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terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Leci Brandão 80 anos: É coisa de orixá

 

Cartaz da exposição 

No dia 7 de janeiro eu fui a biblioteca do Memorial da América Latina para conferir a exposição sobre os 80 anos da minha deputada e sambista querida Lecy Brandão.


Estava um dia chuvoso, mas abafado, levei meu guarda chuva e tudo deu certo 

Se é coisa de orixá, fui de amarelo 
Com abebe e o espelho no peito 

A exposição é uma homenagem organizada pela ALESP, onde Lecy atua como deputada,  é pequena, mas muito rica, tem fotos inéditas do acervo pessoal de Lecy e mostra diversos momentos da trajetória desta mulher negra guerreira

A exposição 


Apresentação 


Algumas fotos da Lecy sambista 


Acima com Beth Carvalho e Martinho da Vila. Embaixo com Jovelina Pérola Negra/com Alcione e Clara Nunes e o radialista Moisés Rocha"o samba pede passagem". 



Para registrar mais um pouco, fotografei o belíssimo encarte da exposição aberto, de der um zoom talvez dê para conferir melhor







Nos stories do Memorial da América Latina 



quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Lendo biografias

 


Como já disse, biografia não é um o tipo de livro que eu mais gosto, mas já li alguns na vida. 
Nesse posto eu destaco algumas que li (ou estou lendo) desde 2017, quando comecei a me interessar mais pelas questões de negritude. Depois comecei a escrever alguns textos sobre a presença (muitas vezes oculta) da herança cultural negra nas canções brasileiras e algumas biografias me interessaram nesse campo. Nesse ano, por conta de um trabalho que em breve será publicado, tive que ler muito sobre Lima Barreto, nosso grande escritor negro, e por isso li as duas biografias dele! 
No total falo aqui de  cinco livros no total, tratando de três personagens brasileiras negras, que se destacaram no campo cultural.

Destes, o primeiro que li  foi a bio do Tim Maia. Mas como não gosto tanto de bio, eu demorei para começar e terminar de ler, como comentei aqui .  Tim é uma figura fascinante e ler sobre sua vida, ouvindo suas canções, foi uma delicia dobrada. O mais importante que levei ela foi o destaque ao Jorge Ben, meu grande amor! Dele, se houvesse uma biografia, eu também leria!

A segunda bio que li foi a do Martinho da Vila, aquele livro lindo, que comentei aqui , aliás esse comentário, comparado ao não comentário sobre a bio de Tim Maia, marca um avanço da minha visão sobre essas questões, mostra de que de tão inicial lá no começo, desabrochava em problemáticas reais, o que me emocionou de verdade. Conclui que Martinho, que tanto fez pela negritude, tinha essa face oculta, desconhecida pela maioria, que o considerava um simples sambista qualquer (como se fosse pouco), mas nesse sentido,  sua  biografia, por si só, é uma apologia a cultura negra do Brasil. 



Sobre o Lima Barreto, também foi uma paixão recente, que as biografias fizeram aumentar muito. Embora a primeira, escrita por Barbosa, seja mais gostosa de ler, a mais recente, pela Lilia, é um estudo mais detalhado,  quase uma enciclopédia e Lima muito mereceu.

Sobre a da Elza, falo dela quando terminar a leitura ... mas já adianto que é muito bom ler essas biografias porque elas, sim, contam histórias que, sem elas, estariam fadadas ao esquecimento, e esses livros são um capítulo importante da história dos negros no Brasil 

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Espelho de Martinho da Vila revela a ancestralidade negra no Brasil

Depois de meses, enfim concluí a leitura da escelente biografia Martinho da Vila: Reflexos no espelho, escrita por Helena Theodoro.
Capa da biografia, pela pela Editora Pallas.
Comprei o livro em janeiro, e em fevereiro, quando fui começar a travessia da leitura,  registrei que quando abri a biografia, achava que o caminho que me levou até ela, e também que me desviou da figura do sambista antes, era segredo só meu. Ainda não sabia que tantas vezes em que esse sentimento solitário me tomava, talvez não fosse só meu,mas de uma coletividade. Só descobri sso ouvindo depoimntos de  outros negros e negras. Então abri o.livro e tem um depoimento manuscrito do Martinho mostrando que ele é o que suspeito "um intelectual bem a seu modo"...fascinante. Mas o que me emocionou mesmo foi uma das dedicatórias da autora Helena Theodoro: 
Desde o início a questão da negritude, ontem, hoje e sempre

Ela "descobriu" o segredo do meu interesse na figura daquele homem. Agora que não estou mais tão solitária, posso começar a leitura propriamente dita! Durante a leitura a imagem do intelectual negro de sucesso veio se consolidando aos poucos, na presença e militante da causa e da cultura  negra de Martinho, como cheguei a comentar neste blog aqui. Ou mesmo as parcerias musicais deliciosas com músicos como João Bosco que eu mal suspeitava, como comento neste post.Apresentando sempre Martinho como mais que um músico, mas um intelectual negro,  o livro registra momentos ímpares como este.  Houve um momento emocionante em que, através de Martinho, o SAMBA foi reconhecido como uma canção de ninar do brasileiro quando uma grande amiga, de outra geração, relatou  que Martinho da Vila a fazia lembrar da infância. Comigo é meio assim também, não propriamente com Martinho, mas com Zeca Pagodinho e especialmente Almir Guineto e outros sambistas de raiz: um portal para minha infância, como se o samba fosse a "canção de ninar" dos brasileiros!

Houve também a narrativa da  bela história de amor entre Martinho e Cleo, que segundo a biógrafa, abriu novos caminhos para a criação de Martinho:  "toda a visão de mundo deste compositor, escritor, poeta se mostra, revelando sua esperança no mundo, seu compromisso com as raízes de sua cultura e seu grande poder de participar da vida, modificando e transformando o nosso existir" (p.34 ).

Por fim conclui que Martinho da Vila fez tanto pelos negros brasileiros, que mal sabem de nada, é emocionante de se saber!  Termino com uma lista de livros escritos por  Zé Fereira, mostrando que ele não é  só um sambista, mas seu perfil intelectual inclui inúmeras camadas  Essa lista de obras de um negro brasileiro de sucesso é sensacional

livros de Martinho

 Sua biografia é, por si só, uma apologia a cultura negra no Brasil.  

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Odilê Odilá: Martinho da Vila e João Bosco

Continuo lendo a bio do Martinho da Vila, e agora achei um trecho que trata do meu querido João Bosco. Eu sabia que João, dentre os músicos mineiros que se tornaram universais, ao contrário da galera do Clube da Esquina, que requintaram na harmonia, aproximou-se dos sons dos pretos e atribuía a isso músicas como Odilê Odilá. 
Mas na bio do Martinho soube que esta foi composta durante um passeio deles pela gelada madrugada de Sampa, quando encontraram uma baiana vendendo acarajé, que lhes gritou Odilê e ofereceu uma cachacinha pra esquentar, gesto que responderam com Odilá e uma batucadinha! Segundo a biógrafa Helena Theodoro:
Martinho da Vila: Reflexos no espelho, p. 92
Isso é muito História Cultural brasileira!