eleições separadas, como são hoje. A eleição para vice-reitor é igualzinha à eleição para reitor, você forma uma lista tríplice para ser escolhida pelo governador. E, se o governador já não me escolheu, é porque talvez tenha razões para tal. Então, não faria muito sentido eu me candidatar novamente para vice-reitor. E acho que o reitor deve ter junto a ele, na vice-reitoria, uma pessoa com que ele tenha mais integral proximidade de ideias, métodos de trabalhos e procedimentos. Ele certamente tem pessoas de altíssimo gabarito no grupo que liderou.Ele não conversou comigo ainda, e eu estou respondendo em termos genéricos. Mas é uma conversa que a gente vai ter ao longo do tempo. A eleição para vice-reitor é só em março. Mas a minha primeira impressão é que não seria exatamente bom, nem para ele nem para a universidade, ter a minha presença na adminitração mais próxima, o que não me exime de ajudar em tudo o que for possível para que esta gestão tenha o maior sucesso. Todos nós somos USP e temos que lutar por ela. Não tem nenhum componente de rancor não. Do ponto de vista prático, não é bom você ter junto uma pessoa que teve mais voto que você, fica uma situação meio estranha.
Por ser empossado o segundo colocado na eleição para reitor da USP, foi ferida a autonomia universitária?
Não, de jeito nenhum. A regra do jogo era essa. Então, do ponto de vista legal, não houve nenhuma quebra de Estado de Direito. A ideia de ter uma escolha pelo governador era ter uma voz da sociedade sobre as ideias e os projetos que conduzem a universidade. E estranhou um pouco, não só a mim, mas a toda a comunidade universitária, a forma um pouco rápida com que esta decisão foi tomada, sem uma conversa com os candidatos, sem uma análise mais aprofundada dos projetos que estavam ali sobre a mesa, da nossa visão de futuro, da nossa experiência administrativa. Enfim, dá a impressão que houve uma decisão que teve outros contornos que não necessariamente da atualidade do projeto ou da pessoa para conduzi-lo.
Que interpretação o senhor faz desses contornos?
Se, de fato, a decisão teve uma origem política, é um pouco ruim, né? Porque a universidade deve ser regida por princípios acadêmicos, e não necessariamente ingerências políticas de qualquer sorte, me parecem incompatíveis com o princípio universitário. Eu sou um cientista, essa é minha natureza. Não é porque um indíviduo que eu não gosto fez um trabalho científico fantástico em demonstração experimental ou teórica de um fenômeno, que vou dizer que está errado. Não posso. Ciência foi feita não porque esse indíviduo pertence a esse ou aquele partido, ela é baseada na verdade, na busca da verdade e daquilo que é inquestionável. Se você tenta contaminar eleições acadêmicas e técnicas com preferências políticas, isso é terrível.
Depois de vencer todas as etapas de votação, o senhor imaginava que não seria referendado pelo governador?
É prerrogativa dele fazer essa indicação. É evidente que eu tinha toda a expectativa de que ele me indicaria porque tinha obtido o apoio explícito da comunidade universitária, numa campanha em que eu pautei exclusivamente - e talvez esta tenha sido minha falha - sobre a construção de um grande projeto e sobre o convencimento da comunidade universitária. Eu não tinha, na minha campanha, um viés político, grandes nomes secundando com carta de apoio. Tinha um monte de cientista, dizendo que achava que eu seria um ótimo administrador. Mas não tinha nenhuma manifestação política, caciques, ex-reitores. Enfim, foi uma campanha feita mesmo nas bases acadêmicas. Nestas, eu ganhei, e isso me satisfaz muito. O que é mais importante, para mim, é que deixo como legado para a universidade um projeto detalhado, em todas as áreas, com uma visão de futuro bem estabelecida para a Universidade de São Paulo, como sendo um centro de excelência, com um conjunto de propostas e ações concretas em Graduação, Pós-graduação, Pesquisa, gestão administrativa. Se o reitor puder aproveitar estas ideias, eu ficaria extremamente satisfeito.
O senhor pretende concorrer novamente à reitoria?
Quatro anos é um longo período, né? Se houver consenso entre as pessoas que, daqui até lá, estarão envolvidas no processo sucessório, eu me disponho a trabalhar como fiz agora. Eu nunca tive um desejo do cargo em si. A minha praia, do ponto de vista acadêmico, é outra. Eu sempre estive muito envolvido com atividades de pesquisas, ensino e criação de cursos, inovação tecnológica, transferência de tecnologia. Administração é uma coisa meio natural em mim, faço bem. E as pessoas acharam que era uma combinação importante para ter na reitoria. Mas não tenho nenhuma aspiração, não faço disso meu projeto de vida. Ao mesmo tempo, não me furto a servir a universidade na posição em que for chamado.
Numa eventual candidatura, não vai deixar de incluir um cunho político...
A gente aprende com a experiência, né? A gente vai ter que entender que, num processo desse, temos tanto público interno quanto público externo. Temos que convencer não apenas os soldados como os generais de que as ideias são boas. Eu talvez tenha ficado muito nos soldados e esquecido um pouco dos generais.
Por falar em soldados e generais, foi a primeira vez que o vencedor da eleição da USP não foi ratificado, desde o fim da ditadura militar. O que o senhor pensa?
Não faça nenhuma comparação. Quando eu disse soldados e generais, foi apenas uma figura de linguagem. Não teve nenhuma conotação de acusação. Foi uma decisão do governador, nós estamos num Estado democrático de Direito, ele tem autonomia e prerrogativa para fazer isso. Ele mesmo disse que nunca hesitou em assumir responsabilidade das prerrogativas que ele tem como governador. Eu não faço nenhuma comparação do momento que vivemos agora com o período militar, nós temos um mecanismo que é legítimo, legal. Eu posso discordar da forma como ele foi utilizado. Acho que ele, se utilizado, deve ser de uma forma muito parcimoniosa. A escolha da inversão da lista tríplice é uma arma muito poderosa e que, para ser usada, na minha interpretação, deveria ser por uma justificativa muito importante e séria.
O governador alegou currículo e experiência do segundo colocado.
Eu acho que ele não olhou direito o currículo de ambos os candidatos. Eu tenho uma experiência de gestão acadêmica universitária de 12 anos, muito mais do que isso, já fui chefe de departamento, diretor de unidade, presidente de Pós-graduação, consultor de empresas, coordeno institutos de pesquisa da Fapesp e do Ministério, exerci cargos no Ministério de Ciência e Tecnologia, no que diz respeito a comitês de avaliação de projetos e de gestão. Sou cientista de reconhecimento internacional, membro da Academia Brasileira de Ciências. Então, esta justificativa ficou um pouco mal explicada. Sou professor titular há mais de 12, 13 anos, dessa universidade. Sempre fui professor em dedicação integral e exclusiva, o que não acontece com o outro candidato, que só se tornou três, quatro anos atrás, sempre exerceu uma vida externa à universidade. Esta justificativa não me pareceu convincente.
De universidade, o senhor acredita que entende mais?
Eu não gosto de fazer comparações não. Eu só digo que entendo bastante de universidade. Presidi uma comissão de planejamento, isso foi uma coisa que talvez, se o governador tivesse olhado, gostaria. O governador é uma pessoa da área de Planejamento, ele nasce para a política como secretário de Planejamento do governo Montoro. E a Universidade de São Paulo é uma instituição muito complexa, muita gente, recursos vultosos, e que tinha, em seu estatuto, desde 1988, a previsão de existir uma comissão de planejamento com a missão de elaborar planos de médio a longo prazos para a universidade e estudar cenários externos e internos que afetassem as atividades universitárias. Surpreendentemente, em nenhuma das gestões reitorais desde 1988, esta comissão havia sido criada ou instalada, e convenci a então reitora que a criasse pela primeira vez. Desde 2007, presido esta comissão e temos estudado com profundidade os cenários que afetam a USP, estudamos a USP, o que as universidades do mundo estão fazendo para resolver os grandes desafios da academia, que é uma instituição que está passando por uma série de transformações no que diz respeito à própria organização do conhecimento, à multidisciplinaridade, à formação dos estudantes, à questão do financiamento, à incorporação de novas tecnologias. Então, do ponto de vista de conhecimento e preparação, eu acho que tinha uma boa bagagem.
Terra Magazine
ESTOU ACHANDO ESTRANHÍSSIMO QUE NINGUÉM (NEM MESMO A TÃO FALADA FFLCH!) TENHA FEITO NENHUMA MANIFESTAÇÃO: VAMOS DEIXAR UMA DAS INSTITUIÇÃO DE MAIOR NOME DO BRASIL VIVER ESSA SITUAÇÃO CALADOS?
AQUI NÃO!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SOBRE O NOVO REITOR DA USP

Não disse nada sobreo novo reitor da USP, porque fiquei sem palavras.
Mas outras pessoas, ótimas, disseram, então eu indico o link do Alê e esse link antropológico.
Somos contra esse tipo de palhaçada naquela que é a melhor colocada do Brasil e da América Latica no raking mundial das universidades. Leiam os links, por favor.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Desemprego e racismo

Somos um país racista, é óbvio.
Eu sendo uma mulher negra que cursou - e ainda cursa - Universidade Pública antes das cotas, ainda sofro na pele as dificuldades trazidas pela crise econômica mundial...que me deixou desempregada desde dezembro. Eu acho estranho que isso esteja se estendendo até hoje, quase um ano depois da demissão, isso porque eu sou uma profissional bem qualificada - continuo minha formação, que está em fase de finalização, já, com o doutoramento -, tenho certa experiência, muita criatividade e vontade de produzir...Essa situação me deixou com certos questionamentos sobre minha própria atuação profissional: Será que eu sou assim tão ruim, para ter sido deixada à margem assim?Não sabia, só me questionava sobre isso...

Mas algumas "novidades" de 2009 me deixaram mais confiante na minha atuação profissional: Em 2008 eu peguei aulas para algumas turmas de Sociologia no Ensino Médio, a partir de agosto... como fazer isso?

Assim que eu soube que a professora que tinha iniciado o curso já tinha introduzido conceitos fundamentais de sociologia e História da sociologia, quis levar alguns dados práticos,mostrando que a matéria também estava nos cotidiano deles: Quis abordar a sociologia do futebol. Para isso levei a eles trechos de um livro que tinha acabado de sair, Veneno Remédio, do José Miguel Wisnik. Poxa, rendeu muito e aquilo que eles achavam ser algo chato (aula de sociologia) era algo que também estava na diversão do seu cotidiano, falei a eles sobre o grupo de estudos sobre o tema que se desenvolve na USP faz cerca de dez anos ...os alunos se sentiram bem, introduzidos no mundo!

Porém, além a aceitação dos alunos, outras respostas significativas tive esse ano, quando formou-se um Seminário de estudos sobre o Futebol aqui na USP e quando aquele livro que eles leram um trecho em 2008, ficou em segundo lugar no Prêmio Jabuti de melhor livro de Ciências Humanas, mais de um ano depois!

Para mim isso foi uma prova que eu estava, sim, fazendo meu papel de educadora, levando aos alunos de um colégio periférico os assuntos que estavam sendo considerados importantes na USP... quem faria algo assim?

Mas essa professora ainda está sem emprego. Será mesmo que não é porque não passou no quesito "boa aparência?", ainda que até a Novela das 8 tenha uma protagonista negra... mas elas ainda não é uma negra que vive uma vida de negra... caminhamos, apesar das pedras.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

NOTÍCIAS DA USP : ELEIÇÕES E VESTIBULAR

Para pessoas mais ou menos ligadas a questões políticas da USP (muito mais menos do que mais como eu), não deve ser novidade que as Eleições para reitor estão tomando o centro das atenções do movimento estudantil. A preocupação não é tola, não só para pessoas da comunidade USP - a quem foi apresentado um site com o tema Eleições USP 2009- mas também a todos os paulistas, pois a eleição do reitor da USP interfere diretamente na economia de poderes que sustem o poder do governador do Estado de São Paulo...


Como em todas as eleições, a do reitor da USP é repleta de jogos de politicagem, de disputas partidárias e de disputas ideológicas entre "esquerdas" e "direitas"...


Mas a lista com os 8 candidatos a serem avaliados pela Assembléia Universitária, composta pelo Conselho Universitário, pelos Conselhos Centrais e pelas Congregações das Unidades, já está disponível...
Como eu me envolvo bem pouco com questões políticas da USP, conheço bem poucos nomes da lista, mas um deles me faz pensar (e temer) que se as coisas seguirem o fluxo que estão seguindo, é bem capaz que quem substituirá Suely Vilena (a Suely"chama a PM pro campus"), será Sonia Penin!
Quem é Sonia Penin?
Quem participou da greve dos alunos da FFLCH em 2002, pela contratação de novos professores para a faculdade, pois contávamos com poucos e as salas estavam sempre lotadas, e o que pior, havia cursos como o e chinês, seria fechado pois seu único docente estava para se aposentar... CHINÊS, MEUS CAROS, QUE É UMA LÍNGUA QUE JÁ VINHA CRESCENDO MUITO EM IMPORTÂNCIA , DADA A COLOCAÇÃO DA CHINA COMO ESTADO QUE MAIS CRESCE DEMAIS NO MUNDO... E a Universidade de São Paulo quase aboliu o seu ensino.
Foram 4 meses de greve, que resultaram na contratação de muitos professores, não só de chinês, mas para a faculdade toda, mas até isso aocntecer, algumas cenas serão para sempre inesquecíveis, como na tarde que os estudantes convocaram a então "Pró reitora de graduação Sonia Penin" para ouvir as colocações dos alunos a respeito da contratação de novos professores.
Conhecendo como as coisas funcionam, os estudantes foram munidos de arsenal simbólico, caso a pró reitora nos falasse coisas absurdas (o que seria mais do que provável), poderíamos colocar os narizes de palhaços devidos...
Então , não foi que ela despejou absurdos? Sona Penin é da área de Educação, e teve a coragem de dizer que PROFESSORES NÃO PODERIAM SER CONTRATADOS, MAS QUE UM NOVO PRÉDIO PODERIA SER CONSTRUÍDO PARA RESOLVER A SUPER LOTAÇÃO DAS SALAS(???) E TAMBÉM OFERECER MUITOS COMPUTADORES MODERNOS PARA SEREM USADOS NAS NOVAS SALAS.
Isso não é chamar os alunos de palhaços?
Sempre, sempre, sempre, educação precisou, basicamente, de apenas duas coisas : mestres e alunos ... como alguém da área de educação estava propondo que os professores fossem substituídos por computadores? Ela fez isso. E agora está querendo ser reitora da USP...
Tomara que ela seja excluída agora em outubro e nem chegue a integrar a listra tríplice da qual o nosso "querido" governador José Serra indicará o novo reitor...
Veremos o que acontecerá.
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Mudando só um pouco de assunto
Por outro lado, a USP enfim se colocou a repeito da utilização do resultado do ENEM no vestibular. Ao contrário da UNICAMP, que assim que se soube da compra da prova, desconsiderou de cara a utilização, a USP ficou pensando, pensando.
Eu achei muito triste o que aconteceu com esse novo ENEM, que seria o primeiro passo de uma nova forma, proposta pelo MEC, de como ensinar os conteúdos, mas não sei... no caso de história (minha área) é muito claro que a mudança seria bastante radical... muito menos conteúdo tipo google, mas muito mais reflexão e compração de saberes (que é muito mais próximo do que se aprende nas faculdades de história), com isso os cursinhos pré vestibulares (os donos do dinheiro investido na educação) poderiam sair perdendo, né? Será mesmo que essa fraude foi um evento realizado para interesse financeiros de algumas pessoas? Achei muito estranho. Como uma prova tão conhecida teria sob si uma segurança assim tão fágil? Como confiar?
Se a USP estivesse mantendo essa utilização, mesmo com todo o cenário de questionamentos de legitimidade desta prova do ENEM, estaria assinando embaixo desse mar de questões, que pode ser bem sujo. Mas não manteve. Novamente, vamos ver as cenas dos próximos capítulos.
Chega de assuntos polícos e politiqueiros porque estamos entrando na semana das crianças: OBA!