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terça-feira, 6 de março de 2018

Morre Hayden White : o fim de uma era na historiografia

Historiador Hayden White, morto em 2018, aos 89 anos

Morre Hayden White e isso, significa uma mudança de patamar para a  historiografia! Eu sou uma cria temporã da era de White, desde o começo, briguei muito com suas ideias na graduação e no mestrado... como a juventude é apaixonada, não é mesmo?
Foi apenas durante o doutorado, quando eu já era uma profissional da História mais madura, que eu parei com a treta e fui entender o recado do morro de Hayden White, um historiador de Teoria, propriamente dito. UAU!
Nos "trópicos do discurso" de White eu vim me formando aos poucos e temo realmente que sua morte seja mesmo o fim de uma era para a historiografia, aquela que valorizava o caráter narrativo.  Talvez seja preciso uma grave reformulação geral do que chamamos História e especialmente sobre como narrá-la, depois de todo o século XX. Mas história é transformação, nunca fim.
Conforme adiantei, White foi um historiador californiano muito polêmico pelas formulações referentes à literatura, ressaltando certo "elemento poético" em toda escrita histórica, por isso 
"quando uma grande obra da historiografia ou da filosofia da história se torna antiquada, ela renasce para a arte".  (Trópicos do discurso, p. 136)
Que a arte de White continue nos alimentando, sempre!
Fica em paz e muito, muito, muito obrigada por tudo Hayden White!

domingo, 17 de julho de 2016

Walter Benjamin e a essência do seu método historiográfico

Les Cahiers de L'Herne - Walter Benjamin(2013)

TEORIA DA HISTÓRIA -‘La quintessence de sa méthode réside dans as forme de présentation’ Walter Benjamin

Esses dias mesmo eu escrevi e submeti a um periódico de História um texto sobre os fragmentados manuscritos literários de Guimarães Rosa e alguns questionamentos que aquele material propunha à História. Mas, mesmo que eu tenha abordado, nele, que aqueles documentos são fruto de todo o contexto da crise da crise dos grandes paradigmas no século XX - quando passou-se a duvidar de grandes explicações para tudo -, não me será muito estranho se,  já no século XXI, meu artigo não seja  tão bem aceito de antemão, afinal ainda existem os que se  levam a sério demais.

Tem coisas que demoram para mudar, outras nunca mudam.


Acordei pensando nisso, ai abri meu 'Les Cahiers de l'Herne - Walter Benjamin' para reler o artigo "Les Passages - livre, arquives ou enciclopédie magique?" de Willi Bolle, no qual ele aborda a construção de um método historiográfico de trabalho de Benjamin (para mim eis o cerne daquela teoria da história constelacional que tanto me encanta).

Adoro e acho importante o meu estudo sobre História 'Cultural do Humor', com Pedro Bloch e as crianças, mas no fundo no fundo, sei que essa é uma forma original (e divertida) que encontrei de problematizar aqui no Brasil essas teoricamente complexas ideias historiográficas. 

Não será fácil ser aceita ou compreendida, mas acredito em tudo isso e vou insistir até não poder mais, perdoem-me.
Antes do fim eu espero ter publicado um ou outro artiguinho sobre, ou então ter "contaminado' com esses pontos luminosos artigos sobre outras coisas, como venho fazendo sempre...

EM TEMPO: Sem mais comentários sobre o significado de abordar esse tema teoricamente pesado numa manhã de domingo... eu nunca disse que eu sou uma mulher fácil, né? kkkkkkkkkkkk

sábado, 5 de dezembro de 2009

LER O LIVRO DO MUNDO = DECODIFICAR LINGUAGENS

Os pensamentos que me atraem podem parecer bastante diversos (Caetano Veloso, Guimarães Rosa, Walter Benjamin, Tom Zé, Carlo Ginzburg...), mas para mim eles são atraentes porque se dedicam a produzir uma linguagem de signos e decodificá-los...

Caetano Veloso, nas suas palavras, lê processos de História do Brasil o tempo todo: somos um país mulato (cheio de “musas híbridas”, “pretas chiques”, “jaboticabas brancas”...), preso a uma mentalidade colonial (em pleno século XXI, somos apenas mulatos "natos no sentido lato mulato democrático do litoral: Sugar Cane Fields Forever) e embora estivermos cientes disso, ele alerta claramente:” E a crítica que não toque na poesia". Esse é Caetano pensador poeta. Isso é poesia.
Guimarães Rosa era um Peter Pan (eis a idéia do meu doutorado), ele nunca deixou de "ver o mundo como se fosse a primeira vez" - que é tarefa das crianças - e o mais interessante: exatamente como elas fazem o tempo todo, ele representava esse estado de catarse constante na linguagem (por isso as palavras tão herméticas de Rosa parecem - e são - ao mesmo tempo moderníssimas e arcaicas), e ele está percebendo os tempos e decodificando-os na linguagem. Isso é arte.
Walter Benjamin queria ler o livro do mundo, que é perceber que cada momento apresenta possibilidades de futuro e de passado, ou seja, “ler” o livro do mundo é encontrar diversas épocas em momentos alegóricos e demonstrar isso na linguagem. Isso é História.
Tom Zé é o mais complicado de entender (pelo menos para mim), porque ele usa diversas linguagens - muitas delas eu não domino nem um pouco-, mas todas elas possuem ligações diretas com os sentidos do tempo (sons, ruídos, psicanálise, poesia, culturas, danças, etc...). Isso é música.
Carlo Ginzburg é meu mestre - como historiadora - e o que ele pensa é muito simples, não existem ligações diretas entre a História e a realidade que não sejam pobres... Para ele, entre essas esferas encontram-se diversas camadas de sentidos inventadas e fabricadas, e decifrar esses códigos da linguagemé fazer narrativa da História. Isso é historiografia.

Resumindo, meu grupo é o grupo dos que se voltaram com amor e atenção para a linguagem. O que eu vou fazer com isso eu não sei... Ainda.