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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

GOSTO DO FRACASSO E A PICADA


Ontem fracassei novamente e ainda sinto o gosto amargo disso. Como se não bastasse, amanheci recebendo palavras duras, atestando que não serei aceita no caminho que estava querendo seguir, o que acentuou mais o gosto do fracasso. 
Por qual caminho seguir então? 
Lembro do professor Sevcenko, pensando a partir de Heidegger : Se recusar a estrada sinalizada e abrir uma picada na mata, encontrará coisas originais, mesmo que machuque e doa insuportavelmente.
 E como dói. 
E lembro que Rosa desenhou uma linda Rosa dos Ventos colorida a lápis de cor em em um de seus cadernos (não é essa da imagem, a dele está está na página 150 da minha tese) . 
Tomei banho e pensei que se estou viva, deve existir um rumo e ele virá todo colorido. Ainda hei de achar meu Diadorim 

domingo, 17 de maio de 2015

Colorir versão Gourmet

A nova moda gourmet são os livros para colorir. Detestei isso. Justo eu, que amo e coleciono lápis de cor, torci demais o nariz para a nova moda. Um motivo está na publicação de  Patricia Devicente, no Facebook:
"Ontem fui à papelaria Papel Mania dentro do Park Shopping São Caetano. Na vitrine vários livros de colorir e lápis de cor de tudo quanto é marca. 
Fui testar um lápis suiço cuja caixa com 12 unidades custa R$72,00. O lápis de fato surpreende por causa da maciez e da cobertura perfeita. No papel deixado para testá-lo havia o desenho abaixo. Tenho certeza que foi uma forma de protesto! hehe"


Adorei o protesto! Rosa, que era diplomata e bem de vida,  usava os lápis e cadernos mais simples de todos, porque esses coxinhas tem que supervalorizar os lápis? Preguiça desse povo!

domingo, 9 de junho de 2013

Como as crianças ensinam o Ser Humano a contar sua História?


Citando  Walter Benjamin:

(as crianças) Sentem-se irresistivelmente atraídas pelos detritos que se originam da construção, do trabalho no jardim ou na marcenaria, da atividade do alfaiate ou onde quer que seja. Nesses produtos residuais elas reconhecem o rosto que o mundo das coisas volta exatamente para elas, e somente para elas. Neles estão menos empenhadas em reproduzir as obras dos adultos do que estabelecer uma relação nova e incoerente entre esses restos e materiais residuais. Com isso as crianças formam o seu próprio mundo de coisas, um pequeno mundo inserido no grande.” (BENJAMIN, Walter. Livros infantis, velhos e esquecidos, p. 57-8.)    



 Nesta foto, com "detritos" de lápis de cor (nada mais infantil),  vemos como as crianças podem reinventar a partir de restos, que era o que interessava Walter Benjamin,  que postulou que assim também podemos aprender com elas a escrever a História! Como diz Sonia Kramer, em excelente citação: “Walter Benjamin já nos alertava para o fato de que o homem faz história, de que existe a possibilidade de fazer história, porque temos a infância" (KRAMER, Sonia. Prefácio do livro A Infância vai ao cinema. p. 08.)
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Lápis de cor fazendo arte!


O artista colombiano Federico Uribe amplia as possibilidades de usar o lápis de cor para fazer arte... confira o site dele aqui.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Flicts é um livro infantil do Ziraldo, que você pode ler AQUI!
Flicts em CD! Clique e ouça as maravilhosas canções AQUI!
No livro Ziraldo conta a história da cor Flicts, uma cor rara, sem amigos ou lugar no mundo, ou mesmo na Caixa de Lápis de cor:

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Ainda sobre lápis de cor ...

Continuando minha investigação sobre o uso adulto do lápis de cor, achei aqui referência ao trabalho de Mário Freire, outro artista do lápis de cor. Talvez ele não seja tão artesão quanto a Marjorie, mas também não deve mergulhar fundo no conceitual... para ele o lápis é uma herança do tempo de menino que agora o sustenta!
Claro que ele, como a Marjorie, também deseja que quem olhe seus trabalhos duvidem que ele tenha sido apenas com lápis de cor, porque é uma espécie de afronta visual, por isso, de vez em quando, ele procura retratar as formas de um jeito mais próximo à realidade... mas ele parece querer fazer mais com isso...
Em 2007 ele apresentou um desenho à lápis de cor de uma fotografia de Terje Rakke, ficou muito belo:

Além disso Mario nos conta que é o único integrante da América Latina do CPSA - Colored Pencil Society Of America - (Existe isso?! Que demais), que é um grupo de artistas de lápis de cor em que membros trocam informações e organizam exposições.
Que bonita história estes artitas estão ESCREVENDO A LÁPIS DE COR!

Lápis de cor : uma tradução da cor


Pesquisando na internet sobre os vários usos do lápis de cor eu achei referência aqui a artesã Marjorie Rocha de Oliveira, que utiliza lápis de cor em seus trabalhos, que ficam mesmo muito belos, como este da imagem acima...
Na sua fala Marjorie nos diz:
"Sou decoradora, artista plástica e artesã e moro em Salvador. Pinto com lápis de cor há 18 anos. Durante este tempo, venho desenvolvendo a técnica explorando texturas. Pinto em papel, em tela e em MDF. É um exercício de paciência e precisão, e também um grande desafio. O trabalho é demorado, minucioso e bem cuidado. Estou vivendo um momento de plena maturidade da minha pintura. Quero mostrar através de meus quadros que lápis de cor não é apenas um brinquedo de criança. Lápis de cor é possibilidade, é cumplicidade. Vejo como uma real tradução de cor. Adoro luz e cor. Hoje, conheço os melhores e os mais diversos lápis de cor do mundo e estou sempre pesquisando e experimentando novas marcas. Prefiro os importados, que garantem ótimo resultado e excelente acabamento, além de qualidade e durabilidade. Enfim, não sou somente apaixonada por lápis de cor, fui e sou, definitivamente, completamente, encantada por eles."
Concordo completamente com ela quando ela diz que o lápis de cor é uma tradução cúmplice da cor, por isso é capaz, sim, de expressar de forma diferencial as vivências humanas. Já quando ela fala, com certo desdém, sobre o uso deste instrumento na introdução estética infantil, não concordo tanto. Tudo bem que ela é uma artesã, seus objetivos são específicos, mas sabemos que dentre os artistas mais renomados da arte contemporânea ( como Cy Twombly) não desprezam tanto assim as expressões descomprometidas das crianças, mais ainda, querem ir para antes delas ainda!
De qualquer forma, vale o destaque do lápis de cor a ser utilizado por crianças e também por adultos em suas expressões ...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Lápis contra caneta




"Não uso caneta, não me acostumo. Não sei se o senhor já viu, mas a caneta corre no papel sem freio, então se a gente erra e quer arrumar, aí emporcalha tudo, fica aquela disenteria de tinta. Agora o lápis não, o lápis é maravilhoso, porque ele agarra o papel, ele aceita a borracha, ele obedece à mão e ao pensamento da gente. Eu sou um homem que só consegue pensar a lápis "


Antonio Biá no filme "Narradores de Javé"




Super interessante se lembrarmos do que escreveu Rosa em um de seus Cadernos de Rosa :

"M% o lápis é perdulário, a caneta usuraría " (CAD 4, P.16)


Mas na era dos tablets, que será que ainda liga para isso? Eu ligo!

domingo, 15 de maio de 2011

Lápis de cor


Eis um interessantíssimo instrumento para a escritura, não? kkkk
Consideremos o que escreveu Roland Barthes sobre brinquedos:


“O aburguesamento do brinquedo não se reconhece só pelas suas formas,sempre funcionais, mas também pela sua substância. Os brinquedos vulgares são feitos de uma matéria ingrata, produtos de uma química, e não de uma natureza. Atualmente muitos são moldados em massas complicadas: a matéria plástica tem assim uma aparência simultaneamente grosseira e higiênica, ela mata o prazer, a suavidade, a humanidade do tato. Um signo espantoso é o desaparecimento progressivo da madeira, matéria um tanto ideal pela sua firmeza e brandura, pelo calor do seu contato; a madeira elimina, qualquer que seja a forma que sustente, o golpe de ângulos demasiado vivos, e o frio químico do metal: quando a criança manipula, ou bate com ela onde quer que seja a madeira não vibra e não range, produz um som simultaneamente surdo e nítido; é uma substância familiar e poética que deixa a criança permanecer numa continuidade de tato com a árvore a mesa, o soalho. A madeira não magoa, não se estraga também; não se parte,gasta-se, pode durar muito tempo, viver com a criança,modificar pouco a pouco as relações entre o objeto e a mão ; se morre, é diminuindo,e não inchando com esses brinquedos mecânicos que desaparecem sob a hérnia de uma mola quebrada. A madeira faz objetos essenciais, objetos de sempre. Ora,já praticamente não existem brinquedos de madeira, esses ‘redis dos Voges’- que são brinquedo de madeira constituindo numa série de miniaturas de animais que utilizam normalmente as pastagens da montanha- só possível, é certo, numa época de artesanato. O brinquedo é doravante químico, de substância e de cor; a própria matéria- prima de que é construído leva a uma cenestesia da utilização e não do prazer. Estes brinquedos morrem, aliás, rapidamente,e , uma vez mortos, não têm para a criança nenhuma vida póstuma.” (Barthes, Roland. Brinquedos. In: Mitologias. São Paulo: Diefel.1982. Pp. 40-2- Textos sobre o cotidiano francês entre 1954 e 1956)


Se a madeira fornece à criança tantas coisas boas e os brinquedos de madeira já quase não existem, lembremos de um objeto caro à criações de novos mundos, especialmente pelas crianças: o lápis! Pensemos em duas formas básicas de lápis: Lápis grafite, normalmente, é composto por : madeira plantada, grafite, argila e aglutinantes; e o Lápis de cor, normalmente, é composto por : madeira plantada, pigmentos, aglutinantes, carga inerte e ceras.
Seria o lápis um objeto capaz de resgatar a “substância familiar e poética que deixa a criança permanecer numa continuidade de tato com a árvore “? Talvez sim... se forem lápis de cor, então, os significados se multiplicam ininterruptamente...