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domingo, 1 de setembro de 2019

Meus discos favoritos de Jorge Ben

Capa do primeiro disco de Jorge Ben, 1963

Neste post eu vou comentar rapidamente os meus discos favoritos de Jorge Ben. Não vou falar de parcerias lindas como a com Gilberto Gil em Ogum Xangô (1975), vou me ater a discos solos. Todo mundo, até ele próprio, diz que o melhor álbum de Jorge Ben é a Tábua de Esmeralda (1974), alguns até contestam lembrando o África Brasil (1976) ou A Banda do Zé Pretinho (1978).

Eu acho todos esses maravilhosos, mas não tenho a menor dúvida em destacar que Samba Esquema Novo (1963) é o primeiro e tão genial que depois nem ele mesmo superou.
Se em A Tábua... temos o afrofuturismo, em África Brasil o reconhecimento político do Brasil africano e A Banda do Zé Pretinho o motivo de não se morrer sem ter visto um show do Jorge com toda aquela banda, no primeiro disco temos a herança africana, em seus detalhes, lida à contrapelo e que se salpica em outras canções na obra toda, está meio que super concentrada ali. 


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Xenia de França : Mais samba esquema novo? Oba!

A cantora Xênia França, que lançou disco este ano com patrocínio da Natura Musical. NATURA MUSICAL
Fui conhecer o som da  Xênia por causa deste artigo do  El Pais, que aponta sonoridades "novas" da música brasileira que eles dizem estarem "muito além do samba". Abram a reportagem de Talita Bedinelli, pois ela  é muito interessante, me apresentou realmente músicas que eu não tinha escutado ainda, o que é excelente.
É sobre a primeira indicação da matéria que eu vou falar aqui, trata-se de Xênia França, uma cantora deveras intrigante, o que se percebe pela imagem impactante dessa  negra.
Além da aparência, o  som de Xenia me alegra demais ouvir e vale super a pena, é sem dúvida alguma música de preto, ou para ser mais exata, música de preta.

 Ouvi apenas este single, achei muito chique: ela pergunta "por que tu me chamas se não me conhece?", numa voz deliciosa, de algodão, vai jogando docemente na nossa cara quanto desconhecimento se tem sobre essa rica herança negra que nutre a cultura do Brasil (sim, isso o cancioneiro de Benjor sempre fez). Mas que  preta chique essa! 
Voltando ao  que diz o artigo sobre o som dela no El Pais, é mesmo verdade que o som de Xenia tem "muitos tambores, ambientações tribais flertando com o jazz", mas só para provocar  um pouco, não posso deixar de lembrar que Ben Jor brincou assim no "Samba Esquema Novo", de 1963, que abre com aquela joia que é Mas que nada, que nada mais é que uma canção de terreiro, retrabalhada no jazz do beco das garrafas  e na vivência das rodas de samba. Aquilo continua lindo,  é, sempre foi, samba, mas nesse tal esquema novo. Eu adoro! ... De qualquer forma, obrigada Xenia, por continuar , de alguma forma, a bela e importante trajetória de Ben sobre as vivências culturais negras no Brasil.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

PRIMEIROS DISCOS


Quando assisti ao curso do Ivan Vilela (professor de Canção Popular na ECA/USP) lembro dele comentar, sobre o fantástico A Página do Relâmpago Elétrico do Beto Guedes, que, geralmente, vale a pena prestar atenção nos primeiros discos dos artistas, porque eles costumam concentrar muita energia, tempo e expectativa até que ele finalmente viesse a existir. Quando eu ouço Samba Esquema Novo do Jorge Ben, que foi o seu primeiro e, se duvidar, continua sendo a gravação dele que mais ouço por completo, penso : UAU!