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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

WITTGENSTEIN PROFESSOR PRIMÁRIO...

Vocês podem imaginar que Ludwig Wittgenstein foi professor de escola primária no período entreguerras? Pois esta foi a verdade, entre 1920 e 1926 ele foi professor de crianças em idade de alfabetização, mas não foi o que podemos chamar de professor afetuoso, pois não tinha paciência alguma para ensinar e em 1926 vai a julgamento pelo tratamento dado a um aluno - o caso Haidbauer- afinal, para ele agreções físicas podiam até serem demonstrações de carinho (rs). Mas ele até copilou um inovador dicionário para crianças de escola primária "Wörterbuch für Volksschulen", o que foi estudado neste trabalho aqui.

Na época sua irmã teria declarado:
"Eu disse a ele...que imaginá-lo como professor de escola primária, com sua mente treinada para a filosofia, era para mim como imaginar uma pessoa usando um instrumento de precisão para abrir uma cratera. Ao que Ludwig respondeu com uma comparação que me fez calar: 'E você me faz pensar numa pessoa que olha através de uma janela fechada e não consegue explicar para si mesma os movimentos de um transeunte. Não sabe a tempestade que está caindo lá fora e nem que essa pessoa está tendo de fazer um enorme esforço para se manter de pé.' Foi então que eu entendi seu estado de espírito."
( Hermine Wittgenstein. In: Edmonds e Eidinow. O Atiçador de Wittgenstein.P.201)

Poxa, se Wittgenstein - um filósofo interessadíssimo nos estudos da linguagem- construiu para si mesmo uma alegoria de um transeunte sob a tempestade, em relação a aquisição da linguagem pelas crianças, isso acaba legitimando a ideia da minha pesquisa: É preciso atentar para as origens da ligação dos Homens com a linguagem se quisermos entender porque e como esta entidade chamada linguagem pode substituir ou mesmo anular a realidade...
Estou pensando demais nessas coisas...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

I Encontro sobre a linguagem da criança – sentido, corpo e discurso

"O “I Encontro sobre a linguagem da criança – sentido, corpo e discurso” busca ocupar um espaço relevante e valioso no cenário dos estudos aquisicionistas, a saber, o do diálogo entre diferentes áreas, perspectivas teóricas e Instituições na análise do mesmo objeto de pesquisa: as produções infantis.

O evento é promovido pelos programas de Pós Graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência da Universidade Federal de São Paulo, Campus Guarulhos, Linguística e Língua Portuguesa da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP de Araraquara e Letras Clássicas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, com o apoio do Grupo de Pesquisa NALingua, Núcleo de Estudos em Aquisição da Linguagem." (site do evento)

As incrições vão até o dia 29 de dezembro, eu já fiz a minha, porque os conferencistas são autores de trabalhos deliciosos que eu uso no meu doc como Marcos César de Freitas e Alessandra Del Ré...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Está escrito na parte dedicada a Guimarães Rosa no "Museu da Lingua Portuguesa":


Esta é uma das aproximações que eu estou propondo entre a obra de Guimaraes Rosa e a infância.
Me emocionei demais quando li isso no Museu!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

"A criança troca a boca cheia do seio da mãe pela boca cheia de palavras"

VOU ESCREVER AQUI COISAS DESCONEXAS, MAS QUE ACHO QUE SERÃO MUITO IMPORTANTES PARA MINHA PESQUISA, QUANDO EU CONSEGUIR DECODIFICAR DIFERITO, POR ENQUANTO SÃO INFORMAÇÕES APENAS...

A frase do título deste post foi dita pelo professor Roberto Zular, no curso "Dito e feito: Eascrita da oralidade", para a pós graduação aqui nas letras... o contexto da aula era uma revisão rápida da aquisição da linguagem pelo homem... para ele, as leituras de Lacan e de um psicanalista francês chamado Jean Michel Vives nos leva a pensar nesta imagem. O bebê grita e chora e essa é a voz primordial, sua reação ao ambiente que lhe é completamente estranho, pois o bebê não tem controle algum sobre a linguagem e sua comunicação só consegue se desenvolver a partir da identificação de ritmos, que é a primeira forma de comunicação.
Bebês são só sensações, no início... a sua própria voz só surge depois de alguma negação da voz da mãe. Lembrem-se que, enquanto feto, nó sentimos tudo o que a mãe sente, ouvimos sem estranhamento só a voz dela, que identicamos como sendo também a nossa... é quando passamos a não ouvir mais essa voz da mãe e sim desenvolver a nossa própria voz, que se articula em palavras, por isso que dizer que "a criança troca a boca cheia do seio da mãe pela boca cheia de palavras" é construir uma bela imagem da aquisição da linguagem.
Isso me lembrou o final do conto de Scott Fitzgerald, O Curioso caso de Benjamin Button:
"He did not remember clearly whether the milk was warm or cool at his last feeding or how the days passed--there was only his crib and Nana's familiar presence. And then he remembered nothing. When he was hungry he cried--that was all. Through the noons and nights he breathed and over him there were soft mumblings and murmurings that he scarcely heard, and faintly differentiated smells, and light and darkness.
Then it was all dark, and his white crib and the dim faces that moved above him, and the warm sweet aroma of the milk, faded out altogether from his mind."

Acho lindo, lindo, lindo!
Ele vai vivendo o processo, mas a partir do final: perde a cognição, depois a memória, só lhe resta o choro (a voz primordial)e então tudo fica escuro e a última coisa que lhe resta é a memória do gosto do leite...
Tô pirando nessas coisas, sacaram?

sábado, 16 de janeiro de 2010

CONTATOS E PROJETOS

Vivemos na "sociedade dos contatos", ou como se diz, mundo do
"Netmeeting"...então eu tentei manter meus contatos, reiniando o diálogo com pesquisadores de Rosa com os pesquisadores de Rosa que respeito ou me identifico...colo aqui um e-mail que mandei para um dos melhores, na minha opinião, afinal é um retrato de como está minha cabeça de pesquisadora nesse momento, mas vai mudar, você sabem:
SOBRE MEU PROJETO, MAIS UMA VEZ
Caro professor,
Escrevo para lhe informar que acabo de enviar-lhe meu projeto de doutorado impresso pelo correio, até o fim desta semana você o receberá.Agradeço imensamente a sua disposição em continuar o contato comigo.
Fiz questão de lhe enviar por dois motivos principais : Um é receber a sua opinião sobre o grau de legitimidade da pesquisa que estou começando agora, pois acho que os pesquisadores não devem fazer seus trabalhos sozinhos e, como devo ter lhe dito algumas vezes, a sua posição a respeito das relações entre Literatura e História (que é de meu total interesse), como um caminho onde o papel da ficção mediadora deve ser valorizado, é a mais interessante com a qual tomei contato nos últimos tempos. Você perceberá que uso suas idéias como base de pensamento (espero estar usando-as bem, mas isso você me irá confirmar ou não, mas interessa-me muito o diálogo...)
O outro motivo é que, como meu trabalho está inserido na área de Teoria da História, interessam-me os questionamentos epistemológicos que a linguagem de Guimarães Rosa coloca claramente ( de forma repleta de lirismo e genialidade literária, mas com crescente grau de hermetismo que, em última análise, me levou a considerar a crise das possibilidades de narração da História, pensada historiograficamente por Walter Benjamin, mas de forma geral por toda a filosofia da linguagem do século XX ).Então, trata-se de uma pesquisa que não considera a história de forma "documentalista", já que não vai pelos caminhos usuais - que se debruçariam sobre perspectivas como a "História das crianças no tempo de Rosa", mas sim sobre as possibilidades e impossibilidades de representação da linguagem infantil que este autor apresentou em seus textos -, o que está ligado ao contexto da crise epistemológica que levou ao questionamento da legitimidade da História no século XX, e isso sentido aqui no Brasil.
Como vê, meu trabalho parece ser algo original e sei que ele sempre será posto em cheque - tanto por historiadores mais tradicionalistas, quanto por pensadores da literatura menos interessados em tensões epistemológicas -, então um interlocutor como você - que assumiu claramente em seu livro, ser alguém que observa a questão como um "outro" (ou usando suas palavras, assumiu seu olhar de "marciano"), é um tesouro.
É com pessoas como você, como meu orientador Elias Thomé Saliba- que possuem visões mais abertas a outros questionamentos- que é bom estabelecer diálgos.
Uma coisa importante, não tenho muita pressa em receber seu comentário, como disse, eu acabei de escrever o projeto agora, ele ainda está se desenvolvendo, então espero sua resposta quando você puder me enviar, pois não quero atrapalhar muito.
Muito obrigada,
Camila