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quarta-feira, 17 de julho de 2024

OBJETOS DELICADOS

 

OBJETOS DE ESTUDO DELICADOS: À direita acima: anedotários infantis de Pedro Bloch e à esquerda LP DE Zé Fortuna & Pitangueira. À direita à baixo LP Zico e Zeca e à esquerda livro "Cantando a própria História", de Ivan Vilela.

Na minha pesquisa de pós-doutorado eu analisei objetos muito delicados, anedotas escritas a partir de falas peculiares de crianças ao Pedro Bloch, entre as décadas  de 1960 aos anos 2000. São delicadas , pois a história do som é muito particular e fluída , já que , parafraseando Manuel Bandeira, hoje não se ouve mais as vozes daquele tempo, até porque não se OUVE MAIS DO MODO como se ouvia naquele tempo. No entanto esses sons nos trazem preciosas informações "de época". Acabo de ler uma análise sobre  músicas caipiras das décadas 50/60 que se propunham a contar a versão de combatentes rurais sobre sua experiência na Segunda Guerra Mundial. Se os MODOS DE TOCAR E CANTAR  a música caipira foi, segundo Ivan Vilela,  a crônica legitima do cotidiano rural rural e grande mediadora entre  cultura camponesa e a da cidade durante o êxodo rural no centro-sudeste a partir das décadas de 1920, é essa crônica que também registrou a participação dos camponeses em eventos da História. No caso, sobre como foi para  aqueles  combatentes rurais que  foram "pracinhas" . Fui ouvir as músicas analisadas, elas trazem informações interessantes como a coragem,  um sentimento de patriotismo, a censura às informações de guerra,em uma aura bem romântica que achei a coisa mais delicada!Eu diria até emocionantes. Amei!



sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Negritude, música e ancestralidade em Milton Nascimento


3.      Negritude, música e ancestralidade em Milton Nascimento -  
Camila Rodrigues (publicado originalmente em 16 julho de 2018)

Estamos chegando do fundo da terra,
estamos chegando do ventre da noite,
da carne do açoite nós somos,
viemos lembrar(…)
Estamos chegando do chão da oficina,
estamos chegando do som e das formas,
da arte negada que somos,
viemos criar. (…)
Estamos chegando do chão dos quilombos,
estamos chegando no som dos tambores,
dos Novos Palmares nós somos,
viemos lutar.
A de Ó (estamos Chegando) – Milton Nascimento e  Pedro Casaldáliga
Existem vários caminhos para se abordar o tema da negritude na vasta obra musical de Milton Nascimento (Bituca), uma vez  que estamos falando de um dos artistas negros mais significativos do Brasil, pois mesmo que sua sonoridade seja mundialmente reconhecida pela grandeza de sua voz divinal, que segundo Paulo Thiago de Mello, apresenta um timbre de  
“rara extensão e densidade”, o que lhe permite “restituir a força do canto, do entoar majestoso (…) acrescentando a ela ritmos e linhas melódicas”  
e também  pelo  refinamento harmônico apresentado em suas composições e interpretações, olhando de perto, é possível perceber outras influências recebidas por um ouvido musical treinado a reconhecer nas tradições culturais e danças populares,  um material riquíssimo que é sintetizado e purificado em sua musicalidade. Naquela obra também  encontramos  apontamentos a respeito de uma vivência do que é ser negro no Brasil, juntamente com um  vasto conhecimento da história dos seus ancestrais que vieram nobres e fortes da África e aqui foram escravizados, mas que, ainda assim, foram e são capazes de criar e sustentar a cultura do  nosso país. Mesmo reconhecendo ser um dos muitos caminhos possíveis  a partir dos quais seria possível abordar  o tema da negritude em Bituca, para sintetizar neste breve texto esta forte manifestação expressa na música popular brasileira, escolhemos abordar duas personagens que aparecem naquelas canções: a Maria, Maria e o Pai Grande, que estariam diretamente relacionadas ao reconhecimento de uma ancestralidade africana presente em território brasileiro.

Maria é personagem principal da canção Maria, Maria, composta para a trilha sonora da coreografia de mesmo nome que foi a primeira peça apresentada pelo  grupo de balé  Corpo, de  Belo Horizonte, em 1976, com m´sica assinada por  Bituca, roteiro de Fernando Brant e coreografia do argentino Oscar Araiz,  que  ficou seis anos em cartaz e percorreu catorze países. No espetáculo conta-se a história de vida de uma mulher negra do interior de Minas Gerais, desde a sua infância, que é muito marcada por referências ao passado escravocrata do país, conforme o roteiro de Fernando Brant, que é lido enquanto os bailarinos dançam :

Maria Maria nasceu num leito qualquer de madeira. Infância incomum, pois nem bem ela andava, falava e sentia e já suas mãos ganhavam os primeiros calos do trabalho precoce. Infância de roupa rasgada e remendada, de corpo limpo e sorriso aberto. Infância sem brinquedos, mas cheia de jogos aprendidos com as velhas que lavavam roupa nas margens do Jequitinhonha. Infância que acabou cedo, pois já ao quatorze anos, como era normal na região ela já estava casada.

Sobre o casamento ela se lembraria pouco, “ou não quer muito se lembrar daquele homem estranho a lhe dar balas e doces em troca de cada filho”, que no total foram seis, em seis ano de casamento, até que enviuvou, o que para ela foi um alívio, que a permitiu se definir como “Maria solidária,solitária, operária e brincalhona”e alegre como na música:  “dança Maria Maria, lança seu corpo jovem pelo ar, ela já vem, ela virá, solidária nos ajudar”.

Á respeito da  trajetória de Maria Maria a dissertação de mestrado A negritude através de “Maria Maria” de Milton Nascimento, de Carlos Alberto da Silva nos lembra que, nascida em meio a uma sociedade machista ocidental, Maria recria o destino a ela destinado, que seria permanecer dedicando-se exclusivamente aos afazeres domésticos e aos cuidados dos filhos pacificamente, como se fosse uma negra amarrada e amordaçada ao modo de suas  ancestrais escravizadas,  mas ela quis ser mais, desejou se libertar  dos cativeiros aos quais estaria presa para sempre, por isso,  em uma atitude de rebeldia, sempre enxergava a vida de forma alegre e bondosa.

Já no final da vida, ela se despede  na bela canção de Bituca em parceria com Sérgio Sant’Anna:

Eu sou uma preta velha aqui sentada ao sol, não tenho um nome,nem idade, nem pátria, não vou à qualquer parte, não quero nada (…) eu vou morrer aqui sentada ao sol.

Através da figura de Maria Maria, o espetáculo conseguiu tratar de muitos assuntos de interesse aos afrodescendentes, como o sincretismo religioso, que no roteiro do espetáculo é apresentado em uma  imagem na   faixa Santos Católicos x Candomblé:

Experimentem tirar pela força aquilo que faz um homem. Era crença dos católicos, que os santos africanos deviam ser esmagados. Impossível para os negros esquecer quem veneravam. Iludindo todos os brancos eles apenas mudaram o nome de seus santos. E daí surgiu a mistura preto-branco, afro-europeu, mexido bem brasileiro, farofa de religião.

Embora já disponibilizado na íntegra no Youtube, este espetáculo ficou mesmo conhecido através da canção Maria Maria, de Milton Nascimento e Fernando Brant, que foi gravada e consagrada por Bituca no álbum Clube da Esquina 2 (1978) e então a experiência daquela mulher negra se apresenta como uma verdade para todas as mulheres fortes, que “misturam a dor e e a alegria” , pois  trazem “na pele essa marca” e possuem a estranha mania de ter fé na vida”, e merecem “viver e amar como outra qualquer do planeta”.

Mas se Maria Maria era uma Preta Velha cheia de sabedoria, também no conjunto de canções de Milton Nascimento encontramos sua versão masculina na figura do Pai Grande, que na música de mesmo nome é rememorado pelo filho:

Meu pai Grande,inda me lembro e que saudade de você
Dizendo: eu já criei seu pai, hoje vou criar você
(…) De minha saudade sem você cantar de onde eu vim
É bom lembrar todo homem de verdade
Era forte e sem maldade
O dia vai, o dia vem
Todo filho seu seguindo os passos
E um cantinho pra morrer
Pra onde eu vim não vou chorar
Já não quero ir mais embora
Minha gente é essa agora
Se estou aqui, trouxe de lá um amor tão longe de mentiras
Quero a quem quiser me amar.

Segundo Carlos Alberto da Silva, nesta canção surge a 
“figura masculina do curandeiro, do contador de estórias, do rememorizador das aventuras e desventuras de um povo sofredor e que, mesmo em meio ao sofrimento, canta, dança, brinca e se diverte”. 
A  memória do Pai Grande aparece aqui como a própria ligação com a África de origem, da qual se deve lembrar, inclusive para poder criar nesta nova terra um lugar de amor e longe de mentiras. Esta canção   já havia sido primeiro gravada no álbum álbum Milton Nascimento (Beco do Mota), de 1969, porém é na versão de 1970, depois de passar por um aperfeiçoamento no arranjo com a ajuda do grupo de músicos do Som imaginário,  que ela refinou-se na  harmonia, tornando-se ainda mais  sofisticada, especialmente em relação ao tratamento da percussão, que  ali já não aparece mais simplesmente como acompanhamento da voz do cantor, mas já atuava autonomamente na canção,tornando-se definitiva.

Aliás, o álbum Milton, de 1970, marca uma transformação visível de Bituca, no sentido de assumir sua identidade negra, o que começa ficando claro através da capa e no encarte do disco, feita pelo designer Kélio Rodrigues, nos quais Milton aparece desenhado como um belo rei negro. No que se refere a sonoridade, segundo nos explica o professor de canção popular brasileira Ivan Vilela (USP), essa nova maneira de lidar com os batuques inaugurada por Bituca naquele  no álbum  trouxe uma nova sonoridade africana para a música brasileira, esta não mais ritmada e malemolente como a expressa pelo samba, mas mais clara e direta.  Vilela nos esclarece,ainda, que isso  seria explicado em trabalhos de história antropológica como Tia Ciata e a Pequena África do Rio de Janeiro, de Roberto Moura, que lembra as diferenças culturais entre os grupos de africanos que vieram viver na Bahia e no Rio de Janeiro, que em geral seriam negros “islamizados, alfabetizados e muito organizados em suas lutas” para preservar ao máximo sua cultura de mesclas e interferências;  e Vilela exclarece que  os que se instalaram em Minas Gerais,  para  
“sobreviverem, mesclaram seus traços à cultura dominante, ao catolicismo. Suas religiões foram amalgamadas a elementos do catolicismo popular para assim preservarem a sua essência. É essa a África que vem com Milton. A África dos congados e moçambiques, catopés e marujadas, caiapós, candombes e vilões.”
 Destacando o aguçado ouvido musical do nosso Bituca.

Em nossa viagem panorâmica sobre a obra de Milton Nascimento, em busca de marcas da negritude ali registradas, nos guiaram dois anciões, uma Preta e um Preto Velho, que cheios de sabedoria, foram nos mostrando cada lugar onde se escondiam marcas de uma tradição africana renovada, na letra e na melodia das canções, comprovando que Bituca  é, sim, um forte representante da negritude na cultura brasileira, porque não apenas retoma experiências culturais  africanas até então não divulgadas,  como também as recria devido a convivência com estímulos sentidos aqui, o lugar onde todos merecemos viver e amar.

Referências Milton Nascimento
                              
CORPO, Grupo. Histórico. Disponível em          http://www.grupocorpo.com.br/companhia/historico     
BORGES, MÁRCIO. Os sonhos não envelhecem: Histórias do Clube da Esquina.             3ª.ed.São Paulo:          Geração Editorial, 1996.
MELLO, Paulo Thiago de. Clube da esquina: Milton Nascimento e Lô Borges. Rio de        Janeiro:     Cobogó, 2018.(Coleção Livro do disco)
MOURA, Roberto. Tia Ciata e a Pequena África do Rio de Janeiro. 2. ed. rev. Rio de        Janeiro : Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural, Data de       Publicação1995. ( Biblioteca carioca ; v. 32. Série Publicação científica)
NASCIMENTO,Milton. Pai Grande (1970).
SILVA, Carlos Alberto da. A negritude através de “Maria Maria” de Milton           Nascimento.     2003.120f. Dissertação (Mestrado em Literatura)- Universidade Federal de Santa  Catarina, Florianópolis.
VILELA, Ivan. Nada ficou como antes. Revista USP, São Paulo, n.87, p. 14-27,            setembro/novembro 2010.



segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Show dos 40 anos do disco Clube da Esquina 2


Entre 31 de agosto e 02 de setembro de 2018 o SESC Vila Mariana promoveu uma mini turnê em comemoração pelos quarenta anos do disco Clube da Esquina 2 (1978), em três shows de Wagner Tiso e Flávio Venturini, com convidados : Toninho Horta, Nelson Ângelo e Zé Renato.
O disco de Milton Nascimento, como o primeiro Clube da Esquina, em parceria com Lô Borges de 1972, contou com a presença de um extenso grupo de músicos, todos aglutinados em torno de Milton, o grande guru do Movimento Musical.
No  curso que assisti sobre o Clube da Esquina, a partir do artigo sensacional “Nada ficou como antes” do professor Ivan Vilela só foi abordado o primeiro disco e suas saídas musicais criativas, apesar de nós pedirmos muito para falar do disco 2, para Vilela o segundo disco não apresentava novidades frescas como o primeiro, seria apenas uma celebração da ideia daquele movimento musical. Se é verdade ou se é mentira, o certo é que em determinado momento do curso Vilela, que propunha um método auditivo para tratar das canções,  separou  três minutos e meio para ouvirmos a segunda faixa do segundo disco, ” Nascente” na voz de Milton Nascimento, e todos ficamos extasiados e emocionados.
O fato é que o disco Clube da Esquina 2, tanto quando o primeiro disco de 1972, tem seu lugar definido na memória afetiva e musical dos admiradores  da música mineira daquele álbum composto por vinte e duas faixas e tantas delas foram interpretadas no show. Como eu tenho o álbum todo preservado na memória, percebi que não foram interpretadas as faixas mais tristes do disco (que é também fruto da ditadura, como todo o Clube da Esquina), como “Olho dágua”, “e daí?”, “cancion por la unidad de latino America”, “Dona Oimpya”, “a sede do peixe”(essa é outra do meu coração porque tem Rosa),”Toshiro” e “que bom amigo”(que se eu escutasse ao vivo iria soluçar!)...
Além de boa quantidade de canções do disco, tocaram músicas simbólicas que estão no primeiro disco  como “Clube da Esquina 2”, “Paisagem na janela” , esta a única que a plateia, visivelmente não composta apenas de clubeiros (senti  isso porque sempre vou a shows do clubem sei como é quando tem clubeiros)  pareceu cantar com força).

Em geral, Wagner Tiso brilhou no piano  nos arranjos  para uma banda muito boa executar e todos se emocionaram muito. Uma canção, “o que foi feito devera” foi tocada duas vezes  e apesar de ter esquecido algumas letras, Flavio Venturini se saiu até que bem interpretando as clássicas do Bituca. Foi el quem contou a anedota  mais saborosa: quando o disco foi lançado, em 1978, a música de trabalho que puxava o álbum foi a sua composição “Nascente”, que já tinha sido gravada pelo Beto Gudes no seu primeiro disco “A página do relâmpago elétrico” (‘977), mas na voz do Bituca tornou-se definitiva. Achei interessante porque hoje, como o Clube da Esquina 1 e 2 são álbuns clássicos, nunca pensei em quais  teriam  sido suas músicas de divulgação ...  
Como sempre, super valeu ouvir música mineira, que eu amo, e estar entre clubeiros...
Agradecimento final 



quarta-feira, 15 de novembro de 2017

PRIMEIROS DISCOS


Quando assisti ao curso do Ivan Vilela (professor de Canção Popular na ECA/USP) lembro dele comentar, sobre o fantástico A Página do Relâmpago Elétrico do Beto Guedes, que, geralmente, vale a pena prestar atenção nos primeiros discos dos artistas, porque eles costumam concentrar muita energia, tempo e expectativa até que ele finalmente viesse a existir. Quando eu ouço Samba Esquema Novo do Jorge Ben, que foi o seu primeiro e, se duvidar, continua sendo a gravação dele que mais ouço por completo, penso : UAU!

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Romaria : a canção das nossas vidas caipiras


Nessa reportagem emocionante, sentimos muito de perto o que seria a  história das nossas vidas e da nossa fé no Brasil. Na música Romaria, de Renato Teixeira encontramos uma síntese daquilo que o professor  Ivan Vilela chamou de cultura caipira e que é, também, a cultura onde eu fui criada, a dos meus pais, a da minha infância toda. Na infância, menos por influência direta dos meus pais do que por uma fé própria e incentivada por outras pessoas ao redor, tinha um pequeno altar com mini imagens de  Nossa Senhora Aparecida de metal, que nunca mais achei para vender depois, não daquele jeito, mas que ainda ficaram gravadas na minha memória e no meu sentimento.
De vez em quando, durante toda minha vida, nós viajávamos  ao santuário de  Aparecida, mas foi só quando eu fiquei muito doente e  nem conseguia ficar de pé, que meus pais me levaram para lá e eu prometi que, depois que eu ficasse bem, iria todos os anos, acender vela e agradecer. Nem todos os anos consegui ir, porque meu pai ficou doente e não podíamos nos afastar dele, mas nos últimos anos tenho voltado ao santuário e sinto cada vez mais forte a presença e a proteção de Aparecida, que é também Oxum, rodeada de dourado e ouro.  
Essa é minha história, é a minha cultura brasileira mesclada. 
Foto da Imagem no Santuário Nacional de Aparecida. Autor desconhecido


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Jorge Ben : Objeto de estudo?

Jorge Ben é muito genial. Não paro de ouvir (com meus ouvidos treinados para musica instrumental) e ele nos oferece pequenas sinfonias! Que beleza! Afora que a gente vai descobrindo como aquela obra reverbera em tanta coisa feita na música brasileira depois, assim como o Ivan Vilela destacou sobre o Clube da Esquina ... alguém tinha que estudar o Jorge, caso consiga ficar parado para analisar, claro rsrsrs


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Certificado de Clubeira

Teve quem aqui está o meu diploma, sou uma clubeira certificada! 
O curso. de 2015,  era esse:

E o certificado : 


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Milton Nascimento rocker




Para mim, pessoalmente, o fato do Milton Nascimento ser rocker importa muito pouco, mas esta é uma informação que surpreende muitos e pode, sim, inaugurar uma nova sensibilidade e compreensão do som do Bituca e da sua turma (Clube da Esquina) , ou seja, pode mudar a narrativa da sua participação na História da Música, como desejava o professor Ivan Vilela neste artigo ...

sábado, 27 de agosto de 2016

BRASIL DE DENTRO com Marlui Miranda, Ana Miranda e Ivan Vilela

Acabo de chegar desse show  ... ainda bem que levei lencinhos (o Ivan Vilela ia tocar viola e tocou), usei muito viu... muito emoção!
Além as irmãs Miranda e do Ivan, tínhamos outros músicos maravilhosos, Paulo Bellinati (violão), Ricardo Mosca (bateria) e Gilberto de Syllos (contrabaixo). e no violão só o Paulo Belinati ... coisa fina demais dessas que só o SESC nos proporciona! 
Agora, gente, a Marlui cantando a uma espécie de versão original (acho que em guarani, mas não sei se é ) de Índia foi demais! Chorei de soluçar! 




https://www.sescsp.org.br/programacao/98851_MARLUI+MIRANDA+ANA+MIRANDA+E+IVAN+VILELA#/content=saiba-mais
Show de bola! Espetacular! Inesquecível!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

"Nada ficou como antes", de Ivan Vilela

Pessoas interessadas em Clube da Esquina e ou música popular brasileira. Não sei se já conhecem, mas acabo de ler o artigo "Nada ficou como antes" o professor Ivan Vilela, no qual ele comenta lindamente o Clube da Esquina as modificações que executaram e que não são usualmente creditas a eles. Vale muito a pena ler, para nós fãs (Lucas BleicherCristiano MoreiraBruno GambarottoGiuliana Lima e outros) é emocionante. No texto ele comenta muitas coisas ele comentou no curso que assisti no ano passado, com a diferença que no curso ele colocava as músicas para a gente ouvir, causando maior comoção ... imaginem só! Vale muito a pena! (aperte este link que o  artigo aparece)

terça-feira, 30 de junho de 2015

Cantando a nossa história, por Ivan Vilela

Já faz tempo que eu baixei a tese do Ivan Vilela,  mas ainda não tinha dado tempo de ler direito. Hoje, visitando a livraria da Brasiliana lá estava o livro, até com um CD da viola mágica de Vilela. Só de pensar eu choro : é a história dos meus pais, paulistas do interior, que ouviam "música caipira"logo cedo , bem baixinho, num radinho de pilha, toda a vida. Na minha memória sonora, aquilo não ficou registrado, propriamente, como música, era um som distante, distante, como a canção da estória de Sorôco:
 "uma chirimia, que avocava: que era um constado de enormes diversidades desta vida, que podiam doer na gente, sem jurisprudência de motivo nem lugar, nenhum, mas pelo antes, pelo depois."
Muita emoção.