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terça-feira, 20 de junho de 2017

Apreensão infantil e o humor


PINKER, Steven. Toca do coelho adentro. In: Do que é feito o pensamento – a língua como janela para a natureza humana. Trad. Fernanda Ravagnani. São Paulo:Cia das Letras,2008.

Neste livro, Steven Pinker escreve um capítulo excelente sobre como as crianças costumam empreender extensas explorações de linguagem e por isso analisar seu discurso pode nos ajudar a compreender sua cosmologia e, claro, gerar situação engraçadas ao empregar “o código da linguagem com segurança suficiente para entender coisas improváveis como uma vaca pulando sobre a lua e um pato fingindo com a colher, ou expressar suas percepções infantis como ‘thinkthe Wind wants to get in out of the rain” [“acho que o vento quer entrar e sair da chuva”] ou “Ioften Wonder when people pass me by do they wonder about me” [“Sempre fico pensando quando as pessoas me passam elas ficam pensando em mim] (PINKER,2008, p. 43)

[Pinker esclarece que essas apreensões infantis que utilizou foram feitas pelo escritor Lloyd L.Brown do discurso de sua filha]


domingo, 2 de dezembro de 2012

Ainda sobre Steven Pinker



Para escrever meu projeto de doutorado em 2009 meu orientador me recomendou  a  leitura deste livro. Sobre ele  escrevi este post, destacando que tantas vezes lembrava dele nas aulas de Semiótica de Luiz Tatit. Mas agora,    apesar do nome sedutor e da intenção  de parecer descontraído, o que me  lembro é que esta  foi uma das leituras mais árduas do doutorado todo! (rs) Não só porque o livro é enorme (ele para  de pé sozinho na estante), mas também porque estranhei sair  do ambiente mental das ciências humanas, pareceu mais  pesado. Apenas depois de   algum tempo  que fui ler Oliver Sacks  e outros que resgataram a graça da reflexão sobre o cérebro humano, fazendo tudo parecer realmente delicioso.
Agora, já na fase final, resgatei algum suco no livro de Pinker (pouquíssimo em meio a um livro de 560 páginas), como quando ele aborda a  língua dos bebês (foi o primeiro autor que li tratando deste tema, mas não foi o melhor). Para ele, criança ao falar faz escolhas dentro do que foi experimentado, pois não pode repetir todas as frases que ouviu, precisando 
“extrair um conjunto de regras que lhe permitirá compreender e expressar novos pensamentos." (Pinker, 2008. p. 44-5) 
Você, adulto, pode dizer que isso é um dos postulados mais básicos da linguística,  né? Mas não chama a atenção que bebês, que nem entraram ainda no mundo oral, o exercitem ? Ainda citando Pinker:

(Pinker, 2008. p. 43-5)


Realmente uma questão para se pensar, porque nós adultos tendemos a achar (e às vezes até a exigir) que as crianças possuam a mesma percepção e condição que nós temos, o que é uma violência! As crianças são livres do comprometimento com a gramática dos adultos, e talvez seja por isso que elas conseguem desenvolver a linguagem tão rapidamente. Vejamos uma tirinha usada por Pinker:

(Pinker, 2008. p. 54)


Acho que comecei a torcer um pouco menos o nariz para este livro, o que pensam?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

SEMÂNTICA E SEMIÓTICA: QUE LOUCURA!

Escreveu Steven Pinker em seu último livro traduzido no Brasil:
"A semântica trata da relação das palavras com pensamentos, mas também da relação das palavras com outras questões humanas. A semântica trata da relação das palavras com a realidade - modo como os falantes se comprometem com uma compreensão comum da verdade, e o modo como seus pensamentos são ancorados em coisas e situações no mundo. (...)Trata-se da relação das palavras com as emoções: o modo como as palavras não só indicam coisas, mas estão saturadas de sentimentos, quedotam as palavrasde uma idéia de magia, tabu e pecado." (PINKER,Steven. Do que é feito o pensamento: A língua como janela para a natureza humana. São Paulo: Cia das Letras. 2008.P.15)
Certinho,certinho. Ando assistindo as aulas de semiótica de Luiz Tatit. que uma vez disse que Semiótica era Semântica... como assim?
Pesquisando na internet, achei esse texto aqui:
"
SEMIÓTICA FÁCIL

4. SEMÂNTICAS
A semântica que conhecemos é simplesmente aquela parte da gramática que abrange os significados das palavras. Em semiótica, semântica é aquela dimensão do entendimento que nos dá conta dos significados de todo e qualquer signo ou de toda e qualquer composição sígnica ou proposição. A semântica, em semiótica, diz respeito a todo tipo de signo, e não somente das palavras escritas ou faladas e dá conta da compreensão também de imagens e sons e toda e qualquer informação que nos chega pelos sentidos e pela elaboração mental.
Quando queremos saber o significado usual, costumeiro, de uma palavra, recorremos, sem hesitar, ao dicionário. Entretanto, nem sempre o dicionário informa sobre os sentidos derivados em que as palavras são empregadas, como nas metáforas ou quando estamos diante de neologismos e gírias, por exemplo. Por isso os semiólogos, como Umberto Eco, ou lingüistas, como o dinamarquês Hjelmslev, definem a semântica como um vasto universo que compreende desde os significados restritos e usuais até aos significados possíveis, em função de relações associativas..."
Tudo isso tá pirando minha cabeça! O que vocês acham?
(Ah, no site temos uma bibliografia de referência, vou consutar, indico aqui:

BIBLIOGRAFIA
ECO, Umberto. Semiótica e filosofia da linguagem. Lisboa: Instituto Piaget, 1984.
HJELMSLEV, Louis Trolle. Prolegômenos a uma teoria da linguagem. São Paulo: Abril Cultural, 1978 - p.195/197.
SAUSURRE, Ferdinand. As palavras sob as palavras. São Paulo: Abril Cultural, 1978.