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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Pacarrete (2019), Allan Deberton

 



PACARRETE

Assisti ontem a este filme de 2019, dirigindo pelo cearense Allan Deberton, e achei que gostaria mais. Afinal, ele é livremente inspirado na história real de uma bailarina cearense, mas ficou faltando alguma coisa. Talvez essa história pudesse ter sido contada de um jeito mais engraçado, sei lá.

A atuação de Marcélia Cartaxo como Pacarrete é o ponto alto do longa. Nós, espectadores, a achamos uma graça; achamos ranzinza, grosseira e teimosa, uma chata até, como pode ser uma artista idosa fragilizada pelas vulnerabilidades da velhice. Isso a torna uma pessoa ainda mais difícil de lidar e, no fim, nos compadecemos dela, claro. Mas não dei uma risada com ela, o que salvaria a personagem e talvez o filme todo.

A maior parte do elenco de apoio fica no mediano, mas um ou outro ator é bem ruim. Para mim, o maior problema está no roteiro previsível porque, embora haja momentos de pura ternura, belas memórias e a emocionante cena da fita VHS, a belíssima cena final parecia estar praticamente prevista desde o início.

Queria tanto escrever maravilhas sobre este filme, mas desta vez não foi possível. Talvez pelo filme, talvez por mim, talvez pelas expectativas não alcançadas. Para mim, não funcionou tão bem. Seria a minha boca já muito amarga para esse cubo de açúcar cor-de-rosa choque, ou foi pelo riso que nunca veio? 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Espíritos: a morte está ao seu lado

 


ESPÍRITOS: A MORTE ESTÁ AO SEU LADO (2004), de Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom
Esse clássico do terror oriental conta a história do fotógrafo Tun e sua namorada Jane, que, numa noite, atropelam uma mulher e não prestam socorro. A conta chega em seguida, justamente por meio das fotos estranhas que Tun começa a revelar e que acabam mostrando uma história que ele tentava esconder.
Aqui, o peso psicológico é o grande mote da trama, e o sobrenatural surge como metáfora bem direta de problemas muito reais. Para nós em 2026, alguns elementos podem soar até um pouco clichês, mas faço uma ressalva à idade do filme. Mesmo sabendo que existe um remake americano de 2008 (sempre isso), ele não me interessa em nada. Até porque  é na versão original que temos os AGRADECIMENTOS A PESSOAS QUE DISPONIBILIZARAMFOTOS REAIS DE ESPÍRITOS!  ADOREI 😝
Destaco a personagem Jane no papel  namorada sensata, que ama sem se comprometer a carregar os pesos do namorado. Muito diva! 😜
Para momentos de diversão, super funciona!


terça-feira, 4 de agosto de 2026

DEAR EX

 



Dear Ex (2018) é um drama taiwanês disponível na Netflix que aborda, com sensibilidade e certo humor, as tensões provocadas pela morte de um ator que deixa o seguro de vida para o seu amante, excluindo a esposa e o filho, o que acaba exigindo uma intensa reorganização familiar.

​É um filme muito legal sobre a temática gay e como ela ainda pode ser percebida de forma conservadora na sociedade de Taiwan. Contado a partir do ponto de vista do filho adolescente, é todo desenhado (literalmente) e insere o teatro na trama de forma  inteligente.  O mais interessante é ver cores diferentes na tela e, especialmente, ouvir outro idioma (o filme tem legenda, mas o áudio original é em mandarim!). Gostei muito e recomendo.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

TOUCH (2024), Baltasar Kormákur

 


TOUCH (2024), dirigido por Baltasar Kormákur, é uma coprodução entre Islândia, Reino Unido e Estados Unidos. Baseado no  homônimo de Ólafur Jóhann Ólafsson. Na trama, Kristofer, um homem idoso que, ao perceber os sinais do avanço de uma doença  que ameaça sua memória, decide interromper a rotina e partir em busca de uma pessoa importante de seu passado, mesmo em plena pandemia de covid19. 

Assisti na Netflix esse filme calmo, lindo de viver, ou como chamam, um filme conforto. Mais perto do final da vida e procurando apenas resgatar uma memória,  Kristofer volta a Londres onde cursou a universidade e isso o leva a outro país,  onde descobre algo surpreendente sobre seu próprio passado. 

sábado, 11 de julho de 2026

ARQUIVO 81 :Terror psicológico e história

 


ARQUIVO 81 é uma série de suspense e terror psicológico da Netflix, lançada em 2022, e que achei muito boa. Não chega a ser algo no nível de Dark, mas tem grandes ambições narrativas e é extremamente envolvente.

A trama conta a história de Dan, um arquivista e restaurador que, nos dias atuais, é contratado para recuperar um conjunto de fitas de vídeo VHS que teria sobrevivido ao incêndio do edifício Visser, ocorrido em 1994. Nas gravações, Dan, e nós também, acompanhamos a rotina de Melody, uma doutoranda em História Oral cuja pesquisa se baseia nos relatos dos moradores do prédio. Por isso, ela registra constantemente entrevistas, observações e acontecimentos do cotidiano, produzindo inúmeros fragmentos que, aos poucos, nos permitem reconstruir sua história.

À medida que as fitas revelam relações obscuras envolvendo o edifício e seus moradores, a narrativa mergulha cada vez mais no terror. O resultado é uma trama muito envolvente.

Gostei de tudo. Como historiadora, senti-me particularmente próxima da premissa da série e da ideia de resgatar uma história a partir de fragmentos e indícios. Sim, sou ginzburgiana. Melody também parece seguir essa lógica: órfã, ela utiliza sua pesquisa de doutorado para buscar as próprias origens por meio de métodos da História Oral.

Os resultados dessa investigação chegam a Dan, e a nós espectadores, anos depois, na forma de gravações produzidas com a tecnologia dos anos 1990, repletas de falhas, ruídos e lacunas. Esse aspecto confere um charme especial à série.

Melody não está apenas investigando um mistério externo; ela tenta reconstruir a própria identidade. Dan, por sua vez, não está somente restaurando fitas: está remontando a história amaldiçoada do Visser e, de maneira surpreendente, a de sua própria família.

Foi uma pena que a série não tenha alcançado o sucesso esperado e não tenha ganhado uma segunda temporada. Eu adoraria continuar acompanhando essa história.

De qualquer forma, aos interessados no tema, recomendo vivamente.


quarta-feira, 1 de julho de 2026

Glintch: nada demais na sciecefi!




​Talvez por ser ficção científica, a Netflix me indicou a série Glitch (2015) e eu a maratonei. Não porque ela seja do tipo viciante, mas porque me divertiu mesmo. Trata-se de um produto desenvolvido para a TV australiana (como é bom ver um ambiente diferente dos EUA!) e conta a história de sete defuntos que levantaram do túmulo. Mas não se trata de uma série de zumbis ou terror: a tentativa de explicação, nem sempre desenvolvida com sucesso, vem primeiro da ciência, de um possível erro em experimentos com células-tronco, mas que deu origem a muitos conflitos, afinal, nenhum ressuscitado tinha deixado suas pendências resolvidas quando morreram na pequena cidade de Yoorana  e usam a segunda chance pra se resolverem . No polêmico final, do qual devo ter sido uma das poucas pessoas que até gostou no contexto aerado do roteiro, foi o mais perto de um final feliz possível, onde vida e morte se enfrentam.


​Não é um roteiro robusto, nem mesmo uma execução de encher os olhos. Não se compara às melhores séries de ficção científica, como Dark, mas me distraiu por algumas horas... passou meu tempo divertidamente.

UM PLUS : Assistindo essa série lembrei muito dos "ressurgidos" romance "oração para desaparecer" , de Socorro Acioli... especialmente pela forma como os sujeitos ressurgem da terra e depois ficam como corpos vazios de memória, consciência, significados...no livro a protagonista ressurgindo precisou até encomendar uma história do " vendedor de passados "...


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Por trás dos seus olhos , Minissérie NETFLIX

 
         


POR TRÁS DOS SEUS OLHOS : Maratonei a minissérie inglesa da Netflix nesse fim de semana. Tinha expectativa , pois é uma série de suspense psicológico que gira em torno de um psiquiatra, sua bela e perturbada esposa Adele  e sua  secretária descolada Louise.. Achei que ia pirar o cabeção, mas foi bem morna e o final achei muito ruim. Ao invés de abordar a  complexidade da mente humana, preferiu partir pra temas como uso de drogas e experiências sobrenaturais. Não é meu tipo de narrativa. 


Uma coisa de bom trouxe dessa experiência,  os looks usados pela atriz britânica  Simona Brown, que interpreta a protagonista negra Louise. Ela lembra muito a Camila que fui às vésperas dos 30 anos e a paleta de cores de seus looks é minha preferida: Rosa, verdes, amarelo, laranja ... fotografei os melhores looks,  amei!




Muito inspiradora a Louise. É difícil encontrar personagens negras e lindas assim nos streamings. Foi um deleite e uma inspiração. 



quinta-feira, 11 de junho de 2026

Playlist Monstros, irmãos Menendez



 PLAYLIST MONSTROS: Irmãos Menendez

Achei uma playlist da segunda temporada no Spotify e, por ser ótima, puro suco dos anos 1980 e 1990, voltei a pensar em por que essa série é tão boa. Na verdade, não posso afirmar que a série Monstros, sobre crimes reais famosos, seja boa, porque não a assisti por completo. Crimes, por si só, não costumam me interessar. Mas assisti a essa segunda temporada porque a história real e sua capacidade de movimentar a sociedade, a Justiça e a mídia em diferentes momentos do tempo me chamam mais atenção.

Especialmente essa temporada,  cheia de contradições e indefinições que a série explora muito bem no audiovisual. Quando terminamos de assistir, estamos mais em dúvida do que quando começamos. A série não define nada. Pelo contrário, deixa a batata quente na mão do espectador, e a impressão é que a história e suas discussões não têm fim.

A trilha sonora, escolhida a dedo, retrata e comenta essas questões e ambivalências. Para quem assistiu à série, ouvir as músicas e fazer a ligação com as cenas é a cereja do bolo. Para quem não assistiu, também recomendo: são canções muito boas.

terça-feira, 2 de junho de 2026

MONSTROS : Irmãos Mendez

 


TEM UMA REVISÃO DESTA MINHA OPINIÃO AQUI

IRMÃOS MENENDEZ

Já faz alguns anos. Acho que foi em 2023 ou 2024 que a minissérie Monstros, da Netflix, lançou a temporada sobre os irmãos Menendez, condenados pelo assassinato dos pais. A série acabou impulsionando uma campanha mundial pela soltura dos irmãos, que cumprem prisão perpétua. O pedido chegou a ser analisado, mas foi negado.

O caso virou assunto em toda parte e até eu, que nem assinava Netflix, sabia praticamente tudo sobre ele. Agora que tenho acesso à plataforma, tentei assistir aos dois primeiros episódios da série e achei que, como aconteceu com Matrix, eu estava melhor quando conhecia a história apenas de ouvir falar.

Assistir não tem sido uma boa experiência. Não gostei das atuações, do roteiro ( a história real é monstruosa em várias camadas, mas podia ser melhor contada)e, especialmente, da dublagem. Uma coisa que achei positiva foi a trilha sonora: músicas de Milli Vanilli e Vanilla Ice nos levam direto para 1990. Eu tinha 10 anos naquela época e me lembro bem desse universo musical.

Mesmo sem ter chegado na parte do julgamento, quando estara presente a atriz que interpreta a advogada dos irmãos,  que é a mais  elogiada,é bem provável que eu não continue assistindo. Achei a série muito ruim.


quarta-feira, 27 de maio de 2026

Matrix: Enfim posso dizer que assis

 
      

MATRIX (1999) - Mesmo sabendo que continua sendo uma referência, só fui assistir ao filme dirigido pelas irmãs Lana e Lilly  Wachowski porque soube que em poucos dias sairá do catálogo da Netflix e talvez fosse a melhor oportunidade para vê-lo. Não foi fácil, foi enfadonho. Apesar de a discussão filosófica proposta por ele ser inquestionável, tê-lo assistido não esclareceu mais do que já saber anres dessas ideias por terceiros . É que, apesar do conteúdo filosófico permanecer vivo, para meu gosto o filme envelheceu muito mal.

Primeiro, o senti  muito longo. Podiam encurtá-lo diminuindo as cenas de luta, jiu-jitsu, tiro, porrada e bomba. Que saco essa estética de ação, que também aparece em filmes como "Eu, robô ", que gostei muito mais,  e que não tem sequencias de ação  tão longas. Os efeitos especiais ficaram muito mais datados do que os de filmes ainda mais antigos que vi esse ano como Blade Runner.Na metade de Matrix,  aproveitando que assisti em casa, já senti vontade de pausar, lavar roupa, comer um lanche... Em geral, eu não gosto de filmes longos, mas prefiro aqueles em que nem percebo o tempo passar, o que não foi o caso.

Outra coisa que estranhei, mas depois entendi melhor por causa do contexto da época, foi a narrativa do escolhido. No século XXI, preferimos os anti-heróis das séries, não é mesmo? Em todo caso, agora já posso dizer que assisti  Matrix, mas preferi assistir a serie Dark, que nele se inspirou.

Sigamos!

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Gabinete de curiosidades de Guilhermo Del Toro

 


Foi indicação da Netflix,  com base no conteúdo que eu mais gostei, mesmo que eu não seja uma consumidora de terror, eles acertaram mais uma vez. De cara vi que era coisa fina, que não  valeria à pena ver rapidinho no celular,  as imagens são de encher os olhos. E são mesmo!

Pedi a IA o roteiro da minissérie com títulos direção para ilustrar esse comentário. 


Série antológicoa de oito episódios dirigidos por nomes diferentes  , contando  histórias retiradas da literatura de terror e  escolhidas pelo diretor Guilhermo Del Toro. Aqui elas ganham versão áudio visual que, no geral, primeiro me agradaram, depois que refleti e ouvi sobre, passei a gostar mais.
Logo percebi  que a série não é tãooo aterrorizante,só às vezes fechei ou desviei os olhos, mais por nojo ou aflição do que por medo... e que cada episódio,  até por sua base literária, conta uma história,  há "motivos" para o terror e a estética é muito trabalhada.
É tudo muito cibematografico, a imagem em movimento e o som preenchem a tela.  Incrível8. .

Fotos do episódio A AUTÓPSIA 
estrelas viram teias ,  pedras na parede e horizonte 


FOTOS Episódio O MURMÚRIO 
A casa assombrada por pássaros e fantasmas  parece um quadro 


Um comentário por episódio :

1 LOTE 63

Um cara grotesco compra o depósito de um idoso nazista e fica enfeitiçado pelos objetos que este usava na prática de bruxaria. Muito mais do que entidades, o terror aqui está no que é esse protagonista desprezível. Um detalhe que fez valer ter assistido são os minutos iniciais, quando passa ao fundo um telejornal destacando a justificativa do presidente norte-americano para os atentados no Kosovo, durante a Guerra do Golfo na década de 1990, para estabelecer a nova ordem mundial onde ele domina tudo. É o mesmo discurso que Trump propaga atualmente: os EUA alegando proteger a humanidade enquanto se desenham como um imperador violento.

2 RATOS DE CEMITÉRIO

Mesmo sendo um dos episódios mais mórbidos da série, o roteiro é bom. Conta a história de um ladrão de cemitério em Salém de séculos atrás e que agora está com dificuldades porque os ratos estão roubando tudo antes. O episódio começa com jovens ladrões em volta de um caixão, que são interrompidos pelo protagonista, que mostra ter  mais experiência no ramo, mas qyw não considera que, embora ele esteja nisso há tempos, deve respeitar os ratos,  que já estavam lá desde sempre. Aqui o terror é a ambição, que se materializa no reino dos ratos nos caminhos debaixo da terra.

3 AUTÓPSIA

Esse é, talvez, meu episódio favorito. Conta a história de um médico legista que procura brecar a energia maligna extraterrestre arrogante que parasita os corpos mortos de humanos. Essa força habitava um dos corpos que ele estava analisando e agora procura entrar no seu próprio corpo. É um dos episódios esteticamente mais bonitos e cheio de detalhes. Um momento de brilho é o diálogo inteligente entre o legista e seu parasita arrogante, que está prestes a cair do pedestal.

4 POR FORA

Episódio mais Black Mirror da série. Conta a história de uma moça alérgica a creme de pele, mas que insiste em usar, levada pelas propagandas na televisão, até que o produto acaba materializando o terror da sua história. Escrito e dirigido por mulheres, vemos aqui como as pressões estéticas são, para elas, as mais aterrorizantes.

5 MODELO DE PICKMAN

Essa é uma das duas adaptações de contos de terror de H. P. Lovecraft, escritos na década de 1930. Nesse episódio conhecemos a história de um pintor enfeitiçado por quadros amaldiçoados de um outro artista de obras mais macabras. Como sempre, a adaptação é muito requintada, mas achei um dos mais chatinhos da série; parecia um filminho de medo.

6 SONHOS NA CASA DA BRUXA

Outra adaptação de Lovecraft, segue o mesmo ritmo do último, mas desta vez conta uma história sobre dois irmãos gêmeos, separados na infância quando a garota morre; o irmão passa a vida buscando formas de acessar o mundo dos mortos para reencontrar a menina. Muitas coisas acontecem, envolvendo bruxas e casas assombradas, para que o episódio coloque a questão da não aceitação da morte. Nada de muita novidade...

7 A INSPEÇÃO

Um dos episódios mais bonitos, todo trabalhado nas luzes, cores e enquadramentos para trazer o ambiente da década de 1970. Conta a história de um colecionador que, ao encontrar um objeto nunca conhecido pela humanidade, convida algumas pessoas interessantes para inspecioná-lo. Foi o capítulo mais hermético para mim. Entender eu entendi, mas fiquei com a sensação de que perdi alguma, ou muita coisa...

8 O MURMÚRIO

É outro episódio esteticamente lindo e, dessa vez, muito poético. Trata de um casal de cientistas, pesquisadores de pássaros, que se isolam em uma casa dita mal-assombrada, onde vão poder observar melhor as aves. Nesse período, eles acabam tendo que conversar sobre uma perda que tiveram, enquanto, efetivamente, fantasmas se manifestam na casa. Não vou dar muitas informações ou spoiler, só que o fim é, talvez, o mais esperançoso que eu esperaria de uma série de terror.

​Enfim, essas foram minhas impressões rápidas sobre essa minissérie incrível. RECOMENDO.


terça-feira, 21 de abril de 2026

Assisti Depois da cabana


 

DEPOIS DA CABANA Acabei de assistir.  É  uma minissérie alemã de suspense de 2023, disponível na Netflix, baseada no romance de Romy Hausmann , a trama foca em Lena, uma mulher que escapa do cativeiro e enfrenta as consequências do trauma. Reparem que não é propriamente uma história sobre o sequestro em si, mas sobre as marcas que ficam depois dele. No geral, é uma produção enxuta e interessante, embora não seja a melhor série alemã ou a melhor sobre o tema. Com momentos chocantes, especialmente ao focar a questão do sequestro,  serial killer, perseguição, e reviravoltas sobre o sequestrador, o maior brilho está no aprofundamento emocional da protagonista e em sua reação como ex-refém.



sábado, 18 de abril de 2026

Breaking Bad Temporada 1 (2008)

 

Conhecida como a melhor série de todos os tempos, achei que deveria pelo menos ver do que se trata a primeira temporada de Breaking Bad. A série estreou na TV americana em 2008, criada por Vince Gilligan. A trama acompanha Walter White, um professor de química do ensino médio que, após ser diagnosticado com câncer, decide produzir e vender metanfetamina para garantir o futuro financeiro da família, em parceria com seu ex-aluno Jesse Pinkman.
O que mais me chamou atenção é que não se trata apenas de uma história sobre o narcotráfico e o mundo do crime, mas de uma narrativa envolvente e surpreendente, na qual o que realmente se destaca é a construção da personalidade dos personagens. Assim como na vida, em que os acontecimentos moldam quem somos, é a partir do envolvimento do pacato Walter com a criminalidade que ele vai descobrindo outras camadas de si mesmo, ao mesmo tempo em que dá espaço para que pessoas ao seu redor também se envolvam nessa dinâmica.
Achei muito interessante e observei saídas de roteiro muito originais. De cara achei  melhor que Pluribus (2025),também uma história de de Vince Gilligan que parte de Albuquerque no Novo México e explora questões ficção científica,nas não teve uma primeira temporada tão interessante. Breaking Bad tem cinco temporadas e, como gostei da primeira, devo continuar assistindo aos poucos.


 


terça-feira, 7 de abril de 2026

DARK : O inimigo é o tempo

 

 

DARK — Terminei de assistir a serie alemã e pirou meu cabeção!. Apesar do tema viagem no tempo ser muito batido, definitivamente ela se destaca. Passando-se em uma cidade alemã fictícia, onde está instalada uma usina nuclear, a história começa em 2019, quando o jovem Jonas tenta se recuperar da morte do pai, que se enforcou, enquanto outros garotos desaparecem, o que dá o mote para investigações nesse e em outros tempos.

Primeiro, um comentário técnico: que fotografia perfeita. Acompanhando o clima de tensão da série, é tudo sempre muito escuro: usina nuclear, bunker, floresta, cavernas... e chove tempestades na maior parte do tempo. Para completar a ambientação,  uma atenção uma trilha sonora incidental precisa, que imita discretamente uma sirene, nos fazendo lembrar que estamos perto da usina.

Foto da tela :"O homem pode,  de fato, fazer o quer, mas não pode querer o que quer"
Uma epígrafe 

Sobre a série em si, não esperem que eu faça nenhum comentário “explicativo”: há gente que está vendo há anos e ainda tenta entender. É que a ideia é muito boa, sustentada por teorias da física e da filosofia (alemães, né?), para colocar o Tempo como o vilão da trama. Claro que me lembrei da minha dissertação de mestrado sobre a negação do tempo e da história em Tutameia, de Guimarães Rosa. Muitos símbolos, muitas ideias. 

Ele não é citado na série, mas me lembrei muito da Wakter Benjamin assistindo.  Especialmente do conceito de Jetztzeit : o passado irrompe no presente como um relâmpago e ilumina presente passado futuro por alguns segundos.

Mais a cara de Dark que isso não há!

A  série é boa de assistir? Depende muito do tipo de espectador que você é. Como é labiríntica, digamos que não é só entretenimento: é preciso prestar muita atenção para tentar entender a trama, a árvore genealógica e, mesmo assim, toda hora nos perguntamos, junto com os personagens, muitas vezes tão perdidos quanto nós: “o que é isso?”, “quem é esse?” e, sobretudo, “quando foi isso?”.

Como história bem contada, tem muitas referências, como o teatro, o mito de Ariadne e cientistas, além de inúmeros detalhes. Soma-se a isso o fato de que todo mundo tem a mesma cara (alemães iguais) e cada personagem tem sua versão jovem, adulta, idosa e até em outra dimensão, e a cada momento estão em um tempo diferente. É muito bom para se confundir!

Como eu maratonei as três temporadas seguidas e, mesmo assim, me confundi, imaginei como foi assistir em tempo real, esperando dias, meses ou até um ano para a continuação. Dureza...

Mas é muito boa. Uma das melhores surpresas que o streaming me ofereceu!


sexta-feira, 3 de abril de 2026

Emergência radioativa, NETFLIX



​EMERGÊNCIA RADIOATIVA (2016)

​Assisti à nova minissérie da Netflix sobre a tragédia real ocorrida em Goiânia, em 1987. Na ocasião, catadores de lixo encontraram uma cápsula de chumbo nos destroços de uma clínica de radioterapia desativada e a venderam para um ferro-velho. Lá, o chumbo foi cortado e encontraram o altamente radioativo Césio-137. Aquele pó azul e brilhante da morte contaminou uma família inteira, além de muitos outros moradores.

​Pode ser uma memória inventada, já que eu tinha apenas 6 ou 7 anos, mas acho que me lembro de ter visto o caso na TV. Depois  eu não conhecia os detalhes, e a série os explicou muito bem. A produção é muito fiel aos acontecimentos e mostra um Brasil completamente despreparado para uma situação assim, até porque ela foi sem precedentes, algo nunca visto antes na história, envolvendo pessoas tão simples e vulneráveis.

​Me emocionei em vários momentos. Só achei que poderiam ter estendido a obra por mais alguns episódios e explorado uma história ficcional dentro desse contexto. Como sugeriu Isabela Boscov, o encantamento daquelas pessoas simples ao verem um pó azul tão bonito : o "pó das estrelas" que parecia mágico ,  e o desejo de compartilhá-lo com quem amavam seria um gancho poderoso para retratar o que há de profundamente humano, mesmo em meio à tragédia.

​De qualquer forma, recomendo a obra.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Filhos de João: o Admirável Mundo Novo Baiano, Henrique Dantas

           

FILHOS DE JOÃO – Acabei de assistir ao documentário Os Filhos de João: o Admirável Mundo Novo Baiano (2009), de Henrique Dantas, na Netflix. Para quem ama João Gilberto e os Novos Baianos, como eu, é uma preciosidade. É o complemento audiovisual do maravilhoso livro Acabou Chorare: o rock'n'roll encontra a batida de João Gilberto (2020), de Márcio Gaspar, só que com sons, depoimentos e imagens de época. É muito emocionante ouvi-los cantando a própria história. Foi um presentinho fofo para o fim deste dia quente e pesado. Super recomendo.


quarta-feira, 25 de março de 2026

"O museu da inocência " (série): a história do "Que mal" 😕

 




MUSEU DA INOCÊNCIA (romance: 2008; série: 2024)

Inspirada no romance homônimo do autor turco, Nobel de Literatura, Orhan Pamuk, que eu não li, a série da Netflix me desencorajou totalmente a ler. Não porque esteja mal feita, muito ao contrário: a exuberância estética da recriação de uma Istambul dos anos 1970, com imagens que contam a história de forma belíssima, foi o que me manteve até o último episódio, enquanto Geraldo largou logo no começo.

A trama conta a história do rico Kemal, que vou chamar de “Que Mal” (combina mais com o personagem), que, mesmo noivo da rica Sibel, se envolve de maneira doentia com a bela Füsun, uma prima pobre distante a quem manipula e tenta dominar o tempo todo. “Que Mal” é um vacilão e, mesmo tentando considerar as diferenças culturais entre Oriente e Ocidente e o período em que a história se passa, nada me empolgou ou envolveu.

Para esse tipo de narrativa, prefiro Dom Casmurro, que é do século retrasado. O livro eu não sei, mas a série eu não recomendo.

domingo, 8 de março de 2026

Cassanda e o Dia da mulher

 
  


CASSANDRA: Assisti hoje inteira à minissérie de ficção científica da Netflix. Fotografia impecável, pra gente perceber se estava no presente ou nos passados (anos 60/70)...Mesmo sendo bem de terror, me diverti bastante, sempre relevando o fato de que a família que vai morar na casa que tinha todo um equipamento para controlar tudo por uma IA dos anos 1970 é burra e tapada. A única exceção é a mulher que, claro, acaba indo parar no hospício.

Sem dar muitos spoilers, é claro que Cassandra é má e descontrolada, mas também fica evidente que há uma explicação trágica para ela ter se tornado esse monstro. E não é porque assisti no Dia das Mulheres, mas excetuando o filho gay,  os homens da série, são deploráveis ,bananas, idiotas, burros e covardes. Afff

Como disse um comentarista, já temos IA acoplada à nossa vida, mas a nossa Alexa é bem tapada. Cassandra, porém, não é. Ela está em todos os lugares da casa, sempre com aquele sorrisinho forçado. Terror total!

Passando por cima de vários furos, eu gostei e recomendo. 🎬

sábado, 7 de março de 2026

"SALVE ROSA" : Um thriller psicólogo nacional

 

SALVE ROSA - Assisti ao suspense brasileiro Salve Rosa, lançado em 2025 sob a direção de Susanna Lira, e a experiência foi muito positiva. O filme acompanha Rosa (Klara Castanho), uma influenciadora digital de 13 anos com milhões de seguidores. Por trás da imagem perfeita, a jovem vive sob o controle sufocante de sua mãe, Dora (Karine Teles). Aos poucos, o roteiro revela segredos obscuros nessa relação, transformando a vida da protagonista em uma encenação perturbadora e cruel.

Com atuações sólidas, a originalidade do enredo de suspense psicológico surpreende no contexto do cinema brasileiro. 


Inicialmente, a dinâmica familiar lembra o filme Run (2020), de Aneesh Chaganty, no qual as personagens de Kiera Allen e Sarah Paulson também vivem uma tensão entre mãe e filha marcada por segredos. Em Salve Rosa, porém, esse conflito é deslocado para um tema contemporâneo: a exploração e a hiperexposição infantil no ambiente digital. E embora no início sejamos avisados de que qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência, todo mundo lembra de algum caso semelhante!

Parte do público que esperava uma obra pedagógica, quase como um alerta direto sobre os perigos da internet, acabou se frustrando com a presença de cenas de sexo. No entanto, a proposta não parece ser didática. Esses momentos ajudam a construir o perfil psicológico de Dora, uma mulher que ultrapassa qualquer limite para satisfazer os próprios desejos.

Apesar de algumas falhas, a obra se sustenta bem. O grande destaque é a atuação de Klara Castanho, que convence ao interpretar a personagem em diferentes idades, elemento essencial para a credibilidade do roteiro. 😊


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

RAINHA Charlotte: uma história de Bridgerton


RAINHA CHARLOTTE Uma História de Bridgerton

Depois de terminar a encantadora primeira temporada de Bridgerton lançada em 2020, com seu Duque inesquecível interpretado por Regé-Jean Page, em vez de continuar acompanhando a segunda temporada, decidi pular direto para o spin-off sobre a história de uma mulher forte na História, a Rainha da Coroa inglesa da era georgiana.

Foi uma decisão acertada. A minissérie lançada em 2023 não apenas mantém tudo aquilo de lindo que amamos nos primeiros episódios de Bridgerton, como cenários, figurino, atuações excelentes, como também se destaca especialmente por apresentar uma narrativa mais fechada, centrada no aprofundamento de temas apenas sugeridos na série original, como a possibilidade da entrada de nobres africanos no convívio social da corte inglesa da época.

A partir do foco em Charlotte, acompanhamos excelentes interpretações da personagem em diferentes fases da vida. A jovem Rainha Charlotte é vivida por India Amarteifio, enquanto a versão madura da rainha é interpretada por Golda Rosheuvel, personagem já conhecida de Bridgerton. Essa construção em duas temporalidades fortalece o drama e dá densidade emocional à história.

Destaco também a atuação das atrizes que viveram Lady Danbury. A personagem aparece jovem, interpretada pela LINDÍSSIMA Arsema Thomas, e mais madura, vivida por Adjoa Andoh. Com suas roupas coloridas e elegantes, Lady Danbury não apenas imprime um forte toque africano à série, como se torna um de seus eixos centrais, tanto político quanto emocional.

A aposta na ideia de que a Rainha Charlotte teria, de fato, traços africanos, hipótese levantada por historiadores contemporâneos, funciona muito bem como sustentação para a ficção. Ainda que seja impossível afirmar com certeza o que realmente ocorreu, para os propósitos da minissérie essa escolha foi acertada .

Gostei tanto que cheguei a me sentir  a própria Rainha Charlotte de COROA e roupas coloridas  kkkk.

Essa comparação ficou melhor kkk