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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

NOTÍCIAS DA USP : ELEIÇÕES E VESTIBULAR

Para pessoas mais ou menos ligadas a questões políticas da USP (muito mais menos do que mais como eu), não deve ser novidade que as Eleições para reitor estão tomando o centro das atenções do movimento estudantil. A preocupação não é tola, não só para pessoas da comunidade USP - a quem foi apresentado um site com o tema Eleições USP 2009- mas também a todos os paulistas, pois a eleição do reitor da USP interfere diretamente na economia de poderes que sustem o poder do governador do Estado de São Paulo...


Como em todas as eleições, a do reitor da USP é repleta de jogos de politicagem, de disputas partidárias e de disputas ideológicas entre "esquerdas" e "direitas"...


Mas a lista com os 8 candidatos a serem avaliados pela Assembléia Universitária, composta pelo Conselho Universitário, pelos Conselhos Centrais e pelas Congregações das Unidades, já está disponível...
Como eu me envolvo bem pouco com questões políticas da USP, conheço bem poucos nomes da lista, mas um deles me faz pensar (e temer) que se as coisas seguirem o fluxo que estão seguindo, é bem capaz que quem substituirá Suely Vilena (a Suely"chama a PM pro campus"), será Sonia Penin!
Quem é Sonia Penin?
Quem participou da greve dos alunos da FFLCH em 2002, pela contratação de novos professores para a faculdade, pois contávamos com poucos e as salas estavam sempre lotadas, e o que pior, havia cursos como o e chinês, seria fechado pois seu único docente estava para se aposentar... CHINÊS, MEUS CAROS, QUE É UMA LÍNGUA QUE JÁ VINHA CRESCENDO MUITO EM IMPORTÂNCIA , DADA A COLOCAÇÃO DA CHINA COMO ESTADO QUE MAIS CRESCE DEMAIS NO MUNDO... E a Universidade de São Paulo quase aboliu o seu ensino.
Foram 4 meses de greve, que resultaram na contratação de muitos professores, não só de chinês, mas para a faculdade toda, mas até isso aocntecer, algumas cenas serão para sempre inesquecíveis, como na tarde que os estudantes convocaram a então "Pró reitora de graduação Sonia Penin" para ouvir as colocações dos alunos a respeito da contratação de novos professores.
Conhecendo como as coisas funcionam, os estudantes foram munidos de arsenal simbólico, caso a pró reitora nos falasse coisas absurdas (o que seria mais do que provável), poderíamos colocar os narizes de palhaços devidos...
Então , não foi que ela despejou absurdos? Sona Penin é da área de Educação, e teve a coragem de dizer que PROFESSORES NÃO PODERIAM SER CONTRATADOS, MAS QUE UM NOVO PRÉDIO PODERIA SER CONSTRUÍDO PARA RESOLVER A SUPER LOTAÇÃO DAS SALAS(???) E TAMBÉM OFERECER MUITOS COMPUTADORES MODERNOS PARA SEREM USADOS NAS NOVAS SALAS.
Isso não é chamar os alunos de palhaços?
Sempre, sempre, sempre, educação precisou, basicamente, de apenas duas coisas : mestres e alunos ... como alguém da área de educação estava propondo que os professores fossem substituídos por computadores? Ela fez isso. E agora está querendo ser reitora da USP...
Tomara que ela seja excluída agora em outubro e nem chegue a integrar a listra tríplice da qual o nosso "querido" governador José Serra indicará o novo reitor...
Veremos o que acontecerá.
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Mudando só um pouco de assunto
Por outro lado, a USP enfim se colocou a repeito da utilização do resultado do ENEM no vestibular. Ao contrário da UNICAMP, que assim que se soube da compra da prova, desconsiderou de cara a utilização, a USP ficou pensando, pensando.
Eu achei muito triste o que aconteceu com esse novo ENEM, que seria o primeiro passo de uma nova forma, proposta pelo MEC, de como ensinar os conteúdos, mas não sei... no caso de história (minha área) é muito claro que a mudança seria bastante radical... muito menos conteúdo tipo google, mas muito mais reflexão e compração de saberes (que é muito mais próximo do que se aprende nas faculdades de história), com isso os cursinhos pré vestibulares (os donos do dinheiro investido na educação) poderiam sair perdendo, né? Será mesmo que essa fraude foi um evento realizado para interesse financeiros de algumas pessoas? Achei muito estranho. Como uma prova tão conhecida teria sob si uma segurança assim tão fágil? Como confiar?
Se a USP estivesse mantendo essa utilização, mesmo com todo o cenário de questionamentos de legitimidade desta prova do ENEM, estaria assinando embaixo desse mar de questões, que pode ser bem sujo. Mas não manteve. Novamente, vamos ver as cenas dos próximos capítulos.
Chega de assuntos polícos e politiqueiros porque estamos entrando na semana das crianças: OBA!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

VESTIBULAR 2010: LIVROS OBRIGATÓRIOS USP/UNICAMP

Saiu no dia 14 de janeiro a lista de livros obrigatória para o vestibular 2010 da USP e UNICAMP.
Somente três obras foram substituídas. Saíram Sagarana de Guimarães Rosa, A Rosa do povo de Drummond e Poemas escolhidos de Alberto Caeiro, e estraram Capitães de areia de Jorge Amado, Antologia 1960 de Vinicius de Moraes e O Cortiço, de Aluisio Azevedo.
Penso que a opção por Capitães da Areia, de Jorge Amado, ao invés de Sagarana me parece mais adequado para um vestibulando, pois não é um livro raso, mas também não exige uma interpretação tão profunda quando pede uma obra de Guimarães Rosa... Claro que Rosa é (para mim) incomparável, mas justamente por isso sou contra a obrigatoriedade de sua leitura. Se for para ler obrigado, acho bem melhor que seja Jorge Amado, que também tem muito pano para manga, pois trás sempre conflitos culturais e sociais a serem discutidos.

Já em relação à retirada de A Rosa do Povo, de Drummond, sou contra. Claro que é um livro bastante denso como todo Drummond, mas é de agradável leitura (apesar da densidade de alguns poemas...) e tem em sua base todo um contexto histórico (a Segunda Guerra) e todas as insatisfações frementes nesta época, o que poderia ser muito mais explorado, apesar de eu também ser a favor da entrada do poetinha nesta lista (poetinha sempre foi discriminado academicamente, mas ele também é um dos "grandes poetas do Brasil", como Drummond...) neste livro que foi indicado temos alguns dos meu favoritos dele,como Pátria minha e Operário em construção... talvez se ao invés de apostar na poesia de Vinicius para a inserção do autor no contexto da academia, pudéssemos ter apostado na prosa de Vinícius (que é forte também!) e mantido Drummond ... mas para começo, está bom.
Sobre o livro de Aluízio Azevedo, penso que é uma escolha padrão - embora o realismo já estivesse representado por Eça de Queirós com A Cidade e as Serras, mas Brasil já não é mais Portugal na época do realismo, então é interessante que apareçam as duas faces.
Resumindo eu achei a lista boa, espero dar muitas aulas sobre esses livros todos esse ano (porque as de literatura são as aulas que eu mais gosto de dar, apesar de eu estar redescobrindo o gosto bom da história, que pode ser muito divertida). Um dos nove livros da lista eu nunca li, o do Eça, mas como ele continua firme na indicação, acho que vou animar ler.
Esta nova lista de livros de leitura obrigatória, ao que me parece, apresenta alguma espécie de mudança na mentalidade pois derruba preconceitos tolos, mas vejamos como esses autores que sempre estiveram à margem serão aproveitados.