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domingo, 2 de dezembro de 2012

Ainda sobre Steven Pinker



Para escrever meu projeto de doutorado em 2009 meu orientador me recomendou  a  leitura deste livro. Sobre ele  escrevi este post, destacando que tantas vezes lembrava dele nas aulas de Semiótica de Luiz Tatit. Mas agora,    apesar do nome sedutor e da intenção  de parecer descontraído, o que me  lembro é que esta  foi uma das leituras mais árduas do doutorado todo! (rs) Não só porque o livro é enorme (ele para  de pé sozinho na estante), mas também porque estranhei sair  do ambiente mental das ciências humanas, pareceu mais  pesado. Apenas depois de   algum tempo  que fui ler Oliver Sacks  e outros que resgataram a graça da reflexão sobre o cérebro humano, fazendo tudo parecer realmente delicioso.
Agora, já na fase final, resgatei algum suco no livro de Pinker (pouquíssimo em meio a um livro de 560 páginas), como quando ele aborda a  língua dos bebês (foi o primeiro autor que li tratando deste tema, mas não foi o melhor). Para ele, criança ao falar faz escolhas dentro do que foi experimentado, pois não pode repetir todas as frases que ouviu, precisando 
“extrair um conjunto de regras que lhe permitirá compreender e expressar novos pensamentos." (Pinker, 2008. p. 44-5) 
Você, adulto, pode dizer que isso é um dos postulados mais básicos da linguística,  né? Mas não chama a atenção que bebês, que nem entraram ainda no mundo oral, o exercitem ? Ainda citando Pinker:

(Pinker, 2008. p. 43-5)


Realmente uma questão para se pensar, porque nós adultos tendemos a achar (e às vezes até a exigir) que as crianças possuam a mesma percepção e condição que nós temos, o que é uma violência! As crianças são livres do comprometimento com a gramática dos adultos, e talvez seja por isso que elas conseguem desenvolver a linguagem tão rapidamente. Vejamos uma tirinha usada por Pinker:

(Pinker, 2008. p. 54)


Acho que comecei a torcer um pouco menos o nariz para este livro, o que pensam?

domingo, 19 de agosto de 2012

Linguagem e mente, Noam Chomsky



Vocês podem dizer que estou atrasada, mas só agora que eu estou PIRANDO COM CHOMSKY. Olha que interessante as coisas que ele escreveu:

 "Um exame atento da interpretação das expressões logo revela que desde os primeiros estágios a criança conhece imensamente mais do que a experiência provê. Isso é verdadeiro mesmo para simples palavras. As crianças pequenas adquirem palavras numa proporção de cerca de uma para cada hora acordada, com exposição extremamente limitada e em condições altamente ambíguas. As palavras são compreendidas de modos sutis e intricados que vão além do alcance de qualquer dicionário e estão somente começando a ser investigados. Quando se vai além das palavras isoladas, a conclusão se torna ainda mais dramática. A aquisição da língua s parece muito com o crescimento dos órgãos em geral;é algo que acontece com a criança e não algo que a criança faz.  E, embora o meio ambiente importe claramente, o curso geral do desenvolvimento e os traços báscios do que emerge são pré-determinados pelo estado inicial. Mas o estado inicial é uma posse comum  dos homens. Tem de ser então que, em suas propriedades essenciais , as línguas são moldadas na mesma forma. O cientista marciano poderia  concluir sensatamente que há uma única língua humana, com diferenças somente nas margens."

 Noam Chomsky. Primeira Palestra. In : linguagem e mente. Editora UNB.1998. P. 23