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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Retrospectiva 2017 (1o. semestre)

Como já é tradição no Pequenidades, lá se vai a retrospectiva do ano, dessa vez muito antes dele terminar (eu realmente acho que nada de muito interessante vai me acontecer por enquanto), mas mesmo assim ficou tão  grande que tive que dividir em 2 postagens,  então vamos lá com a do primeiro semestre, semana que vem posto a parte 2 :
 JANEIRO 
Comecei o ano ouvindo muita música no Instrumental Sesc Brasil e acho que o primeiro semestre a trilha sonora e as baladas foram a partir disso. Me apaixonei em janeiro, demais e realmente acreditei que ia dar namoro... enfim. Assisti a minissérie Dois Irmãos e fiquei imensamente tocada, especialmente com a participação do Irandir Santos, fazendo o papel do primeiro brasileiro, mistura de tudo, filho de ninguém, mas que observa tudo, sempre.
Irandir Santos em "Dois irmãos"
FEVEREIRO
Em fevereiro, enfim, eu vi um show do Beto Guedes, super emocionante, claro... abrindo os shows dos sonhos que assisti em 2017. 

Beto Guedes no Sesc Pinheiros
Depois teve o Carnaval, e o Bloco Tarado Ni você, espalhando Caetano pelas ruas do centro e também no Sesc Vila Mariana, me diverti super! 
Tarado Ni você no SESC Vila Mariana
Porque eu ainda estava concluindo o pós-doc, nesse mês eu também publiquei  alguns textos, fossem resenhas como  A Hora da História das crianças, que é do livro de Benjamin que eu amo! Ou artigos mesmo, como aquele sobre o conteúdo do curso que ministrei na UFMG em 2016, texto que eu chamei   A Indagação da História nos manuscritos literários de Guimarães Rosa, ou mesmo o artigo sobre a representação infantil  nas estórias  no artigo  Novas representações 'femeninas' de crianças  em Guimarães Rosa 
Março
2017 foi o ano dos shows. Continuando o percurso dos shows, assisti ao Baile do Almeidinha, com Hamilton de Holanda, que é um baita instrumentista, adorei, dancei, me diverti demais! Assisti, pela primeira vez, um show do violeiro Neymar Dias e foi um presente que a vida me deu, especialmente por descobrir como ele é uma pessoa amigável, carinhosa e de deliciosa convivência.
Chamada para o show do Neymar Dias no Espaço 91
Chorei muito  de saudade do meu pai. Se pudesse choraria todo dia por esse motivo, enfim.Vi o show do Hermeto Pacoal com Heraldo Dumont... fui muito feliz ouvindo música boa em março.
Abril
Aquela paixão de janeiro deu errado e eu fiquei muito ocupada escrevendo o relatório final do pós-doc, foi duro, eu escrevia e chorava porque não foi, mesmo, como eu gostaria que tivesse sido, mas foi... fiz um balanço da minha trajetória, percebi que foi sempre uma busca pela interdiciplinaridade, algo cada vez menos valorizado, infelizmente. Nesse mês fui a Aparecida, vem a Coongada invadir a basílica mais uma vez e tipo pirei... que coisa linda que é isso!
Congadas entrando no Santuário Nacional de Aparecida
Maio

Continuei maluca com Pedro Bloch e o relatório final do pós-doc, minhas postagens foram quase todas sobre isso em abril.

Entrevista de Pedro Bloch para a Revista Veja em 8 de out 1997.
Afora isso, teve o falecimento do Antonio Cândido, o que eu lamentei profundamente, afinal ele é a alma da FFLCH.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Dois irmãos ( a minissérie) conta uma história dos brasileiros

Como eu ainda não li o livro Dois Irmãos de Milton Hatoum, então não ia comentar nada sobre a minissérie, que assisti todinha (o que achei que fosse me afastar da leitura por um tempo, mas o efeito foi contrário: agora quero muito ler o texto). Não ia comentar nada mesmo, especialmente depois de ler no Facebook um comentário do professor Júlio Pimentel Pinto (não posso opinar sobre qualquer comparação entre a série e o livro) , mas porque também não posso dizer que não fui tocada pela série, cá estou eu comentando. Como já esperava, o primor do diretor Luiz Fernando Carvalho encheu meus olhos de cabo a rabo, a trilha sonora e o enredo... Outra coisa que não foi surpresa para mim foi que meu personagem favorito da série foi mesmo o latente Nael, vivido pelo excepcional Irandhir Santos, que penso que até poderia ter vivido os papeis dos gêmeos, claro, mas ele não é galã como o Cauã Raymond (que nem se saiu mal, vamos ser francos), mas será que Cauã se sairia bem na profundidade silenciosa de Nael? Acho que não ...assisti tudo com atenção, fui imensamente tocada, mas como sou chorona, é interessante que só fui chorar ontem, no último capítulo... e nem foi quando vi a casa (e tudo que ela representa) da mãe Zana ser demolida ao som dessa música linda interpretada por Jo Stafford...mas foi quando  Nael reencontra Omar depois de tudo, e estende a mão para ele, ainda esperando um pedido de perdão que o pai nunca pode fazer. Essa é também a história dos brasileiros (dos sem pais, que estão sempre calados observando tudo) e é também a minha história, sem Nael para contá-la...Em tempo: Luiz Fernando Carvalho em entrevista aqui disse:

"Também não tenho palavras para Irandhir Santos e seu Nael. Um personagem praticamente sem texto, pouquíssimas palavras, mas repleto de gritos no espírito. Nael é a metáfora do povo brasileiro. Seria “o primeiro brasileiro”, aquele miscigenado, filho do cruzamento da raiz indígena com a imigração árabe. Nael é o amanhã, somos todos nós, aquele que vencerá a polaridade mesquinha que nos afoga no presente. Esta é a sua mensagem final. Debaixo de um sorriso — seu único sorriso em toda a série — ele atravessará o encontro das águas do rio Negro e o Solimões, que não se misturam, guiado pelos ensinamentos de Halim."

Halim , seu  pai (o que escolheu seu nome!) e  amigo de Nael  !