Mostrando postagens com marcador Japão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Japão. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Vidas ao vento : História e Literatura de Miyazaki

 
          
  

VIDAS AO VENTO (2013) O filme apresenta uma biografia ficcionalizada de Jiro Horikoshi, engenheiro aeronáutico responsável por aviões extraordinários que, infelizmente, acabaram sendo utilizados para a destruição na guerra. Considerada uma das animações mais adultas de Hayao Miyazaki, a obra chegou a ser vista como seu possível último filme. Felizmente, não foi o caso, pois, embora seja belíssimo é muito real  e  teria deixado os espectadores famintos por mais imaginação, que é uma das marcas mais fortes do diretor.

​Ambientado a partir do início da década de 1930, o filme desenha o contexto pré-Segunda Guerra Mundial sob a ótica do desenvolvimento tecnológico na criação de aeronaves, sublinhando os papéis do Japão e da Alemanha. Contornado por referências literárias universais de peso, traz como epígrafe uma bela frase de Paul Valéry: "O vento se ergue, devemos tentar viver".

​




O vento se ergue e a História se movimenta de forma violenta. Na trama, a esposa de Jiro sofre de tuberculose, o que dá ao diretor a oportunidade de fazer uma analogia ao romance A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Com isso, Miyazaki traz uma postura irônica e crítica sobre a história, especialmente em uma cena na qual Jiro conversa com um viajante alemão. Este personagem compara o hotel no Japão onde estão ao sanatório Berghof  em Davos, presente na obra de Mann, sugerindo ser um lugar elegante e confortável onde o Japão esquece que está lutando contra a China, esquece que estabeleceu um estado fantoche na Manchúria, esquece que abandonou a Liga das Nações e esquece que se tornou inimigo do mundo.

​A conclusão é que, assim como ocorreu com a Alemanha, o isolamento e a escalada militarista e colonialista do Japão acabariam em explosão, como de fato aconteceu. Tudo isso torna o filme peculiar e digno de nota, embora não figure entre os meus favoritos de Miyazaki ou do Studio Ghibli.

​

quinta-feira, 12 de março de 2026

CRÔNICA DO PÁSSARO DE CORDA: OBRA PRIMA DE MURAKAMI OU O LIVRO DO POÇO


CRÔNICA DO PÁSSARO DE CORDA: OBRA-PRIMA DE MURAKAMI OU O LIVRO DO POÇO

Talvez seja o maior (em número de páginas) livro que leio há tempos , um volume que contém, em si, uma trilogia. Dediquei-me a ele por três meses, pois logo percebi que estava diante de uma obra-prima. E, ao dizer isso, não afirmo que sintetize o cerne da obra de Murakami , ainda não li o suficiente do autor para tanto. Pelo contrário: talvez seja uma obra-prima justamente por se afastar de sua linguagem mais reconhecível e expandir o diálogo com grandes clássicos da literatura mundial, atravessando filosofia, história e humanidade.

Escrito inteiramente na linguagem do sonho, onde o surreal não é banalidade , acompanhamos, com Toru, uma descida ao inconsciente e aos questionamentos existenciais mais profundos. Essa jornada se materializa na imagem literal de descer ao fundo de um poço: parar, refletir e se transformar. De tirar o fôlego.

Imagem do Google imagens

Resumi-lo não é tão difícil, mas qualquer síntese mal arranha a experiência de mergulhar nesse “poço seco” do inconsciente que é a leitura. A trama acompanha Toru Okada, um homem de trinta anos em suspensão: deixa o emprego, o gato desaparece e, em seguida, sua esposa, Kumiko, também. A partir daí, inicia uma jornada de reinvenção.

Como em Alice no País das Maravilhas, a narrativa se constrói mais pelo sonho do que pela realidade. Surgem personagens simbólicos e inquietantes que ajudam a compor esse quebra-cabeça: a adolescente May Kasahara, amiga de Toru; as irmãs/ilhas  Malta e Creta Kano; e o vilão Noboru Wataya, cunhado de Toru, figura dominadora, para quem trabalha Ushikawa — uma das personagens mais marcantes. Intrusivo e desconfortável, o capanga  lembra o Gato de Cheshire:  intrusivo, desconfortante e persistente,  acaba sempre revelando o que está oculto.

Há também personagens ligados a um dos episódios mais traumáticos da história japonesa :a Invasão da Manchúria. O evento emerge como trauma do inconsciente coletivo, deixando marcas físicas, mentais e espirituais. Para abordar esse eixo central, surgem figuras como o Sr. Honda e o tenente Mamiya, cujo relato constitui uma das passagens mais duras sobre memória de guerra que já li ,é  quase insuportável.

Outros sobreviventes desse trauma aparecem sob codinomes, como Noz-moscada e seu filho Canela. Noz-moscada reconhece no rosto de Toru um hematoma azul ,marca simbólica herdada de um passado violento, e o introduz em um campo espiritual estranho e perturbador. Já Canela, jovem traumatizado que não fala há anos, é outro personagem-chave: belo, elegante, inteligente, trabalha ouvindo música clássica e é o autor de um livro chamado "Crônica do Pássaro de Corda ",  funcionando como uma espécie de alter ego do próprio Murakami.


Em última instância, o romance narra a travessia de Toru pelo inconsciente coletivo japonês, profundamente marcado pela violência da guerra. Desse movimento, emerge um Murakami crítico da imagem contemporânea do Japão , país pacífico e tecnológico ,que parece querer esquecer seu passado brutal. Mas o passado deixa marcas. Toru Okada que o diga.

Que livro sensacional. Amei.


TIPO ISSO ​:

Toru Okada desce ao poço para encontrar a si mesmo, mas acaba encontrando as feridas de uma nação. 

​Em Crônica do Pássaro de Corda, Murakami conecta uma crise doméstica ao inconsciente coletivo japonês, traumatizado pelos horrores da guerra.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

"Túmulo dos Vagalumes", Isao Takahata

         

Lançado em 1988 pelo Studio Ghibli, Túmulo dos Vagalumes é dirigido por Isao Takahata e baseado no livro homônimo de Akiyuki Nosaka. A animação acompanha os irmãos Seita e Setsuko tentando sobreviver no Japão durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, em uma narrativa delicada e devastadora sobre amor, perda e a fragilidade da infância em tempos de guerra.

Depois de muito adiar, finalmente terminei de assistir à animação e confesso que a primeira sensação foi de vazio e profunda tristeza, porque é uma história real. Akiyuki Nosaka realmente perdeu a irmã mais nova por desnutrição durante a Segunda Guerra, e é quase intolerável acompanhar a atrocidade destruindo a delicadeza do olhar infantil sobre a vida.

Mas o filme não é só isso. Ao recontar essa história, a animação a preenche com a magia do amor entre os irmãos. Quando Seita percebe que a guerra levou a família inteira, a mãe e o pai, e que restaram apenas ele e Setsuko, sofrendo de fome e desnutrição, o jovem cria pequenos milagres cotidianos para a irmãzinha: brinca na praia, faz malabarismos, mistura balas de fruta como se fossem um tesouro, brinca com os vaga-lumes, arranca risos dela. Tudo porque sabe que podem não sobreviver e que é urgente transformar cada momento em algo único. E consegue encher de encantamento seus últimos momentos de vida.

Essa história, que foi cruel e implacável, nos deixou, ainda assim, essa triste joia do Studio Ghibli. Sei que, por muito tempo, ainda vou ouvir o alegre riso de Setsuko chamando o maninho para brincar com os vaga-lumes, e isso é muita coisa.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

As cores e o som incolor da sonata de Tsuruku Tazaki

 

Gostei desta foto 
Esse livro é incrível 

Lá vemos nós ler Murakami 

Meu livro de agosto 2025
Outro romance de Murakami 

Ler e gostar de Murakami  é só começar. Como terminei julho com um romance do autor japonês, em agosto continuei com outro romance dele. Dessa vez mais denso e melancólico.

Sobre o livro, inspirada no resumo da orelha, explico que conta a história de Tsukuru Tazaki, um engenheiro de  trinta e seis anos que mora sozinho em Tókio onde trabalha em estações de tem. Tsukuru é melancólico e vive sempre num vazio e na solidão. Quando jovem em Nagóia, passou pelo trauma de ter sido rechaçado, sem explicação,pelos quatro companheiros inseparáveis do Ensino Médio , que até então davam sentido a sua vida.

Cada um desses amigos trazia uma cor no ideograma do nome: Akamatsu (pinheiro vermelho), Ômi (mar azul) e as meninas Shirane (raiz branca) e Kurono (campo preto). Somente Tsukuru (construtor) não tinha cor, nem nenhuma característica que o distinguisse, era chamado e se sentia o Incolor.

Dezesseis anos depois conhece Sara, a namorada que  ama , mas que está prestes a perder, e ela o obriga a enfrentar o passado em busca de explicação que o feriu a vida toda. Mas talvez essa ferida não curada em tempo possa ter grangrenado .

Como indica a orelha,

"Este é um livro emocionante sobre  a busca  da identidade.É uma história de pessoas perdidas, que lutam para lidar com o passado desconhecido e aceitá-lo de algum modo. Como cada um de nós."

Vamos vendo a construção do romance a partir da simbologia  que em boa arte aparece representada na bela capa da edição brasileira: as estações de trem - onde está Tsuruku, só observando as pessoas chegarem e partirem nos trens, sem interferir no fluxo da vida- ; nas cores, simbolizando marcas de personalidade -que Tsukuru não construiu porque não tinha nenhuma peculiaridade e viveu parado no momento do trauma da adolescência.

Como se trata de um livro de Murakami, há a presença chave de uma música,no caso esta

 

Que é parte da suíte "Primeiro ano Suiça" da peça "Anos de Peregrinação", de Lizst, que parece estruturar essa narrativa de busca e "peregrinação de Tsukuru por um passado incompleto. No caso da música,  "Le mal du pays", ela se refere a uma  "tristeza sem causa, evocada no coração das pessoas pela paisagem rural" (p.60) e aparece na vida de Tsukuru quando o amigo Haida traz e deixa  o álbum em seu apartamento , o que remete a lembrança da amiga Branca, que costumava tocar essa no piano na juventude.

Tsuruku é um homem incompleto,sem cores,traumatizado e incapaz de viver plenamente seu  presente. Para mim essa  leitura foi prazerosa e difícil, como são as melhores.

Vejamos como eu vim comentando o livro nas redes durante a leitura 

30 de julho 


1 de agosto 

INCOLOR : Comecei a ler, para ver se "garrava" no texto (já aconteceu de um  livro do Murakami que emprestei da biblioteca não me agradar de cara e achei melhor deixar de lado na hora), mas com esse aqui parece estar sendo diferente. Não li nem 30 páginas das mais de 300 e acho que já "entendi" a capa! Espero que ele deixe de ser tão "didático" a partir de agora porque eu gosto do Murakami ficcionista, kafkaniano, do estranhamento,  do "realismo fantástico" (sim, assisti a mais de um vídeo no YouTube falando isso,eu pensei "pq não?"). Tomara que eu continue gostando, estou tão precisada da cia de um bom livro!

3 de agosto 

INCOLOR: No primeiro capítulo vamos sabendo da história da dor MORTAL causada pela  primeira rejeição de Tsukuru Takaki . Nos capítulos seguintes essa marca o torna  um ser diferente, como se reconhecendo como ser humano,experimenta sensações novas. Até SONHA que "era atormentado por terríveis sentimentos de ciúme e inveja. Fazia tempo que não tinha um sonho tão real. (...) Nesse sonho ele desejava intensamente uma mulher, acima de tudo. Não estava claro quem era. Ela era apenas  uma EXISTÊNCIA. E ela conseguia se dividir em corpo e alma. Ela possuía esse dom especial. Posso lhe entregar um dos dois. Por isso quero que você escolha um dos dois agora. O outro vou dar a alguém, ela dizia. Mas Tsukuru a desejava POR INTEIRO. Não conseguia ceder a metade a outro homem. Para ele era insuportável. Então não quero nenhum dos dois, ele queria dizer, mas não conseguia. Ele não queria ir nem voltar.

Tsukuru sentiu nesse momento uma violenta dor, como se mãos enormes estivessem torcendo fortemente todo seu corpo. Os músculos se romperam e os ossos gritaram de agonia. Ele sentia também uma terrível sede, que parecia secar todas as suas células. A ira fez seu corpo tremer. Ira por ter de entregar a metade dela para outro. Essa irá se tornou um líquido denso, espremido da medula do seu corpo. Os pulmões se tornaram um par de foles enlouquecidos e o coração acelerou como um motor levado ao limite, enviando o sangue escuro e agitado até as extremidades do corpo.

Ele despertou com o corpo todo tremendo."(HARUKI MURAKAMI. "O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação", p. 44-5)

4 agosto 

INCOLOR: Claro que se trata de uma espécie de "romance de formação", mas  ao modo Murakami: pela solidão, incomunicabilidade, etc! No primeiro capítulo vamos sabendo da história da dor MORTAL causada pela  primeira rejeição de Tsukuru Takaki . Nos capítulos seguintes essa marca o torna  alguém diferente, como se reconhecendo como ser humano, ele experimenta sensações novas em frases curtas e diretas. Até SONHA que 

"era atormentado por terríveis sentimentos de CIÚME e inveja. Fazia tempo que não tinha um sonho tão real. (...) Nesse sonho ele desejava intensamente uma mulher, acima de tudo. Não estava claro quem era. Ela era apenas  uma EXISTÊNCIA. E ela conseguia se dividir em corpo e alma. Ela possuía esse dom especial. Posso lhe entregar um dos dois. Por isso quero que você escolha um dos dois agora. O outro vou dar a alguém, ela dizia. Mas Tsukuru a desejava POR INTEIRO. Não conseguia ceder a metade a outro homem. Para ele era insuportável. Então não quero nenhum dos dois, ele queria dizer, mas não conseguia. Ele não queria ir nem voltar.

Tsukuru sentiu nesse momento uma violenta dor, como se mãos enormes estivessem torcendo fortemente todo seu corpo. Os músculos se romperam e os ossos gritaram de agonia. Ele sentia também uma terrível sede, que parecia secar todas as suas células. A IRA fez seu corpo tremer. Ira por ter de entregar a metade dela para outro. Essa ira se tornou um líquido denso, espremido da medula do seu corpo. Os pulmões se tornaram um par de foles enlouquecidos e o coração acelerou como um motor levado ao limite, enviando o sangue escuro e agitado até as extremidades do corpo.

Ele despertou com o corpo todo tremendo." 

(HARUKI MURAKAMI. "O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação", p. 44-5)


Como disse o samba canção de Caetano, o ciúme rói do cóccix até o pescoço. Demasiadamente humano!


8 de agosto 

INCOLOR: Quase na metade do meu quarto Murakami, devo dizer que estou AMANDO "O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação"! Que história! Que sensibilidade! Ao contrário do ágil "Após do anoitecer", que é um ensaio de  filme, esse é quase um romance clássico, talvez um "romance de formação", que foi o que primeiro intuí, veremos  se se confirma no final . Mas está sendo muito bom comprar, ler e gostar dos livros do Murakami, não tenho me decepcionado! Depois desse que logo acaba (depois da metade a leitura flui), quem sabe no meu aniversário, tenho a chance de comprar e  ler o incensado "Kafka a beira mar"... veremos!

Cada vez que leio mais Murakami, penso que ele devia ter um Nobel, é um autor caríssimo ao leitor do século XXI ....mas aí lembro que ele mesmo chegou a retirar seu nome da indicação: Ele é maior que prêmios,pois prêmio quem recebe somos nós leitores 😍

(E essa capa? LINDA)

13 de agosto 

O INCOLOR: A namorada de Tsukuru é dois anos mais velha que ele e frequentemente usava um elegante "vestido de manga curta VERDE-HORTELÃ".

Acho interessante porque sempre imaginei o vestido verde claro (embora hortelã seja escura). Pesquisei no Google um vestido exatamente assim e qual não foi minha surpresa quando apareceu na Shein EXATAMENTE O VESTIDO QUE EU IMAGINEI! Só faltou a modelo ser japonesa! Tsukuru diria que talvez seja  porque "em algum lugar diferente, em uma temporalidade diferente", na minha imaginação ,eu já tinha visto esse vestido ! Misterios...

Vestido manga curta verde hortelã 

14 de agosto 


INCOLOR: Quase no final do romance. Já comecei a ler o último capítulo e ,por enquanto,ele traz Só falta um capítulo,e pir enquanto ele traz reflexões sobre a engenharia das estações de trem do ponto de vista do engenheiro Tsuruku. Infelizmente me parece desnecessário. Pode ser que eu  tenha ficado decepcionada com o penúltimo capítulo e o possível fim da "peregrinação" de Tsuruku, ou com o silêncio sobre Haida,ou não tenha compreendido mesmo a relevância disso.  Agora, a poucas páginas do final,suponho que nada de muito inesperado possa acontecer,afinal  MURAKAMI não é autor de ligar todos os fios da narrativa mesmo. Em geral, gostei bastante do romance, especialmente da playlist de música clássica e do destaque para o piano. Tenho muito a comentar quando terminar de ler e dar opinião sobre o final. Por hora, está um pouco decepcionante ... Veremos...

15 de agosto 

INCOLOR Acabei de ler, estou muito impactada . Recomendo muito que quem for ler ouça a sinfonia Anos de Peregrinação de Lizst, que tem um trecho especialmente citado no romance, mas que , completa, pode funcionar como uma narrativa de base para o romance. Gosto muito.

18 de agosto 

INCOLOR: Sim, foi meu livro de julho de 2025. Só ele! É um livro acima da média, envolvente, bonito (muito bem escrito e poético) e fantástico, mas que na hora não me fez muito bem. Trouxe a mim  uma melancolia progressiva ao ler,algo que eu não queria e  não pensei que Murakami despertaria em mim um dia,mas despertou. Entrar na cabeça do Tsukuru Tazaki  foi me deixando gradativamente mais triste aos pouquinhos. Ao final eu achei que a melhor opção fosse ouvir a belíssima peça "Anos de Peregrinação" de Lizst na íntegra no Spotify, afinal ela estrutura de alguma forma essa jornada depressiva e profundamente solitária de Tsukuru, mas só piorou meu estado de tristeza  😔. Mais de uma vez eu chorei com Tsukuru e ouvindo aquele piano 🎹. Foi tão difícil que ao terminar não fiquei lendo resenhas ou vendo muitos vídeos sobre no Youtube, precisei de um tempo  para respirar. Hoje pensando em como escrever a respeito no Pequenidades,  lembrei que a composição de Lizst teria afinidades com "Os sofrimentos do jovem Wether", de Goeth. Peguei ele da estante. 😞😓😭

A melancolia votou a tomar conta de mim. Que livro difícil! Sobreviverei!

Saí desse livro, mas ele não saiu de mim. Quem disse que garrei em outra leitura? Nada...ressaca literária total, como nos melhores Murakamis 💞

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

MURAKAMI:Entre a parede e o ovo

 

Referência: Google imagens 

MURAKAMI: ENTRE A PAREDE E O OVO


Em um vídeo de 2009 que circula na internet, Haruki Murakami discursa em inglês ao receber o Prêmio Jerusalém pela Liberdade do Indivíduo na Sociedade (Jerusalem Prize), já concedido anteriormente a escritores como Milan Kundera (1985). Nesse discurso, o autor pronuncia uma frase emblemática: “Entre uma parede alta e sólida e um ovo que se quebra contra ela, eu sempre ficarei ao lado do ovo.”


Com essa metáfora, Murakami expressa um posicionamento ético: a defesa incondicional da subjetividade — mesmo quando isso significa confrontar o peso de uma coletividade capaz de esmagar o indivíduo.


Embora seja uma figura engajada em seu país, essa postura não se manifesta de forma direta em sua ficção. Seus romances e contos preferem explorar universos fantásticos e subjetivos, em diálogo constante com outras literaturas, com a música e com diversas referências culturais.


Sua defesa da subjetividade sugere que um personagem (indivíduo ), mesmo  ao  voltar-se para si mesmo, pode não apenas refletir o coletivo, mas atuar sobre ele de forma indireta. Desta forma sua literatura parece ressoar  com questões centrais para o leitor do século XXI.


É esse tipo de debate que um autor de sua envergadura — lido amplamente no Japão e traduzido em todo o mundo — oferece à literatura contemporânea.


Que bom termos Haruki Murakami!

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

28/11: Brasi x Suíça e África dando show na Copa 2022

 

Suíça x Brasil
                         
Acompanhando como posso (e quero) a primeira fase da Copa do mundo 2022, vi jogos maravilhosos e seleções empolgantes como a da França, a do Japão (zebras) e até Estados Unidos. Destaco especialmente a participação de times africanos como o aguerrido (e lindo) Gana, Camarões e o sensacional Senegal. 

 

Momentos de Camarões na Copa 😍

Mas hoje teve o segundo jogo do Brasil, foi contra a Suíça, marcamos um gol lindo com Casemiro,  e  nos classificamos para as oitavas de final. 

Como no anterior, tinha outras coisas para fazer, fui treinar de manhã e como ando muito pistola e chata ultimamente, achei melhor não brigar com a seleção e na hora do jogo, mesmo sem preparação  (não tenho camisas da seleção, nem do Santos),  coloquei uma blusa de manga comprida azul (brincos verdes e faixa amarela... Máximo que consegui). 
Para um dia ruim, até que não ficou tão ruim! 

Torcedora adaptada

Como choveu durante o jogo, virou o tempo, e meus meninos canarinhos não vieram jogar na minha rua 😪

Mas valeu o clima. Tem algumas imagens do jogo: 

Seleção em contato com a torcida: emocionante!


No gol do Brasil, o melhor foi a cara do goleiro suiço:😱
"não tô acreditando!) AMO FUTEBOL!


Uma imagem da comemoração da torcida no Brasil
Brasileiro ama Futebol 💓

Sexta feira tem mais! Valeu, pessoal 💚💛