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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Parabelo: ritmo para nos manter de pé!



Faz tempo que eu tenho a trilha sonora desta coreografia e queria MUITO MUITO ter assistido esse espetáculo ... ainda mais depois que li o que o Tom Zé falou sobre ele em seu livro "Tropicalista lenta luta":
 
"(...)Então eu fiz a pergunta-espelho : como é que o nordestino se mantém de pé, naquela penúria, naquela miséria, naquela subalimentação de 400 anos? Concluí : devem ser os ritmos musicais nordestinos.
Os três principais  alimentos do Nordeste são desidratados: farinha de mandioca, carne-seca e ritmo.
Mas é o ritmo que nos mantém de pé, verticais, que faz o papel dos ossos. Quando ficamos insulados e pobres, no sertão do Brasil, defrontamos um paradoxo : amávamos a herança cultural de nossos avós portugueses - civilizados pelos árabes na Idade Média, ao contrário do restante da Europa, educados pelos bárbaros cristãos, godos, visigodos, bretões...
Assim, amando a cultura moçárabe daqueles avós, mas analfabetizados pela penúria, nosso artifício vital foi falar cultura, conversar cultura, dançar cultura. Passamos a plantar leituras de concepções metafísicas em acontecimentos do cotidiano; a fazer pentimento, sobrepondo à paisagem da caatinga chaves visuais do conhecimento esotérico; a montar eixos de filosofia na sintaxe de uma língua têxtil, de um falar que compõe cosmogonias (ver isso também nos Gerais de Guimarães Rosa).
Ah-pois, meu senhor , essa ossatura que nos mantém de pé, a espinha dorsal que nos sustenta a verticalidade e nos confere uma postura semelhante à de outros humanos, enfim, as consoantes de nossa língua, ou melhor, de nossa vida, é o ritmo. Os ritmos musicais do Nordeste.
Ele é o núcleo mais concentrado : a cápsula da mais densa potenciação cultural nordestina. É para nós como uma face do Sagrado. No Nordeste, o ritmo é Deus desidratado. (...)
Zé Miguel Wisnik compôs, comigo, um edifício sobre tais alicerces e troxemos esses ritmos ao Parobelo.
 
Tom Zé Tropicalista lenta luta. P. 99-100.
 
Um exemplo de ritmo do nordeste:
 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SANTA MARIA, ESTRELA DO DIA ...



Pensando cada vez mais em Elomar, planejando escrever muitos posts sobre ele, eu achei um vídeo fenomenal sobre a referência a sonoridade medieval que nas músicas do sertanejo encontramos. A legenda deste vídeo no Youtube esclarece:
"O concerto Confissões reúne excertos do livro de Agostinho e mais algumas peças de compositores como J.Bach, Villa-Lobos, Elomar Figueira, dentre outros. Cada uma das peças é acompanhada da leitura de trechos das "Confissões", em que a música e a seleção da leitura estão condizentes e coerentes com a narrativa de Agostinho. Esse concerto é mais um dos elementos do projeto "Música & Literatura", Formado por: Petrônio Joabe,Elton Becker,Lana Sheila,João Omar
CANTIGA MEDIEVAL DE St.MARIA, D.Afonso X."
Ao escutar essa canção pensei que ela não me era estranha, a melodia era a mesma que Antonio Nóbrega - pesquisador da Cultura Popular pernambucana - citava em "Abrição de portas", primeira faixa do seu disco "Madeira que cupim não rói" ... Elomar é fortemente influenciado pela musicalidade trovadoresca, mas não só ele, toda nossa cultura popular! Esta é uma das graças da cultura: sozinha ela nunca exclui, apenas agrega e transoforma! Eu adoro História das Culturas!
Talvez no próximo eu volte a escrever mais diretamente sobre Elomar... veremos!