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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Um "portal" no metrô Clínicas

 


Um "portal" na parede da estação Clinicas, do metrô de São Paulo 

Acho que ando lendo muito Murakami

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

EU LEITORA EM 2024

 



Foi um ano rico em leituras, mesmo tendo ficado dois meses sem ler por motivos de saúde, no fim ultrapassei minha meta de ler um livro por mês. Comento aqui apenas livros que concluí a leitura, embora tenha arriscado ler muitos outros , que acabei abandonando por hora. E concluí livros muito bons, livros memoráveis que merecem um comentário só deles na revisão do ano.

Em 16 de dezembro eu terminei minha última leitura do ano e comentei nas redes:

Com Ciranda de pedra eu terminei minha vigésima primeira leitura do ano. Nada mal para o ano que tive dengue e cirurgia, passei longo tempo sem conseguir ler nada direito. Foi um ano em que quase não comprei livros, praticamente só li livros emprestados da biblioteca do SESC POMPÉIA,ou que ganhei de presente. Voltar a ler exemplares de biblioteca, como quando eu estudava na FFLCH, foi maravilhoso, porque tive oportunidade de experimentar muito mais obras do que essas que conclui a leitura. Algumas vi que não me agradam,outras retomo em outro momento, o importante é estar cercada de livros. Isso me nutre sempre.

Abaixo um comentário rápido sobre cada leitura concluída. Se tiver outro texto sobre o livro, o link aparece em azul na postagem


JANEIRO

1 Becos da memória, Conceição Evaristo


Primeira leitura do ano veio na onda da última do ano passado, que tinha sido o encantador Canção para ninar menino grande, da Conceição Evaristo. Esse ano comecei com Becos da memória , um livo mais cru, mais difícil de ler. Nesse livro muito ao modo das publicaçõs contemporâneas, que mesclam realidade e ficção de forma quase indistinta, o talento de Conceição se expressa  de forma exemplar, tornando esta uma das  leituras que mais me afetou, me deixou bem mal, me senti no beco, de onde demorei para sair. Literatura tem que incomodar, e esse livro incomodou.

2 Estado de líbido, Carmen Faustino


O segundo livro do ano foi o de poemas Estado de Libido, de Carmen Faustino, muito  para tentar amenizar o amargor do beco onde Conceição tinha me colocado. Mas como foi um livro de poesia negra, ele também era um açúcar marrom. Eu amei ler esses poemas eróticos e pretos. Passei a seguir Carmen Faustino, esta poeta negra linda e maravilhosa, nas redes e com isso venho repensando tanto sobre o que é ser mulher negra, pois no decorrer do ano a vida me obrigou a ter esse repertório e muita auto estima. Como você pode ver no link sobre o livro postado acima, nesse livro,  além das belas poesias, temos  ilustrações maravilhosas de Flávia Rosa, que me fez ver melhor o marrom das partes intimas femininas, que quase nunca são ressaltadas e nem os homens,especialmente eles inclsive, olham com o interesse que merecem. Que aprendizado!  

3 A dançarina de Izu, Yasunari Kawabata


Como comecei o ano  com litertatura negro-brasileira, normal que desse uma respirada e o  terceiro livro me levou ao encontro de um dos meus autores favoritos da vida, o japonês  Ysunari Kawabata, que eu sei que é sempre esteticamente atraente e realmente foi. Em A Dançarina de Izu temos o recorte de uma novela, ricamente representado, mostrando um Japão de sonhos que só a pena de ouro de Kawabata consegue traçar.

FEVEREIRO

4 Ponciá Vicêncio, Conceição Evaristo



Depois de muita poesia e  já  um pouco recuperada do trauma causado pelo beco do primeiro livro do ano, voltei a ler Conceição Evaristo com Ponciá Vicêncio. Achei a edição esteticamente linda e sai com ela num tom de roxo e sorrindo, até começar a ler e ver que, ainda que não tenha aquele peso cinza chumbo de Becos da Memória, ele também não é um livro lindo para sorrir. É um livro sobre mulheres, mulheres negras que é roxa violeta e o  ataque aqui é de outra forma.  Acho que esse é  realmente um dos primeiros volumes dela, tem marcas visíveis de herança escravocrata na vida das personagens. Conceição Evaristo é uma escritora negra enorme, é preciso ler o que ela escreve, mas para lê-la é preciso coragem e força.

5 Destilo melanina e mel, Upile Chisala 



Achei na biblioteca "Eu destilo melanina e mel", um livro de poesia da bela Upile Chisala, uma contadora de histórias do d Malawi, que se formou pela Universidade de Oxford e vive em Johanesburgo, África do Sul e na obra, não sei se pela tradução, temos muito reforçada uma linguagem pós colonial de empoderamento feminino , mais como militância do que como experiência sentida pela mulher sob o colonização (como li recentemente  em  Carmen Faustino ou em Conceição Evaristo). Desse livro eu não gostei tanto, não faz muito meu tipo, mas foi uma experiência esse contato.  

6 Mil Tsurus, Yasunari Kawabata




Ai voltei a Kawabata  e li Mil Tsurus, um dos melhores dele que conheço, me lembrou tanto Guimarães Rosa! Aquela escrita deslumbrante, mas agora tratanto de temas fundamentais, sobre  o Japão pós segunda guerra, numa trama  lírica e sensual muito bem construída que me faz até gostar mais do Japão (só Kawabata!) kkkk

MARÇO

7 Voragem , Jun'ichirō Tanizaki





Super influenciada pelo Kawabata, quis saber mais da literatura japonesa,ouvir outras vozes literárias de lá e 2024 realmente foi marcado por essa busca. Muito recomendado, pelo bem ou pelo mal, eu li meu primeiro Tanizaki, que foi  Voragem. Esse livro realmente mudu minha vida, me fez agir em meu favor, me afastar de histórias que estavam minando minha energia há anos. Depois, no final do ano, precisei fazer esse movimento de novo, mas já com tanto sofrimento real como aconteceu após a primeira leitura de Voragem. Que aprendizado.

8 Kyoto, Kawabata


Depois da porrada de Voragem, voltei à contemplação do Japão de Kawabata em Kyoto, em um dos seus livros com mais japonesices, me perdi em meio a tantas festas e rituais tradicionais, mas é  também um dos mais belos textos, como um desenho delicado! Que autor maravilhoso! Mais que recomendo.

9 Conspiração de nuvens, Lygia Fagundes Tellles



Depois dessas leituras deslumbrantes, me acalmei voltando a ler alguns contos de  Lygia Fagundes Telles, minha autora brasileira favorita. Ja estava numa fase de baixa energia e nem tirei foto com esse livro. Pra a pequena  compilação de contos Conspiração de nuvens, não cheguei a escrever um post específico, apenas sobre um tema que me ficou gravado na memória e que ainda s liga ao impacto da leitura de Voragem, que é respeitar o Direito de quem escolheu não te amar. Essa foi uma das lições mais fortes e doloridas que aprendi em 2024!


ABRIL E MAIO: DENGUE E CIRURGIA 

Aquela baixa energia e exaustão  sentida com o ultimo livro se consolidou no meu corpo e em abril e maio tive reais problemas de saúde. Em abril tive dengue e em maior passei por uma cirurgia , tudo isso me deixou muito fraca, sem possibilidade de me concentrar em leituras. Foi bem tenso. Mas também passou.


JUNHO

10 Oito Contos de amor, Lygia Fagundes Telles


Estava dificil concluir as leituras, mas continuava tentando. Para não deixar minha contista favorita Lygia Fagundes Telles no vácuo pela mal recebida leitura do seu último livrinho, assim que me vi mais disposta a ler depois das doenças, a ela que eu voltei, com foto e post comentando conto a  conto, como manda o figurino com a compilação Oito contos de amor.  Em uma edição meio paradidática, conta com um depoimento lindo de Lygia, que comentei no post linkado e traz contos sublimes e cruéis, como esperava de Lygia.

11 Claro Enigma Drummond


Gosto muito dessa foto:
Recuperada depois de ter ficado muito mal

Me deparei com um dos melhores livros do ano, Claro Enigma, de Drummond e esse, confesso, é um caso em que o livro é maior que  a gente, por isso não consegui escrever sobre, nem comentar direito. Foi uma entrada na esfera da maturidade e a beleza de uns dos mais belos poemas de Drummond destacando essa fase da vida. 

Para no dizer que não postei nada sobre esse livro enorme, nesse post sobre o instrumental de  26 de junho, comentei:

"Na terapia começamos falando do livro que tem salvo minha vida, o Claro Enigma, de Drummond, um livro de poemas da maturidade do nosso querido poeta, que tem me feito pensar muito na vida, nas escolhas passadas e fazer um balanço da vida na maturidade! Como se eu fosse uma personagem de Jeferson Tenório, é sempre  um livro o que vem me salvar de crises e dificuldades! "

JULHO

12 Tsugumi Banana Yoshimoto



Voltando ao universo das vozes literárias japonesas, quis terminar um livro escrito por uma  autora japonesa, já que tinha largado Relatos de um gato viajante , de  Hiro Arikawa e emprestei Tsugumi, de Banana Yoshimoto, que achei uma bobagem sem fim. Um livro adolescente, não serviu para mim, mesmo.

13 Noites brancas Dostoievski


E foi nesse ano  que li Noites Brancas, meu primeiro Dostoiévski. Foi um pouco decepcionante,muito romântico pro meu gosto, mas passei o pano necessário: não é um romance, é uma novelinha etc. Para encarar um romance desse mestre ainda não estou preparada.

AGOSTO

14 Homens sem mulheres Murakami


E agosto trouxe Homens sem mulheres , minha primeira leitura de  Haruki Murakami, e um  um dos concorrentes a melhor livro de 2024, pois  realmente pirou meu cabeção de agosto para o resto do ano. O post sobre ele que linkei cima é um dos mais longos do blog! Que livro, meus amigos! Recomendo.

SETEMBRO/OUTUBRO

15 Oração para desaparecer, Socorro Acioli


A vida me puxou para outras coisas além da leitura, mas em outubro, mês do meu aniversário, consegui ler,enfim, o livro que queria ler desde o ano passado, o livro  do ano de 2024, Oração para desaparecer, da Scorro Acioli que ganhei de presente de aniversário. Esteve na minha cabeça muito tempo, mas foi além, já pensava  nele antes de ler, pensava durante a leitura, depois pensei mais anda.Como podemos ver no post sobre ele, a identificação comigo foi assustadora!  Não vai ter como não lembrar de 2024 como o ano de Oração para desaparecer.

16 Acabou Chorare, Márcio Gaspar


Ganhei de aniversário Acabou Chorare, mais um livro de disco, tema de meu total interesse e foi um delicia ouvir e me dedicar novamente a pesquisa sobre canção popular brasileira.

17 Caetano Veloso (Folha explica)


Na trilha dos livros sobre canção popular brasileira, pegei esse livrinho sobre Caetano que tenho faz tempo, mas não tinha lido de cabo a rabo. Agora li, mas não tive tempo e atenção para escrever  sobre. Caetano é sempre desconcertante!

NOVEMBRO

18 Sono MURAKAMI


Em novembro li Sono, meu segundo Murakami. Escrevi sobre um comentário muito menor do que ele merece, mas foi o que deu nesse clima de fim de ano.

19 Relato de um certo oriente (releitura)


Em dezembro reli Relato de um certo oriente (esse link é sobre a primeira leitura), antes de assistir ao filme Retrato de um certo oriente de Marcelo Gomes. É meu favorito de Hatoum, e o filme é muito bom .

DEZEMBRO

20 De onde eles vêm, Jeferson Tenório


Ganhei De onde eles vêm de presente de natal. Li, gostei em partes. Foi um pouco decepcionante, muito por causa de Avesso da Pele ser aquilo tudo,  tinha muitas expectativas com Tenório, mas é um bom romance.

21 Ciranda de pedra, Lygia Fagundes Telles


Terminei o ano lendo o primeiro romance de Lygia, como disse acima, e foi muito diferente achar minha contista em outra esfera. Terminou bem esse ano de maravilhosas leituras. 

Que venha 2025!

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Noites Brancas, de Dostoiévski

 

Ia ler meu primeiro Dostoiévski. Talvez muito tarde, pois já estou na fase em que muito dificilmente encaro um romance tijolão clássico... Então escolhi o menor volume dele para experimentar, Noites brancas- Romance sentimental das recordações de um sonhador.

O subtítulo indicava o que eu iria encontrar...

A foto de qd emprestei:
Altas expectativas 

Tinha trazido um Murakami também, mas escolhi começar pelo mais curto e estava até gostando (como de costume),nunca foi má vontade:


NOITES BRANCAS: Nunca tinha lido nada desse autor clássico, pois imaginava que ele era tipo um grande escritor do século XIX com  dois pés na realidade, tipo Machado de Assis e isso não me interessava. Mas era bobagem, pois como ele poderia ter passado em vão  pelo realismo fantástico russo do XIX q eu tanto amo?  Comecei a ler essa novela e amei ver que, pelo menos nesse livro, o ambiente fantasmagórico determina tudo.  O livro fala de quatro noites claras de verão de São Petersburgo (onde o sol não se põe ) e uma manhã,  vividas pelo protagonista SONHADOR. Só  li a primeira, que conta a vida desse solitário,amigo das casas,que encontra uma morena  e esse encontro é marcante:

 

"perdoe-me se digo outra vez ...Mas veja, não posso deixar de vir aqui amanhã. Sou um sonhador; tenho tão pouca vida real que momentos assim, como este, né são tão raros que não posso deixar de reproduzi-los em meus devaneios. Vou sonhar com a senhorita a noite inteira, a semana inteira, o ano todo. Virei aqui amanhã sem falta, exatamente aqui, a estética mesmo lugar, a esta mesma hora , e ficarei feliz ao recordar o dia de hoje  Este lugar já é belo para mim..." (P.23)

Logo em seguida o caldo começou a desandar : 
 

Terminei a segunda noite e, mesmo sabendo que não devo julgar com olhos atuais, só penso : que boy mala esse Sonhador,pobre Nastienka que tem que aturar aquela história sem fim kkkkkk
Eu não ando nada romântica


Claro que os protagonistas, o Sonhador e a Nastienka são muito emocionados e idealizados, como bons personagens românticos, mas o Sonhador é um leitor solitário, antissocial, melodramático, verborrágico, chatíssimo. Há quem diga que ele é cheio de camadas, e complexo, pode até ser, mas eu o achei tão chato, que nem consegui perceber. Já ela, sua amada, é uns dez anos mais jovem que ele, ouve todo seu discurso sem entender nada e só ri, mesmo sabendo que é escrava da avó idosa (algo que compreendo tão bem)  como boa mulher do século XIX, tem poucas oportunidades de decidir sobre sua vida que não sejam ligadas a algum homem;. Naquele tempo, ela não teria como ter a noção da roubada que o Sonhador era, como tempos hoje.


E por fim uma conclusão um pouco indigesta:


O livro é irritantemente romântico, em todos os sentidos, algo que jamais imaginei encontrar nesse autor! Gostei do belo tom fantasmagórico, a cidade e até das noites brancas, muito claras, em contraste com a história sombria de solidão, impotência e despreparo. Nesse contexto, achei a coisa mais bonita de se ler aquela figuração de São Petersburgo, que ao longo da novela vai se esvaziando,pois todos vão para o campo, fugindo do calor.

Claro que ia escrever sobre os pontos interessantes e tal, mas minha primeira impressão foi a mesma desse booktuber:



Hahahaha , honestamente é isso aí. 
O boy é um mala, se a mocinha tinha poucas saídas a não ser dar corda, como era comum na época, no século XXI, hoje já não precisamos mais dar papo pra esses TIPOS.

Reflexão posterior : 



Foi uma experiência Dostoievskisna, que venham outras melhores 😍




quarta-feira, 24 de julho de 2024

"Tsugumi", de Banana Yoshimoto,o livro do mês jul 2024

 


Não era bem o livro que eu queria ler, mas emprestei da biblioteca porque era o disponível de literatura japonesa e eu escolhi porque é de uma autora e queria ter essa experiência de leitura. 

Quando emprestei, sorria dando um crédito pro livro


Durante a leitura  eu escrevi:



Depois : 


TSUGUMI: Com muita dificuldade passei da metade do romance! 🎇🎆

Agora é certeza que termino a leitura, fico contente porque era uma questão de honra ler uma autora japonesa, mesmo que o livro não apresente nada que me atraia, já abandonei um romance de uma japonesa e dessa vez quis dar essa chance à Banana Yoshimoto. Acho que se eu fosse bem mais jovem, gostasse mais de histórias de jovens vivendo aventuras de férias numa praia paradisíaca, estaria gostando mais, mas para mim, que já me deliciei com os "Mil Tsurus", já tive minha vida mudada com "Voragem", penso que dessa vez a literatura japonês está me fazendo perder tempo!😔 Vamos ver se o final vai me surpreender para o bem! Tomara!No fim, feliz por não ter abandonado o romance, minha conclusão foi bem realista : 

No fim:

QUE BOBAGEM: Foi o que eu disse quando acabei de ler Tsugumi. Foi uma expressão um pouco exagerada, já que o romance não é de todo ruim, mas foi sincera, pois não aguentava mais perder tempo com essa história.

Realmente é um livro leve, até a escrita é leve e sem elaborações poéticas como um Kawabata, de que eu tanto gosto. O  enredo também é bem banal, como se fosse  um romance de férias  juvenil, mas no meio do  ano passado eu lia um romance realmente escrito para o público juvenil do angolano Ondjaki, "AvóDezanove e o Segredo do Soviético" que  adorei, achei muito bem elaborados e divertido, como boa literatura, mas esse não foi o caso  de Banana, cujo romance  não tem nada demais. Embora ele aborde temas comuns a literatura japonesa , como contemplação, amizade, memória,  não é escrito de forma marcante, como um  Kawabata, por exemplo, que aborda os mesmos temas em enredos melhor construídos.  Se eu fosse mais jovem, fosse interessada em aventura de férias em praias, em cachorros, teria gostado mais, para mim foi bem perda de tempo mesmo. A controversa Tsugumi foi a personagem que gostei, único aspecto  mais positivo que achei no livro, embora até mesmo ela poderia ter sido mais bem construída e aparecer melhor na trama. Em geral, para mim, não agradou muito, foi o  romance japonês menos interessante que li até hoje.


Que venham os próximos kkk