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segunda-feira, 30 de março de 2026

PAPEL MARCHÊ

 

Lilás,  cor do mar...

PAPEL MARCHÊ

À noite, um casal de jovens namorava na praia quase vazia. Era uma exploração lenta e mútua: carinho, desejo, fascinação por estarem juntos, se descobrindo, fora do tempo.

— Olha que cena de cinema! — disse eu.

— Ah, eles devem não ter onde transar, então ficam na praia, que é de graça.

— Não acho que seja tão cru. Transar, todo mundo transa em algum lugar. O que eles fazem ali é outra coisa, mais rara. É como “voltar a nascer violeta e azul, outro ser…”

— É… “fazer amor” na praia?

— Sim. E ouvindo João Bosco!


quarta-feira, 26 de junho de 2024

Duo Rafael Beck/Felipe Montanaro e a alegria de ouvir música brasileira


Duo Rafael Beck e Felipe Montanaro

Fiquei umas semanas sem ir a terapia, mas nessa semana deu certo e dia 25 tive uma terça feira grande completa, terapia, Sesc Consolação e instrumental ! 
Como tem acontecido sempre, de manhã fui treinar, deu tempo de voltar, reservar o ingresso, almoçar e seguir em frente. Aqui estava frio, acabei usando preto (não gosto) e  tive  que me agasalhar 
Bom, pelo menos frio eu não passei
                                                     
Na terapia começamos falando do livro que tem salvo minha vida, o Claro Enigma, de Drummond, um livro de poemas da maturidade do nosso querido poeta, que tem me feito pensar muito na vida, nas escolhas passadas e fazer um balanço da vida na maturidade! Como se eu fosse uma personagem de Jeferson Tenório, é sempre  um livro o que vem me salvar de crises e dificuldades! 
A foto é do dia que emprestei o livro e
 ainda  não sabia o  tamanho dele!


 De resto, na sessão, foi tudo bem pesado, até chorei de emoção, mágoa e desespero, como fazia tempo que não acontecia! Mas faz parte! Será mesmo  que estou tão conformada com esses caminhos fechados como pode parecer? Será mesmo que não desejo desistir de tudo todos os dias ? Será?

Bora pro SESC, comer minha sopinha com creme de cupuaçu com   doce ! 

A sopa era de lentilha, me levando direto aos contos de fadas (onde conheci esse nome )
      
Como de costume, o show foi muito bom, uma apologia a música brasileira, por dois jovens instrumentistas, como resumiu o site do instrumental 



Se quiser, confira o show na íntegra:

Escrevi meu comentário rápido, no calor da hora, no busão na volta :

Gostei muito, muito, tanto que no dia seguinte amanheci querendo mais
                                                   


E o show continuou reverberando em mim 
Jade é um sonho. Aquele álbum João Bosco Acústico eu tenho o CD,
ouvi tanto na vida que quase furou! Antes de Jade, João fala um pouco da sua
 ascendência "meio árabe, meio moura" e aquela fala, aquela dicção,
ficou na minha memória tanto quanto a música 
♥️. No arranjo dos meninos ontem,
 demorei bem pouco pra identificar que música estavam tocando,
no meio de tantas referências que explicaram depois (eles sabem o que fazem).
Amo muito tudo isso...


Algumas fotos do show



Rafael Beck tocando um piano elétrico

Felipe Montanaro tocando sanfona

A sanfona de Felipe

Rafael e a flauta (amo)

Felipe no piano

o pianista e seu piano : sublimes

Belo palco

espetáculo 

Quando cheguei  era um palco minimalista







E no fim eu em casa, antes das 22 horas
                                           

Até o próximo !



sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Espelho de Martinho da Vila revela a ancestralidade negra no Brasil

Depois de meses, enfim concluí a leitura da escelente biografia Martinho da Vila: Reflexos no espelho, escrita por Helena Theodoro.
Capa da biografia, pela pela Editora Pallas.
Comprei o livro em janeiro, e em fevereiro, quando fui começar a travessia da leitura,  registrei que quando abri a biografia, achava que o caminho que me levou até ela, e também que me desviou da figura do sambista antes, era segredo só meu. Ainda não sabia que tantas vezes em que esse sentimento solitário me tomava, talvez não fosse só meu,mas de uma coletividade. Só descobri sso ouvindo depoimntos de  outros negros e negras. Então abri o.livro e tem um depoimento manuscrito do Martinho mostrando que ele é o que suspeito "um intelectual bem a seu modo"...fascinante. Mas o que me emocionou mesmo foi uma das dedicatórias da autora Helena Theodoro: 
Desde o início a questão da negritude, ontem, hoje e sempre

Ela "descobriu" o segredo do meu interesse na figura daquele homem. Agora que não estou mais tão solitária, posso começar a leitura propriamente dita! Durante a leitura a imagem do intelectual negro de sucesso veio se consolidando aos poucos, na presença e militante da causa e da cultura  negra de Martinho, como cheguei a comentar neste blog aqui. Ou mesmo as parcerias musicais deliciosas com músicos como João Bosco que eu mal suspeitava, como comento neste post.Apresentando sempre Martinho como mais que um músico, mas um intelectual negro,  o livro registra momentos ímpares como este.  Houve um momento emocionante em que, através de Martinho, o SAMBA foi reconhecido como uma canção de ninar do brasileiro quando uma grande amiga, de outra geração, relatou  que Martinho da Vila a fazia lembrar da infância. Comigo é meio assim também, não propriamente com Martinho, mas com Zeca Pagodinho e especialmente Almir Guineto e outros sambistas de raiz: um portal para minha infância, como se o samba fosse a "canção de ninar" dos brasileiros!

Houve também a narrativa da  bela história de amor entre Martinho e Cleo, que segundo a biógrafa, abriu novos caminhos para a criação de Martinho:  "toda a visão de mundo deste compositor, escritor, poeta se mostra, revelando sua esperança no mundo, seu compromisso com as raízes de sua cultura e seu grande poder de participar da vida, modificando e transformando o nosso existir" (p.34 ).

Por fim conclui que Martinho da Vila fez tanto pelos negros brasileiros, que mal sabem de nada, é emocionante de se saber!  Termino com uma lista de livros escritos por  Zé Fereira, mostrando que ele não é  só um sambista, mas seu perfil intelectual inclui inúmeras camadas  Essa lista de obras de um negro brasileiro de sucesso é sensacional

livros de Martinho

 Sua biografia é, por si só, uma apologia a cultura negra no Brasil.  

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Odilê Odilá: Martinho da Vila e João Bosco

Continuo lendo a bio do Martinho da Vila, e agora achei um trecho que trata do meu querido João Bosco. Eu sabia que João, dentre os músicos mineiros que se tornaram universais, ao contrário da galera do Clube da Esquina, que requintaram na harmonia, aproximou-se dos sons dos pretos e atribuía a isso músicas como Odilê Odilá. 
Mas na bio do Martinho soube que esta foi composta durante um passeio deles pela gelada madrugada de Sampa, quando encontraram uma baiana vendendo acarajé, que lhes gritou Odilê e ofereceu uma cachacinha pra esquentar, gesto que responderam com Odilá e uma batucadinha! Segundo a biógrafa Helena Theodoro:
Martinho da Vila: Reflexos no espelho, p. 92
Isso é muito História Cultural brasileira!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

A esperança equilibrista

Vivemos difíceis na cidade de São Paulo, no Brasil e no mundo. Para a História, para a cultura, para vida  é chocante. 
Ai um amigo meu postou este texto  super verdeiro no Facebook:
E eu só pude me lembrar que estava num show do João Bosco em 2011 e ouvi  a esperança equilibrista nas vozes cantando esse hino nacional...ver esse vídeo me arrepia demais, ainda mais agora que, incrivelmente, voltamos àquela situação!
Muita força, porque a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar ...

domingo, 19 de janeiro de 2014

Lilia, por João Bosco

No disco em comemoração aos 40 anos de cerreira de João Bosco, de 2012, esta é a minha faixa favorita... para mim ela mostra que João Bosco é MESMO a outra face da mesma  moeda do Clube da Esquina, e que esta moeda (música mineira) é de ouro! Muito bom demais...