Um "portal" na parede da estação Clinicas, do metrô de São Paulo
Acho que ando lendo muito Murakami
Foi um ano rico em leituras, mesmo tendo ficado dois meses sem ler por motivos de saúde, no fim ultrapassei minha meta de ler um livro por mês. Comento aqui apenas livros que concluí a leitura, embora tenha arriscado ler muitos outros , que acabei abandonando por hora. E concluí livros muito bons, livros memoráveis que merecem um comentário só deles na revisão do ano.
Em 16 de dezembro eu terminei minha última leitura do ano e comentei nas redes:
Com Ciranda de pedra eu terminei minha vigésima primeira leitura do ano. Nada mal para o ano que tive dengue e cirurgia, passei longo tempo sem conseguir ler nada direito. Foi um ano em que quase não comprei livros, praticamente só li livros emprestados da biblioteca do SESC POMPÉIA,ou que ganhei de presente. Voltar a ler exemplares de biblioteca, como quando eu estudava na FFLCH, foi maravilhoso, porque tive oportunidade de experimentar muito mais obras do que essas que conclui a leitura. Algumas vi que não me agradam,outras retomo em outro momento, o importante é estar cercada de livros. Isso me nutre sempre.
Abaixo um comentário rápido sobre cada leitura concluída. Se tiver outro texto sobre o livro, o link aparece em azul na postagem
JANEIRO
1 Becos da memória, Conceição Evaristo
2 Estado de líbido, Carmen Faustino
3 A dançarina de Izu, Yasunari Kawabata
FEVEREIRO
4 Ponciá Vicêncio, Conceição Evaristo
5 Destilo melanina e mel, Upile Chisala
6 Mil Tsurus, Yasunari Kawabata
MARÇO
7 Voragem , Jun'ichirō Tanizaki
Super influenciada pelo Kawabata, quis saber mais da literatura japonesa,ouvir outras vozes literárias de lá e 2024 realmente foi marcado por essa busca. Muito recomendado, pelo bem ou pelo mal, eu li meu primeiro Tanizaki, que foi Voragem. Esse livro realmente mudu minha vida, me fez agir em meu favor, me afastar de histórias que estavam minando minha energia há anos. Depois, no final do ano, precisei fazer esse movimento de novo, mas já com tanto sofrimento real como aconteceu após a primeira leitura de Voragem. Que aprendizado.
8 Kyoto, Kawabata
9 Conspiração de nuvens, Lygia Fagundes Tellles
Depois dessas leituras deslumbrantes, me acalmei voltando a ler alguns contos de Lygia Fagundes Telles, minha autora brasileira favorita. Ja estava numa fase de baixa energia e nem tirei foto com esse livro. Pra a pequena compilação de contos Conspiração de nuvens, não cheguei a escrever um post específico, apenas sobre um tema que me ficou gravado na memória e que ainda s liga ao impacto da leitura de Voragem, que é respeitar o Direito de quem escolheu não te amar. Essa foi uma das lições mais fortes e doloridas que aprendi em 2024!
ABRIL E MAIO: DENGUE E CIRURGIA
Aquela baixa energia e exaustão sentida com o ultimo livro se consolidou no meu corpo e em abril e maio tive reais problemas de saúde. Em abril tive dengue e em maior passei por uma cirurgia , tudo isso me deixou muito fraca, sem possibilidade de me concentrar em leituras. Foi bem tenso. Mas também passou.
JUNHO
10 Oito Contos de amor, Lygia Fagundes Telles
11 Claro Enigma Drummond
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| Gosto muito dessa foto: Recuperada depois de ter ficado muito mal |
Me deparei com um dos melhores livros do ano, Claro Enigma, de Drummond e esse, confesso, é um caso em que o livro é maior que a gente, por isso não consegui escrever sobre, nem comentar direito. Foi uma entrada na esfera da maturidade e a beleza de uns dos mais belos poemas de Drummond destacando essa fase da vida.
Para no dizer que não postei nada sobre esse livro enorme, nesse post sobre o instrumental de 26 de junho, comentei:
"Na terapia começamos falando do livro que tem salvo minha vida, o Claro Enigma, de Drummond, um livro de poemas da maturidade do nosso querido poeta, que tem me feito pensar muito na vida, nas escolhas passadas e fazer um balanço da vida na maturidade! Como se eu fosse uma personagem de Jeferson Tenório, é sempre um livro o que vem me salvar de crises e dificuldades! "
JULHO
12 Tsugumi Banana Yoshimoto
Voltando ao universo das vozes literárias japonesas, quis terminar um livro escrito por uma autora japonesa, já que tinha largado Relatos de um gato viajante , de Hiro Arikawa e emprestei Tsugumi, de Banana Yoshimoto, que achei uma bobagem sem fim. Um livro adolescente, não serviu para mim, mesmo.
13 Noites brancas Dostoievski
E foi nesse ano que li Noites Brancas, meu primeiro Dostoiévski. Foi um pouco decepcionante,muito romântico pro meu gosto, mas passei o pano necessário: não é um romance, é uma novelinha etc. Para encarar um romance desse mestre ainda não estou preparada.
AGOSTO
14 Homens sem mulheres Murakami
SETEMBRO/OUTUBRO
15 Oração para desaparecer, Socorro Acioli
16 Acabou Chorare, Márcio Gaspar
17 Caetano Veloso (Folha explica)
NOVEMBRO
18 Sono MURAKAMI
19 Relato de um certo oriente (releitura)
DEZEMBRO
20 De onde eles vêm, Jeferson Tenório
21 Ciranda de pedra, Lygia Fagundes Telles
Ia ler meu primeiro Dostoiévski. Talvez muito tarde, pois já estou na fase em que muito dificilmente encaro um romance tijolão clássico... Então escolhi o menor volume dele para experimentar, Noites brancas- Romance sentimental das recordações de um sonhador.
O subtítulo indicava o que eu iria encontrar...
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| A foto de qd emprestei: Altas expectativas |
Tinha trazido um Murakami também, mas escolhi começar pelo mais curto e estava até gostando (como de costume),nunca foi má vontade:
NOITES BRANCAS: Nunca tinha lido nada desse autor clássico, pois imaginava que ele era tipo um grande escritor do século XIX com dois pés na realidade, tipo Machado de Assis e isso não me interessava. Mas era bobagem, pois como ele poderia ter passado em vão pelo realismo fantástico russo do XIX q eu tanto amo? Comecei a ler essa novela e amei ver que, pelo menos nesse livro, o ambiente fantasmagórico determina tudo. O livro fala de quatro noites claras de verão de São Petersburgo (onde o sol não se põe ) e uma manhã, vividas pelo protagonista SONHADOR. Só li a primeira, que conta a vida desse solitário,amigo das casas,que encontra uma morena e esse encontro é marcante:
"perdoe-me se digo outra vez ...Mas veja, não posso deixar de vir aqui amanhã. Sou um sonhador; tenho tão pouca vida real que momentos assim, como este, né são tão raros que não posso deixar de reproduzi-los em meus devaneios. Vou sonhar com a senhorita a noite inteira, a semana inteira, o ano todo. Virei aqui amanhã sem falta, exatamente aqui, a estética mesmo lugar, a esta mesma hora , e ficarei feliz ao recordar o dia de hoje Este lugar já é belo para mim..." (P.23)
Terminei a segunda noite e, mesmo sabendo que não devo julgar com olhos atuais, só penso : que boy mala esse Sonhador,pobre Nastienka que tem que aturar aquela história sem fim kkkkkkEu não ando nada romântica
Claro que os protagonistas, o Sonhador e a Nastienka são muito emocionados e idealizados, como bons personagens românticos, mas o Sonhador é um leitor solitário, antissocial, melodramático, verborrágico, chatíssimo. Há quem diga que ele é cheio de camadas, e complexo, pode até ser, mas eu o achei tão chato, que nem consegui perceber. Já ela, sua amada, é uns dez anos mais jovem que ele, ouve todo seu discurso sem entender nada e só ri, mesmo sabendo que é escrava da avó idosa (algo que compreendo tão bem) como boa mulher do século XIX, tem poucas oportunidades de decidir sobre sua vida que não sejam ligadas a algum homem;. Naquele tempo, ela não teria como ter a noção da roubada que o Sonhador era, como tempos hoje.
Não era bem o livro que eu queria ler, mas emprestei da biblioteca porque era o disponível de literatura japonesa e eu escolhi porque é de uma autora e queria ter essa experiência de leitura.
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| Quando emprestei, sorria dando um crédito pro livro |
Durante a leitura eu escrevi:
Depois :
TSUGUMI: Com muita dificuldade passei da metade do romance! 🎇🎆Agora é certeza que termino a leitura, fico contente porque era uma questão de honra ler uma autora japonesa, mesmo que o livro não apresente nada que me atraia, já abandonei um romance de uma japonesa e dessa vez quis dar essa chance à Banana Yoshimoto. Acho que se eu fosse bem mais jovem, gostasse mais de histórias de jovens vivendo aventuras de férias numa praia paradisíaca, estaria gostando mais, mas para mim, que já me deliciei com os "Mil Tsurus", já tive minha vida mudada com "Voragem", penso que dessa vez a literatura japonês está me fazendo perder tempo!😔 Vamos ver se o final vai me surpreender para o bem! Tomara!No fim, feliz por não ter abandonado o romance, minha conclusão foi bem realista :
No fim:
QUE BOBAGEM: Foi o que eu disse quando acabei de ler Tsugumi. Foi uma expressão um pouco exagerada, já que o romance não é de todo ruim, mas foi sincera, pois não aguentava mais perder tempo com essa história.
Realmente é um livro leve, até a escrita é leve e sem elaborações poéticas como um Kawabata, de que eu tanto gosto. O enredo também é bem banal, como se fosse um romance de férias juvenil, mas no meio do ano passado eu lia um romance realmente escrito para o público juvenil do angolano Ondjaki, "AvóDezanove e o Segredo do Soviético" que adorei, achei muito bem elaborados e divertido, como boa literatura, mas esse não foi o caso de Banana, cujo romance não tem nada demais. Embora ele aborde temas comuns a literatura japonesa , como contemplação, amizade, memória, não é escrito de forma marcante, como um Kawabata, por exemplo, que aborda os mesmos temas em enredos melhor construídos. Se eu fosse mais jovem, fosse interessada em aventura de férias em praias, em cachorros, teria gostado mais, para mim foi bem perda de tempo mesmo. A controversa Tsugumi foi a personagem que gostei, único aspecto mais positivo que achei no livro, embora até mesmo ela poderia ter sido mais bem construída e aparecer melhor na trama. Em geral, para mim, não agradou muito, foi o romance japonês menos interessante que li até hoje.
Que venham os próximos kkk