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domingo, 3 de agosto de 2025

Encontro com a História da Etiópia

 


Agosto começou com um dia de inverno friozinho, mas sem exageros. Nada comparável aos últimos dois meses. 

Eu pensei em ir a florata das cerejeiras no parque do Carmo, mas fiquei mais reclusa em casa porque de manhã é gelado e também porque meu corpo ainda está se adaptando a alterações hormonais. Ser mulher é isso,tem dias que não estamos disponíveis para a vida.

Fui a biblioteca do Sesc Pompéia e emprestei dois livros sobre a História da Etiópia. Amei 😍 

Gostei de ver que a biblioteca está super atualizada, já tem até o lançamento de Jeferson Tenório 

Novas Aquisições 


Que venha agosto,com alegria, que quero te usar 😍😍😍😍

Um pouco de biscoito vestido de verde neon e abusando do cabelinho Bela Campos ,porque está tão difícil e solitária a vida no frio e sem rolês, que estou precisando 

Verde Neon : meu verão forçado 
















segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Partideiros do Maria Zélia convidam Berço do Samba de São Matheus 😍

 

 

Primeiro que acho que tenho roupa pra tudo isso, segundo que não perderia por nada 😍

Era dia dos pais e estava frio. Isso murchou a lotação do evento, uma pena mas me arrumei bonitinha


Realidade/ inspirações


Ancestralidade etíope veste branco 

SILK: vesti um casaco


Depois tirei tudo:
Anéis estão largos pra mim!

Algumas fotos do rolê:


Está no intervalo do samba, assistindo pessoal do samba rock
 dançare aí e me deram essa água gelada, que era para os músicos!
Como sou acolhida no samba,  ganho mimos 😍

A cara da felicidade, no Maria Zélia 



Berço do samba de São Matheus

Instrumentos

Preparando

Fiz amizade com essas menininhas lindas

Essa cantora animou as poucas pessoas que enfrentaram o frio


Mais instrumentos


Partideiros do Maria Zélia


Partideiros do Maria Zélia


Partideiros do Maria Zélia

Partideiros do Maria Zélia

Partideiros do Maria Zélia


Partideiros do Maria Zélia





No Teatro Municipal: o samba ocupando outros espaços da cidade


No busão... Não acredito que deu minha hora tive que vir embora na segunda música do berço do samba de são Matheus 😭

O pessoal do Berço pediu desculpas por começarem tão tarde... mas foi bom experimentar aquele som de novo.Vi só o comecinho do Berço, tinha que vir embora cedo, tinha médico com minha mãe logo de manhã, mas valeu ouvir um pouquinho de samba de raiz, do samba de São Matheus , reduto do samba😍

Coisa muito fina 




domingo, 11 de abril de 2021

Sob o olhar do leão (2009), de Maaza Mengister : um romance histórico etíope

 

Edição brasileira Record/Maaza Mengiste ok

Como lembra o crítico literário português Eduardo Lourenço, um romance histórico é uma narrativa ficcional onde o passado é evocado como presente e é disso que se trata este livro, pois embora possa parecer que o romance trate da história trivial  da família de classe média do médico Hailu, sua esposa Selam, os filhos Dawit e Yonas e sua nora Sara e neta Tizita, no desenrolar na narrativa vamos percebendo como esses personagens e suas histórias se envolvem ou não com  seu país. Na verdade eles  é que são o pano de fundo para o verdadeiro tema do livro, que é a História da Etiópia na década de 1970 e a guerrilha autoritária implantada pelo Darg (grupo marxista militarizado)  depois que o poder foi tomado do Imperador. Uma personagem do romance chega a comentar que

“O Derg é quem explora. Eles usam o imperador como desculpa para acabar com nossa liberdade e nossos direitos” (p. 249)   

Sobre esse mesmo tema, com todo o seu terror, eu  já tinha tratado ligeiramente aqui,   quando comentei o maravilhoso documentário “Descobrindo Sally” (2020) , de Tamara Dwait, que trouxe imagens reais, de época e foi muito emocionante,  mas a literatura é outra experiência, é uma linguagem que nos permite conhecer diversos ângulos de cada questão e,  através dela,  podemos “entrar na cabeça” das personagens, saber o que elas pensam, os seus motivos, e sensações. Neste romance experimentamos a vivência do médico e de toda sua familia e,também, a do imperador, que pensa no momento de sua queda eminente  :

“Já fui bem amado de Deus, o Rei dos reis. Fui o Leão Conquistador de Judá, descendente do Rei Dawit.Meu sangue, rico e vermelho, é parente daquele outro Rei dos Reis, o mais amado. Conduzi meu reino em honra ao Seu. Éramos como éramos porque Ele era.  (...) ao filhos abençoados de Sabá se multiplicaram, espalhados por encostas e castelos, enterrados em obeliscos e cavernas, mumificados com tanta perfeição quanto faraós. Etiópia, a mais amada das bem-amadas, ouves os tambores acima das nuvens? Sabes que anjos se aproximam e vêm em tua ajuda?Não haverá mais misericórdia para essa blasfêmia lançada contra nós.(...) o que levou 3 mil anos para ser construído não pode ser destruído em uma noite" (p. 131-4)  

E o mais interessante é observar que esse pensamento de que o imperador seria um predestinado, viria de uma linhagem quase “divina” dos grandes reis que governaram a Terra, estava impregnado no imaginário e nas crenças dos seus súditos, que choram com a notícia de sua queda, talvez prevendo o período de violenta instabilidade que se instauraria a partir de então? A literatura coloca estas questões e outras, como por exemplo, no documentário vimos algumas fotos do traumático “terror vermelho” em que as pessoas (rebeldes ou não ) eram executadas e seus corpos ficavam se decompondo na rua, pois nem um enterro, esses que foram tomados como “traidores da pátria”, mereciam. No romance a gente vê com mais detalhes esse horror e crueldade, chegamos a rondar as ruas pela madrugada com alguns personagens, recolhendo corpos clandestinamente, para entregar os corpos às famílias, em trecho assim:

“Dawit e Sara pararam diante de um menino descalço estendido na estrada de barriga para cima, com não mais de 15 anos. Seu ombro estava deslocado, o rosto inchado, o pescoço quebrado. Um bilhete estava alfinetado à sua camisa de algodão rasgada. SOU INIMIGO DO POVO. MÃE, NÃO CHORE POR MIM, MERECI MORRER". (p.285)

Do outro lado desta multiplicidade de ângulos está a crueza daquela realidade  vivida pela etíope Maaza Mengister, agora reconstruída em sua  narrativa.Ela escreve muito bem, mas não tem pena do leitor, descreve duros questionamentos pessoais como este, cenas terríveis, violentas e tristes como esse trecho que me deixou amargurada um bom tempo:

CENA TRISTE  -Hoje li uma parte muito, muito, muito triste desse livro, em que o médico Hailu tem que atender uma jovem, uma menina como ele a vê, que devia ser uma militante, que foi pega, torturada (não vou dar detalhes porque é bem chocante) e sua visão o leva a se perguntar "em que livro médico ele leria sobre como tratar daquelas feridas? O que ela teria feito de tão terrível para merecer ser apresentada coberta por um plástico transparente como um gigantesco troféu? Horror! A menina, que estava "fora do ar" só sussurrava "abbaye"(papai) e ele, que também era pai, só podia responder "estou aqui". Mesmo sabendo que ele estava, mas não o abbaye que ela procurava em seu desespero.
Poxa!

Tudo isso torna a leitura muito desafiadora, como é tudo relacionado à Etiópia, país que mora no meu coração e sobre o qual é sempre uma surpresa. Lembrando que se trata de um dos dois países africanos que não foi colonizado por europeus,  para pensar a realidades etíope é claro que todo o ideário crítico decolonial que venho construindo a partir do contato com os cinemas africanos, não cabem como uma luva. Etiópia não sofreu os horrores da colonização, mas nem por isso sua história tem menos dor e sofrimentos. São muitas guerras: contra a Somália (a partir dos anos 1940), contra a Eriteia (1968) e muito  violentas, sangrentas, traumáticas como a acontecida contra a Itália de Mussolini (anos 30, que foi vencida pelas tropas “salvadoras” de Hailé Selassié!) e acontecidas há tão pouco tempo, que ainda estavam nas memórias recentes das personagens e das suas famílias no romance. Além da própria guerrilha autoritária  a qual estão sendo submetidos pelos militares marxistas do Darg  à época do romance.

As cenas da atuação do Darg são as mais sangrentas, descrições de torturas executadas por militares que, infelizmente, conhecemos de relatos aqui do Brasil também na década de 1970.

Esse livro eu demorei muito para engrenar a leitura, queria trocar de obra o tempo todo, dai  quando comecei a gostar porque a autora  escreve bem, a coisa começou a ficar cada vez mais violenta, aquela crueldade de tortura militar, um horror, mas depois o capitulo final deu uma boa amarrada na narrativa, gostei muito da experiência, que foi  chocante, meu querido abril, mas necessária para meu objetivo de conhecer melhor outras áfricas que me dizem respeito. Que grande romance, pena que seja apenas para aqueles que têm muita coragem de encarar essa leitura!


quinta-feira, 1 de abril de 2021

Lendo uma AUTORA etíope: Memória corporal

 


Venho experimentando ler mais mulheres autoras, como já comentei, e com isso leio trechos que só uma mulher entenderia, como este:

MEMÓRIA CORPORAL -"Sara tocou a cicatriz e traçou um caminho até sua barriga. Havia uma bolsa de calor que ainda mantinha a forma de 2 bebês que tinham morrido dentro dela. Todos os meses, durante seu ciclo, ela imaginava que sua barriga se contraía e tentava expulsa-los de novo.Em algumas noites, os espasmos eram mais fortes do que em outras. Seu pai teria apontado para sua perna coxa, resultado de um ferimento de guerra, e dito a ela que o que sobra contém suas próprias promessas, que o que fica fará nascer a esperança. Sua mãe teria compreendido sua tristeza, teria sabido, como só uma mulher consegue saber, que ela queima como fogo e permanece no coração. Talvez, ela pensou,  talvez o corpo consiga conter apenas um tanto de determinada lembrança antes de começar a fazer espaço para mais. Talvez seja melhor eu esquecer algumas coisas. Talvez não haja espaço suficiente em mim para pai e mãe, exatamente como aconteceu com aquelas crianças." Maaza Mengiste, "Sob o olhar do leão", p.66

Um parágrafo inteiro como citação ? Sim, pois não é possível cortar nenhum pedaço!


terça-feira, 9 de março de 2021

Viajando de táxi por Adis Abeba no filme 'O preço do amor' (2015)


Comecei a ler o E-book sobre a Mostra de Cinemas Africanos 2020 pelo artigo a respeito do primeiro filme etíope que assisti,  'O preço do amor' (2015), da diretora Hermon Hailay, que na época comentei com imagens aqui . 

O texto é de Michael W. Thomas, pós doutorando Universidade de Londres. Gostei do trecho porque me identifiquei muito, como se o taxista Tedy , me levasse para passear pela Etiópia:

"O táxi Lada de Teddy não é  apenas central na narrativa de "Preço do Amor", representando um terceiro personagem simbólico, mas também é usado para um excelente efeito cinematográfico, fornecendo uma plataforma móvel para enquadrar as ruas  urbanas de Addis. Na sequência de abertura, as tomadas de um ângulo baixo e os "travellings" através do para-brisa e das janelas do carro oferecem uma perspectiva  dinâmica da cidade no nível da rua, estabelecendo a locação do filme, bem como o ritmo acelerado de sua narrativa. O ritmo da edição e o design de som eficaz aumentaram as mudanças tonais dentro do filme, com uma miríade de tomadas e ângulos de câmara - "panorâmicas", "close ups" e "travellings" usados para criar uma imagem vibrante da turbulenta vida nas ruas - enquadram a natureza flutuante da florescente Adis Abeba e seus habitantes. Imagens das suas de  Adis Abeba contrastam os modernos anéis rodoviários com as ruas laterais de paralelepipidos e Toyotas 4x4 com Ladas da era soviética, criando uma imagem binária da vida contemporânea de Adis - de vencedores e perdedores econômicos e de crescentes desigualdades. Em um país de alto desemprego juvenil, no qual nem Teddy nem Fere têm família para se apoiar, é o amor um pelo outro e a orientação moral do padre, que fornecem um vislumbre de esperança."p. 263

"Reflexões sobre "O preço do amor' (2015) e a paisagem urbana de Addis Abeba por Hermon Hailay" ,  por Michael W. Thomas. In: ESTEVES, Ana Camila e  OLIVEIRA, Jusciele (org). "Cinemas Africanos Contemporâneos: abordagens críticas",  p.261-4.

(O texto originalmente escrito em Língua Amárica, conhecida como Etíope, traduzido para o inglês e depois para o português do Brasil)

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Viajando a Etópia: Terra das Zahabes

 Sou apaixonada pela Etiópia. Por isso inventei que sou descendente de etíopes. Como não sei nada sobre minha ancestralidade, eu invento o que eu quiser. Mas olha que lugar MARAVILHOSO, Todo cheio de "tesouros escondidos", como em Minas, mas mais antigo! Trago dois vídeos para a gente saber um pouquinho sobre :APAIXONANTE





quinta-feira, 26 de novembro de 2020

"O Preço do amor”, Etiópia, 2015, direção Hermon Hailay

Cartaz 


16 DE NOVEMBRO DE 2020 -  O primeiro filme etíope que assisti na vida, fiquei apaixonada por toda aquela gente dourada e linda. Um país de Zahabes! Demorei um tempão para conseguir escrever sobre ele, a minha imersão foi imensa, só que eu tenho que encerrar essa essa primeira visita ao país da beleza plena.

O enredo é simples e direto : O jovem taxista Toddy (Eskindir Tameru) atua  na capital Adis Abeba e se empenha em proteger a belíssima  prostituta Fere (Fereweni Gebregers), com quem acaba se envolvendo.

Mas a graça do filme é mesmo conhecer a Etiópia através do seu cinema, ver a paisagem local,ouvir as músicas e sons.

Vou fazer uma leitura diferente dele, através de imagens.

Primeiro a imagem da belíssima prostituta Fere, que mesmo chorando, é deslumbrante 

A linda Fere

Prostituta trabalhando

Até chorando ela é deslumbrante: "Não olhe para mim"

Na cena em que ela chora no táxi, depois de ser resgatada do trabalho por Toddy, ela canta uma canção etíope que não consegui encontrar, mas é algo parecido com esse tipo de cantiga.

Encontrou o apoio de Toddy



Nesse filme a gente vê a cidade (Adis Abeba?)  Muito através da janela do carro de Toddy, que é nosso motorista.

A cidade pela janela do táxi

Pessoas etíopes são bonitas, têm um brilho luminoso, especialmente as mulheres. Pena que levem uma vida nada  fácil, são escravizadas, prostituídas, discriminadas  e sonham sair dali sem sequer imaginar o que pode lhes acontecer fora.
Belas moças levada ao exterior,sonhando em melhorar de vida
Outra imagens da cidade que embora sejam imagens urbanas, de algum modo parecem irreais. Outro mundo, mas ao mesmo tempo tão parecido, como costuma ser em África para olhos brasileiros. 
Não podia ser o centro de São Paulo em um raro momento mais vazio?

Como tentei pescar da paisagem mostrada na janela do táxi de Toddy imagens do cotidiano da cidade na Etiópia,  é claro que  uma cidade grande tem edifícios enormes no centro


E como é um filme, também tem poesia visual urbana na cidade 
Rotatória simbólica

E cores citadinas


Por fim, a cidade transborda, também na Etiópia
Uma cidade grande, mas no meio da Etiópia
E a cidade  acolhe as personagens em diversos momentos do filme
Toddy acolhe Fere escorado numa pedra significativa

Nos bares e restaurantes 

E  um amor através do espelho do táxi, em momentos sublimes
A imagem inesquecível do grande amor


Fere e Toddy abraçam a cidade

Conversa com a diretora do filme



A entrevista com Hermon Hailay, a diretora do filme etíope "Preço do amor" na plataforma do Cinesesc. Ela falou mais sobre a industria do cinema na Etiópia, um pouco sobre as tradições nacionais, a música do filme que envolve apresentações e intrumentos tradicionais, o motivo de seu interesse em contar histórias de prostitutas em seus filmes ela e sua irmã tiveram uma loja de cosméticos em Adis Abeba e era justamente na área em que ficavam as melhores clientes, as prostitutas, e com elas conversou, soube das suas vidas e de toda a problemática que as envolve naquele país tradicional. Comentou que muitas delas acaba se envolvendo com taxistas, então o enredo não foi à toa. 
Termino com um comentário nada surpreendente em se tratando de uma mulher etíope : que mulher linda que é Hermon Hailay. 



quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Jorge Ben e o passado e o futuro do povo negro


Ontem, dia 20 de novembro, o show em comemoração em São Paulo foi do Jorge Ben, na Praça da República. Sobre isso, mais detalhadamente, vou escrever um post em breve. 
Por hora, porque é algo urgente, apenas gostaria de comentar que ele tocou essa música
Quando , surpreendentemente, Jorge cantou essa em seu show de ontem, e disse que O NEGRO É LINDO E FAZ TEMPO, DESDE OS EGÍPCIOS, DESDE OS TEMPOS E CIVILIZAÇÕES MAIS ANTIGAS AINDA ( lembrando que ele tem toda essa ligação com umas realidades africanas mais orientais, um pouco mais distantes de nós brasileiros, como a Etiópia, que seria de onde teria vindo a sua mãe), sem muitas explicações - como sempre em sua obra - não está fazendo pouca coisa, pois ele, que já havia trazido a ideia de um FUTURO NEGRO, ou melhor de AFRO FUTURISMO- com heróis e heroínas negros no Brasil - agora veio apontando para a ideia de um PASSADO NEGRO, que como sabemos foi e continua sendo roubado de nós, com mecanismos que deixam marcas irreparáveis, como a proposital FRAGMENTAÇÃO DO PASSADO DO POVO NEGRO. Só para quem pouco sabe de sua origens, como eu, entende o TAMANHO que isso tem. E é por essas e por outras que eu volto a repetir que #OMelhorDoBrasilÉJorgeBen