BE ATRIZ
Tinha feito exame de sangue ali na Lapa e passei na biblioteca do Sesc Pompeia. Ainda estava comendo as torradinhas pós-jejum que ganhei no laboratório, em frente ao teatro, quando um homem me viu e comentou:
“Só faltou uma máquina de café para você agora.”
Eu sorri e apontei para o café do teatro ao lado.
Ele disse: “Ah, mas ali tem que pagar, daí não vale. Se bem que você é atriz e não paga.”
Respondeu em seguida: “Sim, já te vi em muitas peças aqui.”
Sem ter muito o que dizer, me calei.
O que será que ele quis dizer com “se bem que você é atriz”? Na história das mulheres isso nem sempre foi algo positivo, aliás, muito pelo contrário (rs).
Eu estava tão cansada, mas fiquei com a dúvida: que papel representava a “atriz” naquele momento? Sozinha, cansada, com fome?
Atriz ou não, fui vista, flagrada em um momento de vulnerabilidade, e ganhei mais uma historinha para o meu anedotário no Sesc Pompeia.

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