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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

"Os três obás de Xangô", um filme de Sérgio Marchado

 

"Os três obás de Xangô", Sérgio Machado 

Ontem no fim da tarde de domingo e feriado de setembro de setembro, fui ao CineSesc assistir um documentário delicioso e bem brasileiro. 

No caminho, vem vendo bolsonari*tas de verde amarelo no metrô, deviam estar indo ou vindo de manifestação na Paulista (lugar que, por essas e por outras, evito aos domingos!) , uma tristeza ...

Ainda no caminho comecei a ver belezas: parece que já é primavera em São Paulo e os tapetes de ipê amarelo tomam a cidade, inclusive a rua Augusta 


Fui ficando mais doce, depois do azedume

bolsonari*ta metrô, entrei no Cinesesc borifada de amarelo 💛 

Um dos meus lugares favoritos de São Paulo 

Entrando lá, fui logo tirar selfie  com o filme que fui assistir, que vi o cartaz no cinema em Niterói e agora tinha a chance de assistir em São Paulo por 10 reais!



O filme é uma ode a amizade entre Jorge Amado,Dorival Caymmi e Carybé , que receberam o cargo de Obá de Xangô (defensores do Candomblé e  intermediadores entre terreiro e sociedade) e assim foram troçando  um desenho do que seria a baianidade.

Com fotos e vídeos de época riquíssimos, leitura de alguns trechos de cartas entre os três,o documentário enchendo olhos de beleza na telona, faz a gente sonhar como deve ter sido bom ter vivido e convivido com essa tríade à época da formação daquilo que até hoje reconhecemos como um ser baiano.

Assistir a um filme no cinema, ainda mais um tão especial como o Cinesesc,tem todo um significado especial, que é sentir a reação do público. No caso foi muito calorosa a recepção, o filme foi aplaudindo e alguém até gritou no final VIVA O POVO DE TERREIRO ❤️😍

VIVAS! 

Mais uns vez o Cinesesc fazendo a diferença 😍

Comentário posterior 

AMIZADES : Disse Sérgio Machado que seu filme"3 OBÁS DE XANGÔ" emociona não porque é triste, mas talvez porque nos relembra uma época em que os relacionamentos eram mais sólidos e era possível e até inevitável que figuras como Jorge Amado, Carybé e Dorival Caymmi firmassem  amizade tão frutífera !

🤔


terça-feira, 16 de abril de 2024

Cangurussu na Casa de Cultura do Butantã


Grupo Cangurussu

No sábado, 13 de abril,  eu me preparei para dar um rolê de fim de semana e fui passear lá no Butantã, perto da USP e de onde eu trabalhei, perto da Av. Eliseu de Almeida. Fazia muito tempo que eu não andava por aquelas paragens, até conheci um boy que se dispôs a me conduzir ao local (homens!), mas ele confundiu o local com o instituto Butantã e eu acabei atrasando um pouco, mas como estava muito adiantada e é pertinho, cheguei cedo mesmo assim!

A casa é maravilhosa, colorida, exala cultura por todos os lados, tirei muitas fotos de detalhes que postei nas redes sociais e mostro no fim desde post um pouquinho. Não todas, mas a maioria das imagens remetiam ao culto e a manifestações para os oriás, a entrada veio para Iemanjá, Yabá com quem mantenho forte relação e com ela "conversei" mentalmente o da todo.

Lugar lindo esse cada de Cultura Butantã 

Eu fui bem arrumadinha, de verde militar, que é uma das cores do outono/inverno 2024, que eu acho muito chique e gosto muito, mas não acho que me valorizou tanto... tem pouca luz, mas fiquei uma milica simpática 

Tinha visto vitrines na semana, só verde militar,creme e preto para outono/inverno... Tentei me adequar, mas para mim a cor 2024 é vermelho, em seus tons

Mas meu rolê tinha um objetivo: prestigiar meu amigo Adriano Bezerra tocando  trombone no Cangurussu, grupo de samba reggae. Eu tentei registrar o quanto pude, gravei, fiz transmissão ao vivo, mas as imagens não ficaram muito boas, porque garoou o tempo todo e isso atrapalhou a tela do celular, uma pena! 





Claro que como todo um grupo centrado em manifestações de origem africana que sustentam a cultura brasileira, como o samba reggae. O Cangurussu apresenta rapidamente  a história do samba reggae, nascido na Bahia na década de 1980, a partir do Olodum . Mas não só isso, o grupo também faz misturas e apresenta resultado de uma vasta pesquisa sobre ritmos afro, que se ouviria na Bahia. Emocionante foi reconhecer, reconhecer e cantar junto algumas  antigas memórias de  sonoridades ouvidas há décadas em visitas a terreiro de candomblé, que agora já fazem parte do meu inconsciente ! 

Sobre o som, destaco de início que tinha uma cantora de voz potente, convocando a memória das ancestrais, de arrepiar... depois a celebração com os instrumentos, como adoro ouvir. E os metais, que foi  a voz de instrumento que  fui lá para ouvir: além do trombone, se não me engano (sou leiga e  erro no nome dos instrumentos), tínhamos trompete e sax ... Essa mistura me agrada tanto, porque é manifestação, é história, uma fineza  só! 

Todos e todas  muito bem vestidos, alegres, carinhosos, me senti abraçada por eles e quero voltar a prestigiá-los com certeza! 

Mas além disso  o samba reggae é uma música para dançar e o grupo trouxe  os bailarinos, coisa muito linda e empolgante de verdade, uma pena foi que tivemos uma convidada indesejada, a virada no tempo, esfriou e garoou, isso espantou o público, uma pena porque o som estava uma delícia para curtir e dançar. De qualquer forma fiz alguns vídeos, além da transmissão ao vivo, para ficar com gostinho de quero mais...

Já disse ao Adriano que tenho muito orgulho em ser amiga de alguém como ele, um músico de conservatório, um pesquisador sensível e, como eu, interessado pela cultura negra, especialmente o samba e suas variações. Quando ele me convida para ouvi-lo me sinto honrada e vou, porque eu sou uma boa ouvinte e isso me nutre tanto, talvez ele nem imagine o quanto. Quanta alegria essa troca  me traz!  

No fim do dia eu , que estava com fome porque cheguei cedo demais no rolê, parei para  lanchar no Subway do shopping lapa na volta, como não fazia há anos...novos ciclos, retomando velhos lugares que ressignifico. 




Algumas imagens da Casa de Cultura Butantã 
















sexta-feira, 22 de julho de 2022

Mito iorubá da criação para jovens, por Reginaldo Prandi

 


Esse trecho é de um livro infanto juvenil, escrito pelo antropólogo Reginaldo Prandi (pesquisador do candomblé),  que conta de forma acessível  lendas da mitologia iorubá que aqui se preservou contadas de boca em boca e são parte constitutiva da nossa cultura.


Quando Olorum incumbiu Oxalá de criar a humanidade, este o fez usando bonecos de lama:


"Oxalá modelou sua criatura e lhe deu vida. Fez corpo, cabeças e membros. Recheou com o coração, os pulmões, as tripas e os demais componentes que preenchem a barriga. Fez dois modelos quase iguais. Num pôs pênis e testículos; no outro, ovários, útero e vagina, e seios cheios de leite. Para que a criatura dotada de pênis penetrasse a criatura dotada de vagina, e suas sementes se misturassem e produzissem outras criaturas, sem mais trabalho para Oxalá, que assim poderia descansar.
Caprichou o quanto pôde. Só esqueceu de pôr alguma coisa dentro da cabeça. 
Dotados de vida, os seres, que foram chamados homem e mulher, não pensavam, não agiam, nem mesmo se interessavam um pelo outro. Bela reprodução! Pensou Oxalá desolado.
Foi consultar o adivinho Ifá para saber onde errara. (...)
O resultado da consulta ao oráculo foi bastante promissor. Disse Ifá:
"Está tudo certo, meu irmão. Você apenas esqueceu de dar a cada ser humano um DESTINO, as VONTADES e o RACIOCÍNIO PRÓPRIO.
"Ah, bom!", reagiu Oxalá aliviado.(...)
Combinou com o oleiro Ajalá que ele forneceria para cada homem ou mulher o recheio do crânio, que conteria o DESTINO e a PERSONALIDADE de cada um.
Assim foi feito.
Bastou que as criaturas recebessem o que está dentro da cabeça para saírem pelo mundo como seres humanos prontos para a vida.

De seu palácio, Olorum sorriu para Oxalá, agradecido e se retirou para seus aposentos. 

Oxalá estava cansado, muito cansado, mas a obra, enfim, estava feita." Reginaldo Prandi. "Contos e lendas afro-brasileiras: A criação do mundo" .São Paulo: Cia das letras, 2007 P. 36-8

terça-feira, 19 de julho de 2022

Alguns toques no candomblé Ketu

 No grupo Conhecendo Ketu, no Facebook, o professor de atabaque @dougmoraesoficial  nos presenteou também no Instagram com essas informações valiosas, compartilho com todos:















terça-feira, 11 de junho de 2019

A bela voz da ancestralidade : Tiganá Santana

Tiganá Santana

Mano! Mano! Mano!
Como faz com UM HOMEM DESSE, FALANDO UMAS COISAS DESSAS?
Acho que eu desejo algo assim para minha vida! 

terça-feira, 19 de março de 2019

O espírito da ancestralidade


(Colagem Estúdio Nono/Superinteressante.
In:https://super.abril.com.br/historia/a-historia-dos-imperios-africanos/)

Ainda sobre o livro africano, tô reconhecendo tantas coisas que eu já tinha experimentado nas minhas poucas, porém intensas, experiências com o Candomblé  e, sobretudo, "aprendendo" tantas coisas.
Vejamos esse trecho interessante:


"Quando povos tribais falam de espírito, estão, basicamente, referindo-se à força vital que há em tudo. Podemos, por exemplo, citar o espírito de um animal, ou seja, a força vital daquele animal que nos ajuda a realizar o propósito de nossa vida e a manter nossa conexão com o mundo espiritual. 
O espírito humano é igual. Em nossa direção, cada um de nós é visto como espírito que tomo forma humana, para desempenhar um propósito. Espírito é a energia que nos ajuda a nos unir, que nos ajuda a ver além de nossos parâmetros racialmente limitados.

Também nos ajuda nos rituais e na conexão com nossos ancestrais. 
Os ancestrais também são chamados de espíritos. O espírito de um ancestral tem a capacidade de ver não só o mundo visível do espírito, mas também este mundo. Assim, serve como nossos olhos dos dois lados. É esse poder dos ancestrais que nos ajuda a direcionar nossa vida e evitar abismos.


Espíritos ancestrais podem ver o futuro, o passado e o presente. Eles vêem dentro e fora de nós. Sua visão cruza dimensões. Eles têm a sorte de não ter corpos físicos como nós, Sem a limitação do corpo, eles têm a fluidez de um olho que pode se voltar para várias direções e ver de muitas formas."(Sobonfu Somé. O Espírito da Intimidade - Ensinamentos ancestrais africanos sobre maneiras de se relacionar. Trad. Deborah Weinberg. 2a. ed.  Odysseus Ed., 2007,  p. 26).


Pensei tantas coisas lendo isso! Coisas referentes à nossa herança africana, como por exemplo o culto aos orixás (que são divindades que representam o tal elã vital (espírito) de elementos da natureza, não é isso?) e daí serem também representações da nossa ancestralidade...
Mas, pensando a partir do ponto de vista ocidental, a visão multifocal dos ancestrais, que vêem passado, presente e futuro num mesmo lapso de tempo, me faz lembrar "teorias" da História das mais modernas e interessantes, como a de Walter Benjamin ...
Tô pirando nesse livrinho, vocês nem imaginam! 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

As 16 caminhos (qualidades) de Mamãe Oxum

Mamãe Oxum e seu Abebé



Que em 2019 o Abebé (espelho)  da Mamãe Oxum mande de volta todo o mal para quem o espalhou! Oraeieiô! 💛👑🌻INFORMAÇÃO:
Qualidades do Orixá Oxum (Outubro 23, 2008 por Manuela) FONTE CLIQUE AQUI
Divindade calma veste-se sempre de cores claras, de preferência amarelas que é a sua cor consagrada; porém, dependendo da qualidade, òsun guerreira pode vestir-se de cor de rosa, òsun velha de branco e azul claro; òsun Ijimu, por exemplo, usa uma saia azul claro, òja e adé cor de rosa. Òsun leva na mão direita seu leque ritual, o abèbé de latão ou qualquer outro metal dourado, com uma sereia, um peixe ou até mesmo uma pequena pomba no centro.
O número de òsun sendo dezesseis, o colar terá dezesseis fios, dezesseis firmas (ou duas, ou quatro) que podem ser de divindades com as quais ela tem afinidade, ou com as quais sua filha estiver relacionada: Òsòsi, Sàngó, Yémánjá, por exemplo. Òsun dança os ritmos ijesa, com passos miúdos, segurando graciosamente a saia.
O toque Ijèsà é ritmado como o balanço das águas tranqüilas, e muito apreciado pelos fiéis. Quando estão Presentes Òsòsi e Logun Edé acompanham òsun. ògún também dança com òsun os ritmos Ijèsà, assim como òsányín. No terreiro jeje do Bogun, òsun (ÍYÁLODE) dança o bravum como Naná. Ela se banha no rio, penteia seus cabelos, põe suas jóias, anéis e pulseiras. No dia do deká de uma filha de Yasan (Oya Bale) daquela casa, òsun manifestou-se para disputar Sàngó, empurrando-a e dançando, provocante, diante do deus do trovão.
São dezesseis qualidades de Òsun;
– ÒSUN ABALÔ é uma velha Òsun, de culto antigo, considerada Iyá Ominibú, tem ligação com Oyá, Ogun e Oxóssi, veste-se de cores claras, usa abebé e alfange.
– ÒSUN IJÍMU ou Ijimú, é outro tipo de Òsun velha. Veste-se de azul claro ou cor de rosa. Leva abèbé e alfange, tem ligação com as Iyamís, é responsável por todos os Otás dos rios.
– ÒSUN ABOTÔ também uma velha oxun de culto antigo, ligada as Iyamís, feiticeira, carrega abebe e alfange, tem ligação com Nanã, Oyá de culto Igbalé.
– ÒSUN OPARÁ ou Apará seria a mais jovem das Òsun, e um tipo guerreiro que acompanha Ògún, vivendo com ele pelas estradas; dança com ele quando se manifestam, juntos numa festa; leva uma espada na m ão e pode vestir-se de cor de marronavermelhado,a Senhora da Espada.
– ÒSUN AJAGURA ou Ajajira, outra òsun guerreira que leva espada, jovem, tem ligação com Yemanjá e Xangô
– YEYE OKE Oxun jovem guerreira, muito ligada a Oxóssi, carrega ofa e erukere
– YEYE ÌPONDÁ é também uma òsun Guerreira ligada a Ibuálàmò. Yeye Pondá é rainda da cidade que leva seu nome Ìponda, leva uma espada e veste-se de amarelo ouro e branco quando acompanha Oxaguiã.
– YEYE OGA é uma òsun velha e muito guereira, carrega abebe e alfange
– YEYE KARÉ é um osun jovem e guereira, ligada a Odé Karè, Logun edé.
– YEYE IPETU é uma Oxun de culto muito antigo, no interior da floresta, na nascente dos rios, ligada a Ossaiyn e principalmente a Oyá dada a sua ligação com Egun.
– YEYE AYAALÁ- é talvez a mais ancestral dentre todas, veste-se de branco, ligada a Orunmilá e as iyamis, considerada a avó.
-YEYE OTIN- Osun com estreita ligação com Ínlè, ligada a caça e usa ofá e abebé.
-YEYE IBERÍ ou merimerin- Oxun nova, concentra a vaidade e toda beleza e elegância de uma Oxun, dizem que ser a Oxun de mãe menininha do Gantois.
–YEYE MOUWÒ- oxun ligada a Olokun e Yemanjá, grande poder das iyamís, veste-se de cores claras e usa abebé e ofange.
–YEYE POPOLOKUN- oxun de culto raro, ligado aos lagos e lagoas,
-YEYE OLÓKÒ- Oxun guerreira , vive na floresta nos grandes poços de água, padroeira do pôço.
Revisão: Fernando D’Osogiyan

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Um livro sobre o Candomblé


Fui la na FFLCH buscar este que é o último empréstimo de livro como ex aluna que me cabe e comecei a ler. Trata-se de "um livro sobre o candomblé", o "Segredos guardados: orixás na alma brasileira" de Reginaldo Prandi. Escrito por um professor e pesquisador (claro que é só uma percepção da coisa, um pouco de fora, bem acadêmica, mas é importante também, especialmente este bem claro, quase didático), uma leitura muito interessante! Só lamento que este, como a maioria das coisas sobre a cultura negra no Brasil seja tão mais caro! Só em biblioteca mesmo para conseguir pelo menos experimentar a leitura, enfim!
Faz tempo que estou fora das salas de aula, nesse país que rejeita seus especialistas, mas tenho muita saudade de dar aula. Recortei esse trechinho do livro porque ele é rico em questões para se discutir, dá panos para mangas, o que acham:


“Mesmo  quando o negro se expressa para afirmar a negritude, a condição africana, não resta a ele fazê-lo senão como um brasileiro. Ainda que o passado ancestral perdido seja a África pluriétnica, multicultural, o passado recuperável  é aquele que o Brasil logrou incorporar  na construção de uma nova civilização, passado que só pode ser reinventado, memória  recriada. Entre o Brasil contemporâneo e a velha África, bem como  entre a antiga Europa e as perdidas civilizações indígenas, situa-se a nossa própria história, que nos impede ou auxilia no reencontro do nosso ponto de partida, nos meandros da civilização que ela mesma engendrou. Do Brasil de hoje se faz  raiz África de ontem, África simbólica que é memória e identidade possíveis dos afro-brasileiros. O candomblé, nesse processo, deixa de ser religião e passa a funcionar apenas como fonte idealizada de identidade, mesmo porque o candomblé não tem a menor disposição   de se enfileirar com o movimento de afirmação do negro; pais e mães-de-santo, muitos deles brancos ou mestiços, querem ser apenas líderes religiosos, longe de qualquer outra instituição que possa interferir na comunidade que eles formam e dirigem com mão-de-ferro. Do outro lado, embora alguma parcela do movimento negro possa escolher o candomblé como símbolo de identidade africana, dificilmente o conjunto todo estará disposto a assumir uma religião e submeter-se às suas orientações. Candomblé e movimento negro têm a mesma origem, mas já não podem ser juntados. O candomblé tornou-se religião universal, já não pertence a raça ou etnias definidas, é religião “para todos nós”, para todos os brasileiros. “ Reginaldo Prandi. "Segredos guardados: orixás na alma brasileira", p. 172-3        

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Ouvindo o disco "Sobrevivendo no Inferno"


Eu já disse que, porque eles têm alguma coisa de inconsciente coletivo (você não sabe, mas conhece, inacreditavelmente, nos anos 90 era a trilha sonora de fundo....) eu conhecia bem algumas músicas do álbum "Sobrevivendo no inferno" dos Racionais Mc's. Não todas. Mas não sabia que estavam no mesmo álbum e ouvi-las em sequência, na ordem, é uma outra experiência, é um choque de realidade, até para mim, que sou quem eu sou e tem a história que eu tenho... ter que ouvir se quiser "acalentar o sonho de doutor" é muito importante. Uma vez, há muito anos atrás, eu ouvi de uma entidade, numa gira : "você será uma doutora", o que nas rimas do Brown significaria que eu também "acalentei o tal "sonho de doutor (a)" e talvez isso tenha me permitido não ter levado um tiro de revolver aos 13 anos, mas não me salvou de outros tiros, e sobrevivi a eles todos. Ser doutora eu consegui, só eu sei a que custo e o sabor de não saber o que fazer com essa "sobrevivência" proibida. Resumindo: não vai dar mais para desistir, nem que eu queira, é como o som dos Racionais: uma força maior que nós.