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segunda-feira, 25 de março de 2024

"o direito a não amar", de Lygia : Faça a vida fluir ...

 


Vi esse meme e achei que fosse um meme,mas uma verdade, que devo seguir,por mais que doa. Vida que segue .

Aí comecei a ler um conto da Lygia... E cês sabem, agridoce.


Os girassóis murchando : amarelos sobre um fundo amarelo ! Muinga vida...

O DIREITO DE NÃO AMAR : Mais um agridoce conto/rememoria de Lygia, onde ela recorda um amigo/confidente da juventude que sofria por um amor não correspondido, e que achou a vingança amarga no ponto ideal (Lygia, né gente?), ao modo Girassóis de Van Gogh:

"Ele dava murros na parede, Ela não tinha o direito de fazer isto!  Esta confidente entrava então com o mesmo arrazoado que era sempre o mesmo, O problema é que ela não te ama, está apaixonada por outro, não te amar é um direito que ela tem,ficou claro? 

Não ficou claro não porque ele se levantou feito um raio e jurou matá-la e se matar em seguida,fazer parte da tal fuzilaria. Ainda bem que tive o pressentimento de que ele não ia cumprir as ameaças. Sumiu durante algum tempo,misteriosamente andou sumido até reaparecer sorridente e calmo, Ela foi escolher um cara pobre e manco que vai chateá-la até o fim. (...) Grande solução, a vingança ideal.(...) Restou a lembrança daquela original maneira de se vingar a longo prazo: deixar que o próprio tempo na sua marcha natural vá cometendo todos os desatinos que ele planejou.(...) Ocorre-me hoje a fórmula que hoje me parece ideal e tão mais simples que  se resume numa só palavra, renuncia.(...)

Renunciar com o coração limpo, mas tão limpo que mesmo no abandono ele terá forças para ver a amada assim como um girassol na despedida do crepúsculo. E desejar que ao menos ela seja feliz." 


(Lygia Fagundes Telles "O direito de não amar". In: "Conspiração de nuvens". Rio de Janeiro: Rocco, 2007, p.109-10)

Um comentário de Saramago sobre Lygia, a grande escritora



terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

VAN GOGH E A MODA FEMININA

A Arlesiana, 1890, presente no acervo do MASP

Van Gogh, como bom pintor, era sensível a todo estímulo visual...em sua biografia encontramos uma síntese de sua percepção quando, ao se mudar de Paris para Arles, surpreendeu-se com suas belas mulheres do lugar, que, ainda que fossem ignorantes em pintura, tinham certo senso da sua beleza, conforme escreve em carta :
'elas sabem por uma nota rosa num traje preto, ou confeccionar uma roupa branca, amarela, rosa,ou verde e rosa, ou ainda azul e amarela, na qual não há nada a mudar do ponto de vista artístico.' (Apud Van Gogh, biografia, David Haziot, p. 195)
Na imagem, o quadro "A Arlesiana", de 1990, que pertence ao acervo do MASP, nos mostra um registro de como uma francesa se vestia em Arles àquela época. Neste áudio, pertencente ao guia auditivo do museu, fala-se deste quadro:


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Van Gogh e o amarelo


"... o amarelo que emergirá na pitura de Vicente até os quadros dos girassóis amarelos, num vaso amarelo, sobre fundo amarelo, esse ouro bronzeado que vai brilhar e emitir seus últimos fogos no outono de 1888..." David Haziot

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Flash da vida amorosa de Van Gogh

Avançando um pouco na bio de Van Gogh muito bem escrita por David Haziot, percebo que assuntos amorosos não eram de seu maior interesse até ter uma vida adulta. Ele se interessou por uma jovem casada na adolescência e foi por ela rechaçado (quem nunca?), sofreu um pouco, mas superou. Já aos vinte e oito anos conheceu a viúva Kate Vos-Stricker e por ela se apaixonou de verdade, mas também foi rejeitado. Dela temos apenas essa foto com o filho que morreu cedo. 
Fotografia de Kate Vos-Stricke com o filho no século XIX
Tempos depois ela  também foi representada por ele no quadro "Memórias do jardim de Etten", de 1888. 
Memórias do jardim de Etten. Vicente Van Gogh, 1888
Esse jardim era o cenário das conversar dela com o jovem Vicent e esses diálogos mostraram a ele o que poderia ser ter o amor de uma mulher companheira, com quem ele poderia dividir sonhos, planos e angustias. Porém a viúva Kate já era uma criatura muito sofrida, não estava aberta para relacionamentos amorosos novamente, uma pena para Vicent.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

A bio de Van Gogh

Comecei a ler ontem, estou amando, o livro é muito bem escrito. Logo no começo uma coisa me chamou a atenção, Van Gogh, ou apenas Vicent (como eles padronizaram chamar na bio), nasceu em 1853 num contexto muito estranho para nós que somos tão individualistas no século XXI: nasceu um ano depois de Vincent Willem van Gogh, que era seu irmão mais velho natimorto. 
O autor da bio tenta nos "acalmar" sobre isso dizendo  que isso era mais ou menos comum na época, quando mortes na infância eram muito comuns,mas certamente o fato dele ter lido uma lápide com seu nome logo que aprendeu a ler, não deve ter passado em branco para a sensibilidade do artista. Mas individualidade não era a especialidade dos Van Gogh, já que existiam pelo menos uns quatro Vicente Van Gogh na família de nosso gênio, que para nós é estranho e essa estranheza pontua uma sutil mudança de sensibilidade nas percepções. Resumindo: Já estou pirando

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

E se Van Gogh visitasse uma exposição de seus quadros em 2010?

Um grande amigo meu, sabendo da minha paixão por Van Gogh,  me marcou nesse vídeo no Facebook e eu achei a coisa mais linda! Adorei mesmo! Eu acho exatamente isso que o critico disse de Van Gogh: É o melhor por muitos motivos, mas especialmente porque para retratar a dor a transformou em beleza imensa e poucos souberam fazer isso. Outro que também é assim é o Guimarães Rosa, que conta as histórias mais terríveis, mas sempre encharcadas de lirismo... enfim.


(Retirado de um dos capítulo de Doctor Who)

domingo, 8 de novembro de 2015

"A Noite estrelada" e o rememoramento ...

A Noite Estrelada-  Vincent van Gogh (1889-1890)

Vocês sabem que eu amo Van Gogh e esse quadro em especial, por causa de tudo, tudo além da beleza, enfim...
Uma coisa importante : "A Noite Estrelada foi pintada de memória e não a partir da vista correspondente de uma paisagem, como de costume."  ... de memória, colegas. Benjamin (sempre ele) escreveu "o importante para o autor que rememora, não é o que ele viveu, mas o tecido de sua rememoração..." (In "Imagens de Proust", p.37).
Tecido da rememoração, talvez, seja o que eu tentei (inúmeras vezes, mas sem sucesso em nenhuma delas) explicar ser o que estava chamando de "RELEMBRAMENTO" (que é um neologismo de Rosa), e que não corresponde à simples memória do vivido, bruta, mas a todo um processo de... de... REMEMORAÇÃO.
Van Gogh rememorou e viu coisas que só muito depois remetemos a imagens científicas, disponibilizadas pela NASA:


Como existe beleza no mundo!

Desenho em caneta de Reed, executada depois da pintura (in Wikipédia).

domingo, 13 de setembro de 2015

Caminhos de Van Gogh e Caminhos de Minas Gerais

Vejamos esta foto da Serra do Cipó em Minas Gerais, feita pelo fotógrafo  Alberto Andrich

Ela me remeteu ao famoso quadro de Van Gogh, Campo de trigo com corvos :


Belezas ...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Uma leitura de pintura de Van Gogh...

"Mesmo exausto, tomo o metrô para a cidade vazia e, da estação central, subo no primeiro bonde para o Van Gogh Museum, onde me defronto com a tela pintada em vésperas da morte do artista: aves negras que preenchem galhos secos e dão vida à árvore. Mas, nas extremidades, uns primeiros corvos alçam vôo, mostrando o vazio do outono."  Arnaldo Bloch. "Os irmãos Karamabloch", p. 25

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Trechos das Cartas de Vicente Van Gogh ao seu irmão Theo

"...As cores se sucedem como que sozinhas e ao tomar uma cor como ponto de partida me vem claramente a cabeça o que deduzir, e como chegar a dar-lhe vida. Não posso entender, por isso, a grosso modo, que um pintor faz bem quando parte das cores de sua palheta em vez de partir das cores da natureza. Interessa-me menos que minha cor seja precisamente idêntica, ao pé da letra, a partir do momento em que minha tela ela fique tão bela quanto na vida. A cor, por si só, exprime alguma coisa, não se pode prescidir disso, é preciso tomar partido. O que produz beleza, beleza verdadeira, também é verdadeiro e isso realmente é pintura e é mais belo que a imitação exata das próprias coisas." Vicent Van Gogh


Sobre cores! É por isso que entendo as palavras de Renè Schèrer quando ele escreveu que a cor é proprimante a linguagem das crianças, pois através da cor (da "encorporação" da cor) que justifica a existência da ficção (um mundo além do nosso mundo, como escreveu Antonio Candido). Se é além do nosso mundo, por que precisamos copiá-lo tal e qual os percebemos através de nossos limitados 5 sentidos ?
A criança sabe disso, mesmo sem saber que sabe! Genial !