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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Toc Bloc, Toc, Bloc



Depois do espetáculo do Crianceiras eu ouvi um pai brincar com seu pequenino : toc ploc toc ploc e ambos riram muito, compartilhando diversão! Coisa mais linda do mundo! 

Me lembro do texto "Diversão partilhada: humor e ironia" publicado no livro "Explorando o discurso da criança",  no qual vários pesquisadores analisam  o surgimento do humor. Em um exemplo, um menino de 2 anos na época, interage muito com o pai para produzir humor e o texto afirma que isso acontecia facilmente muito porque o pai é  uma pessoa de extremo bom humor, estava sempre soltando uma piada, dai eles se unirem muito na diversão compartilhada ). Amo demais!

Em tempo, o poema de Manoel de Barros :

Prefiro as linhas tortas como Deus - Manoel de Barros

Prefiro as linhas tortas como Deus. Em menino eu sonhava de ter uma perna mais curta (Só pra poder andar torto). Eu via o velho farmacêutico de tarde, a subir a ladeira do beco, torto e deserto... toc ploc toc ploc. Ele era um destaque.
Se eu tivesse uma perna mais curta, todo mundo haveria de olhar para mim: lá vai o menino torto subindo a ladeira do beco toc ploc toc ploc.
Eu seria um destaque. A própria sagração do Eu.
Não é por me gavar
mas eu não tenho esplendor.
Sou referente pra ferrugem
mais do que referente pra fulgor.
Trabalho arduamente para fazer o que é desnecessário.
O que presta não tem confirmação,
o que não presta, tem.
Não serei mais um pobre-diabo que sofre de nobrezas.
Só as coisas rasteiras me celestam.
Eu tenho cacoete pra vadio.
As violetas me imensam.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Memória de infância, com "algum sotaque" de adulto, por Antonio Prata...

Procurei na web, mas não achei a entrevista muito boa do Antonio Prata que assisti ontem (13 de fevereiro de 2014)  no programa  Metrópolis, acho uma pena não ter, porque Prata  falou coisas muito interessantes sobre o seu delicioso livro "Nu, de botas" e sobre como foi escrever a partir de uma perspectiva infantil... me lembro que ele disse algo como: 

"eu, um adulto de 36 anos, escrevendo como se fosse uma criança, devo ter deixado escapar um "CERTO SOTAQUE"...


Achei genial, como muitos comentários, o livro dá pano pra manga para pensar questões de gêneros literários (tipo, eu li como um romance, só depois "descobri" que eram crônicas, mas como o texto é bom, nem me importei tanto...), o próprio Prata explicou que são puras memórias de infância, lembranças recheadas de invenção, quando a memória mesma era apenas um lapso e sozinha não preencheria nem uma crônica ...
Uma pena o site do Metrópolis não ter disponibilizado ainda esta entrevista para revermos ... para os que ainda não leram "Nu, de Botas", mais uma vez fica a dica!