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domingo, 30 de maio de 2010

Somente uma questão de baixa auto-estima?

Confesso estar passando por sérios problemas existenciais.Claro que o que corre mais riscos com isso é minha pesquisa de doutorado, por vários motivos: eu fico desanimada, eu acho que ela não faz nenhum sentido para ninguém além de eu mesma e por isso é um estorvo assim como eu sou... blá, blá, blá.
Eu fico com essas sensações mais fortes em mim quando percebo que minha vida é mesmo minha pesquisa, mas que ela, apesar de ser tudo para mim,não se enquadra em lugar nenhum: Não é uma pesquisa literária (não sei fazer e nem quero fazer análises ou interpretações literárias), nem historiográfica (não estudo no Arquivo do Estado e nem meu tema é a escravidão, o açúcar no Século XVIII ou o marxismo)... é apenas uma pesquisa sobre a escritura de Guimarães Rosa, aquele que eu considero - e outros também consideram- o que temos de melhor por aqui.Claro que a maioria vai dizer que eu quero discutir o sexo dos anjos, mas é a minha pesquisa. Eu considero importantes as discussões sobre o imaginário,não é à toa que, como historiadora, declaro que meus livros favoritos são "Os reis taumaturgos" de Marc Bloch e "Visão do paraíso " de Sérgio Buarque de Holanda, que se questionaram práticas que apesar de parecerem discussões tolas, nos explicaram com mais propriedade os mecanismos intrínsecos de certas sociedades ou grupos sociais, como o caso da taumaturgia "explicava" muitos dos motivos medievais; e como o imaginário utópico foram a força motriz da colonização. Ora, eu pergunto, quantas coisas em nossas vidas são reais e quantas não são apenas construções virtuais, artísticas, lingüísticas ou simbólicas que se incorporam em nós até que elas mesmas se "encorparam" no mundo?
Assim é nosso universo espiritual, nossa pátria, nossos times de futebol,nossos autores favoritos... assim é a infância (eis o grande mote da minha pesquisa de doutorado)
O grande problema é que eu não sou nenhum Sérgio Buarque ou Marc Bloch, então que me dá atenção, além do meu orientador? Talvez (e talvez mesmo) meu namorado...
Só isso.

domingo, 11 de outubro de 2009

TRAUMAS DE INFÂNCIA : JESUS DO SBT

Não posso colar o vídeo aqui, só o link: http://www.youtube.com/watch?v=TmtQKStTV_I
Escrevi aqui outro dia, sobre como algumas crenças religiosas estavam tentando destruir o imaginário infantil...
Pois agora eu pude entrar em contato com vídeo que, durante a minha infância me aterrorizava!
Eu morria de medo do tom ameaçador da mensagem! O pior era o final
"VOCÊ TEM CERTEZA DE QUE JÁ FEZ TUDO O QUE PODIA PELO SEMELHANTE? PENSE BEM, POIS UM DIA VAMOS NOS ENCONTRAR..." (rs)
O problema era o seguinte: Eu não fazia idéia de quem era esse tal de meu semelhante, então com certeza eu não tinha feito nada por ele e a qualquer hora ESSE JESUS IA VIR ME BUSCAR! (RS)
Isso me dava muito medo! Que monstros, bruxas, duendes... eu tinha medo mesmo do JESUS DO SBT!
Isso tudo,que hoje euacho engraçado, me faz lembrar da catequização dos índios, que nada estavam entendendo direito, e recebiam sobre si, sem aviso prévio, essa carga ameaçadora, só podiam se converter MESMO!
É cada uma, né?

domingo, 13 de setembro de 2009

BRUXAS E O IMAGINÁRIO INFANTIL



Quando eu trabalhava como voluntária na biblioteca de uma escola pública, os livros infantis eram divididos por temas e o que fazia mais "sucesso" eram os das histórias de bruxas e fadas, por aí, para mim, o imaginário das crianças sempre foi povoado por serem fantásticos... um exemplo disse é o sucesso de Harry Potter e etc...
Pesquisando a história da cultura e da produção cultural, "descobri" o óbvio: no Brasil - o lugar que desde sempre era considerado o paraíso - o imaginário é uma das forças motrizes da história e ele tem se manifestado desde sempre, pelos mitos e lendas, pelas feiticeiras coloniais das Minas Gerais, mil outros exemplos interessantíssimos que me levam a não ter nenhuma religião: quero saber e entender de todas, todas, todas...
Uma pena que algumas pessoas (e até crianças) abraçam uma religião e a tomam como uma espécie de monopólio da felicidade... com isso acabam perdendo todo um imaginário riquíssimo que veio crescendo antes dela ... é uma perda cultural sem precedentes!
Sinto muito que isso esteja cada vez mais forte.