segunda-feira, 20 de maio de 2013
domingo, 15 de novembro de 2009
Segregação da mulher: A nova velha história...
"Olá Tom Zé,
Aqui que escreve é uma fã de muito tempo, a última vez que te escrevi, foi sobre seu show no Teatro Municipal de São Paulo, durante a Virada Cultural... pois então, assisti sua participação no Raul Gil e achei fenomenal (como sempre), as idéias libertárias ainda são estranhas para as mulheres tão acostumadas a serem reprimidas, você sabe.
Uma vez você autografou meu CD Estudando o Pagode,e eu te disse que aquele disco deveria ser distribuído a todas as mulheres, porque nele as suas letras dizem coisas que eu sempre achei, mas nunca tinha tido coragem de falar (como o fato dos homens quererem sempre transar "uma boneca de pau", e muito mais...)
Mas acho, Tom Zé, que está claro o motivo pelo qual as mulheres, quase nunca, se mostrarem como mandam seus desejos: Ainda não existe lugar para que elas façam isso. Falo do exemplo da estudante da UNIBAN. Ao ouvir a notícia e ver as imagens pela Internet, coloquei seu disco para tocar, claro. Queria ler o que você pensa sobre isso, apesar de suspeitar que já sei mais ou menos, mas ao visitar seu blog agora, vi que estás viajando para Irará e tal, desejo ótima viagem, mas estarei aguardando suas palavras sobre a moça e também sobre aquela instituição medieval - a UNIBAN- que expulsou a mulher porque ela se mostrou mulher e os homens não se seguraram (como se fossem estupradores, quando dizem que a mulher que "provocou".. absurdos!)
É, Tom Zé, apesar de ganharmos algumas lutas importantes (como quando você falou da liberdade sexual da mulher no programa Raul Gil!), esta guerra ainda longe de terminar.. contamos sempre com você e com a Neusa!
Grande abraço a vocês
Ca"
quarta-feira, 6 de maio de 2009
TOM ZÉ = MÁQUINA DE CRIATIVIDADE

Novamente eu fui ao show do Tom Zé na Virada Cultural. Desta vez eu fui equipada por todo meu amor de fã: não hesitei um momento em passar três horas e meia na fila para entrar no Teatro Municipal - enquanto rolavam outros shows que eu nunca tinha visto e gostaria muito de ver também, como o de Geraldo Azevedo -, já começaram anunciando que eu era uma tomzémaníaca. E sou.
Tinha visto o show "Estudando a Bossa" de Tom Zé no dia 15.03, no SESC Pinheiros, então eu ainda estava mais ou menos nutrida da energia que os shows dele sempre passam, e sabia que na Virada ele a apresentar o show de "Grande Liquidação", de 1968, que significa que eu ia ver a remontagem de um show projetado onze anos antes de eu nascer... uma historiadora não resiste a esses "detalhes", não é?
Fui esperando duas coisas: 1- Viajar no tempo até antes de eu sequer existir; 2- Como era um show do Tom Zé - aquele ritual energético- então também queria aquela descarga descomunal de coisas boas de sempre...
O que eu obtive na hora?
Tive uma descarga de informações históricas (digo a respeito de "depoimentos" sobre a sensação e ideário da Tropicália. Isso foi reforçado pelos protestos violentos que aconteceram durante o show, como se estivessem dizendo a ele, tanto anos depois, que sua intervenção ainda não era completamente aceita por algumas mentes ... pobres mentes, mal sabem o que estão perdendo!) era um passado, mas estava acontecendo ali eu estava participando! Isso acontece com poucas pessoas, e aconteceu comigo! Para meu primeiro desejo saí completamente satisfeita.
Mas sobre meu segundo desejo, não saí plenamente satisfeita na hora. Encontrando Neusa (sua esposa) ao final do show comentei com ela rapidamente que aquilo não tinha sido propriamente um "show do Tom Zé" como sempre tinha sido... não saí com a típica vontade de dançar na rua com os transeuntes, etc...Não senti que outras pessoas tivessem tido tal sensação. Por que será?
Primeiro eu pensei que talvez tivesse sido pela idade do espetáculo, mesmo que ele ainda despertasse protestos... eu tenho 29 anos e aquele show era mais de uma década mais velho que eu, então aquela energia, aquela sonoridade, que na época podia ter despertado várias coisas, pode também ter enfraquecido...
Mas Tom Zé é uma máquina de criatividade, ele trabalhou para "rejuvenescer" sua obra, em modificações nos arranjos e nas letras. Eu gostei e não gostei dessas mudanças.
Se aquele disco não é o que eu chamaria de "super conhecido" hoje em dia, alguma coisa sempre se ouve sobre ele e quando esse resíduo é radicalmente modificado, as pessoas não se sentem tão imersas no clima.
Eu falo isso porque quando assisti no cinema o documentário "Fabricando Tom Zé" no cinema eu vi uma das coisas mais sensacionais que eu tinha visto: Quando exibiram um trecho do show no qual ele tocava "Parque industrial", as pessoas levantaram das poltronas e começaram a DANÇAR NO CINEMA! Eu pensei : Esse é o cara!
Pois no show ao vivo ele fez tantas (e ótimas claro) modificações que a sensação era de que a gente não estava naquele ambiente. Sensação. Mas ela ficou evidente para mim quando ele apresentou a música na forma tradicional no Bis e aí, sim, as pessoas se levantaram das poltronas ...Tom Zé não ia decepcionar, claro!
Outra coisa que eu gostaria de comentar foi a aparência cada vez mais jovial dele! Cada vez mais somos presenteados com piruetas e cambalhotas contagiantes! No dia seguinte ao show da Virada saiu uma foto na imprensa que me emocionou, porque não é a imagem de um músico de 72 anos, mas sim a de um menino que se fantasiou pra brincar de polícia e ladrão! Especialmente pela luz que saem dos seus olhos:
Sobre Tom Zé eu penso: É isso que eu queria para mim... produzir criatividade em uma constância que fosse capaz de me manter verdadeiramente viva por muito tempo, como ela está mantendo meu querido Tom Zé!
Em breve volto a comentar meu próximo show do Tom Zé, como boa tomzémaníaca que sou!
terça-feira, 21 de abril de 2009
Minha programação na VIRADA CULTURAL 2009
Eu tô achando que até sozinha eu encaro o centrão para ver o Tom Zé pela milésima vez e ENTRE OS SHOWS DO EGBERTO GISMONTI E CHICO CÉSAR... CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:
Teatro Municipal
No Teatro Municipal, artistas seminais da música brasileira tocam na íntegra determinados álbuns passados, da primeira à última faixa. Ingressos para as apresentações podem ser retirados no local, com hora de antecedência, com limite de 1 ingresso por pessoa.
18h00 - Clara Crocodilo (1980) - Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno
21h00 - Alma (1986) - Egberto Gismonti
00h00 - Grande Liquidação (1968) - Tom Zé
03h00 - Aos Vivos (1995) - Chico César
06h00 - Violeta De Outono (1986) - Violeta de Outono
09h00 - Cama De Gato (1986) - Arthur Maia
12h00 - Água (1977) - Fafá de Belém
15h00 - Francis Hime (1973) - Francis Hime e Orquestra Experimental de Repertório
18h00 - Alma De Borracha (1986) - Beto Guedes
PARA A PROGRAMAÇÃO TOTAL DA VIRADA 2009. CLIQUE AQUI.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
ESTUDANDO A BOSSA – O SHOW: AULAS DE HISTÓRIA DA MÚSICA BRASILEIRA
Todo mundo sabe que eu sou super fã do Tom Zé, ouço muito e pelo pouco que eu consigo entender (é muito complexo, só entendi melhor depois de ler o livro “O som e o sentido”, do José Miguel Wisnik, que explica didaticamente aos leigos o que é a linguagem musical...) e conforme eu lia só pensava nas músicas do Tom Zé, logo saquei que Tom Zé só podia ser muito melhor do que eu imaginava... E é!
Ontem eu assisti ao show do disco “Estudando a Bossa”, de 2008, onde temos uma leitura bem humorada, rica e genial do advento da Bossa Nova, bem ao gosto de Tom Zé. O show que eu vi foi no SESC Pinheiros, que eu não conhecia, mas que me surpreendeu: Parecia mais uma grande casa de shows do que um SESC e talvez por isso aconteceu um sacrilégio: A platéia assistiu ao show do Tom Zé sentada! Sentada, pode isso? Quando eu assisti ao filme “Fabricando Tom Zé” no cinema em 2007, era interessante observar que a certo ponto o público não se conteve e começaram a dançar! A dançar! Eu nunca tinha visto nada parecido em minha vida! Mas ontem o público higiênico e cool do Sesc Pinheiros assistiu ao show todo sentadinho, apesar do Tom Zé estar sempre convidando todos a participarem de algum jeito... mas foi!
O disco novo, que é maravilhoso, foi muito bem representado, só senti falta de uma das minhas músicas favoritas do álbum: “ROQUENROL BIM BOM”, que é muito gostosinha, mas ficou fora do show do SESC, apesar de eu ter visto vídeos desse show onde ele cantou... mas ele tocou algumas clássicas de seus shows, como “Xique xique”, “Augusta Angélica Consolação”, “Ogodô” e a inédita ao vivo para mim “Brigitte Bardot”, que ganhou uma encenação de arrepiar na parte do suicídio... tudo que os suportes que uma boa casa de shows oferece foi utilizado, muito bem...Tom Zé também falou da polêmica com o funk “Tô ficando atoladinha”, que foi relacionada a música “Bolero de Platão” do seu novo disco, então ele disse que a referência não foi previamente pensada, mas que aquele refrão era fantástico, porque rejeitava diretamente todo o comportamento clássico do homem, de não admitir que as mulheres também sentem seus desejos e agora elas podem manifestá-los ... diretamente! (rs) Sobre a excelente opinião de Tom Zé sobre esse funk, leia aqui.
O show, como eu já suspeitava, me supriu demais, de vez em quando eu preciso de Show do Tom Zé, porque só neles eu relembro quanto bem ele pode me fazer e me sinto viva, em meio a pessoas que também admiram gotas de pura genialidade como eu vejo em Tom Zé...
Agora só em Maio eu o verei de novo, mais uma vez na Virada Cultural, desta vez não mais na Casa das Rosas, como no ano passado, mas em frente ao Teatro Municipal, onde ele vai apresentar o show do seu primeiro disco “A Grande Liquidação”, como uma fã historiadora que nasceu em exatos 11 anos depois do lançamento deste disco poderá perder?
Estou com Tom Zé para sempre!
Curtam uma amostrinha do que eu vi ontem: