sexta-feira, 1 de maio de 2026
"O CASTELO ANIMADO", o Dark do Ghibli?
terça-feira, 7 de abril de 2026
DARK : O inimigo é o tempo
DARK — Terminei de assistir a serie alemã e pirou meu cabeção!. Apesar do tema viagem no tempo ser muito batido, definitivamente ela se destaca. Passando-se em uma cidade alemã fictícia, onde está instalada uma usina nuclear, a história começa em 2019, quando o jovem Jonas tenta se recuperar da morte do pai, que se enforcou, enquanto outros garotos desaparecem, o que dá o mote para investigações nesse e em outros tempos.
Primeiro, um comentário técnico: que fotografia perfeita. Acompanhando o clima de tensão da série, é tudo sempre muito escuro: usina nuclear, bunker, floresta, cavernas... e chove tempestades na maior parte do tempo. Para completar a ambientação, uma atenção uma trilha sonora incidental precisa, que imita discretamente uma sirene, nos fazendo lembrar que estamos perto da usina.
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| Foto da tela :"O homem pode, de fato, fazer o quer, mas não pode querer o que quer" Uma epígrafe |
Sobre a série em si, não esperem que eu faça nenhum comentário “explicativo”: há gente que está vendo há anos e ainda tenta entender. É que a ideia é muito boa, sustentada por teorias da física e da filosofia (alemães, né?), para colocar o Tempo como o vilão da trama. Claro que me lembrei da minha dissertação de mestrado sobre a negação do tempo e da história em Tutameia, de Guimarães Rosa. Muitos símbolos, muitas ideias.
Ele não é citado na série, mas me lembrei muito da Wakter Benjamin assistindo. Especialmente do conceito de Jetztzeit : o passado irrompe no presente como um relâmpago e ilumina presente passado futuro por alguns segundos.
Mais a cara de Dark que isso não há!
A série é boa de assistir? Depende muito do tipo de espectador que você é. Como é labiríntica, digamos que não é só entretenimento: é preciso prestar muita atenção para tentar entender a trama, a árvore genealógica e, mesmo assim, toda hora nos perguntamos, junto com os personagens, muitas vezes tão perdidos quanto nós: “o que é isso?”, “quem é esse?” e, sobretudo, “quando foi isso?”.
Como história bem contada, tem muitas referências, como o teatro, o mito de Ariadne e cientistas, além de inúmeros detalhes. Soma-se a isso o fato de que todo mundo tem a mesma cara (alemães iguais) e cada personagem tem sua versão jovem, adulta, idosa e até em outra dimensão, e a cada momento estão em um tempo diferente. É muito bom para se confundir!
Como eu maratonei as três temporadas seguidas e, mesmo assim, me confundi, imaginei como foi assistir em tempo real, esperando dias, meses ou até um ano para a continuação. Dureza...
Mas é muito boa. Uma das melhores surpresas que o streaming me ofereceu!
quarta-feira, 29 de novembro de 2023
Tempo literário
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| Meu livro de novembro 2023 |
SEM TEMPO, IRMÃOS: Lendo o livro de contos de Lygia Fagundes Telles (minha contista brasileira favorita) penso como cada pedacinho daqueles é,pode ser, um mundo que exige tudo de mim, percebo que não tenho tempo para informações que só me desconcentram. Guimarães Rosa estava certo, o tempo literário não é o cronológico, informativo. Literatura é muito maior e é dela que preciso.
sábado, 4 de novembro de 2017
Rappa Mundi, 20 anos depois
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Tempo e Quintana
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
O tempo nos Cadernos Manuscritos de Guimarães Rosa
"Destaca-se nesse material, especialmente para nós que desejamos repensar os questionamentos da História ali executados, que, tal qual acontece na experiência vocal, o tempo cronológico não é decisivo ali: na maioria dos Cadernos não encontramos nenhuma data, embora esses documentos, ainda assim, possuam sua historicidade . De qualquer forma, também é possível localizar neles algumas sutis marcas temporais, como quando Guimarães Rosa cita a neta Ooó (Vera Tess) ou algum dos textos que escreveu para a revista Pulso, indicando que aquelas inscrições foram feitas por volta da década de 1960, período no qual o autor contribuiu para tal periódico. Mas esse tipo de referência não cristaliza o tempo no manuscrito: não podemos dizer, por exemplo, que todo ou parte do Caderno no qual a data aparece foi preenchido naquele mesmo período, porque não podemos nos esquecer de que, na verdade, estamos defronte de um manuscrito literário e que seu tempo é aquele não linear da criação. Como o escritor possuía grande quantidade de Cadernos e poucos foram preenchidos até a última página, podemos cogitar que eles não eram usados de forma contínua, mas sim que seu emprego obedecia a alguma regra de utilização que desconhecemos. É justamente por causa de tal indeterminação temporal do manuscrito que é possível que coexistam ali as várias temporalidades distorcidas do processo de criação: a de quando a enunciação vocal foi ouvida, a de quando o autor a registrou, a de quando ele a reenunciou; a de quando ela foi revisada; e a de quando foi reinventada pela escritura."
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
O luto lento
Quando chegava o poder de chorar, era até bom - enquanto estava chorando, parecia que a alma tôda (sic) se sacudia, misturando ao vivo tôdas (sic) as lembranças, as mais novas e as muito antigas.Mas, no mais das horas, êle (sic) estava cansado. Cansado e como que assustado. Sufocado. Êle (sic) não era êle (sic) mesmo. Diante dêle (sic),as pessoas, as coisa s , perdiam o pêso (sic) de ser. "João Guimarães Rosa, Campo Geral, p. 79.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Passeios pela infância, com Walter Benjamin
Belas imagens como :
"Como uma mãe que aperta ao peito o recém-nascido sem o acordar, assim a vida trata durante muito tempo a recordação ainda tênue da infância." (Walter Benjamin, Varandas. In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento, p. 70.)
Ou mesmo :
"Todo mundo têm uma fada a quem podem pedir a realização de um desejo. Mas só poucos são capazes de se lembrar do desejo que formularam; e por isso só poucos reconhecem mais tarde, ao longo da vida, que o seu desejo foi satisfeito. (...) " Walter Benjamin, Manhã de inverno.In:Infância berlinense 1900, trad João Barrento, p. 82-3.
Inclusive, sobre esta imagem, achei neste link uma figura com ele todinha :
E, voltando ao livo, pude reler uma das mais belas :
terça-feira, 13 de março de 2012
Sobre o Tempo
sábado, 9 de julho de 2011
A ESCRIVANINHA
BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas II- Rua de mão única. São Paulo: Brasiliense.1995.Pp.118-120
domingo, 27 de dezembro de 2009
Caleidoscópio
"A gente bota essas experiências fortes de lado, mas elas ficam acontecidas dentro da gente; e os fragmentos delas formam um novo desenho lá no fundo do nosso caleidoscópio. Um caleidoscópio que o Tempo vai virando. Só que no nosso caleidoscópio as imagens viradas -mesmo parecendo que nunca mais vão voltar,acabam aparecendo de novo - porque a gente não deixa de se cada desenho que criou. "
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
GUIMARÃES ROSA: TRADIÇÃO DA RUPTURA?
"Basta con que se presente como una negación de la tradición y que nos proponga otra. Ungido por los mismos poderes polémicos que lo nuevo, lo antiquíssimo no es un pasado: es un comienzo. La pasión contradictoria lo resuscita, lo anima y lo convierte en nuestro contemporáneo." [Octavio PAZ. Los hijos del limo. P. 21]
Poxa, isso parece ser interessante, não é? Alguns não gostam da idéia (como o professor que ministou o curso que eu fiz sobre poesia mexicana), mas para mim - que estudo Guimarães Rosa a partir da História - é absurdamente genial.Isso porque Rosa declarou a seu mais conhecido entrevistador :
“Não sou um revolucionário da língua. Quem afirme isto não
tem qualquer sentido da língua, pois julga segundo as aparências. Se tem de haver uma frase feita, eu preferia que me chamassem de reacionário da língua, pois quero voltar cada dia à origem da língua, lá onde a palavra ainda está nas entranhas da alma, para poder lhe dar luz segundo a minha imagem.” [Günter LORENZ. Diálogo com Guimarães Rosa.P. 84]
Segundo Paz, pontos de vista como este são possíveis no contexto da modernidade porque este fenômeno histórico provocou tamanha aceleração do tempo histórico que a sua concepção de tempo assumiu outra configuração, onde não havia mais passado, presente e futuro perfeitamente definidos, mas sim uma unidade de tempo onde estas categorias borravam-se freqüentemente.
É por isso, talvez, que Paz, em "Signos em rotação", sentiu-se à vontade em defender idéias como a de que
"Nossa atitude diante da vida não está condicionada pelos fatos históricos, ao menos da maneira rigorosa com que, no mundo da mecânica, a velocidade ou a trajetória de um projétil encontra-se determinada por um conjunto de fatores conhecidos totalmente, pois mudança e indeterminação são as únicas constantes de seu ser - também é história." [P. 249]
Pois é, camaradas, meu mestrado defende essse tipo de idéia, que é algo muito diferente (disse diferente, nem melhor, nem pior...) do que muitos intérpretes do "conteúdo histórico" nas obras literárias fazem...Se pensarmos na crítica de Rosa então - na qual jagunços já foram interpretados como alegorias de grandes personagens históricos, por exemplo- qualquer coisa que eu falar, mesmo tendo um cabedal de peso me ancorando, vai ser meio que cutucar as onças...










